BK': Rapper, que faz show para mais de 50 mil pessoas, corre o país em turnê que inclui o Maracanã e fala da ligação entre o sucesso e sua mãe SEGUNDO CADERNO
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Área técnica contraria ato do presidente da Corte, que suspendeu grupo virtual, depois mantido no ar
Um parecer do grupo técnico de combate à desinformação do TSE enviado ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, afirmou não ter encontrado fake news no canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado pelo deputado André Janones. No domingo, Nunes Marques havia passado por cima do ministro Villas
Bôas Cueva, relator do caso, ao ordenar a suspensão do canal. Lula ontem criticou o ministro, dizendo que ele “não pode ter lado”. Após sua campanha acusar Janones de disseminar notícias falsas, Flávio pediu a seus eleitores para “correrem mais risco” em publicações nas redes para defender sua campanha. PÁGINA 6
Aceno religioso no dia da Padroeira
EDITORIAL
ATROPELO DO TSE É NOCIVO AO
EQUILÍBRIO DA CAMPANHA PÁGINA 4
MERVAL PEREIRA
Manifestações animam campanha de Lula, mas excessos trazem risco PÁGINA 4
MÍRIAM LEITÃO
Democracia correrá riscos em possível governo do PL PÁGINA16
PEDRO DORIA
Eleitor quer conservadorismo da direita e bem-estar da esquerda PÁGINA5
Proposta de Flávio mira regra fiscal ancorada na dívida pública, o que pode afrouxar cortes
Uma regra fiscal ancorada na trajetória da dívida, sinalizada no programa do candidato, pode, na prática, tirar pressão do compromisso com cortes de gastos. PÁGINA15
Após Nossa Senhora Aparecida ter sido um dos temas do primeiro turno, Lula e Flávio foram à missa no dia da Padroeira. O presidente foi à capela no Alvorada, e senador esteve na Catedral de Brasília PÁGINA8
Ato por
Lula enche
Copacabana
Apoiadores do presidente lotaram longo trecho da orla de Copacabana. No fim do dia, houve outro ato, na Lapa.
Moraes autoriza, e senador vai visitar o pai após 90 dias
Flávio vai à casa de Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe em 2022
Encontro não pode ter finalidade “político-eleitoral” nem divulgação de manifestos. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou a visita a pedido da defesa do ex-presidente. PÁGINA7
COMÉRCIO EXTERIOR Flávio quer se alinhar a Trump, e Lula, ao multilateralismo
Na segunda reportagem da série sobre programas econômicos, analistas destacam a busca por novos mercados, com abordagens distintas. Eles alertam, porém, que mudar a política ambiental prejudicaria exportações. PÁGINA18
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自由党(PL)预计将允许党团就取消 6x1 工作制进行投票
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PL deve liberar a bancada para votação do fim da escala 6x1
Candidato do partido, Flávio Bolsonaro já se declarou contra a proposta que reduz a jornada de trabalho e cuja aprovação é aposta de Lula para conquistar votos no 2º turno. PÁGINA15
ENTREVISTA/RICARDO NUNES 'MDB tem 17 diretórios no apoio a Flávio, mas número vai aumentar'
Prefeito de São Paulo foi um dos articuladores do apoio do partido ao candidato do PL, hoje majoritário. Ele prevê que Flávio Bolsonaro vai reduzir a vantagem de Lula na capital paulista no segundo turno. PÁGINA10
Política migratória de Trump faz disparar número de crianças vulneráveis nos EUA
Polícia anti-imigração tem separado milhares de crianças dos país, enviando-as para lares temporários ou deportadas sozinhas para país de origem. PÁGINA19
Censo mostra que a cidade tem cinco dos dez bairros do país com mais gente morando em apartamentos. Barra (foto), Copacabana e Tijuca estão no ranking.
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火灾烟雾导致亚马逊州 36 个城市进入紧急状态
浓厚的烟雾再次覆盖马瑙斯,使该州首府在全国空气污染指数中位居榜首。PÁGINA12
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Fumaça de incêndios deixa 36 cidades do Amazonas sob emergência
Camada densa de fumaça voltou a encobrir Manaus e deixar a capital do estado no topo dos índices de poluição do ar no país. PÁGINA12
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绝经期女性使用睾酮的优势与风险
了解科学研究如何评价这种由女性同样产生的激素疗法。PÁGINA21
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As vantagens e riscos do uso de testosterona pelas mulheres na menopausa
Entenda o que dizem os estudos científicos sobre a terapia à base do hormônio, que também é produzido pelas mulheres. PÁGINA21
SUL-AMERICANA Na Bombonera, Vasco encara Boca e busca o protagonismo perdido
Buenos Aires assiste a desfile de camisas vascaínas, reflexo do otimismo dos torcedores para jogo de ida da semifinal, hoje, contra o Boca Juniors. PÁGINA 30
Atropelo do TSE é nocivo ao equilíbrio da campanha
Justiça Eleitoral não pode se tornar instrumento de censura em favor deste ou daquele candidato
É
missão da Justiça Eleitoral zelar pelo equilíbrio na disputa entre candidatos, em especial no que diz respeito à propaganda. É esperado, por is-
so, que algumas normas que disciplinam a liberdade de expressão sejam mais rígidas durante a campanha. Decisões dos tribunais eleitorais têm de ser céleres para evitar danos, e isso sempre significou cuidados adicionais nos veículos de imprensa impressos ou eletrônicos. As redes sociais aguçaram essa preocupação, pois se tornaram foco de disseminação de desinformação.
Mas, se é verdade que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais precisam ser ágeis em suas decisões, isso não significa que devam ser açodados, muito menos que possam atropelar os trâmites regulares, sob pena não apenas de cometer injustiças, mas também de agravar a já nefasta partidarização da Justiça.
Ao determinar a suspensão de um canal de WhatsApp com 3,5 milhões de integrantes criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) para fazer campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, passou por cima do relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, a quem cabia decidir. Em seguida, Cueva, também corregedor do TSE, determinou a restauração do canal. Acionada por Nunes Marques, a área técnica do tribunal não viu desinformação no canal.
O atropelo é apenas o último episódio numa campanha que já viveu controvérsias em torno de Nossa Senhora Aparecida, do Bolsa Família ou de inteligência artificial, com apelos até ao Supremo. O TSE recebeu neste ano 698 processos das candidaturas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), quase o triplo da eleição de 2022 (263).
A judicialização crescente, a tentativa de encaminhar decisões a ministros simpáticos e, sobretudo, o atropelo do trâmite regular em nada contribuem para o equilíbrio da disputa. Recorrer ao Judiciário tem sido parte da estratégia das campanhas e, embora os números deem a impressão de que as decisões têm sido equilibradas — até o primeiro turno, foram 33 a favor e 23 contra Flávio; 30 a favor e 13 contra Lula -, vários fatos suscitam preocupação.
Na sexta-feira, Nunes Marques suspendeu três julgamentos no plenário virtual quando já havia maioria favorá- vel a Lula, contra o voto do relator, ministro André Mendonça. O próprio Mendonça ordenou que a campanha de Lula deixasse de impulsionar posts dizendo que Flávio é contra o fim da escala 6x1 ou com a frase “Se Flávio Bolsonaro vencer, você perde”, insinuando que ele cortaria programas sociais.
É evidente que casos flagrantes de desinformação devem ser punidos. Mas é fundamental que os ministros tenham o cuidado de não recair em simples censura, cerceando o direito à propaganda dos candidatos. Se Janones espalhou fake news em seu canal, que fossem derrubados apenas os posts que violam a lei eleitoral, e não todo o canal. Ao mesmo tempo, Flávio dispõe de uma onda de conteúdos discutíveis gerados pelo influenciador e ex-candidato Pablo Marçal, que também merecem vigilância. Ontem mesmo o TSE ordenou que Marçal apagasse um vídeo falso sugerindo consumo de drogas em ato de apoio a Lula na Avenida Paulista. Cabe à Justiça Eleitoral zelar pela paridade de armas na campanha e pelo cumprimento da lei eleitoral — e não se transformar em instrumento de censura em favor de um ou de outro candidato.
为了稳定公共债务而必须进行的调整——约为 GDP 的 2% ——需要采取苦药良方。没有其他选择。首先应将社会福利与最低工资脱钩,并将医疗和教育的强制性支出与收入脱钩。如果没有不受欢迎的措施,就不会有持久的平衡。未来的政府要么堵住榨取公共资源的管道,要么账目状况将趋于恶化,从而威胁到治理能力。
文章
cartas@oglobo.com.br
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Lula e Flávio precisam ser explícitos sobre seus planos de ajuste fiscal
Não haverá equilíbrio nas contas públicas sem medidas impopulares. O eleitor tem direito a conhecê-las
0 s candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisam ser mais claros sobre o que farão, em caso de vi-
tória, para sanear a economia. Embora um ajuste fiscal seja inexorável diante da deterioração crescente das contas públicas, as campanhas têm evitado se comprometer com propostas objetivas, preferindo a generalização, o anúncio de paliativos ou medidas inexequíveis. Prevalece a incerteza, como mostrou reportagem do GLOBO.
Entre as maiores despesas obrigatórias do governo estão as aposentadorias e pensões pagas pelo INSS e o Benefício de Prestação Continuada, destinado a idosos de baixa renda e cidadãos com deficiência. Hoje esses benefícios são vinculados ao salário mínimo, que tem sido corrigido acima da inflação. Como 70% dos beneficiários recebem o mínimo, não é difícil vislumbrar que, a cada reajuste, as despesas cresçam, aumentando o rombo da Previdência. Por mais que a questão seja impopular, não haverá ajuste sem encará-la.
Até aqui, Lula não tem emitido sinais de que mudará o rumo de suas políticas caso vença a eleição. Ao contrário. Enquanto sua campanha espalha que o adversário acabará com benefícios sociais (Flávio nega), seu plano defende a manutenção do arcabouço fiscal, a recomposição da arrecadação por meio do aumento de tributos ou redução de benefícios fiscais e o crescimento econômico para ampliar receitas. A estratégia não funcionou no atual governo — e não há motivo para funcionar no futuro. A deterioração das contas públicas tem se agravado com as medidas eleitoreiras recentes. Na sexta-feira, a pouco mais de duas semanas das eleições, Lula anunciou que zeraria impostos sobre combustíveis e ampliaria a subvenção a diesel e etanol. O impacto é estimado em R\$ 5,2 bilhões em um mês, acrescidos à longa lista de “bondades” anunciadas antes do pleito.
Flávio tem criticado o descontrole fiscal, mas parece não ter a menor familiaridade com a questão. Seus assessores têm falado num ajuste da ordem de R\$ 200 bilhões já no primeiro ano.
Seria uma ótima notícia, se fosse viável. Mas, além de tal patamar despertar dúvida, a campanha de Flávio não explica como chegaria lá. Seu programa fala apenas em medidas genéricas, como enxugamento de ministérios, cortes em cargos comissionados, redução de despesas administrativas, combate a fraudes no INSS ou melhoria na gestão de estatais. Ao mesmo tempo, garante que não haverá corte em benefícios sociais ou nas aposentadorias e que “o salário mínimo será reajustado acima da inflação”. São promessas incompatíveis. Difícil levá-las a sério.
O ajuste necessário para estabilizar a dívida pública — em torno de 2% do PIB — exige remédios amargos. Não haverá alternativa. A começar pela dissociação dos benefícios sociais do salário mínimo e pela desvinculação de gastos obrigatórios em saúde e educação da receita. Não haverá equilíbrio duradouro sem medidas impopulares. Ou o futuro governo fecha os dutos que drenam recursos públicos, ou a situação das contas só tende a piorar, ameaçando a governabilidade.
O marasmo da campanha presidencial do PT no primeiro turno sofreu uma reviravolta revigorante provocada pelo susto da derrota provável, não na cúpula da burocracia partidária, mas na base estudantil que tomou a frente das ações sem rédeas oficiais. As manifestações em diversas capitais, especialmente no Rio e em São Paulo, deram uma nova vida à candidatura à reeleição do presidente Lula, rejuvenescendo-a. A ação digital também melhorou. No entanto, esses avanços precisam ser mais bem avaliados para que não saiam do controle.
O caso da deputado federal Ana Elisa, eleita aos 21 anos por Minas, é exemplar. Tirada de seu nicho eleitoral para comandar a digitalização da campanha, trouxe junto um passado de ativista radical que em nada ajuda a tentativa de Lula de buscar entre os independentes e os que não votaram no primeiro turno os votos de que necessita para virar a eleição. As passeatas, além de exibir a força da juventude a favor de um candidato octogenário —neutralizando um dos pontos fracos de Lula
—, servem para extravasar radicalismos que em nada ajudam a campanha. Ela tem de buscar os votos que faltam no centro e na direita democráticos.
A campanha oposicionista dos Bolsonaros tem aproveitado esses fatos para explorar mais uma vez os perigos que, segundo eles, a permanência de Lula no poder poderia trazer ao país. O próprio Lula, empolgado com a recepção de um desses comícios, exagera seu entusiasmo com a retórica rancorosa que foi marca do PT em anos anteriores. Quem quer que o eleitor nude de voto tem de respeitar sua escolha, entender por que ela aconteceu e convencê-lo com fatos concretos, não com ameaças ou notícias falsas.
A depredação de prédios públicos, como as estações de metrô, e as pichações em nada ajudam a busca dos votos de centro. As manifestações de rua, que faziam falta
Empolgado com comícios, Lula exagera seu entusiasmo com retórica rancorosa, marca do PT em anos anteriores
na vida política do país, de qualquer maneira deram uma renovada de ânimo na militância petista e tornaram a campanha presidencial mais competitiva. A direita, que tomara conta das ruas em diversas oportunidades, começa a se movimentar ao ver que a esquerda acordou. As duas campanhas, porém, sofreram da mesma doença, a arrogância.
A de Lula, que ele mesmo disse ter sido a mais desorganizada de que já participou, menosprezou o adversário e assustou-se com o resultado do primeiro turno. Só assim saiu do estupor, não por reviravolta interna, mas pelo impulso autônomo dos estudantes em vários pontos do país. A campanha da direita, deslumbrada com o resultado do primeiro turno, deixou-se levar pela expectativa de poder, subiu no salto alto e não foi às ruas. Fez acordos políticos de cúpula, conversou entre seus apoiadores, chamou de volta o Centrão e deu-se por satisfeita. Já está até negociando lugares no futuro ministério, nomes para o Supremo Tribunal Federal (STF) e conversando com ministros do STF para um “acordão”.
A reação das ruas mostrou que o jogo só acaba quando termina, e já é possível prever a organização de manifestações populares da direita para se contrapor às já realizadas pela esquerda. Os bolsonaristas passaram até a usar sua influência nos tribunais superiores para tentar impedir a propaganda petista, vício de quem já se considera parte do sistema. A medida tomada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de tirar do ar um canal de propaganda do PT é mais uma demonstração de que nossos tribunais superiores, principalmente STF e TSE, agem de maneira menos jurídica e mais política.
Nunes Marques tomou uma decisão radical, alegando que o canal espalhava notícias falsas. Recebeu, no entanto, um laudo técnico afirmando que não foi constatada nenhuma notícia falsa no site do “Exército de Lula”, e agora quer um acordo entre as campanhas para evitar falsas informações. Teve uma atitude política, reflexo do ambiente de disputa que tomou conta dos dois tribunais, e cada ministro vai tomando as decisões que melhor servem ao seu lado.
\_\_周一\_\_ Carlos Alberto Sardenberg\_\_ Demétrio Magnoli(每两周一次)\_ Miguel de Almeida(每两周一次)\_ Irapuã Santana(每两周一次)\_ Preto Zezé(每两周一次)\_ Ana Paula Araújo(每两周一次)\_ 周二\_\_ Merval Pereira\_\_ Pedro Doria\_\_ Fernando Gabeira\_\_ 周三\_\_ Vera Magalhães\_\_ Elio Gasparí\_\_ Bernardo Mello Franco\_\_ 周四\_\_ Merval Pereira\_\_ Malu Gaspar\_\_ Julia Duailibi\_\_ 周五\_\_ Vera Magalhães\_\_ Pablo Ortellado\_\_ Bernardo Mello Franco\_\_ 周六\_\_ Thais Oyama\_\_ Flávia Oliveira\_\_ Eduardo Affonso\_\_ 周日\_\_ Merval Pereira\_\_ Dorrit Harazim\_\_ Bernardo Mello Franco
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A eleição presidencial não acabou, e quem acha que está decidida se engana. É verdade que jamais o vencedor do primeiro turno perdeu no segundo. Mas também é verdade que nunca a vitória de um sobre o outro foi tão estreita. Não bastasse isso, os votos que Flávio ganhou a mais, neste pleito agora, foram de Lula em 2022. Não se trata de um eleitor antipetista. Ainda assim, Flávio é favorito, e por uma razão apenas: tem errado menos. A pista que explica o que levou Lula à vitória em 2022 e deu a Flávio a vantagem nesta eleição pode estar na leitura que um jornalista americano faz dos Estados Unidos. É Chuck Todd, ex-diretor da sucursal de Washington da rede NBC. O eleitor deseja valores conservadores e uma política de Estado à esquerda. Nenhum lado do espectro político lhe entrega o que busca. Daí fica zanzando de um canto ao outro, sempre insatisfeito com o que o presidente lhe entrega.
A campanha de Lula erra mais porque não consegue encarar o fato de a classe C não querer patrão na sua vida. O PT sabe disso desde que a Fundação Perseu Abramo encomendou um estudo da maior classe social brasileira, em 2011. Reconhecer que a classe média baixa quer autonomia, e não emprego, seria admitir mudar radicalmente a concepção de Estado que a esquerda abraça faz um século. É menos política para que o patrão trate bem o empregado e mais política para tirar da frente qualquer dificuldade à formação de empresas. Principalmente as bem pequenas, com até dez ou 20 funcionários. Não é simples. Porque esses cidadãos seguem desejando um Estado de bem-estar social. Querem SUS com qualidade, escola pública, segurança e alguma forma de previdência social.
Todd fala, olhando para os Estados Unidos, que os eleitores querem uma “economia de esquerda”. Mas, lá, o país já facilita que a classe média baixa tenha seus negócios. O que o governo entrega pouco é o Estado de bem-estar social. Bernie Sanders ou Zohran Mamdani não têm dificuldade em entender que seu eleitor é dono de um pequeno negócio. É só na América Latina que a esquerda se prende à dualidade patrão empregado e toma o lado do segundo. Esse Estado que o eleitor deseja não é o que Flávio Bolsonaro oferece, o que a Fiesp quer ou aquele com que a Faria Lima sonha. Mas tampouco é aquele que a esquerda brasileira gostaria de construir.
É porque se recusa a encarar esse fato que o PT erra demais na campanha. Abraça teses como o problema estar na comunicação digital. Aí põe uma deputada muito jovem, recém-eleita, que tem uma quantidade imensa de seguidores. Ela realmente engaja. Engaja, porém, fazendo um discurso identitário. Brancos oprimem negros, homens oprimem mulheres, precisamos de um Estado que se imponha aos opressores. Basta piscar num vídeo da moça que o eleitor de quem Lula precisa vira as costas num segundo.
Ao achar que o problema está no meio digital, a esquerda considera que a questão é de formato. Não é. É de mensagem. Comunicação digital não é difícil. Os algoritmos das redes pedem uma identidade de grupo e um inimigo claro. Todo político de sucesso nas redes faz isso: nós somos vítimas deles. A esquerda identitária faz sucesso na mídia social por causa disso. E a direita radical faz mais su cesso pela mesma razão. Este é um jogo de grandes números. O discurso sobre valores de Nikolas encontra mais gente que concorda que o de Erika. Claro, para amealhar milhões de votos, ambos fazem sucesso. É só que há mais desses milhões de um lado que do outro. Não há mistério. Menos na cabeça de quem coordena a campanha de Lula. Porque acharam ótimo insuflar discurso de guerrilheira social a um eleitorado conservador. Porque seria vista. Pois é. Foi vista. Por isso mesmo virou um problema.
Flávio erra também. Os Bolsonaros erram muito. Mas o entorno político de Flávio não erra. Diz que não quer vingança, que não haverá radicais no ministério e que os programas sociais serão mantidos. Se é possível confiar nos Bolsonaros, esse é outro departamento. Eles fazem de tudo para provar o contrário. Eduardo diz que será chanceler e perseguirá diplomatas, o próprio Flávio posa como se já tivesse a faixa e fala em “redemocratizar” o país. Além disso, ainda não mostrou como entregar uma economia de Milei e manter os programas sociais. A conta não fecha. Mas, ao menos no lado da direita, tem gente falando o que o eleitor deseja ouvir. Isso reforça o favoritismo do senador.
A duas semanas da eleição o placar segue apertado.
Quando consultamos a localização no celular ou seguimos a rota de um aplicativo, raramente pensamos na infraestrutura que torna esses serviços possíveis. Menos evidente é sua importância para telecomunicações, sistemas financeiros, agricultura de precisão, transporte aéreo, logística e energia. Falamos de Posicionamento, Navegação e Tempo (PNT).
Ó GPS tornou-se sinônimo dessa tecnologia, mas é apenas um dos sistemas globais de navegação por satélite (GNSS, na sigla em inglês). Ele é controlado pelos Estados Unidos, assim como o Galileo pertence à União Europeia, o BeiDou à China e o Glonass à Rússia. Sem um sistema próprio, o Brasil depende de infraestruturas cuja operação, manutenção e governança são definidas fora do país.
O PNT, porém, é mais amplo. Permite determinar posições, orientar deslocamentos e distribuir referências de tempo precisas, indispensáveis para sincronizar redes, registrar transações financeiras e coordenar infraestruturas digitais. É uma infraestrutura invisível da economia digital.
Isso coloca uma questão estratégica: até que ponto um país com a dimensão territorial do Brasil pode depender de sistemas controlados por outras nações? Não se trata de deixar de usá-los, mas de evitar que essa dependência se transforme em vulnerabili dade. Em setores críticos, falhas, interferências ou restrições de acesso podem produzir efeitos em cadeia. Por isso, o debate internacional envolve resiliência, diversidade de fontes e manutenção de serviços essenciais em situações adversas.
Construir capacidade nacional significa desenvolver uma arquitetura adequada às nossas necessidades, combinando sistemas globais com recursos espaciais e terrestres. Os sistemas tradicionais usam principalmente satélites em órbita média da Terra (MEO), mas cresce o interesse
Sem um sistema
próprio, o Brasil
depende de
infraestruturas
cuja operação,
manutenção e
governança são
definidas fora por constelações em órbita baixa (LEO). Mais próximas da superfície, elas podem oferecer sinais mais fortes e complementar a arquitetura existente, ampliando precisão e robustez. A missão Celeste, da Agência Es-
pacial Europeia, já avalia uma camada LEO complementar ao Galileo e mostra que novas arquiteturas estão em teste.
É essa perspectiva que orienta os estudos do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Por meio do Observatório de Tecnologias Espaciais, o Centro analisa alternativas para uma capacidade brasileira de PNT, incluindo uma solução regional apoiada em satélites de baixa órbita e integrada às infraestruturas existentes. Voltada às necessidades brasileiras e sul-americanas, ela permitiria uma estratégia compatível com nossas capacidades e demandas.
O desenvolvimento de uma capacidade nacional de PNT também pode mobilizar diferentes segmentos do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Essa cadeia envolve satélites, relógios de alta precisão, eletrônica, telecomunicações, software, cibersegurança e processamento de sinais, além de estimular a formação de competências em tecnologias críticas. Soberania tecnológica não significa produzir tudo internamente, mas dominar elementos essenciais e reduzir dependências capazes de comprometer funções estratégicas do país.
A Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034 reconhece o setor espacial como estratégico para a soberania brasileira. O CGEE passou a integrar o grupo técnico que contribuirá para o Plano de Ação para o Desenvolvimento e Operação do Sistema Nacional de PNT e para seu modelo de governança. O desafio envolve implementação, financiamento, coordenação e continuidade. Infraestruturas dessa dimensão exigem visão de longo prazo e articulação entre governo, universidades, centros de pesquisa e empresas.
O Brasil possui competências científicas, experiência espacial, base industrial e aplicações que justificam esse esforço. Cabe agora transformar capacidades dispersas em estratégia e participar da construção das tecnologias da economia digital e espacial.
Anderson Gomes é presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos e vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências para as regiões Nordeste e Espírito Santo
A eleição não acabou, mas posso dizer que foi uma das mais singulares da História. Assisti a algumas antes e a todas depois da redemocratização. Uma das características de agora é a incontestável hegemonia das redes sociais.
Ouso dizer que essa hegemonia provoca nos eleitores o mesmo efeito que já vemos em nosso cotidiano: um déficit de atenção. Não discutimos tópicos de programas. Saltamos de um tema para outro, e eles se sucedem com rapidez. Nossa Senhora, “Dark Horse”, uma ou outra frase mal colocada pelos adversários. Os problemas deixam de tratar do futuro nacional e se transformam em simples trends.
Isso significa uma perda de conteúdo. Pouco sabemos da política externa do candidato vitorioso no primeiro turno. Claro, sabemos que se alinhará aos Estados Unidos. Mas isso não basta. Um país é diferente de outro, tem interesses específicos. Quem seremos nós, além de aliados dos americanos? Abriremos mão de nossa identidade, nos suicidaremos nos braços do outro?
Acho inadequado o termo pacificação. Não estamos em guerra. Mas uma tentativa, ainda que modesta, de unificar um país dividido poderia ajudar em alguns temas que dependem de um esforço nacional. Estamos diante de um dos mais poderosos El Niños da Histó-
Hegemonia das
redes sociais
provoca nos
eleitores o mesmo
efeito que já
vemos em nosso
ria. Podemos enfrentá-lo em conflito ou ter algumas concordâncias essenciais para reduzir os estragos.
cotidiano: um déficit de atenção
Antes mesmo do segundo turno, as tendências
vingativas aparecem aqui e ali. A expressão “sem anistia” muda de lado com uma incrível facilidade, como se a punição fosse uma das responsabilidades dos vencedores.
O que digo aqui não significa passar pano nos erros do Supremo. Eu mesmo fiz pressão por afirmar, um pouco antes do tempo, que era preciso reformá-lo de ponta a ponta. Os vencedores precisarão saber que o Brasil é um país complexo, que não é qualquer governo que consegue atender às expectativas de nosso povo. Essa história de ficar décadas no poder é uma ilusão. A alternância é a possibilidade mais forte. Olhem os Estados Unidos. Trump está à beira de perder suas primeiras grandes eleições.
Os eleitores de esquerda estão fazendo um extraordinário esforço para virar o jogo. Foram levemente minoritários no primeiro turno. Sua dedicação é algo que aponta também para o futuro. Nem sempre os líderes estiveram à altura de tanta energia positiva. Certamente, depois das eleições, os eleitores se tornarão mais importantes ainda e deverão avaliar sem paixão se a liderança, em caso de vitória ou derrota, não deveria se renovar, entendendo por isso não apenas a atração de jovens, mas uma sacudida nas suas ideias.
A História não acaba com a ascensão da direita. Ela pode se arrastar um pouco, mas o exemplo da Hungria está aí para mostrar como é dinâmico o curso das coisas num país.
Não sei se verei a eleição de 2030. Dentro dos limites, estarei aqui para lembrar como é surpreendente e rica nossa História. O diabo é que também é algo difícil de interpretar, tão rápidas e amplas são suas mudanças.
司法战争
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GUERRA JUDICIAL
TSE 意见书称卢拉频道未发现虚假新闻,与努内斯·马尔克斯相左,后者将召集各竞选团队
ELEIÇÕES 2026
PEPITA ORTEGA E LETÍCIA PILLE
politica@oglobo.com.br
BRASÍLIA
决定被推翻。
TSE 主席努内斯·马尔克斯将在选举法院法律战激战正酣之际,与各竞选团队的法律团队举行会议。
巴西高等选举法院(TSE)的技术顾问部门昨日告知法院主席卡西奥·努内斯·马尔克斯,自第一轮竞选结束以来,在拥有 3900万名参与者的 WhatsApp 频道“卢拉大军”(Exército do Lula)中未发现分享虚假新闻的情况。该空间由连任的联邦众议员安德烈·雅诺内斯(André Janones,Rede-MG)创建,在最近几天,随着路易斯·伊纳西奥·卢拉·达席尔瓦(Luiz Inácio Lula da Silva,PT)的支持者试图挽回选票劣势而发起动员,用户数从 50 千激增至数百万。
Parecer do TSE não vê fake news em canal de Lula e contraria Nunes Marques, que reúne campanhas
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PEPITA ORTEGA E LETÍCIA PILLE
politica@oglobo.com.br
BRASÍLIA
Decisão derrubada.
O presidente do TSE, Nunes Marques, que vai se reunir com as equipes jurídicas das campanhas em meio uma batalha de idas à Justiça Eleitoral
A assessoria técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou ontem ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, não ter identificado o compartilhamento de notícias falsas no canal "Exército do Lula", com 3,9 milhões de participantes no WhatsApp, desde o fim da campanha do primeiro turno. O espaço criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) pulou de 50 mil usuários para a casa dos milhões nos últimos dias, a partir da mobilização de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentam recuperar a desvantagem verificada nas urnas.
O grupo foi alvo de uma disputa de liminares anteontem, após a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) alegar que a ferramenta estava sendo usada para o disparo em massa de desinformação. O mesmo argumento de Flávio chegou a ser acatado por Nunes Marques, que decidiu suspender o grupo. No mesmo dia, contudo, o presidente da Corte foi desautorizado pelo colega do tribunal Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do tema na Corte.
O documento apresentado ontem a Nunes Marques pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE foi tratado por alguns ministros como um indicativo de que não havia provas para suspender o canal, como foi determinado pelo presidente da Corte. O parecer foi elaborado a partir de ordem do próprio ministro para verificar se o canal divulgara “afirmações” de que Flávio Bolsonaro “pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, estaria envolvido com milícia, reduziria aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada ou teria mandado cancelar o reajuste do Bolsa Família”.
“Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos. A verificação abrangeu os textos das mensagens, as pré- visualizações de links, inclusive as miniaturas e os títulos dos vídeos vinculados, assim como os áudios transcritos", registra o parecer do órgão.
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已预约会议
专家认为,TSE主席在周末采取的行动过于鲁莽,因为暂停该频道的决定是基于弗拉维奥竞选团队提交的一项行政上诉,该上诉涉及 WhatsApp 的母公司 Meta 涉嫌违反签署的选举承诺条款。而库埃瓦此前已负责处理涉及该频道的案件。
然而,该机构强调,无法确定这些帖子与法院已删除的内容是否等同。TSE 虚假信息顾问组强调的另一篇帖子是由雅诺内斯在 8 de outubro 发布,其中称在“竞选结束前不会发布一条虚假新闻”,且此前尚未发布任何此类内容。
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REUNIÃO MARCADA
O atodo presidente do TSE no fim de semana foi considerado um atropelo por especialistas, já que a decisão pela suspensão foi determinada em recurso de cunho administrativo, apresentado pela campanha de Flávio, sobre a suposta violação de termo de compromisso para as eleições assinado pela Meta, dona do WhatsApp. Cueva, por sua vez, já era responsável pelo caso envolvendo o canal.
Hoje, Nunes Marques terá uma reunião com as equipes jurídicas das campanhas de Lula e Flávio para conversar sobre o tema. A eleição de 2026 já se tornou um marco em termos de judicialização. Como mostrou levantamento do GLOBO, o TSE recebeu 698 processos envolvendo as duas principais candidaturas apenas até o último dia 4, um recorde considerando as duas últimas eleições presidenciais.
Ao manter o canal no ar, Cueva alegou que haveria “restrição à liberdade de expressão”. A assessoria técnica do TSE comparou os conteúdos disseminados no canal com aqueles citados na decisão de Nunes Marques. A assessoria ponderou que parte das publicações antigas do canal, realizadas em setembro, foram excluídas. Ainda apontou que há duas publicações feitas que podem ter o mesmo tema de conteúdos derrubados liminarmente pela cúpula do TSE, uma que trata da ligação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro e a declaração do candidato de que pretende “mudar” a Constituição.
O órgão, no entanto, destaca que não pôde determinar a equivalência destas publicações com conteúdo que já foi derrubado pela Corte. Outra publicação destacada pela assessoria de desinformação do TSE foi a feita por Janones, no dia 8 de outubro, que diz que não divulgará “uma única fake news até o final da campanha” e que nada havia sido divulgado até então.
在法律意见书中,技术顾问强调,是否存在“显著的动员和放大行为”应在 Meta 签署的“合规计划”中进行评估。“核实要素表明 (...) 这种具有煽动性语言的集中且同步的指导结构,直到 11 de outubro de 2026, 仍在运行,并被应用于围绕其他内容的动员,其动员和放大行为与服务保障机制的交互作用可被审查。”
该机构还建议,需要评估平台掌握的数据,以确定“合规”计划是否得到执行。在 Meta 签署的承诺条款中,关于 WhatsApp “频道”的指南规定,如果违反政策,该群组可能会被暂停。原因之一是传播“故意误导、冒充他人或蓄意歪曲的活动或内容”。
深入了解卢拉的军队
[...OMITTED...]
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PLANO DE CONFORMIDADE
Janones ganhou projeção política na esteira da greve dos caminhoneiros, em 2016. Dois anos depois, foi eleito para o primeiro mandato de deputado federal. Em 2022, atuou na linha de frente da batalha digital em favor de Lula.
O grupo que entrou na mira do TSE foi criado no primeiro semestre e multiplicou de seguidores na última semana. Janones envia orientações de postagens, de como viralizar nas redes e quais temas devem ser explorados. O deputado distribui “missões” em áudios e vídeos para alavancar mensagens da campanha do PT.
No parecer, a assessoria técnica ressaltou que a existência de “práticas de mobilização e amplificação relevantes” deve ser avaliada no “plano de conformidade” assinado pela Meta. “Os elementos verificados indicam (...) que a estrutura de orientações centralizadas e sincronizadas, com linguagem de agitação, permanecia em operação até 11 de outubro de 2026, aplicada à mobilização em torno de outros conteúdos, com práticas de mobilização e amplificação cuja interação com as salvaguardas do serviço pode ser examinada”.
O órgão também sugere que dados sob a guarda da plataforma precisariam ser avaliados para se saber se o plano de “conformidade” foi cumprido. No termo de compromisso assinado pela Meta, quando trata das diretrizes para “canais” no WhatsApp, a plataforma diz que o grupo pode ser suspenso se houver violações da política. Um dos motivos é propagação de “atividade ou conteúdo que proposalmente engane, se passe por outro, ou deturpe intencionalmente”.
Por dentro do exército do Lula
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主要发布内容
该频道发布公告、发帖指南,并转发卢拉、该连任议员以及左翼活动的内容,此外还指导执行“任务”。
这些任务包括在 X 平台上刷高话题标签,以便使其进入热门话题榜,以及要求发表评论、参加活动和使用与竞选相关的图像。
O canal divulga comunicados, orientações de postagens e replica conteúdo de Lula, do deputado reeleito e de eventos da esquerda, além de orientar "missões".
Entre essas missões estão subida de
hashtags no X, de
modo a figurar entre
os assuntos mais
falados, e pedidos para
comentários, participação em evento e uso de
imagens alusivos à
campanha.
Janones, que ascendeu na política por meio de lives durante a greve dos caminhoneiros, em 2016, também orienta comportamento nas redes.
Nos últimos dias, o canal se dedicou ao caso no TSE, que ajudou a multiplicar o tamanho do canal, e temas como Nossa Senhora Aparecida, e pediu para os seguidores 'esquecerem' o tema Vorcaro.
Canal do EXÉRCITO DO LULA no WhatsApp! Ative o sininho para receber as missões!
Criado em 15/04/2026
O QUE É
O 'Exército do Lula' é um canal de Whatsapp criado pelo deputado reeleito André Janones e que multiplicou de tamanho após o primeiro turno.
Sempre que vocês cumpirem uma missão curta, como essa, eu vou deletar pra não poluir aqui, ok? Essa matéria mesmo da página do Bacci já vou apagar 16:26
A revista Veja está tentando requentar uma fake News sobre dinheiro do Vorcaro pra documentario sobre Lula. Isso é notícia antiga, e que já foi desmentida à época. Além disso, ninguém quer saber desse assunto, prova disso é que o Flávio não perdeu um único voto com isso, mesmo com o áudio onde ele pede dinheiro pro Vorcaro sendo amplamente divulgado.
Portanto a orientação é: IGNOREM ESSE ASSUNTO! NÃO DESMINTAM, NÃO DEFENDAM O PRESIDENTE, não comentem, não engajem, nem leiam nada sobre isso. Apareceu no feed? IGNORA! Editada 07:52
Petista critica ministro; PL aponta mensagens apagadas em grupo
Oembate jurídico teve repercussão nas campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A equipe do senador do PL divulgou nota ontem para afirmar que o deputado reeleito André Janones (Rede-MG), criador do canal
"Exército do Lula", teria deletado 219 publicações em 18 minutos após a circulação de notícias sobre o questionamento judicial envolvendo o grupo no WhatsApp. Já o petista disse ontem que o presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, não pode ter lado na eleição ao abordar o caso.
A campanha de Flávio alega que, entre as mensagens apagadas, “estavam os links e as ordens que ligavam o canal a vídeos sobre a falsa informação do cancelamento do reajuste do Bolsa Família e de redução de aposentadorias". Segundo a equipe do candidato, a possibilidade de as postagens terem sido deletadas foi comunicada ao TSE, mas o relator do caso não determinou a preservação do conteúdo.
Em uma live ontem, em meio à disputa no TSE, Flávio convocou apoiadores a compartilharem publicações e retomarem a mobilização.
— Ninguém está tomando mais risco do que eu nessas eleições. Então, você toma um pouquinho de risco também. Estou te pedindo — disse.
Já Lula voltou a criticar a
decisão de Nunes Marques.
— Estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. — disse. — Não pode é o presidente da Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento, da igualdade de procedimentos. Tem que ter todos (os candidatos) o mesmo direito diante da Justiça Eleitoral.
Moraes autoriza visita de Flávio ao pai, mas sem ‘finalidade política’
Presidenciável disse que encontrará Jair Bolsonaro na manhã de hoje; veto após descumprimento de medidas durou 90 dias
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LETÍCIA PILLE
leticia.pille@bsb.oglobo.com.br
BRASÍLIA
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem a retomada das visitas do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, o expresidente Jair Bolsonaro (PL), preso e condenado por tentativa de golpe de Estado. O primeiro encontro será hoje, segundo o próprio candidato. Moraes proibiu, no entanto, reuniões com “finalidade político-eleitoral” e a divulgação de manifestos ou declarações do ex-chefe do Executivo sobre as eleições, inclusive por intermédio de terceiros — justamente o que acarretou a punição que estava vigente.
A decisão foi assinada após o encerramento do prazo de 90 dias das restrições impostas ao ex-presidente pelo descumprimento de medidas cautelares, em julho. As regras mais duras foram determinadas após Bolsonaro escrever uma carta em defesa da candidaturapresidencial do filho, violando medidas estabelecidas para que ele pudesse ter prisão domiciliar. A última visita ocorreu em 11 de julho.
O texto tinha sido divulgado por Flávio como forma de reafirmar o apoio do pai à campanha, num contexto de críticas da ex-primeiradama Michelle Bolsonaro ao enteado.
— Fiquei muito feliz que bem no dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que estou autorizado a voltar a visitar o meu pai. Hoje é só para agradecer todo mundo que está orando pelo nosso Brasil. Estou aqui fazendo minha parte — afirmou Flávio após participar de uma missa na Catedral Metropolitana de Brasília.
Segundo ele, a decisão de Moraes permite a retomada dos encontros não apenas na condição de advogado, mas também “como filho”. Por ser feriado, não seria possível realizar a visita no mesmo dia da decisão, disse o senador, antes de confirmar a ida de hoje à casa do pai, também na capital federal.
Moraes entendeu, ao acompanhar o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que “não houve qualquer fato superveniente” que indicasse a necessidade de eventual prorrogação do prazo de restrições. O ministro atendeu a um pedido feito pela defesa de Bolsonaro na semana passada.
Após três meses. O ex-presidente Jair Bolsonaro, em março, em prisão domiciliar: três meses sem falar com Flávio
Os advogados sustentaram que o ex-presidente quer voltar a receber regularmente seus familiares, “preservando-se dimensão relevante da convivência pessoal e familiar durante o cumprimento da pena, sem qualquer prejuízo às condições de segurança e fiscalização já estabelecidas”.
No último dia 10, Moraes já havia autorizado que Jair Bolsonaro voltasse a receber visitas permanentes de cinco familiares: o irmão Renato Bolsonaro, eleito deputado federal, as cunhadas e os sogros.
Quando impôs a restrição de visitas, em julho, Moraes entendeu que a afirmação de Flávio de que o pai tinha enviado uma mensagem “imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação” sinaliza que o condenado “tinha plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais, o que configuraria igualmente desrespeito a medida cautelar a que está submetido”.
Bolsonaro foi condenado em setembro do ano passado a 27 anos e três meses de prisão. Ele começou a cumprir a pena em regime fechado, mas, depois de 122 dias em duas cadeias diferentes, conseguiu a domiciliar em março com base em problemas de saúde.
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重新播放
同样在昨天,弗拉维奥在电视上的竞选节目在播放时没有声音,该片段将被重新播放。巴西高等选举法院(TSE)将此问题归因于“媒体池”(pool de mídia)的技术故障,该结构是由各传播公司与法院合作建立的。
Também ontem, o programa eleitoral de Flávio na TV foi veiculado sem som, e a peça será reexibida. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atribuiu o problema a uma falha técnica no “pool de mídia”, estrutura montada pelas próprias empresas de comunicação em colaboração com a Corte.
O pool centraliza o recebimento dos materiais das campanhas e faz a geração do sinal distribuído para todo o país. O TSE também informou que o arquivo foi corrigido e poderá ser reexibido mediante solicitação da campanha, mas não indicou a nova data.
O tribunal explicou que, antes da exibição, as propagandas de Flávio e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaram sem som no momento da “finalização” das mídias, um problema técnico que ocorreu depois do envio do material pelas campanhas. Como a propaganda de Flávio foi ao ar primeiro, houve tempo, segundo o TSE, para corrigir o problema com o material do PT.
Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral) informaram que o material de Flávio foi originalmente recebido do PL “em perfeitas condições”, e a ocorrência foi “comunicada prontamente ao TSE”.
"A operação do grupo único para a transmissão da propaganda eleitoral, modelo consolidado ao longo de diversas eleições, é realizada de forma compartilhada pelas emissoras participantes que disponibilizam profissionais e equipamentos para o recebimento, preparação, geração e distribuição do sinal da propaganda eleitoral", explica a nota.
MARIA ISABEL OLIVEIRA
CHARLES VIEIRA/DIVULGAÇÃO
Alvorada. Lula e Janja com imagem de Nossa Senhora: petista participou de missa no palácio
Catedral. Flávio entre a mulher Fernanda e o vice Gaspar: evangélico, candidato acena a católicos
Divisão em Aparecida e candidatos em missas marcam dia da padroeira
Na data dedicada a Nossa Senhora, Lula e Flávio vão a celebrações em Brasília; no interior de SP, romeiros manifestam apoio às campanhas, mas veem uso da religião
PABLO PORCIUNCULA/AFP
Religião em disputa. Romeiros fazem sinal com as mãos em apoio a Lula
MARIA ISABEL OLIVEIRA
Presença. Alckmin participa de celebração no Santuário Nacional de Aparecida
À direita. Wallace Ribeiro fez questão de usar a camisa da seleção na missa
À esquerda. João França com os pais em Aparecida: relato de hostilidade
A pós a polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, marcar o primeiro turno das eleições, os dois candidatos à Presidência que seguem na disputa participaram ontem de missas no dia dedicado à santa. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em uma celebração na capela do Palácio da Alvorada, seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), foi à Catedral Metropolitana de Brasília. Já no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, fiéis se dividiram sobre a politização da data.
Lula é católico e convidou um grupo restrito para acompanhar a missa, celebrada pelo padre jesuíta Álvaro Pimentel. Estavam presentes o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o senador Camilo Santana (PT-CE).
— Recebemos aqui para homenagear a Nossa Senhora Aparecida, sobretudo num instante que Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião dos outros. Esse gesto é para poder mostrar que, em um país civilizado, harmônico, democrático, cada um segue a religião que quiser e todos nós temos de respeitar — disse o presidente após a missa.
Já Flávio, que é evangélico e foi batizado em 2024, participou de uma missa na Catedral de Brasília acompanhado da esposa, Fernanda, e do candidato a vice em sua chapa, Alfredo Gaspar, que é católico. A cerimônia religiosa foi celebrada pelo padre Agenor Vieira, pároco da catedral.
Ó senador se sentou na primeira fileira, acompanhou trechos da missa pelo folheto litúrgico e cantou junto em alguns momentos. Parte dos assentos em frente ao altar foi reservada para autoridades e políticos que acompanharam a comitiva. Entre os aliados do candidato presentes estavam a senadora eleita Bia Kicis (PL-
DF), o deputado Izalci Lucas (PL-DF) e Daniella Marques, coordenadora da área económica da campanha, além de familiares. A deputada federal Simone Marquetto (MDB-SP), que chegou a ser cotada para a vaga de vice na chapa de Flávio, entrou na catedral carregando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Flávio chegou a cogitar uma visita ao Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, mas desistiu da ideia diante do risco de reavivar a polêmica envolvendo a padroeira na campanha. Em setembro, o senador precisou rebater a alegação de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.
O senador, que nega intenção de adotar a medida se eleito, foi associado a um projeto apresentado no Congresso em 2007 que propunha restringir o título de padroeira aos brasileiros católicos e acabou arquivado em 2008. Impulsionado nas redes sociais, o tema foi parar no Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), que determinou a remoção de publicações sobre o assunto.
No Santuário Nacional de Aparecida, a missa solene celebrada ontem pelo arcebispo Dom Mário Antonio da Silva fez um apelo à pacificação:
—Jesus manda construir a paz, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões com armamentos, guerras e tantos confrontos entre nós. O evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os
PABLO PORCIUNCULA / AFP
inimigos. O evangelho nos autoriza a construir pontes.
A missa contou com a participação do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e de sua mulher, Lu Alckmin, além da deputada federal Tabata Amaral (PSB) e do marido, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT).
— Defendemos a liberdade religiosa. Cada um pode ter a sua religião, deve respeitar a religião dos outros, até quem não tem religião. Então essa é a beleza, o Brasil é um país de paz — disse. — Ano passado não teve eleição e estávamos aqui, ano que vem não terá eleição e estaremos aqui.
A passagem de figuras públicas pela basílica é uma tradição na política nacional. O expresidente Jair Bolsonaro foi ao complexo religioso em pelo menos três ocasiões nos últimos anos, incluindo feriados da padroeira. Em disputas anteriores, José Serra, Dilma Rousseff, Fernando Haddad e Ciro Gomes também incluíram o destino no Vale do Paraíba em suas rotas de campanha.
Alckmin foi festejado por apoiadores que se concentraram em uma das saídas. Eles entoaram gritos de ordem e em defesa da reeleição do presidente. No momento em que o vice começou a descer as escadas, vaias se misturaram a aplausos e cânticos favoráveis ao presidente, que prevaleceram. Alckmin defendeu a liberdade religiosa:
No templo, a transformação de Nossa Senhora Aparecida em alvo de disputa narrativa das eleições não passou despercebida pelos devotos que lotaram a basílica. O ambiente foi de tranquilidade, marcado por demonstrações políticas silenciosas e isoladas, com alguns vestindo camisa do Brasil e outros com peças vermelhas.
O romeiro Wallace Ribeiro Santoro Vidal, de Guaratinguetá (SP), fez questão de comparecer à basílica vestindo a camisa da seleção como forma de manifestação política. Ele diz que as acusações contra Flávio foram uma narrativa fabricada pela esquerda.
—Não se deveria usar a fé e a religião para mentir, ganhar voto ou jogar o povo católico contra um político. Criaram uma narrativa, que nunca existiu, de que iriam fechar igrejas ou tirar o título de Nossa Senhora Aparecida por causa da religião dele — afirmou.
Já João França saiu da vizinha Pindamonhangaba para fazer a romaria vestindo uma camisa em apoio a Lula. Apesar de pregar a liberdade religiosa e a manifestação pacífica, ele relatou ter sido hostilizado assim que pisou na basílica, recebendo gritos de ofensa de outros frequentadores:
— A gente que se identifica como de esquerda é constantemente atacado. São ataques realmente de ódio, de baixo ca-lão, pessoas dizendo que queriam que a gente morresse porque a gente discorda deles. Isso mostra o quanto o país e a democracia estão doentes, o Brasil não respeita a liberdade de manifestação individual.
A fadiga com a politização virou alvo de católicos que trabalham na estrutura do evento. A voluntária Ana Maria Soares Silva vê a polêmica eleitoral sobre Nossa Senhora como sinal de desespero da esquerda ancorado em “desinformação para rachar a sociedade”.
— Eu entendi tudo que aconteceu como fake news do Lula, porque não existe candidato no mundo que vá querer entrar numa treta com uma imagem nacional —criticou.
Eleitora histórica do PT, Maria Conceição de Moraes, de 70 anos, contou que esconde o voto dos filhos, mas que decidiu vestir vermelho para a missa após o episódio envolvendo a padroeira:
— Não devia nem existir essa mistura de religiosidade com política, porque às vezes a Igreja fala uma coisa, o povo interpreta outra, e aí surgem essas polêmicas. De 1 a 10, eu daria nota 4 para tudo isso nesta eleição, não foi positivo nem mesmo para o meu candidato.
THOMAS
TRAUMANN
O
thomas@thomastraumann.com
若获胜,弗拉维奥将比其父亲更强大
如果能在第二轮投票中确认其领先优势,弗拉维奥·博索纳罗(Flávio Bolsonaro)进入普拉纳托宫(Palácio do Planalto)时的力量将比其父亲雅伊尔(Jair)在 2019 年时更强,且政治环境将是自 1994年费尔南多·恩里克·卡多索在雷亚尔计划的狂热中获胜以来最温和的。对比弗拉维奥·博索纳罗若赢得第二轮投票而掌权时的具体情况:
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Se vencer, Flávio chegará mais forte do que o pai
Caso confirme o favoritismo no segundo turno, Flávio Bolsonaro chegará ao Palácio do Planalto com mais força do que o seu pai, Jair, em 2019 e com o ambiente político mais amansado desde a vitória de Fernando Henrique Cardoso na euforia do Plano Real em 1994. Compare as circunstâncias em que Flávio Bolsonaro pode chegar ao poder se vencer o segundo turno:
A possível vitória de Flávio depois da derrota de Jair Bolsonaro em 2022, seu julgamento e condenação por tentativa de golpe de Estado dará à família uma legitimidade popular similar à de Donald Trump no seu segundo governo. Ao contrário da imprevisibilidade e improvisação de 2018, os eleitores de Flávio Bolsonaro em 2026 sabem o que estão comprando. Ninguém poderá se dizer surpreendido.
Com 28 senadores e 121 deputados, o PL é o maior partido do Congresso neste século. Somados aos bolsonaristas do PP (6 senadores e
MARIA ISABEL OLIVEIRA/7-9-2026
Pai e filho. Manifestação de bolsonaristas na Av. Paulista
41 deputados), União Brasil (6 e 46), Republicanos (5 e 41), Podemos (2 e 9) e Novo (3 e 7), além da maioria do MDB (8 senadores e 36 deputados), um governo Bolsonaro poderá eleger os presidentes das duas Casas, aprovar projetos e, dependendo do tema, mudar a Constituição. Jair Bolsonaro nunca teve uma situação tão confortável. O fato de os partidos do Centrão não terem apoiado Bolsonaro desde o início vai diminuir seu espaço no eventual governo. Ao contrário do que aconteceu no governo de Jair Bolsonaro, agora é o PL que vai delimitar o poder do Centrão na disputa por cargos.
Base da resistência a Jair Bolsonaro, o STF será a grande vítima da volta da família ao poder. Se Alexandre de Moraes não renunciar, sofrerá impeachment pelo novo Senado. O projeto de reforma judicial vai propor transferir a competência criminal do STF para os Tribunais Regionais Federais e para o Superior Tribunal de Justiça, transformando a Corte num órgão constitucional. A mudança retira do STF quase todos os inquéritos envolvendo políticos, inclusive as investigações sobre desvios de verbas das emendas parlamentares, hoje nas mãos do ministro Flávio Dino.
Por mais genéricas que sejam as promessas de reforma da equipe econômica, os investidores acreditam num pote de ouro ao fim do arcoíris. Em apenas um dia, na segunda-feira (5), os investidores estrangeiros ingressaram com US\$ 10 bilhões na Bolsa de Valores. De acordo com analistas, o efeito imediato de uma vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno será uma alta contínua na Bolsa, desvalorização do dólar e uma baixa nos juros futuros. Se os projetos do eventual governo Bolsonaro 2 forem frágeis como aparentam ser, a euforia pode ser apenas uma bolha. Mas o otimismo do mercado assegura ao eventual novo governo uma lua de mel de mais de três meses.
Em 2018, mesmo depois do impeachment de Dilma Rousseff, a operação Lava-Jato e a prisão de Lula, a esquerda tinha um norte: a volta de Lula. Mas, se o bolsonarismo vencer no final do mês, a esquerda ficará sem perspectiva de poder. Lula está velho demais e não preparou sua sucessão. A esquerda terá que construir um novo candidato a partir da derrota. O lulismo tem menos de 120 deputados e 20 senadores, insuficientes até para bancar uma CPI. No caso de derrota, sem um candidato natural e com as previsíveis divisões, a esquerda estará frágil para resistir a um governo que começará forte.
A questão, portanto, é: o que Flávio pretende fazer com circunstâncias tão favoráveis? Com maioria para comandar Senado e Câmara, ele elencou ao longo da campanha as seguintes prioridades:
Libertar seu pai e anular o julgamento do golpe de Estado; anular a condenação ao irmão Eduardo; reformar o Judiciário, reduzindo o poder do STF; reduzir a maioridade penal para 16 anos e, em alguns casos, 14 anos; adiar a implantação da Reforma Tributária, prevista para entrar em vigor em janeiro; flexibilizar o licenciamento ambiental e diminuir os poderes do Ibama; ampliar o próprio mandato para cinco ou seis anos, cancelando as eleições de 2030.
Jair Bolsonaro chegou ao Planalto repartindo poderes com seu mentor econômico, Paulo Guedes, uma dúzia de generais reformados e sob desconfiança do establishment político. Ao longo do mandato, ele enquadrou os militares, entrou em acordo com o Centrão e encolheu a agenda Guedes. Flávio Bolsonaro chega a outubro de 2026 comendo um saco de sal com um grupo mínimo de pessoas fiéis: o pai, o irmão Eduardo, o coordenador de campanha Rogério Marinho, a porta-voz de economia Daniella Marques, o marqueteiro Duda Lima e o jornalista Fábio Portella — os únicos que estiveram com ele nos momentos difíceis. Ele não deve nada ao mercado financeiro e ao empresariado, que duvidaram de suas chances, e ao Centrão, que o abandonou e agora corre para agradá-lo.
Com poucas dívidas e com condições objetivas de poder mudar a Constituição, Flávio tem sido evasivo sobre reformas econômicas. A sua agenda económica segue uma parolagem de “cortar desperdícios”, reduzir o número de ministérios e vender ativos da União
—medidas que não fazem cócegas no crescimento da dívida pública.
Com quase 40 senadores eleitos apenas com a promessa de impichar o ministro do STF Alexandre de Moraes, o Senado não terá tempo nem disposição para debater outra pauta no primeiro semestre do ano que vem. O encolhimento dos poderes do Supremo é a prioridade zero da volta do bolsonarismo. A economia a gente vê depois.
Já é 2027 em Brasília. Desde a vitória de Flávio Bolsonaro e dos candidatos de direita no primeiro turno, o mundo político entrou em um universo paralelo no qual o segundo turno de 25 de outubro é uma mera formalidade. Em uma semana, todos os partidos que se recusaram a apoiar Flávio passaram a se estapear para aparecer nas fotos com os vencedores, enquanto os políticos que cobravam explicações sobre o dinheiro recebido do banqueiro Daniel Vorcaro esqueceram o que disseram e se humilham por um lugar no eventual novo governo.
Na ressaca da derrota no primeiro turno, a ex-ministra Kátia Abreu ganhou aplausos ao defender que a campanha deveria ter “mais Alckmin e menos Janja”. Ela falou em público o que 90% dos integrantes da campanha lulista dizem em privado. A onipresença da primeira-dama pode ser resumida na última propaganda de TV do presidente Lula no primeiro turno. Ao recontar sua história, Lula não fala sobre a perda de Marisa Letícia, sua segunda
O clima de “já ganhou” começa pelo próprio Flávio, que reconheceu que seu projeto de acabar com a reeleição para presidente inclui a extensão do próprio mandato para cinco ou seis anos. No PL, há uma corrente majoritária planejando adiar todas as eleições de 2030 para 2032, gerando uma eleição única de vereador a presidente. Por trás do projeto está a ampliação dos mandatos não apenas do presidente, mas também dos atuais deputados estaduais e federais, senadores e governadores. Neste caso, a eleição de 2030 será cancelada. Na economia, há uma disputa entre o
mulher, com quem viveu por 43 anos e com quem teve três filhos. A exclusão é resultado da onipotência de Janja, que se casou com Lula em 2022.
Na semana final do primeiro turno, quando as pesquisas mostravam empate, Janja insistiu que a proibição de todas as bets iria trazer o voto de mães preocupadas com o vício de apostas de filhos e maridos. Também foi voz ativa para apoiar a recusa de Lula em comparecer aos debates de TV. Há consenso hoje de que foram decisões mal pensadas.
grupo que ficou com Flávio quando tudo parecia perdido, a favor da dupla Marcelo Kayath e Adolfo Sachsida, e do outro o establishment empresarial pressionando pela escolha do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Kayath é apoiado por Eduardo Bolsonaro; Campos Neto pelo governador Tarcísio de Freitas. Com Rogério Marinho favorito para presidir o Senado, o PL se prepara para ganhar a Câmara. Os deputados Sóstenes Cavalcanti e Altineu Côrtes já se lançaram e quem trouxer mais apoios do Centrão, deve levar.
Nem ruas, nem redes. A maior esperança para Lula virar o jogo no segundo turno está no Senado. Amanhã, o Senado começa a votar o fim da escala 6x1, aprovada em maio pela Câmara e engavetada até agora pelas desavenças entre os presidentes Davi Alcolumbre e Lula. Apoiado por sete de cada dez brasileiros, o projeto é a maior oportunidade para Lula sair das cordas.
São necessários os apoios de 49 dos 81 senadores em duas votações para aprovar o projeto que garante duas folgas semanais e a redução da jornada de trabalho máxima de 44 para 40 horas.
Flávio Bolsonaro é visceralmente contra o fim da escala 6x1. Ele defende o projeto do senador Rogério Marinho que propõe um regime por hora trabalhada. Pela proposta, o salário, férias, 13º salário e FGTS serão pagos de forma proporcional às horas efetivamente trabalhadas. A proposta é apoiada pelas entidades patronais.
Ato a favor de petista ocupa Praia de Copacabana, no Rio
Mobilizações semelhantes ocorrem nas capitais desde a última semana
LUIS FELIPE AZEVEDO
E JÚLIA COPLE
politica@oglobo.com.br
Tradicional palco de manifestações bolsonaristas nos últimos anos, a Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, teve vários quarteirões ocupados ontem por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O candidato à reeleição, que no domingo participou de um movimento parecido em São Paulo, ficou em Brasília para acompanhar as celebrações do dia de Nossa Senhora Aparecida e não prestigiou o ato carioca.
Majoritariamente com roupas vermelhas, os lulistas levaram bandeiras de apoio a Lula e cartazes críticos ao adversá- rio no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL). Boa parte dos participantes usava adesivos com o nome e o número do candidato e gritava palavras de ordem em defesa da soberania
—uma das bandeiras da campanha, que acusa os Estados Unidos de tentar intervir na eleição brasileira em prol da candidatura bolsonarista.
"Queremos a quebra do sigilo de todos os envolvidos com o Banco Master", lia-se em um dos cartazes na multidão, em referência ao escândalo financeiro que marcou a disputa deste ano. "Juventude vota contra as bets", dizia outro póster, com menção à proibição das empresas de apostas, uma das medidas adotadas pelo governo federal na reta final do primeiro turno.
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拉帕拱门集会
下午时分,一场由里约桑巴和狂欢节代表参加的集会在市中心拉帕拱门(Arcos da Lapa)前开始。在演讲过程中,主权理念、劳工议题和文化捍卫成为核心。
参加拉帕集会的人员包括 Imperatriz Leopoldinense 的狂欢节设计师莱安德罗·维埃拉(Leandro Vieira),以及桑巴歌手 Neguinho da Beija-Flor、阿尔林迪尼奥(Arlindinho)和特蕾莎·克里斯蒂娜(Teresa Cristina),此外还有当选议员尼西亚·特林达德(Nísia Trindade)和
No meio da tarde, teve início um ato com representantes do samba e do carnaval carioca em frente aos Arcos da Lapa, no Centro. Durante os discursos, a ideia de soberania, a pauta trabalhista e a defesa da cultura foram as protagonistas.
Entre os participantes na Lapa estavam o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, Leandro Vieira, e os sambistas Neguinho da Beija-Flor, Arlindinho e Teresa Cristina, além de políticos como os deputados eleitos Nísia Trindade e
Campanha. Manifestação pró-Lula toma quarteirões da Praia de Copacabana
GABRIEL DE PAIVA
Marcelo Freixo e o reeleito Lindbergh Farias, do PT.
—O mundo do samba está aqui para cantar a democracia — afirmou Freixo.
Lula esteve em mobilização semelhante em São Paulo no domingo, com milhares de apoiadores ocupando a Avenida Paulista. O ato foi organizado pela União Nacional do Estudantes (UNE) e por centros acadêmicos universitários e contou com um palanque robusto, que incluiu o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador do estado, e os candidatos derrotados ao governo, Fernando Haddad (PT), e ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
O movimento de turbinar a campanha com manifestações nas ruas e nas redes começou logo após o primeiro turno, quando Flávio apareceu à frente. Entre aliados do presidente, há expectativa pelas pesquisas Quaest e Datafolha que serão divulgadas nesta semana.
ENTREVISTA
Ricardo Nunes/ PREFEITO DE SÃO PAULO
Articulador da ala do partido que oficializa hoje apoio a Flávio Bolsonaro, emedebista vê espaço para ampliar aval de diretórios estaduais e nega negociação para indicar eventual ministério
Articulador do acordo que garantiu o apoio da maioria dos diretórios estaduais do MDB a
Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirma que o partido acertou ao adotar a neutralidade no primeiro turno e respeitar as “muitas forças políticas” da legenda. Ainda que o MDB tenha integrado a gestão petista com três ministros, teria sido um erro apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia. Agora, Nunes vê clima para ampliar o número de diretórios que decidiram endossar Flávio nas três semanas finais da eleição —hoje são 17. Hoje, o prefeito e outras lideranças emedebistas, como o presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi, promovem um ato em São Paulo oficializando a posição pró-Flávio.
Ao GLOBÓ, Nunes critica o governo Lula, rechaça qualquer possibilidade de apoiar Ricardo Salles (Novo) para sua sucessão, em 2028, e garante que vai trabalhar pela candidatura de algum integrante de seu secretariado.
ativamente pela eleição do Flávio Bolsonaro, mas seu partido declarou neutralidade no primeiro turno. Agora, a maioria dos diretórios estaduais do MDB decidiu apoiar Flávio. Por que a mudança de posição?
Desde o início, declarei apoio ao Flávio, fui um dos primeiros. Conversei com ele, que me convenceu de que estava bem intencionado para fazer uma boa gestão, e que era um nome forte para tirar o PT, que vem fazendo uma gestão péssima, particularmente com a cidade de São Paulo. Uma perseguição absurda. Estou fazendo um programa habitacional sem um centavo do governo federal (o Pode Entrar). Ficam segurando nossas operações de crédito. Além de outras questões: R\$ 11 trilhões de dívida pública, uma gastança absurda, 82% da população endividada. Vejo no Flávio possibilidade de resgatar o país e dar uma condição de vida melhor para as pessoas.
Foi um erro o MDB não ter apoiado o Flávio já no primeiro turno?
Não, porque o MDB é muito grande, com muitas forças políticas. Seria um erro se tivesse apoiado o Lula. Meu papel foi o de mostrar, para as pessoas do MDB, que esse não seria um bom caminho. O partido tem três ministérios, e o fato de liberar os seus diretórios para poder apoiar quem quisesse, aí sim eu acho que foi um acerto.
Vai ter mais. Como são 27 diretórios, precisaria ter a maioria, se tivesse 14 já estava suficiente. Acho que os 17 é mais para poder mostrar de forma enfática que tem uma grande maioria. Os outros devem vir.
O MDB irá pleitear cargos num eventual governo do Flávio?
Não. O MDB tem que pleitear que não seja perseguido, que cada município governado pelo MDB tenha seus pleitos atendidos e que a economia macro possa evoluir bem.
“Acho que os 17 (diretórios pró-Flávio) é mais para poder mostrar de forma enfática que tem uma grande maioria. Os outros devem vir”
Ricardo Nunes (MDB), prefeito da cidade de São Paulo
Agora, pedir cargos, de jeito nenhum. Não participei de nenhuma conversa sobre isso, não teve nada sobre isso. Eugaranto que em nenhum momento teve nenhuma condição para apoiar ou uma sugestão de nome para ministérios.
Mas se houver essa procura, o senhor tem nomes que poderia indicar para o governo Flávio?
A minha equipe é muito boa, a gente tem nomes muito bons aqui. Não vou indicar ninguém, mas se o Flávio pedir alguém, como o Lula pediu... O (Robinson Sakiyama) Barreirinhas (procurador municipal de carreira de São Paulo e atual secretário especial da Receita
Federal) está lá, a gente tem pessoas daqui do nosso quadro que estão lá. Se precisar, obviamente a gente vai ceder.
O Flávio saiu com vantagem no primeiro turno e tem o apoio de quase todos os outros candidatos de direita. A estratégia dele deve ser a de "jogar parado", não ir a debates, por exemplo?
debates, por exemplo?
Acho que ele deve ir, ele tem que questionar o Lula sobre o filho dele (Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha) no caso do INSS, sobre a questão econômica. Só o fato do Flávio ir para o segundo turno na frente do Lula já deu uma melhorada na economia. As pessoas já enxergam no Flávio uma segurança maior na condução econômica do país. A gente está reuni-do, fazendo, correndo, recebendo as pessoas, recebendo os partidos, sem salto alto. A eleição é quando fecha a urna, às 17h do dia 25 de outubro.
Ainda que tenha recebido uma votação maior que o pai, Flávio perdeu para Lula na cidade de São Paulo e mais 13 municípios da Região Metropolitana, mesmo com seu apoio, do governador Tarcísio de Freitas e de vereadores. Por quê?
O Tarcísio teve 1,2 milhão de votos a mais do que teve na última eleição aqui na capital. A diferença do Flávio (em relação ao Lula) foi bem pouca. Na eleição anterior foi de 650 mil votos e, nesta, de 300 mil. Se você imaginar 300 mil votos no universo de uma cidade de 12 milhões de habitantes, a diferença é pequena. Porque 1% de São Paulo representa muitos “por cento” em qualquer estado. Então foi uma grande vitória, a gente pode avançar e ampliar. É lógico que o PT jogou muito forte aqui na capital, do ponto de vista de estrutura de campanha. Mas ainda podemos considerar uma vitória o avanço do Flávio.
Há espaço para avançar no segundo turno na cidade?
Elevai ter mais votos no segundo turno do que teve no primeiro turno aqui, porque teve votos que foram para o Ronaldo Caiado (PSD). O Gilberto Kassab (presidente nacional do PSD e vice de Caiado) é daqui, então também houve uma estrutura grande de campanha. E a gente vai agora poder focar um pouco mais na campanha do Flávio. Porque eu tive que pegar muitas frentes, a campanha do Tarcísio, da cha
特雷莎和阿尔科隆布雷分别来自 PP-União Brasil 联邦联盟的政党,该联盟上周宣布支持弗拉维奥——这被认为是总统卢拉(PT)的一次挫败。阿尔科隆布雷没有参加会议,这释放了一个信号,表明他可能不会明确认可弗拉维奥。这两个党派的众议员和参议员,现在我们可以只专注于弗拉维奥,向人们展示联邦、州和市政府之间保持一致的重要性。如果我能与联邦政府达成一致……因为我之前什么都没有,只有抵制。联邦政府一直在抵制圣保罗市。一直都在抵制。
Tereza Cristina fala em ser 1ª mulher a presidir Senado
Parlamentar, que está no meio do mandato e encabeçou apoio do PP-União a Flávio, disse que conversa sobre o assunto
Quase uma semana após encabeçar o apoio do PP à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, a senadora Tereza Cristina (MS), líder do partido, afirmou que gostaria de ser a primeira mulher a presidir o Senado. Em entrevista à GloboNews, a exministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro citou conversas com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre o tema.
—Eu sempre disse que gostaria de ser a primeira mulher presidente do Senado, mesmo porque eu tenho comigo que esse talvez seja o meu único mandato no Senado, não sei se eu quero disputar outro, e gostaria de deixar um legado, principalmente para as mulheres — disse.
A parlamentar também apontou que, além de conversas com Alcolumbre sobre a sucessão, toca no assunto com Rogério Marinho (PLRN), colega de Casa e coordenador da campanha de Flávio.
-É claro que eu, sendo uma senadora de centro-direita, vou estar muito mais alinhada com o Rogério Marinho, que também tem essa pretensão (de presidir o Senado).
Tereza e Alcolumbre compõem partidos da federação PP-União Brasil, que declararam apoio a Flávio na semana passada — o que foi considerado um revés para o presidente Lula (PT). Alcolumbre não participou da reunião, numa sinalização de que não deverá avalizar Flávio explicitamente. As duas siglas pa de deputados e de senadores, agora a gente vai poder focar só no Flávio, mostrar para as pessoas a importância que é um alinhamento do governo federal, estadual e municipal. Se eu tiver um alinhamento com o governo federal... Porque eu não tive nada, só boicote. O governo federal só boicotou a cidade de São Paulo. Boicote o tempo inteiro.
O senhor foi um dos mais críticos à candidatura de Ricardo Salles (Novo) ao Senado. Ele acabou desistindo dias antes da eleição, mas aliados já falam que ele fez esse movimento de olho em disputar a prefeitura de São Paulo em 2028. O senhor apoiaria o Salles? Jamais. O Salles é uma pessoa que tem uma dificuldade muito grande de civilidade. Para cuidar de uma cidade de 12 milhões de habitantes com tantas questões, uma cidade que é muito rica e que é muito pobre ao mesmo tempo, isso não funciona. O Salles, em hipótese alguma, terá o meu apoio. Primeiro porque ele é um irresponsável, fica fazendo críticas e denúncias levianas sem nenhuma prova.
Desejo de comando.
Tereza Cristina no Senado: parlamentar já falou com Alcolumbre sobre querer presidir a Casa
Quem são os melhores nomes para disputar a Prefeitura?
Alguém que seja do meu time aqui, que está me ajudando a entregar. Vai ser alguém do meu secretariado, porque eu preciso dar continuidade na- quilo que a gente está fazendo, a gente tem metas muito ambiciosas na área de drenagem, na área habitacional.
E qual o seu futuro político? Um caminho natural seria ocupar uma secretaria do Tarcísio, para depois se cacifar ao governo estadual, ou é possível um cargo num eventual governo do Flávio?
Não sei. Difícil falar isso. Ainda tenho dois anos e três meses de mandato, o que me preocupa é chegar lá no final do meu mandato com a avaliação boa e com as entregas. Essas coisas vão acontecendo naturalmente. Se eu terminar com uma boa aprovação e aparecer bem o meu nome na pesquisa, com baixa rejeição, é natural que o meu nome surja.
Para qualquer cargo, é uma coisa natural. Agora se eu terminar mal avaliado com uma rejeição alta, eu encerrei minha carreira. Vou trabalhar todo dia pra poder concluir com uma boa aprovação.
têm representantes na Esplanada petista e se mantiveram neutras no primeiro turno.
Ao ser questionada se disputaria o cargo contra Alcolumbre, Tereza Cristina afirmou que a possibilidade não foi descartada.
— Isso nunca foi colocado, eu sempre disse a ele que gostaria de ser a sua sucessora. A sua sucessora pode ser agora ou pode ser depois, então a gente tem que ver como é que as coisas vão se encaminhar.
A senadora frisou que as articulações para o comando do Senado dependem do resultado das eleições. Também disse que vê espaço para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na Casa a partir de 2027.
Pauta antifeminista garante votação recorde impulsionada nas redes
Tendência global, mulheres conservadoras são eleitas com oposição a bandeiras do movimento de igualdade de gênero
ELEIÇÕES 2026
HYNDARA FREITAS
hyndara.freitas@sp.oglobo.com.br
SÃO PAULO
Foi com o slogan “a maior inimiga das feministas de São Paulo” que a vereadora de Praia Grande (SP) Eduarda Campopiano (PL-SP), de 23 anos, se elegeu deputada estadual com quase 2 milhões de votos (menos que seus 2,6 milhões de seguidores no Instagram), maior votação do estado. Uma de suas referências é a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), de 35 anos, que este ano se tornou a parlamentar mais votada da história de Santa Catarina, com 387 mil votos.
A eleição das duas é parte de um movimento que cresceu na última década, impulsionado pelas redes sociais — as duas superam a casa dos 2,5 milhões de seguidores nas redes — e com raízes no conservadorismo cristão. Autora de livros que contestam a história do feminismo, Campagnolo ne ga, por exemplo, que o movimento tenha garantido o voto das mulheres. E também defende o “complementarismo”, teologia cristã que afirma que homens e mulheres têm papéis diferentes na sociedade.
Para a cientista política e professora Tatiana Vargas-Maia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a votação astronômica de mulheres abertamente antifeministas aponta para a formação de uma “nova identidade política”.
— O antifeminismo parece ter virado uma forma fácil de se dizer conservadora, defender a família tradicional, rejeitar o aborto e o que elas chamam de “ideologia de gênero” — avalia a professora da UFRGS.
MOVIMENTO INTERNACIONAL
O antifeminismo também ganha força na política de países como Estados Unidos, Espanha, Portugal e Chile, onde figuras como as deputadas Carla Toscano e Macarena Olona lideram o discurso contra a pauta.
No Brasil, onde mulheres chefiam metade dos lares, segundo o IBGE, as pautas variam conforme a classe social: da defesa da educação domiciliar (homeschooling) entre as mais ricas à cobrança por segurança pública e políticas para crianças com deficiência e autismo entre as mais pobres.
Das 108 deputadas federais eleitas este ano, 51 são de direita ou centro-direita, 47 de esquerda ou centro-esquerda e dez de centro. O Distrito Federal terá três mulheres no Senado a partir de 2027, todas alinhadas ao bolsonarismo: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022.
Em sua tese de doutorado na Universidade de Brasília (UnB), a socióloga Camila Galetti analisou as deputadas federais antifeministas eleitas em 2018 e identificou que a oposição ao aborto unifica mulheres de diferentes tradições religiosas. Mas há especificidades no campo “O antifeminismo parece ter virado uma forma fácil de se dizer conservadora, defender a família tradicional, rejeitar o aborto e o que elas chamam de “ideologia de género”
Santa Catarina. Ana Campagnolo: votação recorde
São Paulo. Campopiano: eleita com pauta antifeminista
Tatiana Vargas-Maia, professora da UFRGS
cristão. Evangélicas neopentecostais, que em geral vêm de igrejas de periferia, “estão mais associadas a pautas relacionadas à precarização da vida”.
Para a pedagoga e influenciadora antifeminista Cris Marina Correa, a “convergência cultural entre católicos e evangélicos” faz com que todo o “ecossistema de mulheres conservadoras” reaja quando uma vertente cristã se sente atacada pelo feminismo.
Discípula de Olavo de Carvalho, Correa conheceu feminismo na universidade, mas se afastou do movimento por ser contrária ao aborto. Hoje, ao lado de Campagnolo, está engajada na construção de uma base teórica para o antifeminismo brasileiro. Ela nega que a presença de antifeministas na política seja uma ameaça aos direitos das mulheres, inclusive ao voto feminino.
— Passamos anos sendo tachadas de retrógradas, burras, religiosas demais. Hoje, vejo essas meninas na política e fico muito contente. Eu já insistia que as mulheres cristãs não precisam ser feministas para exercer cargo público — diz Correa, para quem Campopiano “é a pontinha do iceberg” do movimento.
Para a antropóloga Jaqueline Moraes Teixeira, coautora de “Mulheres e extrema direita no Brasil” (Elefante), as conservadoras não rejeitam o feminismo “como um todo”, mas disputam suas pautas.
—Por exemplo: a violência doméstica tem se tornado cada vez mais central nas candidaturas de mulheres conservadoras. Só que elas não atribuem o combate às agressões à agenda feminista. Para elas, feminismo é legalização do aborto e uma espécie de ódio aos homens — aponta Teixeira, que é professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).
ESTRATÉGIAS PARA TRANSFORMAR AMBIÇÃO EM AÇÃO E AVANÇAR NA CARREIRA
Atreva-se, de Jenny Wood, apresenta estratégias práticas para sair da estagnação, tomar decisões mais ousadas e transformar ambição em crescimento profissional. Uma leitura sobre autenticidade, autonomia e construção de carreira no mundo contemporâneo.
环境部及气候变化部长若昂·保罗·卡波比安科(João Paulo Capobianco)与整合与区域发展部长瓦尔德斯·戈埃斯(Waldez Góes)在周日的空中巡视中确认了局势的严重性。由于首府的污染导致能见度不足且运行云底高度降低,代表团的起飞甚至一度被推迟。在视察返回后,卡波比安科将情况定性为比预期“更严重”,并透露在未受破坏的原始自然区域内发现了火点。
Fumaça deixa 36 cidades do Amazonas em estado de emergência, cobre Manaus, e FAB reforça combate
MICHAEL DANTAS/AFP
JÚLIA COPLE
julia.cople@oglobo.com.br
MICHAEL DANTAS/AFP
MICHAEL DANTAS/AFP
Riscos. Poluição, que faz mal à saúde, mobilizou ministérios do governo
Área afetada. Dentro da cidade, Zona Sul foi a mais impactada pela fumaça
S ob uma camada densa de fumaça que voltou a encobrir Manaus e colocar a capital amazonense no topo dos índices de poluição do ar no país, duas aeronaves KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB) iniciaram ontem uma ação de reforço no combate aos incêndios florestais que atingem regiões do Amazonas há pelo menos um mês. A mobilização militar e a chegada de comitivas de ministérios à região ocorrem em meio a um agravamento ambiental que já levou 36 municípios a decretarem situação de emergência e desencadeou uma troca de acusações públicas entre autoridades estaduais e federais sobre a responsabilidade do combate ao fogo.
A gravidade do cenário foi constatada em um sobrevoo realizado no domingo pelos ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. A própria decolagem da comitiva chegou a ser atrasada devido à falta de visibilidade e ao rebaixamento do teto operacional provocados pela poluição na capital. Ao retornar da inspeção, Capobianco classificou a situação como “mais grave” do que o esperado e revelou a identificação de pontos de queimada no interior de áreas nativas intocadas.
— Identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a mata. Nós vimos focos isolados e de difícil acesso, o que indica ação humana intencional para degradar o bioma e preparar o terreno para futuro desmatamento. É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas — declarou Capobianco.
A Polícia Civil do Amazonas informou que investiga a autoria dos incêndios criminosos. Apenas no mês de setembro, a corporação registrou 69 boletins de ocorrência relacionados a crimes ambientais no estado.
A crise na capital e no interior escalou ao longo do último mês. Os primeiros relatos do impacto da fumaça em Manaus datam de 8 de setembro, quando o acúmulo de fuligem na atmosfera começou a afetar a rotina da população. No dia seguinte, o governo estadual publicou um decreto proibindo o uso do fogo em todo o Amazonas.
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空气“不健康”
山火对城市人口的健康和日常生活产生了直接影响。连续 5 天,马瑙斯记录到了临界水平的大气污染指数。
全球污染物水平监测系统 IQAir 的实时监测显示,昨日早晨 6 点,该市的指数达到了 195,被视为“不健康”水平,其中 PM2.5 细颗粒物浓度为 123 微克 / 立方米 ($\mu$ g / m $^{3}$)。在阿曼多·门德斯区(Armando Mendes),亚马逊州立大学电子环境监测系统的监测将空气质量评级为“极差”,记录到的污染物浓度为 218,2 $\mu$ g / m $^{3}$。
面对大气污染的情况,马瑙斯市政府暂停了原定于周日和昨日举行的户外公共活动,包括“开放地带”(Faixa Liberada)活动、儿童城公园(Parque Cidade da Criança)的日程、格洛里亚海滨(Orla da Glória)和森林巨人公园(Parque Gigantes da Floresta)的活动,以及马瑙斯牛市(Feirinha do Boi Manaus)。该市自 24 de setembro 起就已处于警戒状态。为了缓解民众的困扰,卫生部派遣了统一医疗体系(SUS)国家力量团队,以加强该地区的医疗服务。
技术报告指出,山火主要集中在内陆以及马瑙斯南部的河道区域。根据亚马逊环境研究所(Ipam)科学主管 Ane Alencar 的说法,火势在卡雷罗(Careiro)、卡雷罗-达-瓦尔泽(Careiro da Várzea)和奥塔泽斯(Autazes)等市的影响最为剧烈。隶属于国防部的火灾面板(Painel do Fogo)统计数据显示,10 月的前十天,亚马逊州记录到 1.380 个火点,这一数量几乎是去年同期观察值的 3 倍。里约热内卢联邦大学(UFRJ)环境卫星应用实验室的测绘显示,本月前九天,该州的过火面积累计达到 122.794 公顷,比整个 10 月的历史平均值高出 97,3%。
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📄 Original Section
AR 'INSALUBRE'
As queimadas têm impacto direto na saúde e na rotina da população urbana. Pelo quinto dia consecutivo, Mauas registrou índices críticos de poluição atmosférica.
O monitoramento em tempo real da IQAir, sistema que vê o nível de poluentes em todo o mundo, apontou que, às 6h de ontem, a cidade atingiu a marca de 195, nível considerado “insalubre”, com concentração de partículas finas PM2.5 em 123 microgramas por metro cúbico ( $\mu$ g/m $^{3}$ ). No bairro Armando Mendes, o monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental, da Universidade do Estado do Amazonas, classificou o ar como “péssimo”, registrando 218,2 $\mu$ g/m $^{3}$ de poluentes.
Diante do quadro de poluição atmosférica, a prefeitura de Manaus suspendeu a realização de eventos públicos ao ar livre previstos para domingo e ontem, incluindo as atividades da Faixa Liberada, a programação do Parque Cidade da Criança, eventos na Orla da Glória e no Parque Gigantes da Floresta, além da Feirinha do Boi Manaus. O município já estava em estado de atenção desde o dia
24 de setembro. Para con- ter os transtornos à popula- ção, o Ministério da Saúde enviou equipes da Força Nacional do SUS para re- forçar os atendimentos médicos na região.
Os relatórios técnicos apontam que as queimadas se concentram predominantemente no interior e na calha ao sul de Manaus. Segundo Ane Alencar, direto-
ra de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o fogo atinge com mais intensidade municípios como Careiro, Careiro da Várzea e Autazes. Estatísticas do Painel do Fogo, vinculado ao Ministério da Defesa, mostram que nos primeiros dez dias de outubro o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, volume quase quatro vezes superior ao observado no mesmo período do ano passado. Mapeamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais, da UFRJ, indica que a área queimada no estado acumulou 122.794 hectares nos primeiros nove dias deste mês, valor 97,3% acima da média histórica para todo o mês de outubro.
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政治争端
环境问题引发了州政府与联邦政府之间的危机。这场争议始于亚马逊州军事消防队的指挥官奥莱尔索·穆尼兹(Orleilso Muniz)上校公开宣布,司法与公共安全部拒绝了该部队在 18 de setembro 提出的空中支援请求。消防队公布的文件证实,对方以国家公共安全秘书处设备不足为由,拒绝派遣四架灭火飞机。
州政府的版本遭到了整合部和环境部的反驳。环境部表示,已于 23 de setembro 通过联邦行动协调综合多机构中心(Ciman)提供行动支持,派遣了直升机、Air Tractor 灭火飞机以及来自巴西环境与可再生自然资源研究所(Ibama)和奇科·门德斯生物多样性保护研究所(ICMBio)的消防员。该部门还主张,州政府管理层甚至曾解雇了一支联邦消防员队伍。
O problema ambiental abriu uma crise entre os governos estadual e federal. A controvérsia teve início após o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, declarar publicamente que o Ministério da Justiça e Segurança Pública havia negado um pedido de suporte aéreo formulado pela corporação em 18 de setembro. Documentos divulgados pelos bombeiros confirmam a recusa do envio de quatro aeronaves de combate ao fogo sob a alegação de indisponibilidade de equipamentos na Secretaria Naci onal de Segurança Pública.
A versão do governo estadual foi rebatida pelos ministérios da Integração e do Meio Ambiente. A pasta do Meio Ambiente afirmou que disponibilizou suporte operacional em 23 de setembro por meio do Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman), enviando helicópteros, aeronaves de combate Air Tractor e brigadistas do Ibama e do ICMBio. A pasta sustentou ainda que a gestão estadual chegou a dispensar uma equipe de brigadistas federais.
Em coletiva realizada em Manaus, o ministro Waldez Góes afirmou que a atuação direta da União em municípios estava condicionada à formalização do decreto de emergência pelo governador Roberto Cidade (União Brasil), o que ocorreu no sábado. O reconhecimento por parte do governo federal foi publicado no mesmo dia no Diário Oficial da União. Góes rebateu as críticas do comando dos bombeiros:
— Seria prudente que o comandante do Corpo de Bombeiros, em vez de tocar fogo, apagasse fogo, se juntasse aos brigadistas e às equipes da Defesa Civil. Quando o governo do estado decreta a emergência e a gente reconhece no mesmo dia, todo o governo federal passa a ter legitimidade e legalidade para empregar recursos humanos, financeiros e materiais — disse Góes na coletiva.
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Rodrigo Gularte
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FORÇA-TAREFA
A força-tarefa mobilizada pelo governo federal conta com 11 aeronaves e 290 brigadistas em campo. Entre os equipamentos de maior porte estão os dois cargueiros KC-390 da FAB, equipados com o Sistema MAFFS. Os militares organizaram três decolagens diárias de cerca de duas horas cada para os cargueiros, com capacidade de lançar até 12 mil litros de água por saída nas zonas mais atingidas pelas chamas, incluindo áreas de florestas densas. Segundo a FAB, a operação exige voos em baixa altitude e baixa velocidade sob temperaturas elevadas, sem prejuízo à pressurização da cabine.
Pesquisadores apontam que a severidade das queimadas no Amazonas é agravada pela estiagem que atinge a Região Norte, associada aos efeitos do El Niño e às altas temperaturas. O prolongamento da seca reduz a umidade da vegetação, transforma a matéria orgânica do solo em combustível seco e dificulta a dispersão da poluição atmosférica nas cidades atingidas. As operações devem prosseguir ao longo desta semana sem previsão de normalização imediata das condições climáticas na região.
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Acusada de tráfico em Bali, brasileira pode ter prisão perpétua
Mulher de 36 anos é suspeita de tentar entrar com 3,6 quilos de cocaína líquida na Indonésia em frascos de produtos de higiene
BRUNO ALFANO
bruno.alfano@extra.inf.br
Uma brasileira de 36 anos corre o risco de ser condenada à prisão perpétua na Indonésia após ser flagrada com mais de 3,6 quilos de cocaína líquida escondidos em frascos de xampu e outros produtos de higiene pessoal. Segundo a polícia de Bali, uma das ilhas turísticas mais famosas do mundo, a mulher identificada apenas pelas iniciais TCDS foi presa na terça-feira da semana passada, após deixar o Brasil e desembarcar na ilha. A apreensão só foi anunciada ontem.
De acordo com as autoridades locais, a droga estava distribuída em sete frascos na bagagem da brasileira. A polícia classificou o caso como uma das maiores apreensões de cocaína líquida já realizadas em Bali.
—Estamos empenhados em garantir que não haja espaço para o tráfico de drogas ilícitas na região de Bali — afirmou à agência AFP o porta-voz da polícia, Kombes Ariasandy.
Segundo a polícia, a brasileira afirmou que recebeu ordens de outro brasileiro, identificado apenas como “G”, para entregar a droga a uma pessoa em Bali, em troca de US\$ 50 mil (cerca de R\$ 249 mil).
De acordo com a agência de notícias Antara, da Indonésia, ela saiu do Brasil na segunda-feira da semana passada e teria uma passagem de volta, partido de Bali, para o dia 3 de novembro de 2026. As autoridades locais não apontaram o aeroporto do qual ela saiu do país, nem para onde voltaria.
Em nota, a polícia local informou que a apreensão “tem como objetivo impedir a circulação de narcóticos na comunidade e reduzir o risco de abuso, que põe em perigo a saúde e a segurança pública”. O comunicado também informou que investigadores da Diretoria de Narcóticos da Polícia Regional de Bali estão buscando a origem da cocaína líquida, sua rede de distribuição e seu destino final.
Indonésia tem uma das leis antidrogas mais rigorosas do mundo, com previsão de pena de morte para crimes de tráfico. Embora o país mantenha uma moratória sobre penas capitais há vários anos, a brasileira poderá ser condenada à prisão perpétua caso seja considerada culpada.
除他们之外,25 岁的 Yuri Bezerra da Costa 在今年 2 月被判处 18 年监禁,原因是携带三
行李中的毒品。仅以缩写 TCDS 标识的该巴西女性承认,她为了换取 $ 50 千美元而贩运可卡因。
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CASOS DE EXECUÇÃO
A última execução no país ocorreu em 2016, quando um indonésio e três nigerianos condenados por crimes relacionados a drogas foram mortos por fuzilamento. Em julho deste ano, um piloto malaio também foi preso no país sob suspeita de traficar 70 mil balas de ecstasy.
Ao menos dois brasileiros já foram executados por pelotões de fuzilamento no país pelo crime. Recentemente, no entanto, uma nacional conseguiu escapar da pena capital (veja mais no box acima).
Além deles, Yuri Bezerra da Costa, de 25 anos, foi condenado em fevereiro deste ano a 18 anos de prisão por entrar com três
Droga na mala. Identificada pelas iniciais TCDS, a brasileira assumiu ter traficado a cocaína em troca de US\$ 50 mil
Em 2004, Archer foi preso no aeroporto de Jacarta enquanto tentava entrar com 13kg de cocaína escondidos nos tubos de uma asa-delta desmontada. Foi condenado a pena de morte e executado por fuzilamento em 18 de janeiro de 2015.
quilos de cocaína em Bali. Ele também foi multado em US\$ 57 mil (cerca de R\$ 284 mil) após ter sido preso em julho de 2025 no
Foi executado por tráfico em 29 de abril de 2015. Ele havia sido preso em 2004 ao tentar transportar 6kg de cocaína em pranchas de surfe. Seu diagnóstico de esquizofrenia paranoide motivou apelos humanitários, mas a pena foi mantida.
mesmo aeroporto em que a brasileira foi detida na semana passada.
Ainda segundo a Antara, Yuri transportou a droga
Foi detida no aeroporto de Bali com quatro quilos de cocaína distribuídos na bagagem no fim de 2022. Havia dito a parentes que viajaria ao país para passar a virada do ano com o namorado. Em junho, a brasileira foi condenada a 11 anos de reclusão.
do Rio de Janeiro para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e, em seguida, para Denpasar, já na Indonésia, antes de chegar a Bali.
Proposta sinalizada por Flávio pode afrouxar pressão por corte de gastos
FABIO GRANER E THAÍS
BARCELLOS
economia@oglobo.com.br
BRASÍLIA
A ideia de estabelecer uma regra fiscal ancorada na trajetória da dívida pública, sinalizada no programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e em declarações de seus porta-vozes econômicos, é uma estratégia que, na prática, pode acabar dando maior flexibilidade para a composição de uma estratégia de ajuste das contas públicas e tirar pressão por medidas mais duras do lado da despesa.
Como a dívida é resultado de muitos fatores, iniciativas como venda de ativos e antecipação de receitas (securitização), já mencionadas pela campanha bolsonarista, bem como a condução da política monetária, que não está no controle direto do governo, afetam seu resultado.
Até agora, a campanha do senador, que venceu a disputa no primeiro turno, não detalhou qual efetivamente seria sua regra fiscal, embora em seu plano fale em reformulação do regime atual (baseado em regra de gastos, que podem crescer até 2,5% acima da inflação e meta de resultado primário) “com regras claras focadas na estabilização e na redução da dívida pública”.
Caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno, os rumos da política fiscal ainda dependem de quem será escalado como ministro da Fazenda, uma decisão a ser tomada. Os economistas ligados à campanha, porém, já trabalharam em algumas ideias.
Para que tenha efetividade, a regra de dívida poderia ter, por exemplo, o acionamento de “gatilhos” de controle de gastos, que seriam ativados a partir de determinados patamares do indicador de solvência.
Uma das ideias, que já foi defendida publicamente pelo economista e ex-ministro Adolfo Sachsida, que ao lado de Daniella Marques conduz a formulação econômica da campanha do candidato do PL, seria que a regra ativasse um teto de gastos similar ao dos governos Michel Temere e Jair Bolsonaro. Nesse caso, o total de despesas sujeitas ao teto subiria apenas pela inflação.
Em um dos cenários, esse gatilho seria acionado rapidamente na trajetória considerada no plano de Sachsida, como ele revelou em entrevista ao GLOBO em junho. Mas esse não seria o único dispositivo. Caso outros patamares sejam superados, outras medidas de contenção fiscal seriam acionadas, embora não haja detalhamento sobre quais seriam.
Para o especialista em política fiscal e coordenador do Observatório Fiscal do FGV Ibre, Manoel Pires, mudar a regra em si não garante muita coisa, e o mais importante seria ter instrumentos efetivos para melhora do manejo das contas públicas.
—O limite de dívida é um referencial. Se você não tiver instrumento para alcançá-lo, não adianta de nada. Isso é uma referência de longo prazo para indicar aonde você quer chegar. O que importa, no fim das contas, não é se vai ter regra de dívida ou limite de dívida, mas como você vai estabilizar a dívida. Temos um Orçamento muito rígido. Você pode até melhorar a regra fiscal, mas se você não tiver um plano de ação fiscal, a regra em si não vale de muita coisa, vai só criar uma nova para descumprir — argumentou Pires, que já foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
O economista lembra que, nas últimas semanas, a campanha de Flávio Bolsonaro deu sinalizações de que irá na direção oposta de um ajuste fiscal, como uma nova renegociação de dívida dos estados, a negativa de que pretenda mexer na Previdência e no salário mínimo, até mesmo a sugestão de que não pretende fazer privatizações.
—Todos os indicativos de ontem para hoje, explícitos, vão no compromisso de não ter ajuste fiscal. Ao mesmo tempo, a portas fechadas estão prometendo um ajuste fiscal enorme — afirmou Pires. — Discussão de regra fiscal tem de vir acompanhada de plano de ação fiscal.
Também especialista na área fiscal, o economista Tiago Sbardelotto, da XP
Investimentos, avalia que uma regra que considere o tamanho da dívida em relação ao PIB seria um reforço importante para as atuais normas. Na sua opinião, o arcabouço atual não é ruim, mas tem-se mostrado insuficiente para alcançar a sustentabilidade da dívida pública.
Por outro lado, pondera Sbardelotto, um modelo ancorado no endividamento tem desvantagens, porque o indicador é influenciado tanto pelos juros quanto pelo Produto Interno Bruto (PIB) nominal, entre outros fatores. Então, um choque nesses indicadores pode alterar a trajetória da dívida mesmo sem qualquer mudança efetiva na política fiscal.
Sbardelotto avalia que uma regra fiscal orientada pela dívida poderia adotar ferramentas para evitar que fatores alheios à política fiscal disparassem o mecanismo. Ele defende também que a nova âncora deveria prever, entre os gatilhos a serem eventualmente acionados, um aperto no limite de gastos, reduzindo ou eventualmente zerando o crescimento real. Além de medidas como vetar reajuste para servidor até que o nível do endividamento baixasse:
— A dívida passa a ser a grande orientação das regras operacionais de resultado primário e de limite de despesas.
Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, também defende um modelo em que se considere o patamar da dívida para fazer ajustes nos parâmetros de crescimento real das despesas, atualmente de 2,5%.
Ela discorda de um desenho em que a regra da dívida seja a meta, justamente por haver vários elementos alheios ao fiscal que mexem com o patamar:
— A dívida e a sua trajetória são uma fotografia e um filme que resumem bem se o país está fiscalmente solvente. Dito isso, não é uma boa variável para ser meta, por essa questão de ter muitos parâmetros alheios ao esforço fiscal.
PL deve liberar bancada em votação do fim da escala 6x1
Flávio Bolsonaro tem se posicionado contra a PEC, uma das bandeiras de Lula
GERALDA DOCA
geralda@bsb.oglobo.com.br
BRASÍLIA
O PL, partido do candidato Flávio Bolsonaro à Presidência, deve liberar a bancada na votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1, segundo o senador Wellington Fagundes (PLMT), líder do bloco de oposição da Casa. O parlamentar afirmou que, embora a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro prefira abstenção, a maioria dos parlamentares avalia que é preciso se posicionar em relação à proposta.
Além do PL, as legendas de oposição ao governo no Senado devem liberar as suas bancadas, disse a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela foi escolhida para mediar as conversas entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e os partidos em relação à tramitação da PEC.
A estratégia deve ser definida em um almoço de integrantes da oposição ao governo, amanhã. As reuniões costumam acontecer às terças feiras, mas, por causa do feriado, alguns parlamentares não devem chegar a tempo.
MARINHO PELA ABSTENÇÃO
O texto substitui a jornada de seis dias de trabalho e um de folga por semana por uma de cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Flávio tem se posicionado contra a PEC. Ele defende um regime mais flexível, em que trabalhadores possam negociar a jornada com empregadores, conforme propôs o coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), já classificou a PEC de “um carro desgovernado e eleitoreiro descendo ladeira abaixo, supostamente dirigido por (Davi) Alcolumbre e Lula”.
— O posicionamento de Rogério Marinho é pela abstenção, mas a maioria da bancada avalia que os senadores devem se posicionar — argumentou Fagundes, líder do bloco de oposição.
Fagundes. "A maioria da bancada avalia que os senadores devem se posicionar"
A PEC é o único item da pauta do plenário do Senado nesta semana. Estão previstas duas sessões de debate sobre o tema, hoje e amanhã. Em seguida, a proposta poderá ser votada em primeiro turno, conforme já anunciou Alcolumbre.
O governo tem pressa e busca aprovar a PEC, bandeira da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em primeiro e segundo turnos antes de
25 de outubro.
Para acelerar a votação da proposta, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), deverá apresentar até amanhã um requerimento de calendário especial para a quebra de interstício.
O regimento exige cinco sessões de discussão antes da primeira votação. Foram realizadas três sessões na semana passada. Se a PEC for aprovada, há um intervalo de cinco dias úteis e mais três sessões antes do segundo turno. Mas é possível aprovar um requerimento para a votação do segundo turno logo em seguida.
Em cada votação são necessários 49 dos 81 votos (três quintos).
Entre alternativas avaliadas pela oposição, além da liberação de bancadas e abstenção, estão esvaziar o quórum e apresentar emendas de plenário. As emendas em discussão sugerem mudar o tempo de transição para seis meses. Pela proposta, a PEC entra em vigor 60 dias após a promulgação, quando a jornada cai de 44 horas semanais para 42 horas, recuando a 40 horas um ano depois. Também se discute abrir exceções para categorias com regime de escala, como petroleiros e aeroviários, por exemplo.
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado no início de setembro.
MÍRIAM
LEITÃO
blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao
miriamleitao@oglobo.com.br
Com Ana Carolina Diniz
这不是观点,而是事实
如果弗拉维奥·博尔索纳罗(Flávio Bolsonaro)执政,民主将面临风险。这不是观点,而是对事实——这一新闻原材料——进行分析后的结果。他的父亲在执政期间曾试图发动政变。博尔索纳罗家族内部虽有诸多争端,但在某些观点上完全一致:他们认为军事独裁时期是好的,崇拜布里良特·乌斯特拉(Brilhante Ustra)上校及其通过酷刑和杀害政治对手的方法,赞扬第5号制度法案(Ato Institucional número 5),认可前总统雅伊尔·博尔索纳罗(Jair Bolsonaro)的决定和言论,并否认在该政府期间存在策划政变的阴谋,而该阴谋最终导致了三权分立建筑群遭到物理破坏。
曾在雅伊尔·博尔索纳罗政府期间领导空军的卡洛斯·巴普蒂斯塔·朱尼尔(Carlos Baptista Júnior)准将出版了一本书,讲述了政府内部发生的事情。关于2022年7月5日的会议——在那次会议上,海莱诺(Heleno)将军主张在选举前必须“掀翻桌子”——准将表示:“与其说是孤立的声明,那次会面揭示了某种开始变得日益令人担忧的现象:在某些权力圈子内部,一种观点正被自然化,即如果选举结果与政府的预期相悖,那么该结果可能会不被接受。”
该准将在政变刑事诉讼中作为证人提供了证词。在《我说不:反政变战壕》(Eu disse não. Uma trincheira antigolpista)一书中,这位前空军司令讲述了许多事实,其中一些已为人所知,但他是从一名武装力量领导者的角度来叙述的。在讨论雅伊尔·博尔索纳罗破坏民主的行为时,最困难的是选择讨论哪些事实,因为事实实在太多了。
2025年7月,在自由党(PL)尚未提名他竞选总统之前,弗拉维奥·博尔索纳罗在接受《圣保罗页报》(Folha de S. Paulo)采访时表示,一名总统候选人只有在表现出致力于为其父亲及其他被定罪者争取特赦,并保证即使联邦最高法院(STF)反对也要实现特赦时,才能获得其政治团体的支持。他甚至说得更具体:“我们讨论的是可能性以及力量的使用。我们讨论的是权力之间直接干预的可能性。这一切都是人们不希望看到的。”
A democracia correrá riscos em um possível governo Flávio Bolsonaro. Isso não é opinião. É o resultado da análise dos fatos, matéria-prima do jornalismo. O pai dele quando esteve no governo tentou dar um golpe de Estado. A família Bolsonaro tem diversas brigas internas, mas total concordância sobre alguns pontos: acham que a ditadura militar foi boa, admiram o Coronel Brilhante Ustra e seus métodos de tortura e morte de adversários políticos, elogiam o Ato Institucional número 5, aprovam as decisões e palavras do ex-presidente Jair Bolsonaro e negam que durante aquele governo tenha havido conspiração para um golpe, que terminou com a quebra física dos prédios dos Três Poderes.
O brigadeiro Carlos Baptista Júnior, que comandou a Aeronáutica na administração de Jair Bolsonaro, publicou um livro contando o que houve no governo. Sobre a reunião do dia 5 de julho de 2022, aquela na qual o general Heleno defendeu que era preciso virar a mesa antes das eleições, o brigadeiro diz: “Mais do que declarações isoladas, aquele encontro revelou algo que começava a se tornar cada vez mais preocupante: a naturalização, dentro de determinados círculos de poder, da ideia de que o resultado eleitoral poderia deixar de ser aceito caso contrariasse as expectativas do governo”.
O brigadeiro prestou depoimento como testemunha na ação penal do golpe. No livro “Eu disse não. Uma trincheira antigolpista”, o ex-comandante da Aeronáutica relatou muitos fatos, alguns já conhecidos, mas pelo ângulo de quem comandava uma das Forças. O difícil quando se fala das ações de Jair Bolsonaro contra a democracia é escolher de quais fatos tratar. São muitos.
Quando Flávio Bolsonaro falou em usar o crescimento da direita no Congresso para mudar a Constituição, muita gente se assustou no Brasil. Todos os presidentes apresentaram propostas de emenda constitucional. Não era disso que ele falava, porque completou a frase informando que iria mudar a
Constituição “para redemocratizar o país”.
"A Constituição não é perfeita. Ela própria o confessa", disse Ulysses Guimarães, na promulgação da Carta, ao falar da possibilidade de emenda constitucional. Fernando Henrique, ao assumir, propôs uma PEC para acabar com o monopólio estatal na telefonia e no petróleo. Assim, ele privatizou as telefônicas e concedeu áreas de exploração de petróleo. Jair Bol
País pode optar por ignorar o histórico familiar e levar Flávio Bolsonaro ao Planalto. Mas os fatos até aqui permitem dizer que a democracia correrá riscos
sonaro, ao assumir, propôs uma PEC para a Reforma da Previdência. Lula em 2023 aprovou a PEC da Reforma Tributária. Ninguém achou que fosse golpe de Estado. O que pega desta vez é que Flávio falou em mudar a Constituição para “redemocratizar o país". O que não se pode mudar na Constituição? Exatamente isso: as cláusulas pétreas que sustentam a democracia em vigor no país.
Em julho de 2025, quando ainda não tinha sido lançado pelo PL à presidência, Flávio Bolsonaro disse em uma entrevista à Folha de S. Paulo que um candidato ao cargo só receberia apoio do seu grupo político se manifestasse compromisso com anistia a seu pai e a outros condenados, e que garantisse essa anistia mesmo que o Supremo Tribunal Federal fosse contra. E foi mais específico: “a gente está falando de possibilidade e de uso da força. A gente está falando da possibilidade de interferência direta entre Poderes. Tudo o que ninguém quer”.
O STF está fragilizado em parte pelos seus próprios erros. Mas quando Flávio disse isso
—ou quando fala agora em “redemocratizar” o país — ele não estava se referindo à prerrogativa do Senado de julgar o impeachment de algum ministro do Supremo. Ele estava falando exatamente em mexer no que é inalterável na Constituição: os pilares da democracia.
O país pode escolher ignorar todo o histórico familiar e levá-lo ao Planalto. Só que os fatos até aqui permitem dizer que haverá o mesmo clima de tensão constante sobre o Estado Democrático de Direito que houve no governo de Jair Bolsonaro, agravado pelo fato de que seria uma administração mais capaz de formar maiorias no Congresso, e as instituições teriam menos defesa, pela crise interna do STF.
A democracia não é um ponto de programa de governo. É a única base de todos os governos desde 1985, os bons e os ruins. O único regime que garante a alternância de poder, o sistema de freios e contrapesos e os direitos individuais. Na última vez que suprimiu a democracia, o país atravessou 21 anos de enorme sofrimento cívico. Nada disso é opinião. São os fatos.
Economia brasileira deve avançar 2,2% em 2026, ante estimativa de 2,4% divulgada em julho. Em 2027, recua de 2,2% para 1,9%. No cenário global, a perspectiva do Fundo é de 3,1% de alta neste ano e de 3,4% no próximo
FONTE: PANORAMA ECONÔMICO MUNDIAL, DO FMI
MAYRA CASTRO
mayra.castro@oglobo.com.br
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções de crescimento da economia brasileira para este ano e o próximo. No relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês) de outubro, a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 2,4% no documento divulgado em julho para 2,2%. Para 2027, a previsão caiu de 2,2% para 1,9%.
No cenário mundial, o FMI elevou a previsão de crescimento para 2026 de 3% para 3,1% e manteve a estimativa de 3,4% para 2027. Ainda assim, o Fundo alerta que a guerra no Oriente Médio, as tensões comerciais e as vulnerabilidades das contas públicas podem comprometer a atividade.
Em relação ao Brasil, o relatório indica uma desaceleração da atividade, após o crescimento de 2,3% registrado em 2025. Segundo o FMI, a perda de ritmo entre 2026 e 2027 reflete os juros ainda restritivos, voltados a levar a inflação de volta à meta, a retirada de estímulos fiscais e a incerteza global. Juros elevados encarecem o crédito e tendem a limitar o consumo e os investimentos.
Na comparação com abril, porém, a projeção de crescimento para este ano é maior: passou de 1,9% para 2,2%. Já a estimativa para 2027 recuou de 2% para 1,9%.
O Fundo prevê uma redução da inflação brasileira, medida pela variação média anual dos preços ao consumidor: de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027. Esses números referem-se à média do ano, e não à inflação acumulada em dezembro.
Para o mercado de trabalho, a estimativa é de aumento do desemprego. A taxa deve passar de 6% em 2025 para 6,2% neste ano e 6,8% no próximo.
As projeções para a economia brasileira ficam abaixo das estimativas para a América Latina e o Caribe, que devem crescer 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027. Enquanto o FMI prevê uma recuperação moderada da região no próximo ano, o Brasil deve perder ritmo.
Segundo o relatório, o choque nos preços de energia tem efeitos distintos sobre as economias latino-americanas, com ganhos para exportadores de commodities e perdas para importadores de energia. Na maioria dos países da região, o impulso vindo do setor de tecnologia oferece pouca compensação.
Para a economia mundial, apesar da revisão positiva para este ano ante o relatório de julho, o ritmo representa uma desaceleração frente ao crescimento de 3,5% de 2025. Na comparação com o documento de abril, a projeção para 2026 ficou estável, já a de 2027 subiu 0,2 ponto percentual.
Segundo o FMI, a atividade no primeiro semestre resistiu melhor do que o esperado à guerra no Oriente Médio e às tensões comerciais. Os investtimentos em inteligência artificial (IA) ajudaram a sustentar a demanda e o comércio global, compensando parte dos efeitos negativos do enca recimento da energia. Mas a adaptação do mercado energético também contribuiu para amortecer o choque.
O FMI projeta que a inflação global alcance 4,7% este ano, pressionada sobretudo pelos preços de energia e alimentos, antes de recuar a 4,1% em 2027.
Os efeitos desses movimentos, porém, variam entre os países. Exportadores de energia fora da região do conflito e economias que participam das cadeias de produção de tecnologia encontram condições mais favoráveis. Já países que dependem de energia importada e têm pouca ligação com o setor tecnológico enfrentam custos maiores, perda de poder de compra e menos estímulos à atividade.
O Fundo alerta que essa diferença pode ampliar as desigualdades entre países e dentro deles, com riscos maiores para economias de baixa renda e famílias vulneráveis. Além disso, uma guerra prolongada ou uma escalada no Oriente Médio pode manter os preços de energia e alimentos elevados, alimentar a inflação e reduzir o crescimento. Mas os estoques usados para absorver o choque estão diminuindo, o que deixa a economia mais exposta a novas interrupções no abastecimento.
O avanço dos investimentos em IA também traz riscos, inclusive de correção nos mercados.
Pesquisa busca adaptar pinus às mudanças climáticas
Outro objetivo é aumentar a produtividade da espécie, matéria-prima do papel
A PALAYRA DO CAMPO
GOBORU AL
CAROLINA MAINARDES
economia@oglobo.com.br
PONTA GROSSA (PR)
Com 1,9 milhão de hectares cultivados no país, sobretudo na Região Sul, o pinus é alvo de pesquisas que buscam avaliar os impactos das mudanças climáticas no setor de florestas plantadas, a fim de mitigar os riscos. Matéria-prima de papel e celulose, painéis de madeira, móveis, embalagens e biomassa energética, a espécie de origem americana chegou ao
Brasil há 120 anos e tem elevada produtividade.
Até a década de 1970, a árvore tinha uma produção média de 18 metros cúbicos por hectare ao ano no Brasil. Após anos de melhoramento genético, adaptação e manejo, a produtividade média chegou aos atuais 31,1 m $^{3}$ /hectare, contra 20 m $^{3}$ /ha ao ano nos Estados Unidos.
No Brasil, as espécies Pinus taeda e Pinus elliottii lideram os ganhos de produtividade e qualidade, sobretudo no Sul, onde clima e solo favoreceram a cultura.
O desafio é aumentar ainda mais a produtividade do pinus e ter materiais adaptados a mudanças climáticas, a fim de manter uma base genética ampla para ser usada no futuro — afirma Ananda Aguiar, pesquisadora de melhoramento genético da Embrapa Florestas, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
A estatal faz pesquisas para elevar a produtividade da espécie há cerca de 50 anos. Desde 2021, por meio do Projeto Cooperativo de Melhoramento Genético de Pi nus, a Embrapa Florestas também desenvolve pesquisas para identificar materiais genéticos mais adaptados às mudanças climáticas.
Mais seca. Cultivo de pinus em Ponta Grossa: produtor já vê mudanças
As pesquisas são feitas em várias regiões do Brasil, conta Ananda. Para avaliar a tolerância do pinus a geadas, temperaturas elevadas ou a períodos de seca, os pesquisadores plantam mudas em locais onde a espécie não tem uma boa adaptação. Também se busca descobrir qual a influência dos extremos climáticos na ocorrência de pragas, como a vespa-da-madeira e as formigas cortadeiras.
— Há muita variação entre as regiões, com chuvas intensas, alterações na temperatura e estiagem, o que favorece a eclosão de novas gerações de insetos — conta Ananda.
Além disso, os pesquisadores investigam como o pinus pode ajudar na mitigação dos gases de efeito estufa.
Os avanços nas pesquisas favorecem os produtores. Álvaro Scheffer Junior, diretor da Águia Florestal, empresa de plantio e industrialização de madeira de Ponta Grossa (PR), diz que a produtividade nas áreas do grupo passou de cerca de 18 m $^{3}$ /ha ao ano, no início da década de 1970, para mais de 40 m $^{3}$ /ha ao ano hoje.
Segundo Scheffer Junior, a mudança no regime de chuvas da região, que ficou mais seca, provocou um aumento na produção de sementes pelas árvores e também fez suas raízes atingirem níveis mais profundos:
— A planta vai tentando se adaptar e perpetuar a espécie.
诺贝尔经济学奖授予关于如何减少危机与通货膨胀的研究
美国人罗伯特·E·霍尔(Robert E. Hall)和迈克尔·伍德福德(Michael Woodford)开发了指导中央银行利率决策的模型
MAYRA CASTRO
与 ANNA JÚLIA STECKELBERG
economia@oglobo.com.br
美国经济学家罗伯特·E·霍尔(Robert E. Hall)和迈克尔·伍德福德(Michael Woodford)于昨日被宣布为 2026年诺贝尔经济学奖得主。根据瑞典皇家科学院的说法,他们因在宏观经济稳定化的微观经济基础方面所做的贡献而获得认可,其模型增强了制定旨在减少经济波动政策的能力。
Nobel de Economia vai para estudos sobre como reduzir crises e inflação
Americanos Robert E. Hall e Michael Woodford desenvolveram modelos que orientam decisões de juros de bancos centrais
MAYRA CASTRO
E ANNA JÚLIA STECKELBERG
economia@oglobo.com.br
Os economistas americanos Robert E. Hall e Michael Woodford foram anunciados ontem como vencedores do Nobel de Economia de 2026. Segundo a Academia Real Sueca de Ciências, eles foram reconhecidos por suas contribuições às bases microeconômicas da estabilização macroeconômica, com modelos que ampliaram a capacidade de formular políticas para reduzir as oscilações da economia.
Na prática, as pesquisas deram sustentação às decisões dos bancos centrais de subir ou cortar juros para controlar a inflação e estimular a atividade, explica o economista e professor da FGV EPGE Aloisio Araujo. O objetivo é calibrar essas medidas para manter os preços sob controle e o desemprego em níveis razoáveis.
Araujo, que tem pesquisas acadêmicas conjuntas com Woodford, afirma que a expectativa de reconhecimento já existia há algum tempo. Em julho deste ano, o americano esteve no Brasil para participar das conferências realizadas em comemoração aos 80 anos do professor brasileiro.
Na avaliação de Araujo, os trabalhos ajudaram a preencher uma lacuna: embora já se soubesse que os bancos centrais influenciavam a economia, faltavam modelos que explicassem adequadamente como conduzir essa atuação.
— Todo mundo sabia que o Banco Central tinha um papel importante, tinha efeitos reais. Mas ninguém tinha um modelo concreto do que eles deveriam fazer — afirma.
FOCO EM FAMÍLIAS E EMPRESAS
A contribuição dos premiados está na maneira como os modelos passaram a explicar as flutuações da atividade. Em vez de se apoiar apenas em relações estatísticas entre indicadores como inflação, produção e consumo, a abordagem incorpora as decisões de famílias e empresas, incluindo suas expectativas sobre o futuro.
Ao decidir quanto consumir ou poupar, por exemplo, as famílias consideram a renda que esperam receber. As empresas levam em conta as condições futuras ao definir preços e investimentos. A comunicação de governos e bancos centrais também influencia essas expectativas e, consequentemente, as escolhas econômicas.
Essa mudança ganhou importância diante das dificuldades enfrentadas pelos modelos keynesianos tradicionais durante as crises do petróleo dos anos 1970. Naquele período, medidas destinadas a combater o desemprego não conseguiram impedir a aceleração da inflação.
Segundo Araujo, o desafio era construir uma orientação para a política monetária que permitisse conter a alta dos preços sem deixar a economia estagnada. As pesquisas dos vencedores contribuíram para o desenvolvimento dos modelos neokeynesianos, usados pelos bancos centrais.
— Eles criaram um modelo no qual você pode ter a taxa de inflação sob controle e, ao mesmo tempo, desemprego em níveis razoáveis — explica Araujo.
Ós modelos ajudam a explicar por que as políticas monetária e fiscal precisam ser ajustadas às condições econômicas. Em situações de atividade deprimida e inflação baixa, a redução dos juros pode estimular a economia. Quando a inflação está elevada demais, o aumento da taxa ajuda a conter as pressões sobre os preços. Hall abordou o tema em um artigo em 1978, enquanto Woodford apresentou um novo modelo neokeynesiano em um livro em 2003.
Modelo. Hall e Woodford: prêmio por trabalho sobre como políticas fiscal e monetária podem estabilizar a economia
— Você desce os juros e tem o efeito de estimular a economia. Quando a inflação está alta demais, sobe os juros. Esse é o princípio básico que sai dos modelos deles. Os bancos centrais usam isso —diz Araujo.
A política fiscal também pode atuar sobre a demanda: durante uma recessão, a ampliação dos gastos públicos pode estimular a atividade, enquanto medidas na direção contrária podem ajudar a conter um aquecimento excessivo.
获胜者将平分 1200万瑞典克朗,约 $1.22亿美元(R$6300万雷亚尔),此外还将获得一份证书和一枚 18 克拉金质奖章。诺贝尔经济学奖结束了 2026年的颁奖季。颁奖典礼预计于 10 de dezembro 举行。
\* 截至 9 月的 12 个月累计数据
2026 年选举
经济计划
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EFEITO NO EMPREGO
Outro elemento dos modelos é o reconhecimento de que preços e salários não se ajustam imediatamente às mudanças na economia. Essa dificuldade ajuda a explicar por que uma crise pode provocar aumento do desemprego, em vez de apenas uma redução dos salários.
Araujo usa as depressões econômicas como exemplo. Em um modelo no qual todos os preços se ajustassem livremente, uma piora da economia poderia levar à queda dos salários, permitindo a manutenção dos empregos. Na prática, porém, esse ajuste não ocorre automaticamente.
— Os salários não caem na hora da depressão. Os salários têm uma inflexibilidade, têm preços rígidos. Os salários são mais rígidos para cair. Eles sobem quando a inflação está alta, mas depois eles não caem quando há um momento de deflação —explica.
Ao incorporar essa resistência, os modelos permitem analisar como as decisões de juros podem afetar a atividade e o emprego.
Os vencedores dividirão 12 milhões de coroas suecas, cerca de US\$1,22 milhão (R\$6,3 milhões), além de receberem um diploma e uma medalha de ouro de 18 quilates. O Nobel de Economia encerra a temporada de anúncios de 2026. A cerimônia de entrega dos prêmios está prevista para 10 de dezembro.
\* ACUMULADO EM 12 MESES ATÉ SETEMBRO
ELEIÇÕES 2026
PROGRAMAS ECONÔMICOS
聚焦出口以寻求市场:弗拉维奥与美国结盟,卢拉主张多边主义
艺术编辑部
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📄 Original Section
FOCO NAS EXPORTAÇÕES NA BUSCA POR MERCADOS, FLÁVIO SE ALINHA AOS EUA, E LULA PREGA MULTILATERALISMO
EDITORIA DE ARTE
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对外贸易
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📄 Original Section
COMÉRCIO EXTERIOR
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弗拉维奥
实用主义
采取实用主义方法,推进扩大市场的协议,不将任何贸易伙伴视为对手。
VINICIUS NEDER
vinicius.neder@oglobo.com.br
OCDE
重启加入 OCDE 的进程。
重组
执行一项国家级全球供应链整合计划,优先发展农业工业、关键矿产和数字经济。
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📄 Original Section
FLÁVIO
Pragmatismo
Avançar em acordos que ampliem mercados com uma aborda-gem pragmática, sem tratar qualquer par-ceiro comercial como adversário.
VINICIUS NEDER
vinicius.neder@oglobo.com.br
OCDE
Retomar o
processo de
adesão à OCDE.
Reorganização
Executar um plano nacional de integração às cadeias globais, com prioridade para agroindústria, minerais críticos e economia digital.
O tarifaço do presidente Donald Trump sobre as exportações brasileiras para os
Apoiar a internacionalização das pequenas e médias empresas via BNDES e Apex-Brasil.
EUA teve um impacto limitado — as vendas totais até cresceram, puxadas pela China —, mas a relação comercial com os americanos é o grande assunto do comércio exterior no Brasil. No entanto, não há muitas propostas sobre o tema nas campanhas dos dois candidatos que disputarão a Presidência no segundo turno, no próximo dia 25.
O debate gira em torno do tarifaço: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição pelo PT, bate na tecla da soberania e das medidas para mitigar os efeitos das sobretaxas sobre as exportações brasileiras; o senador fluminense Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, critica a política externa do atual governo e sugere maior alinhamento com Trump.
Como pano de fundo, há a baixa inserção da economia brasileira no comércio global, resultado de décadas de uma economia fechada —a substituição de importações já fez parte da política econômica nacional —e da resistência do empresariado industrial.
Apesar do crescimento da corrente de comércio, a soma das exportações com as importações, no ano passado o Brasil estava em 24º na lista dos maiores exportadores do mundo, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Países com Produto Interno Bruto (PIB) menor do que o do Brasil estão à frente nas exportações, como Holanda, Coreia do Sul, Emirados Árabes, México, Vietnã e Polônia.
Para mudar esse quadro, o plano de governo do candidato do PL sugere “avançar em acordos que ampliem mercados” e “retomar o cronograma interrompido de adesão à OCDE” (a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, conhecida como “clube” dos países ricos). “A adesão à OCDE é mais do que um selo: ela exige convergência das nossas normas aos padrões internacionais, melhora a governança das empresas estatais, reduz a corrupção e integra o Brasil às melhores práticas globais”, diz um trecho do documento.
Outra proposta é “executar um plano nacional de integração às cadeias globais de valor”, que passa por “apoiar a internacionalização das pequenas e médias empresas via BNDES e Apex-Brasil”.
Procurada, a campanha do PL informou, em nota, que o senador “defende uma relação pragmática do comércio exterior, sem tratar nenhum parceiro comercial como adversário, como faz o atual governo que, ao longo dos últimos anos, colocou a ideologia acima dos interesses nacionais”.
Já o plano de governo para um eventual novo mandato de Lula reafirma, de um lado, a tradição favorável ao multi-
lateralismo do Itamaraty, e, de outro, a de defesa de mais relações diplomáticas com países do chamado Sul Global e de reformas em instituições como ONU e OMC.
Além de bilhões em crédito com juros subsidiados nas três edições do programa Brasil Soberano, o governo Lula recorreu à busca de novos mercados para enfrentar o tarifaço de Trump. A política comercial da Casa Branca ainda deu impulso à conclusão da assinatura do acordo comercial entre o Mercosule e a União Europeia (UE).
O Brasil Soberano, porém, tende a perder espaço em um eventual próximo mandato, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, escolhido como porta-voz para temas econômicos. Ele diz que as negociações continuarão:
—Minha perspectiva é otimista em relação a vencer essas barreiras. Acho que não vamos precisar de Brasil Soberano para o ano que vem.
Como o plano de governo do PL também fala em “avançar em acordos que ampliem mercados”, Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados e secretário de Comércio Exterior em governos anteriores do PT, não vê diferenças em relação a esse ponto, qualquer que seja o vencedor:
— Não vejo nenhum dos dois lados recuando nos acordos bilaterais. Há uma compreensão de que é muito positivo, tanto para a indústria quanto para o agronegócio.
O embaixador José Alfredo Graça Lima, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), lembra que as negociações com a UE foram retomadas e finalizadas na gestão de Jair Bolsonaro, ainda que os ajustes finais e a assinatura tenham ficado para o atual governo. Ele não vê, porém, uma política comercial mais arrojada, com maior abertura, em nenhuma das candidaturas:
— O acesso ao mercado nesses acordos é muito baixo, de modo que isso não altera as condições de concorrência no mercado brasileiro de maneira fundamental.
Mesmo após rodadas de abertura na década de 1990, a economia brasileira é tida como relativamente fechada ao comércio exterior — para alguns economistas, há excesso de protecionismo à indústria nacional. Graça Lima não espera mudança, qualquer que seja o próximo governo.
Por outro lado, há efeitos colaterais relacionados a possíveis mudanças de orientação em políticas correlatas. Na diplomacia, não está claro se um maior alinhamento com a Casa Branca acarretará mudanças no comércio exterior.
— A grande questão do alinhamento é o país se tornar refém, como aconteceu com a Argentina. Houve um alinhamento do (presidente Javier) Milei com Trump; isso acabou redundando em concessões comerciais unilaterais da Argentina — afirma Barral.
Ainda na diplomacia, te-me-se que uma maior interferência no Itamaraty prejudique a política externa, com afastamento de grande número de diplomatas de car-reira, o que levaria a uma “perda de memória institucional”, atrapalhando questões comerciais, segundo Barral.
No meio ambiente, um menor rigor na fiscalização e no combate ao desmatamento ilegal, especialmente na Amazônia, que pode ser esperado num governo do PL, resultaria em barreiras não tarifárias ao Brasil, afirma Lia Vals, pesquisadora do FGV Ibre:
FONTE: COMEXSTAT, DO MINISTÉRIO DE DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS (MDIC)
—Um retrocesso (ambiental) não atrapalharia o comércio com EUA e China, mas atrapalha com os europeus.
Para Barral, um governo negacionista sobre o clima “pode prejudicar não só o acesso a mercados, como é o caso da Europa, mas também a competitividade que o Brasil pode ter em energia renovável”.
Antes do primeiro turno, ao ser perguntado no Jornal Nacional se não acreditava em aquecimento global, Flávio Bolsonaro respondeu que há “eventos climáticos extremos” que não estariam diretamente ligados à ação humana.
ESTA É A SEGUNDA REPORTAGEM DE UMA SÉRIE SOBRE TEMAS ECONÔMICOS NAS ELEIÇÕES. A PRIMEIRA ABORDOU O FISCAL; AS PRÓXIMAS SERÃO PETRÓLEO E ENERGIA, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, PROGRAMAS SOCIAIS E EMPREGO, E AGRONEGÓCIO.
LULA
Política externa
Preservar o multilateralismo do Itamaraty, buscando mais relações com países do Sul Global e reforma nas instituições multilaterais.
Soberania
Oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros.
Indústria
Apoio à exportação industrial e em produtos de maior valor agregado, com crédito via BNDES.
INFÂNCIA AMEAÇADA Deportação em massa de imigrantes deixa milhares de crianças vulneráveis nos EUA
JAMIE KELTER DAVIS/NEW YORK TIMES/30-1-2026
LETÍCIA MESSIAS
leticia.messias@oglobo.com.br
Sem adultos. Xochitl Soberanes (à direita) ajuda irmã mais nova a se vestir para a escola em Minneapolis: aos 16 anos, ela cuidou dos irmãos enquanto o páí esteve detido
FONTE: THE MARSHALL PROJECT
ORDENS DE DEPORTAÇÃO DE MENORES NOS EUA MAIS QUE DOBRAM SOB TRUMP
Números representam decisões judiciais e não significam deportações efetivamente realizadas; Organização responsável pelo levantamento, porém, acredita que total seja ainda maior
FONTE: ESCRITÓRIO EXECUTIVO DE REVISÃO DE IMIGRAÇÃO (EOIR), DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA DOS EUA E MOBILE PATHWAYS
“Esta noite, uma criança de 5 anos está traumatizada e aterrorizada”, disse o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, na última quinta-feira. Naquele dia, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) atiraram e feriram um homem enquanto ele estava em um carro com um menino de 5 anos, que se acredita ser seu filho, no banco traseiro. Mamdani afirmou ter passado duas horas ao telefone com o presidente Donald Trump tentando, sem sucesso, negociar a libertação do detido, identificado como Oscar Belgal, um imigrante dominicano de 28 anos. Em vez disso, agentes do ICE o colocaram em um veículo sem identificação e o levaram embora. O menino, que chorou assustado enquanto presenciava a cena, não ficou ferido e estava sob “cuidados de um familiar”.
O caso chamou a atenção para uma prática crescente no país: com pouca fiscalização pública, dezenas de milhares de crianças e adolescentes estão sendo separadas de seus pais, que são presos violentamente por agentes do ICE e deportados sem seus filhos. Como consequência da pressão desenfreada do governo por metas de deportação em massa, muitos ainda passaram a ser detidos sozinhos, enviados para lares temporários onde estão sujeitos à violência ou deportados sem companhia para suas nações de origem ou países terceiros.
Desde que Trump voltou à Casa Branca, quase 200 mil menores receberam ordens de remoção dos EUA emitidas por juízes de imigração, sendo a maior parte (70%) crianças com menos de 13 anos, segundo análise da Mobile Pathways. Ao mesmo tempo, estimativas da Brookings Institution apontam que, de janeiro de 2025 até abril deste ano, 205 mil menores tiveram pelo menos um dos pais detidos por autoridades migratórias. Em 35 mil casos, o menor ficou sem nenhum responsável.
—Considerando as detenções ocorridas desde então, as estimativas agora ultrapassariam 300 mil crianças que tiveram pelo menos um dos pais detido — disse ao GLOBO Maria Cancian, economista da Universidade Georgetown e coautora do estudo.
Em governos anteriores, a política do ICE determinava que todos os detidos que fossem pais deveriam ser reunidos com seus filhos antes da deportação, ou que os agentes deveriam obter a confirmação de que havia um cuidador designado para os menores. O governo
Trump, porém, revogou a medida em seu primeiro dia no poder, e o ICE tornou a política aplicável “quando operacionalmente viável”, o que deu aos agentes a margem de manobra necessária para ignorar orientações e priorizar deportações em massa.
Em janeiro, Orlin Hernandez Reyes, de 2 anos, foi deixado com o ex-companheiro de sua tia, conhecido por ser agressivo, quando o ICE deteve sua mãe. Ela implorou aos agentes para que a reunissem com Orlin antes de ser deportada para Honduras, mas isso não aconteceu. Pouco depois, o corpo do menino foi encontrado com ossos quebrados e sinais de abuso sexual, e seu cuidador foi acusado de homicídio, embora tenha se declarado inocente. Apesar do histórico, Toddy Lyons, então diretor do ICE, culpou a mãe de Orlin, afirmando que ela “escolheu deixar seu filho aqui com um assassino violento que tirou a vida dele”.
Também em janeiro, a imagem de agentes detendo Liam Conejo Ramos, de 5 anos, usando um gorro azul com orelhas de coelho e uma mochila do Homem-Aranha, provocou indignação no país. A atenção pública fez com que celebridades pedissem o fechamento do centro de Dilley, instalação no Texas para onde Ramos e muitos outros menores foram encaminhados. Diante da pressão, o governo começou a enviar menos crianças para o local, mas as detenções não pararam.
Até julho, o ICE deteve mais que o dobro de meno-
res em comparação com o mesmo período do ano passado. No segundo mandato de Trump, o ICE prendeu mais de 8,5 mil menores, sendo pelo menos 560 bebês e crianças pequenas. Muitas foram mantidas em locais onde advogados e familiares não conseguiam encontrá-las, como hotéis e salas de detenção em edifícios comerciais. Ao Guardian, Becky Wolozin, advogada do National Center for Youth Law, descreveu os lugares como “caixaspretas” onde as famílias desaparecem.
— Nós, que trabalhamos com a comunidade, estamos perturbados. Acompanhamos o sofrimento e a dor dessas famílias, em todos os níveis — disse ao GLOBO Heloísa Galvão, cofundadora e diretora executiva do Brazilian Women's Group, em Massachusetts. — Testemunhamos o medo, o pavor de sair de casa e ir a algum lugar que tenha muita gente. O pavor de ir à escola, ao hospital, à igreja. As crianças estão sendo caçadas.
Para analistas, embora a situação se assemelhe com a política de “tolerância zero” de Trump em seu primeiro mandato — quando crianças eram separadas de seus pais na fronteira —, o cenário atual é ainda pior. Agora, avaliam, não existe uma política explícita de separação familiar, o que torna mais difícil contestá-la na Justiça. Ao mesmo tempo, enquanto em 2018 funcionários públicos trabalharam dentro do governo para tentar impedir as separações, muitos dos servidores considerados pouco leais ao presidente foram demitidos nos primeiros meses de segundo mandato.
Em outra frente, o governo também atuou para cortar os recursos com os quais o Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR) financia uma rede nacional de organizações que há anos presta serviços jurídicos a menores migrantes desacompanhados. A medida foi barrada por uma juíza federal, mas meses depois o governo deixou de pagar, e, em julho deste ano, deixou vencer o contrato com a Acacia Center for Justice, que administrava cerca de 100 instituições. O governo chegou a condicionar os pagamentos à entrega de informações confidenciais sobre os representados pela rede, cerca de 20 mil crianças e adolescentes.
在2023, 10月7日以色列与哈马斯在加沙地带爆发战争仅一个月后,60岁的巴勒斯坦女性穆菲达·艾哈迈德·卡巴贾(Mufeeda Ahmad Qabaja)的家人在塔库米亚(Tarqumiyah)附近的土地上遭到了以色列定居者的激进对待。塔库米亚是西岸的一个村庄,距离希伯伦仅10公里多——这开启了一场暴力螺旋,导致其世代相传的财产遭到破坏。
am ser transferidos para a custódia do ORR. A determina-
ção, prevista na Constituição,
reconhece que crianças que
estão sozinhas no país não de-
veriam depender, para seus
cuidados, da mesma agência
que tenta deportá-las.
Ainda assim, práticas de acolhimento vêm sendo en- fraquecidas há meses. Clientes que aguardavam o green card passaram a receber ordens de deportação em vez de mais tempo para a análise de seus casos e, em julho, segundo a organização Jewish Family and Community Services of Pittsburgh (JFCS), o mesmo começou a acontecer com crianças sobreviventes de tráfico de pessoas.
Sarah Hough, diretora de serviços jurídicos de imigração da JFCS, disse ao Guardian não fazer “ideia” do que os menores encontrarão quando forem deportados — ou para quem eles estão sendo enviados.
— Aquilo que uma sociedade tolera que aconteça com crianças, ela tolerará que aconteça com qualquer pessoa — concluiu Dana Gold, diretora de operações da JFCS.
AFP/MINISTÉRIO DE COMUNICAÇÃO DA ARÁBIA SAUDITA
JAAFAR ASHTIYEH/AFP/3-10-2026
Palestinos e israelenses se
unem contra violência de
colonos na Cisjordânia
Grupo religioso judaico Filhos de Abraão ajuda famílias vítimas de ataques a recuperar o acesso a terras e propriedades destruídas
Sem proteção. Agricultor palestino tenta conter incêndio causado por disparo de bomba de gás lacrimogêneo por soldados israelenses em área de colheita de azeitonas no vilarejo de Asira al-Qibliya: governo reconheceu 102 postos avançados de colonos
RENATO VASCONCELOS
renato.vasconcelos@oglobo.com.br
SÃO PAULO
A penas um mês após o começo da guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023, familiares de Mufeeda Ahmad Qabaja, mulher palestina de 60 anos, foram agressivamente abordados por colonos israelenses em suas terras nos arredores de Tarqumiyah, um vilarejo na Cisjordânia a pouco mais de 10km de Hebron — dando início a uma espiral de violência que resultou na depredação da propriedade, passada de pai para filho por gerações.
—Antes da guerra, nós cultivávamos de tudo lá. Plantávamos oliveiras, limoeiros, verduras... O que não consumíamos, vendíamos para comprar coisas para casa — disse Mu- feeda em entrevista ao GLO- BO. — Um ano depois do início da guerra, eles vieram e destruíram tudo. Derrubaram as 91 oliveiras que o meu marido plantou.
Ó caso de Mufeeda está inserido em uma campanha mais ampla de controle territorial da Cisjordânia, lançada por grupos de colonos extremistas ultrarreligiosos e nacionalistas, que apontam a ocupação da região como uma herança do povo judeu.
Enquanto o governo israelense, que inclui siglas de extrema direita, reconheceu 102 postos avançados dos colonos radicais em quatro anos, um grupo de judeus religiosos decidiu agir em sentido contrário, colaborando com os palestinos na defesa de suas terras.
—Como um judeu religioso, eu acredito que nós temos um compromisso de agir de forma moral e justa — disse Itamar Weil, estudante universitário e guia de turismo de 24 anos, que atua como um dos portavozes da organização Filhos de Abraão, que tem auxiliado famílias palestinas ameaçadas por violência. — A base para o meu ativismo, e de muitos na organização, é a constatação de que estarmos aqui significa que temos responsabilidade pelo que está sendo feito em nosso nome, em nome do nosso país e da nossa religião.
Weil entrou para o grupo há pouco mais de um ano, quando a Filhos de Abraão já realizava ações por meio de dezenas de ativistas. O grupo participa de atividades como acompanhar os palestinos até suas terras —que, em muitos casos, estão sendo isoladas por militantes radicais do movimento Juventude do Topo da Colina, acusados de homicídios e incêndios criminosos. Integrantes do grupo também participaram ativamente de tarefas centrais para as comunidades ajudadas, como auxiliar na colheita das oliveiras e na reconstrução de cercas e outras estruturas destruídas.
— Participamos de muitas atividades que se enquadram no conceito de presença protetiva. Nós os acompanhamos cientes de que dispomos de muito mais proteção legal do que eles, por razões que são conhecidas — disse o ativista, em referência à aplicação desigual da legislação civil a israelenses e da lei marcial aos palestinos na maior parte do território. — Se filmamos ou fotografamos as situações [de violência], a sociedade israelense se preocupa mais com o nosso bemestar, por isso o outro lado nos agride menos. Na verdade, eles têm mais receio de exercer violência contra nós.
O nível de violência empregado pelos grupos radicais — muitos deles sob embargos econômicos de países estrangeiros — é maior contra palestinos. Entre janeiro e agosto, a ONU documentou mais de 1,6 mil ataques de colonos israelenses que provocaram vítimas palestinas ou danos materiais na Cisjordânia. Até agosto, 76 palestinos haviam sido mortos no território por forças israelenses ou colonos. Nem por isso os ativistas escapam ilesos.
—Já fiquei algumas vezes cara a cara com um membro da Juventude do Topo das Colinas. É algo meio insano. São jovens, alguns basicamente adolescentes em fase de crescimento, que foram ensinados a acreditar que a violência é uma ferramenta necessária — diz Weil. —Eles xingam, ameaçam te bater e tentam te provocar ao máximo porque adorariam que reagíssemos com agressividade contra eles.
Em alguns casos, a situação escala até as vias de fato. Cinco ativistas do grupo ficaram feridos em meados de agosto quando foram atacados por ajudar uma família palestina no povado de Jannatah, perto da cidade de Belém, ao sul de Jerusalém. Os ativistas foram atacados com paus, pedras e gás de pimenta por jovens de um posto avançado que já foi fechado pelas autoridades mais de 60 vezes.
O trabalho em conjunto exigiu de israelenses e palestinos a superação de desconfianças. Mufeeda conta que conheceu o trabalho da Filhos de Abraão por meio de uma página nas redes sociais, e os contatou para ajudar a retornar à propriedade da família em segurança.
Para ela, o contato não foi inusitado, pois há mais de uma década se envolve com iniciativas pela coexistência com os vizinhos judeus. Por outro lado, convencer os demais exigiu conversa:
— Eu liguei para eles, que se comprometeram avir uma semana depois. Não demorou tanto. Desta primeira vez, algumas pessoas ficaram com receio, mas quando eles virameles [osativistas] vindo uma vez após a outra para ajudá-los a chegar a suas terras e ver o que os colonos estavam fazendo delas, então tudo ficou bem — disse.
Weil, que participou de ações junto à família de Mu- feeda e afirma que a liderança da palestina é uma importante ferramenta na relação entre os dois povos, aponta que o cotidiano compartilhado pelos ativistas e a comunidade local, para além dos objetivos imediatos, cria a oportunidade de um espaço de cura para velhos ressentimentos.
— Acho que muitas pessoas estão cegas pelo ódio, pelo trauma e pelo luto. Eu mesmo perdi muitos amigos na guerra, no 7 de Outubro, mas também ao longo de todo o conflito. Conheço o significado do luto e do desejo, talvez, de vingança. E, ainda assim, sei que essa não é a solução — afirmou. — Acho que muitos israelenses não compreendem o significado do que está acontecendo aqui [na Cisjordânia]. Eles não entendem a dimensão da violência, a dimensão da injustiça flagrante. Vai levar tempo para curar as feridas e superar as animosidades, mas estamos aqui para começar a trabalhar. E, claro, se não for para melhorar as coisas, que seja pelo menos para evitar que o pior aconteça.
Houthis voltam a atacar Riad, e sauditas prometem resposta
Ofensiva eleva preço do petróleo e força fechamento de aeroporto até sábado
RIAD
Os Houthis, grupo rebelde do Iêmen aliado ao Irã como parte do “Eixo da Resistência”, voltaram a disparar mísseis e drones contra a Arábia Saudita ontem, após uma série de ataques que provocou 14 mortes e deixou mais de 300 feridos no fim de semana. O governo saudita emitiu alertas de emergência durante a noite orientando a população a permanecer em casa diante da “ameaça hostil” e suspendeu voos para a capital.
O recrudescimento dos ataques elevou o preço do barril de petróleo acima dos US\$ 106, enquanto autoridades sauditas prometeram responder de forma decisiva, e Teerã se apresentou como um possível mediador.
“A área está sob ameaça aérea hostil. Por favor, mantenham a calma e permaneçam em ambientes fechados ou em um local seguro, longe de janelas e portas", indicou um aviso distribuído via uma plataforma de alerta nacional.
O porta-voz militar houthi Yahya Saree afirmou que o grupo teria atingido com sucesso, usando um míssil balístico, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, e uma base militar em Khamis Mushait, no sul. Já o portavoz militar saudita, Turki al-Malaki, negou a informação e afirmou que sistemas de defesa aérea interceptaram e derrubaram os mísseis disparados do Iêmen.
Sem a confirmação oficial de danos, o governo saudita emitiu um segundo comunicado, no qual informou que o “perigo para a cidade de Riad passou”. As autoridades têm aumentado o controle sobre a informação relacionada a eventuais danos provocados por ataques externos — a Embaixada dos EUA no país afirmou que cidadãos americanos foram presos por tirarem fotos, supostamente de locais atingidos.
Os Houthis realizam uma ofensiva contra o território saudita desde a semana passada. Ontem, imagens do bombardeio ao aeroporto Rei Khalid, no sábado, foram divulgadas, mostrando as cenas da explosão no terminal cheio de passageiros.
Sob novos ataques, a autoridade de aviação saudita fechou o aeroporto da capital até o próximo sábado. Empresas que operam voos para o país suspenderam temporariamente as operações. A Etihad, dos Emirados Árabes Unidos, anunciou o cancelamento de todos os voos com chegada ou partida de Riad até 19 de outubro por “perturbações regionais”. A Gulf Air, do Bahrein, também cancelou os voos até o fim de semana.
Alvo. Imagens do circuito de TV mostram aeroporto de Riad sendo atingido
Ontem, autoridades sauditas prometeram responder aos ataques com rigor, em um em momento que o país se prepara para sediar eventos internacionais importantes, entre eles a conferência Future Investment Initiative, principal vitrine para líderes estrangeiros e magnatas dos negócios.
— Os acontecimentos das últimas semanas são graves. A nossa resposta deve ser igualmente grave — disse o ministro de Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, em um fórum internacional de energia em Riad.
O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o ataque houthi como “inaceitável” no sábado e prometeu analisar a possibilidade de Washington entrar no conflito. Ontem, os houthis prometeram “uma resposta rápida e dolorosa” caso a ameaça se confirmasse.
Em contrapartida, o Irã se ofereceu como mediador. Em uma ligação entre o chanceler Abbas Araghchi e seu homólogo saudita, Faisal bin Farhan, o representante iraniano disse que “insistir em uma abordagem militar” iria “complicar ainda mais a situação”.
Uma reportagem recente da BBC descreveu mulheres fingindo ser homens para conseguir gel de testosterona, na esperança de melhorar os sintomas da menopausa, devido à escassez de produtos de testosterona voltados para o público feminino. Mas por que o interesse por esse hormônio predominantemente masculino está explodindo? Há riscos envolvidos?
DANIEL KELLY
do The Conversation
A testosterona costuma ser vista como o hormônio masculino por excelência. Está associada à puberdade, ao desenvolvimento muscular e à função reprodutiva. No entanto, isso ignora uma importante realidade biológica: as mulheres também produzem testosterona, e ela desempenha papéis cruciais em todo o corpo.
Mulheres na menopausa recorrem à testosterona, mas ciência não dá garantias
Embora as concentrações sanguíneas sejam tipicamente cerca de dez a 15 vezes menores do que nos homens, a testosterona permanece biologicamente ativa nas mulheres.
As mulheres produzem testosterona nos ovários e nas glândulas suprarrenais, e o corpo também a fabrica transformando outros hormônios na gordura, na pele e nos músculos. Parte dessa testosterona é utilizada para produzir o estradiol, a principal forma de estrogênio em mulheres em idade reprodutiva.
Contudo, a testosterona não é apenas um reservatório de estrogênio. Ela também atua diretamente em tecidos de todo o corpo, incluindo ossos, músculos, coração, vasos sanguíneos e cérebro. Isso levou os pesquisadores a examinarem mais de perto como a testosterona pode afetar a saúde das mulheres.
Assim como nos homens, a testosterona diminui gradualmente ao longo da vida reprodutiva, embora os padrões variem entre os indivíduos. Essa queda começa muito antes da menopausa e, diferentemente do estrogênio, não despenca drasticamente na menopausa com o declínio dos ovários.
Medir o quanto ela diminui apresenta seus próprios desafios. Os níveis femininos são tão baixos que exames de sangue rotineiros historicamente têm dificuldades para medi-los de forma confiável, tornando difícil definir com precisão concentrações “normais”.
Uma meta-análise realizada em 2019 com 36 ensaios clínicos constatou que a testosterone em doses cuidadosas pode melhorar o desejo e a satisfação sexual em algumas mulheres na pós-menopausa. Diretrizes clínicas internacionais reconhecem a terapia com testosterone como um tratamento baseado em evidências para o TDSH, sendo a única condi-
Como a testosterona é conhecida por influenciar o desejo sexual, um de seus usos mais estudados em mulheres é para o transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) — a falta persistente de desejo sexual que causa sofrimento.
Então, por que um número crescente de mulheres se interessa pela terapia de testosterona após a menopausa?
A Austrália liderou o caminho com o Androfeme, um creme de testosterona registrado formalmente em 2020 especificamente para uso feminino. O Reino Unido concedeu autorização em julho de 2025, mas o produto ainda não está disponível rotineiramente.
O desejo sexual é moído por relacionamentos, estresse, fadiga e saúde mental tanto quanto por qualquer hormônio isolado. A testosterona é apenas um fator entre vários, e não um interruptor principal.
ção em mulheres para a qual existem evidências clínicas suficientes que justificam a recomendação da terapia.
Além do desejo sexual, evidências de ensaios clínicos em mulheres são escassas. Mas isso não significa necessariamente que a testosterone não exerça uma influência mais ampla sobre a saúde feminina.
Diretrizes internacionais reconheceram a falta de produtos adequados para mulheres e pediram o desenvolvimento de tratamentos com testosterona para elas. O tema agora vem recebendo atenção de órgãos reguladores. Em setembro de 2026, a agência reguladora americana, FDA, realizou um debate para examinar lacunas nas evidências e a necessidade de futuras pesquisas.
mente acompanha o estrogênio —e, às vezes, a progesterona. Algumas mulheres relatam que, mesmo após a otimização de sua terapia de reposição hormonal (TRH) convencional, ainda sentem que seus sintomas não foram totalmente resolvidos e que a adição de testosterone faz diferença.
A testosterona não substitui a terapia hormonal padrão para a menopausa. Quando é prescrita, geral-
Mulheres e médicos que utilizam a testosterona relatam melhorias que vão além da função sexual. Um estudo britânico recente com 510 mulheres na menopausa constatou que, após quatro meses de uso de gel de testosterone, elas relataram melhorias no humor, nos sintomas cognitivos e na libido. Essas descobertas são interessantes, mas não pro-
A alternativa tem sido recorrer ao gel masculino, medindo a olho nu cerca de um décimo de um sachê. Essa é uma maneira menos precisa de administrar um hormônio cuja dose terapêutica é extremamente pequena. Se a quantidade aplicada for excessiva, a testosterona pode ter efeitos colaterais, como acne e aumento de pelos faciais ou corporais.
Diretrizes clínicas internacionais reconhecem a terapia com testosterona como um tratamento baseado em evidências para o transtorno do desejo sexual hipoativo
nios sexuais produzidos pelos ovários, o estrogênio e a progesterona possuem produtos amplamente licenciados. A testosterona tem seguido um ritmo muito mais lento, com produtos específicos para o público feminino ainda limitados em muitos países, apesar das evidências de que pode ser usada com segurança quando administrada em doses projetadas para manter os níveis dentro da faixa fisiológica feminina.
Se a quantidade for excessiva, a testosterona pode ultrapassar a faixa desejada, aumentando a probabilidade de efeitos colaterais, como acne e aumento de pelos faciais ou corporais
vam que o tratamento com testosterona causou tais mudanças diretamente.
Evidências do mundo real não devem substituir ensaios randomizados, mas a ausência de grandes estudos também não significa que essas observações devam ser simplesmente descartadas. Em vez disso, podem ajudar a identificar efeitos que valem a pena ser estudados.
\*丹尼尔·凯利(Daniel Kelly)是谢菲尔德哈勒姆大学(University of Sheffield Hallam)的生物化学高级教授。
\*本文根据知识共享(Creative Commons)许可协议转载自 The Conversation。
📄 Original Section
MERCADO
Produtos fabricados especificamente para mulheres têm demorado muito a chegar ao mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, ainda não há nenhum produto de testosterona aprovado para mulheres.
Dos três principais hormô-
Mais importante ainda, as evidências sobre a segurança a longo prazo da testosterona em mulheres continuam limitadas, particularmente no que diz respeito a doenças cardíacas, AVC e câncer de mama.
A demanda continua a subir apesar dessas incertezas. As prescrições para mulheres na Inglaterra aumentaram cerca de dez vezes entre 2015 e 2022, e nos EUA a prescrição quase triplicou na última década. A necessidade de produtos de testosterona licenciados e específicos para mulheres não pode ser ignorada, não apenas para melhorar o acesso, mas para permitir que seja estudada com rigor científico.
\*Daniel Kelly é professor Sênior de Bioquímica da Universidade de Sheffield Hallam
\*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons.
Número de casos de demência deverá mais que dobrar até 2050
Novo estudo global revela que mulheres e habitantes de países de baixa e média renda são mais afetados pela condição
Uma pesquisa internacional produziu algumas das estimativas mais abrangentes e comparáveis de novos casos de demência em todo o mundo, revelando que cerca de 11,4 milhões de pessoas desenvolveram demência em 2023 — um número que deverá subir para 24,7 milhões por ano até 2050. O estudo, publicado recentemente na revista científica JAMA Neurology, fornece um novo parâmetro global para entender com que frequência novos casos de demência ocorrem em diferentes populações.
A nova pesquisa se concentra especificamente na incidência — a taxa na qual as pessoas desenvolvem demência ou o número de novos casos por ano — em vez da prevalência, que mede o número total de pessoas que vivem com a doença em um determinado momento. Compreender esse dado é fundamental paragovernose sistemas de saúde, pois ajuda a antecipar a demanda futura por diagnósticos, atendimento clínico e serviços de apoio, além de indicar onde os esforços de prevenção podem ter o maior impacto.
Aumento expressivo. O número de novos casos de demência por ano no mundo deve passar de 11,4 milhões em 2023 para 24,7 milhões até 2050
“Vinte e quatro milhões de novos casos de demência por ano exerceriam uma enorme pressão sobre indivíduos, famílias, sistemas de saúde e economias em todo o mundo.”, diz Henry Brodaty, coautor e codiretor do Centro para o Envelhecimento Cerebral Saudável (CHeBA) da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW Sydney), em comunicado. “O envelhecimento da população significa que não podemos simplesmente esperar que as pessoas desenvolvam demência para então reagir. Precisamos agir em todas as frentes — desde a redução dos fatores de risco modificáveis e a identificação precoce de pessoas em risco até a melhoria do diagnóstico, tratamento e cuidados.”
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores liderados pelo CHeBA da UNSW Sydney, por meio do Consórcio Internacional de Estudos de Coorte sobre Memória (COSMIC), analisaram dados de 38.418 pessoas em 22 estudos populacionais abrangendo 18 países e territórios em seis continentes. Os resultados mostraram que a incidência de demência é maior entre as mulheres do que entre os homens e substancialmente maior em países de baixa e média renda do que em países de alta renda.
Por exemplo, a taxa de incidência global padronizada por idade e sexo foi de 9,7 novos casos por mil pessoas-ano. Após ajuste para a idade, a incidência foi maior entre as mulheres, com 10,6 casos por mil pessoas-ano, em comparação com 8,6 entre os homens.
A diferença entre os países por nível de renda foi ainda maior. A incidência padronizada foi de 13,6 casos por mil pessoas-ano em países de baixa e média renda, em comparação com 8,3 em países de alta renda.
O autor principal e codiretor do CHeBA, Perminder Sachdev, afirmou que a maior incidência identificada em países de baixa e média renda é particularmente importante, visto que é onde se espera que ocorra grande parte do crescimento futuro da demência.
"A maior incidência que observamos em países de baixa e média renda é particularmente preocupante, pois essas regiões estão passando por um rápido envelhecimento populacional, ao mesmo tempo que frequentemente dispõem de menos recursos para prevenção, diagnóstico e tratamento.", explica o pesquisador. "Nosso resultados destacam a necessidade urgente de fortalecer a redução do risco de demência e a capacidade de atendimento de saúde em nível global, investindo também em melhores dados locais para que os serviços possam ser planejados de acordo com as necessidades de cada país."
Atualmente, a demência afeta mais de 57 milhões de pessoas em todo o mundo, e pesquisas anteriores projetam que a prevalência chegará a aproximadamente 150 milhões até 2050. O Alzheimer, é a forma mais comum da condição neurodegenerativa.
No entanto, muito do que se sabe sobre demência provém historicamente de países de alta renda, apesar de se esperar que alguns dos maiores aumentos futuros ocorram em contextos de poucos recursos.
A autora principal, Ashleigh Vella, pesquisadora de pós-doutorado no CHeBA, afirmou que as descobertas fornecem um novo e importante parâmetro para a compreensão do cenário global em constante mudança da demência.
"Pela primeira vez, podemos comparar a incidência de demência em um grupo geograficamente diverso de populações usando a mesma abordagem estatística, o que nos dá uma visão mais clara de onde e entre quem estão ocorrendo os novos casos", diz. "O que chama a atenção é que a incidência de demência não é distribuída uniformemente. Observamos taxas mais altas entre mulheres e em países de baixa e média renda. Compreender essas diferenças é fundamental para desenvolvermos estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento da demência que atendam às populações com maior risco futuro."
Historicamente, comparações internacionais confiáveis sobre a incidência de demência têm sido difíceis. O estudo buscou superar essas limitações por meio do COSMIC, um consórcio internacional que combina dados de estudos longitudinais sobre envelhecimento e memória em todo o mundo.
Os pesquisadores alertam que o estudo não estabelece por que a incidência de demência foi maior entre as mulheres ou em países de baixa e média renda. As diferenças podem refletir uma combinação complexa de fatores de saúde, sociais, econômicos, educacionais e ambientais, e serão necessárias mais pesquisas para entender o que as está impulsionando.
\*本文根据知识共享(Creative Commons)许可协议转载自 The Conversation。
长寿
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Como funciona o fenômeno do mentiroso patológico
A mitomania ocorre quando a fabricação de histórias se torna persistente
ANTONIO EGÍDIO NARDI
Do The Conversation
Mentir é um comportamento humano universal. A mentira pode proteger a intimidade, evitar conflitos, preservar vínculos ou produzir vantagens sociais.
Existe, entretanto, uma diferença importante. E vale esclarecer a diferença entre mentira ocasional e a mentira patológica. Esta é aquela tradicionalmente denominada pseudologia fantástica ou mitomania.
Nessa condição, a fabricação de histórias torna-se persistente, desproporcional e, por vezes, aparentemente compulsiva. Essa condição passa a constituir uma característica marcante do funcionamento interpessoal do indivíduo.
Descrita na literatura psiquiátrica há mais de um século, a pseudologia fantástica permanece uma entidade controversa. Não constitui, atualmente, um diagnóstico independente nos principais sistemas classificatórios.
Ainda assim, estudos contemporâneos sugerem que a mentira patológica pode produzir sofrimento e prejuízos sociais e ocupacionais suficientemente significativos.
As histórias do mitômano frequentemente contêm uma combinação peculiar de realidade e fantasia. Não são necessariamente impossíveis. Ao contrário, podem nascer de acontecimentos verdadeiros progressivamente modificados, ornamentados e ampliados.
Um aspecto importante é que isso difere do delírio porque diante de evidências inequívocas, a pessoa reconhece que determinados fatos narrados não ocorreram.
Motivação. Autovalorização e busca de atenção estão entre os fatores
Uma revisão sistemática recente reforça a heterogeneidade do fenômeno. Entre os casos publicados, aparecem frequentemente motivações relacionadas à autovalorização e à busca de atenção, além de associações com diferentes transtornos psiquiátricos.
Isso torna inadequado considerar todo mentiroso patológico como portador de um determinado transtorno de personalidade.
A mitomania parece ser melhor compreendida como um fenômeno psicopatológico que pode surgir em diferentes organizações de personalidade e contextos clínicos.
O que acontece com as pessoas que convivem durante anos com alguém que mente sistematicamente?
O círculo social pode aprender a selecionar quais informações precisam ser verificadas e quais podem ser toleradas ou ignoradas.
Surge, assim, um paradoxo fascinante já que a mentira pode continuar existindo mesmo depois de perder parte de sua capacidade de enganar.
\*Antonio Egídio Nardi é presidente da Academia Nacional de Medicina, professor titular da Faculdade de Medicina da UFRJ e Cientista do Nosso Estado da Faperj, UFRJ.
\*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons.
O luxo de ter tempo: uma agenda lotada nem sempre significa uma vida plena
Reservar espaço para atividades sem finalidade produtiva pode ser um contraponto a uma rotina cada vez mais pautada pela ideia de eficiência
Desde que entrou na vida adulta, Ana Contti se acostumou a medir os dias pela quantidade de compromissos. Reuniões, projetos, prazos, problemas para resolver. Em casa, duas filhas pré-adolescentes e um pai idoso também precisavam dela. Para si, nunca sobrava tempo.
Trinta anos depois, a conta mudou.
— Tomei um susto quando percebi que tinha menos tempo pela frente do que o tempo que já tinha vivido — conta a influenciadora.
A constatação trouxe à tona uma reflexão: será que ela estava usando o tempo com o que realmente fazia sentido ou apenas vivendo ocupada?
Aresposta levou a uma mudança radical. Ana deixou a carreira executiva, começou uma reinvenção profissional e, principalmente, aprendeu a dizer “não”.
Depois de décadas associando uma agenda cheia a eficiência e importância, no entanto, o vazio incomodava.
— Sentia culpa. Era como se não merecesse aquele tempo, parecia que estava sempre devendo alguma coisa.
Só então entendeu que precisava parar de medir seu valor pela quantidade de coisas que conseguia fazer.
— Cumprir tarefas e sentir satisfação são experiências diferentes. A primeira está ligada a metas, compromissos e responsabilidades. A segunda inclui sentido, prazer, vínculos, autonomia e descanso — aponta a neuropsicóloga Priscila Gasparini Fernandes.
Segundo ela, é possível passar o dia resolvendo demandas e chegar à noite com a sensação de que não fez nada. Simplesmente porque faltou justamente aquilo que importa:
— O excesso de compromissos cobra um preço da atenção. Alternar o dia inteiro entre mensagens, reuniões, notificações e tarefas exige que o cérebro interrompa e reconstrua o foco repetidas vezes.
Accumuladas, essas pequenas trocas podem aumentar a dispersão e a exaustão mental. Sem intervalos, não é raro chegar ao fim do dia com o corpo parado e a cabeça ainda funcionando em ritmo de urgência.
— É nos momentos de menor exigência que o cérebro consegue organizar experiências, processar emoções e abrir espaço para pensamentos espontâneos — diz Priscila.
A dificuldade é enxergar o descanso como parte da vida, e não como uma recompensa por tudo o que foi cumprido.
— Estar sempre ocupado virou uma espécie de sinal de valor pessoal. Quanto mais cheia a agenda, mais necessária, produtiva ou bem-sucedida a pessoa se sente.
O problema é que a lista de tarefas raramente termina. Sempre existe uma mensagem para responder, uma pendência ou algo que poderia ser adiantado.
— Se não prestarmos atenção, até o lazer pode entrar na lógica da produtividade.
A corrida ganha metas de distância e tempo; a leitura, um número de livros por ano; um hobby rapidamente vira projeto.
Com o tempo que Ana ganhou, vieram a meditação, as atividades ao ar livre, as viagens, a convivência com a família e momentos aparentemente banais, como tomar um café com calma.
Foi nesse espaço que começou também a produzir conteúdo e construiu uma comunidade de mulheres na internet.
— Hoje, gosto de ter períodos sem função produtiva definida. Às vezes quero simplesmente estar em casa, pensar em alguma ideia ou não fazer absolutamente nada.
Na perspectiva da longe-
vidade, preservar esses
espaços ganha outra impor-
tância. Relações sociais
mobilizam atenção, memó-
ria, linguagem, interpreta-
ção de emoções e flexibili-
dade de pensamento.
— Ter interesses próprios também mantém diferentes capacidades em uso. Aprender algo, praticar atividade física, cozinhar, estudar, tocar um instrumento ou dançar são formas de continuar exercitando o cérebro e ajudam a construir reserva cognitiva — explica Priscila.
Não se trata, portanto, de esvaziar a agenda. Uma rotina intensa pode ser saudável e satisfatória. A diferença está em quanto desse tempo é ocupado apenas por demandas externas e quanto ainda guarda espaço para escolhas, relações e interesses pessoais.
Hoje, em vez de pensar se consegue encaixar determinado compromisso em seu dia, Ana pensa se elevale seu tempo. Com isso, descobriu uma coisa que mudou sua relação com a própria rotina:
— Cabe muito mais de mim na minha própria vida — diz.
E, para ela, descobrir isso também significou perceber que nem todo tempo precisa ser preenchido.
Durante muito tempo, exames de imagem foram vistos principalmente como recursos de apoio ao diagnóstico. Essa percepção precisa mudar. Tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia, medicina nuclear e radiologia intervencionista passaram a ocupar posição central em praticamente todas as etapas do cuidado, da detecção precoce de doenças ao acompanhamento do tratamento.
Esse reconhecimento ganhou dimensão internacional em maio de 2025, quando a
Assembleia Mundial da Saúde aprovou a Resolução WHA 78.13, que considera a imagem médica um componente essencial da cobertura universal de saúde. O desafio agora é transformar esse reconhecimento em capacidade real de atendimento.
Em artigo recente na revista Radiology, discutimos os caminhos necessários para isso. Ampliar o acesso à imagem não significa simplesmente comprar mais equipamentos. É preciso integrar infraestrutura, profissionais qualificados, financiamento sustentável, conectividade, qualidade assistencial e novas tecnologias.
Há também uma dimensão econômica importante. Estudo da Comissão de Imagem Médica e Medicina Nuclear da Lancet Oncology, citado no artigo, estimou que ampliar o tratamento e a qualidade da assistência de 11 tipos comuns de câncer poderia evitar 5,4 milhões de mortes em dez anos e gerar retorno de US\$ 6,15 por dólar investido. Com maior capacidade de imagem, a estimativa sobe para 9,55 milhões de mortes evitadas e retorno de US\$ 12,43 por dólar.
Os dados reforçam que imagem, quando integrada à rede, não é apenas despesa: favorece diagnóstico precoce, tratamentos mais precisos e maior eficiência.
No Brasil, alguns movimentos apontam nessa direção. No PERSUS II, integrado ao Novo PAC, está prevista a disponibilização de 80 aceleradores lineares, com foco na redução de filas e desigualdades regionais.
Em julho, o Ministério da Saúde ampliou os mecanismos do programa Agora Tem Especialistas para permitir a oferta ao SUS de exames de imagem realizados por instituições privadas e filantrópicas. Também está em
Imagem, quando integrada à rede favorece diagnóstico precoce, tratamentos mais precisos e maior eficiência
discussão um Plano de Investimentos em Equipamentos Médicos para o SUS de 2026 a 2031.
Essas iniciativas são relevantes porque o desafio brasileiro não se resolve apenas com máquinas. Um equipamento sofisticado instalado em uma re-
gião sem profissionais capacitados, manutenção adequada ou conexão com especialistas dificilmente entregará todo o benefício esperado. Centros especializados concentrados nas grandes cidades também não resolvem as desigualdades de um país continental.
É nesse ponto que conectividade e inteligência artificial ganham importância estratégica. Uma rede conectada permite compartirhar exames realizados longe dos grandes centros com especialistas. Ferramentas de IA podem auxiliar na organização de fluxos, priorização de exames e apoio à interpretação. O objetivo não é substituir profissionais, mas ampliar seu alcance onde a força de trabalho especializada ainda é insuficiente.
Uma política moderna de imagem médica precisa combinar equipamentos adequados às necessidades de cada região, profissionais treinados, manutenção, conectividade, inteligência artificial, qualidade e financiamento sustentável. Também é necessário decidir onde investir primeiro. Nem sempre a tecnologia mais sofisticada é a que produz maior impacto populacional. Ultrassonografia, radiografia, tomografia e mamografia, por exemplo, podem ampliar o diagnóstico quando incorporadas estrategicamente às redes de saúde.
O Brasil tem um sistema universal de saúde, hospitais de excelência, produção científica e capacidade de inovação, mas ainda convive com diferenças significativas no acesso entre regiões. Mais do que aumentar o número de equipamentos, precisamos construir uma rede capaz de fazer a tecnologia chegar ao paciente certo, no lugar certo e no momento certo.
沟通是体育表现关键之一的观点,在一项针对 241 名土耳其冰壶联赛(一种在冰道上进行的运动)从业者的研究中得到了进一步证实,该研究开展于 2021 年至 2022 年之间。在研究中,参与者回答了关于团队关系以及共情、沟通和群体关系等方面的问卷。埃尔祖鲁姆技术大学(Universidade Técnica de Ezrum)及其他机构的研究人员得出结论:运动员之间良好的沟通是增强群体共情的捷径,也是促进运动员之间良好关系的工具。
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Comunicação pode ser a chave para vitória do time
Adolescentes esportistas precisam desenvolver capacidade de ouvir os técnicos e dialogar com a equipe
MARIANA ROSÁRIO
mariana.rosario@sp.oglobo.com.br
Uma das chaves para o bom funcionamento do time e para mandar bem nas competições, explica a psicóloga Aline Wolff do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), está na habilidade de comunicar bem. Um tema que nem sempre é fácil, especialmente para jovens.
—Para um time funcionar bem, é importante que o ambiente seja seguro, e as pessoas possam tirar suas dúvidas, discordar e apresentar outras ideias. Economizar nisso ou deixar as coisas encobertas, indiretamente respondidas, pode trazer mais problemas do que solução — diz ela. — O esporte é um laboratório da experiência humana. O atleta precisa aprender a falar sobre o que para ele é importante, sobre o que ele está sentindo e o que avalia que é necessário corrigir. Isso é algo que precisa ser facilitado pelo ambiente, pelas lideranças, e tero apoio para que a pessoa vá consolidando essas habilidades.
A ideia de que a comunicação é uma das chaves para o bom desempenho esportivo é reforçada por uma pesquisa com 241 praticantes de curling da liga turca do esporte, que é disputado na pista de gelo, entre 2021 e 2022. Na pesquisa, os participantes responderam questionários sobre a relação da equipe, além de aspectos como empatia, comunicação e relação com o grupo. Os pesquisadores da Universidade Técnica de Ezrum, e de outras instituições, chegaram à conclusão que a boa comunicação dos esportistas era um atalho para empatia entre o grupo e uma ferramenta para permitir o bom relacionamento entre os atletas.
lhas podem oferecer suporte e conversas quando há pe-
quenos conflitos entre as
mais jovens.
— A adolescência é muito delicada, há mudanças hormonais e do corpo, somadas à necessidade de se encaixar. Tudo isso pode levar a atritos — conta. — A necessidade de conversar não deve ser imposta, isso pode levar a mais distanciamento do grupo e também a desentendimentos internos. Mas se elas se sentem num ambiente seguro, também terão mais abertura. Quando os
Aprendizado. É
preciso saber
ouvir e saber
como falar
atletas aceitam se colocar no lugar do outro, a comunicação e a convivência melhoram muito.
Já a campeã mundial de Jiu-Jítsu Carina Santi, à frente da escola a Almeida JJ Woman and Kids, em São Paulo, diz que rodas de conversa, mesmo que de cinco minutos ajudam muito. E que modelos alternativos, com menos pessoastrocando ideias ao mesmo tempo, podem incluir quem é mais tímido e prefere falar mais reservadamente.
—O tímido participa muito quando começa em grupo pequeno, de dois ou três, e quando ninguém força. Já o mais sentimental precisa saber que sentir não é fraqueza, e no tatame isso se ensina de forma natural: quem chora numa luta perdida e volta no outro treino é muito forte — conta. — O mais quieto da sala muitas vezes é quem mais precisa ser ouvido. Não dá pra deixar a voz alta ser a única.
Especialistas indicam como fundamental para estabelecer uma boa comunicação em quadra, no campo, no tatame ou nas pistas a escuta, entender quais as necessidades do grupo, e saber criticar a prática quando necessário — e não a pessoa que está praticando.
— O primeiro ponto é entender que cada jogador recebe e interpreta uma mensagem de uma maneira diferente. Por isso, é importante que o líder conheça as características individuais de cada atleta e saiba qual é a melhor forma de transmitir um feedback — diz o educador físico e personal trainer Rafael Akira. — Quando o atleta entende o propósito daquela orientação, a mensagem fica mais clara e ele
consegue compreender
melhor o que precisa fazer
para contribuir.
Há estratégias para, inclusive, tornar as críticas mais fáceis de assimilar:
— Falar sobre falhas e pontos que precisam de melhora é sempre difícil, porque gera desconforto. Não dá para não falar, mas é importante estruturar uma comunicação que deixe claro que aquilo não é uma crítica pela crítica. Escolha bem as palavras. É uma crítica, sim. Mas é uma crítica ao que a pessoa fez, e não a quem ela é — comenta Aline Wolff, que diz que lembrar de erros anteriores já solucionados pode ser uma boa tática de motivação.
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FUTURO
A habilidade de se expressar propriamente e liderar times, aspectos bem comuns no esporte, podem ser trunfos no futuro dos adolescentes, quando chegar a hora de entrar no mercado de trabalho. Seja qual for a área de atuação. Isso quem explica é Fábio Salomon, sócio-diretor da Brava Executive Search, além de diretor de RH voluntário da União Brasileiro Israelita do Bem Estar Social (Unibes).
—A tal da inteligência artificial coloca o fator humano em evidência — opina. — A liderança hoje no mercado, em primeiro lugar, se revela na capacidade de tomar decisões, resolver problemas. Tudo isso não apesar das pessoas, mas com as pessoas. A escuta ativa, habilidade (necessária do esporte) é outro aspecto amplamente demandado pelo mercado. Assim como a cooperação.
Sesc
INTERSOLIDÁRIO
O GLOBO
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Cinco dos dez bairros brasileiros com mais gente morando em apartamentos são cariocas
JULIA FERNANDES\*
julia.fernandes@oglobo.com.br
“O Rio de Janeiro tem certa concentração em áreas muito específicas. Não é uma área tão espalhada pelo interesse do mercado imobiliário como a gente pode imaginar em São Paulo”
巴西公寓居住人口最多的十大社区中,有五个位于里约热内卢。该信息源自 Urbanófilo 个人资料的一项调查,该调查基于巴西地理统计局(IBGE)2022年人口普查的数据。在里约热内卢市,共有 2.22亿人居住在这种类型的住房中,其中该类别的冠军是巴拉-达-蒂茹卡(Barra da Tijuca)。
该市排行榜的领先社区有 131.766 名公寓居民。在全国范围内,它仅次于巴西利亚的试点计划区(Plano Piloto),后者拥有全国最高的人口数:173.262. 在里约,紧随其后的是南区的科帕卡巴纳(Copacabana)(112.868 人);北区的蒂茹卡(Tijuca)(109.556);以及同样位于西南区的班代兰特斯度假区(Recreio dos Bandeirantes)(108.830)和雅卡雷帕古阿(Jacarepaguá)(103.316)。
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Rafael Gonçalves, historiador
“O meu marido usa o ônibus do condomínio para ir e voltar do trabalho, eu usei bastante quando trabalhava na Uerj, e hoje o meu filho usa para ir e voltar da escola. Mobilidade não é um problema”
Vanessa Moreira, designer, trocou a Tijuca pela Barra em 2011
O Rio no topo do ranking
Cinco dos dez bairros brasileiros com mais moradores em apartamentos ficam no Rio de Janeiro. A informação integra um levantamento do perfil Urbanófilo, feito com base em dados do Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, 2,22 milhões de pessoas vivem nesse tipo de habitação na capital fluminense, onde a campeã na categoria é a Barra da Tijuca.
A líder no ranking municipal tem 131.766 moradores em apartamentos. Em todo o país, só fica atrás do Plano Piloto, em Brasília, dono da maior população nacional nesse quesito: 173.262. No Rio, é seguida por Copacabana, na Zona Sul (112.868 pessoas); Tijuca, na Zona Norte (109.556); Recreio dos Bandeirantes (108.830) e Jacarepaguá (103.316), ambos também na Zona Sudoeste.
然而,如果按单位数量划分,顺序则会改变。科帕卡巴纳拥有57,650套公寓,而巴拉-达蒂茹卡为55,995套。平均而言,巴拉的每套单位居住2.35人,而科帕卡巴纳的该数值为1.96。研究还揭示了其他有趣的数据:格鲁马里(Grumari)和热里西诺(Gericinó)没有记录到居住在公寓中的居民。而若昂(João)只有8名此类居民;大学城(Cidade Universitária)有47名,瓜拉蒂巴巴拉(Barra de Guaratiba)有124名。
从高空俯瞰。巴拉-蒂茹卡(Barra da Tijuca)是巴西公寓居民人数最多的第二个社区:在这一全国排名中,仅次于巴西利亚的试点规划区(Plano Piloto)。
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NINGUÉM EM GRUMARI
rez, gerente de planejamento do Censo Demográfico do IBGE, os moradores de apartamentos representam 36% da população do Rio. Em 2022, a cidade era a quinta entre as capitais brasileiras com maior proporção de habitantes vivendo nesse tipo de moradia, atrás de Vitória, Porto Alegre, Florianópolis e João Pessoa.
Quando o recorte é por número de unidades, porém, a ordem muda. Copacabana tem 57.650 apartamentos, contra os 55.995 da Barra da Tijuca. Em média, enquanto cada unidade da Barra abriga 2,35 moradores, em Copacabana o valor é de 1,96. O estudo traz outras curiosidades: Grumari e Gericinó não registram moradores em apartamentos. Já o João tem apenas oito residentes nessa modalidade; a Cidade Universitária, 47, e Barra de Guaratiba, 124.
De acordo com Bruno Pe-
A concentração de moradores em apartamentos em determinados bairros, contudo, reflete um processo de urbanização desigual. Para o historiador Rafael Soares Gonçalves, professor da PUC-Rio, essa distribuição está ligada à trajetória do
—Em 2010, 32,6% da população do Rio de Janeiro residia em apartamentos. Portanto, em 12 anos, houve uma elevação de 3,4 pontos percentuais. Esse crescimento, no entanto, foi menor do que o registrado nas demais capitais das regiões Sul e Sudeste. Ou seja, nessas capitais, a proporção da população vivendo em apartamentos subiu mais rapidamente do que no Rio de Janeiro —afirma Perez.
O analista destaca que os apartamentos costumam ser ocupados por menos pessoas do que as casas. No Rio, as casas habitadas tinham, em 2022, uma média de 2,7 moradores, enquanto os apartamentos registravam 2,3. Para Perez, a expansão desse tipo de moradia acompanha mudanças demográficas, como a redução da fecundidade e o crescimento dos domicílios unipessoais e daqueles formados por casais sem filhos.
mercado imobiliário carioca, que se concentrou em áreas estratégicas pela localização, pela oferta de serviços e pelo potencial de valorização.
—O Rio de Janeiro tem certa concentração em áreas muito específicas. Não é uma área tão espalhada pelo interesse do mercado imobiliário como a gente pode imaginar em São Paulo —avalia.
A expansão em direção à Barra marcou uma nova etapa do processo de verticalização. A partir da década de 1970, o projeto urbanístico elaborado por Lúcio Costa ajudou a estabelecer um padrão de ocupação diferente daquele dos bairros mais antigos, com empreendimentos de maior porte e áreas internas destinadas aos moradores. O Recreio dos Bandeirantes seguiu caminho semelhante.
Vanessa Moreira, de 48 anos, trocou a Tijuca pela Barra em 2011, quando decidiu morar com o atual companheiro. Inicialmente, o casal procurava um apartamento perto do metrô, mas os preços e as metragens disponíveis fizeram com que a busca fosse ampliada. Na época, ela trabalhava na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e passava boa parte do dia no deslocamento entre casa e trabalho. A oferta de transporte para os moradores do condomínio acabou pesando na decisão de se mudar para a Barra.
—O meu marido usa o ônibus do condomínio para ir e voltar do trabalho, eu usei bastante quando trabalhava na Uerj, e hoje o meu filho usa para ir e voltar da escola. Mobilidade não é um problema —diz a designer.
Com o passar dos anos, outros aspectos da vida no condomínio ganharam importância. A segurança, que não estava entre suas principais preocupações, passou a pesar mais depois do nascimento do filho, em 2015. Os espaços de lazer e a estrutura oferecida pelo empreendimento também contribuem para que ela permaneça no bairro.
RELAÇÕES DE CONVIVÊNCIA
Para Rafael Gonçalves, a concentração de áreas de lazer e serviços dentro dos condomínios transforma as relações de convivência. Embora ofereça comodidade, esse modelo pode reduzir a necessidade de frequentar espaços públicos e de estabelecer relações com pessoas de fora. Sydnei Menezes, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ), aponta outra questão: a especulação imobiliária contribuiu para uma expansão que ultrapassou as previsões iniciais, com edifícios de grande porte e alta concentração de moradores.
— A Barra era um bairro planejado, mas, por conta da especulação imobiliária acelerada, o resultado acabou sendo o que é hoje: crescimento desordenado, além da previsão inicial, com prédios enormes e muitos moradores — explica.
Para Menezes, o desafio é fazer com que a verticalização seja acompanhada pela ampliação da infraestrutura pública. O “milagre” da multiplicação dos edifícios, além de transformar a paisagem urbana, exige planejamento para garantir condições adequadas de vida aos moradores.
\*Estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga
Vista assim do alto. A Barra da Tijuca é o segundo bairro do Brasil com mais moradores vivendo em apartamentos: nesse ranking nacional, só perde para o Plano Piloto, em Brasília
里约大主教、枢机主教奥拉尼·若昂·滕佩斯塔(cardeal Orani João Tempesta)在科科瓦多山(Morro do Corcovado)的帕内拉斯游客中心(Centro de Visitantes Paineiras)主持了一场弥撒,旨在纪念这座纪念碑,并向巴西守护神致敬,雕像脚下的礼拜堂正是奉献给这位守护神的。此前,在帕内拉斯还开幕了“救世基督像展览——迈向 100 年”,该展览讲述了这座纪念碑的历史。救世基督像被 Iphan 和联合国教科文组织(Unesco)认定为文化遗产,并自 2007 年起被视为现代世界新七大奇迹之一。
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Cristo Redentor festeja 95 anos com missa e mostra
Ato religioso, celebrado pelo arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, homenageou ainda Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Comemorações marcaram a contagem regressiva para centenário do monumento, em 2031
MADSON GAMA
madson.gama@oglobo.com.br
Uma segunda-feira atípica e solene, o 12 de outubro já seria grandioso se marcasse tão somente os dias de Nossa Senhora Aparecida e das Crianças. Mas foi além. Simbolizou ainda os 95 anos de um dos monumentos mais icônicos do Brasil, o Cristo Redentor, comemorados ontem a partir do início da manhã.
Uma missa celebrada pelo arcebispo do Rio, o cardeal Orani João Tempesta, no Centro de Visitantes Paineiras, no Morro do Corcovado, homenageou o aniversariante e prestou honras à padroeira do Brasil, que consagra a capela existente aos pés da estátua. Antes, também nas Paineiras, foi inaugurada a “Mostra Cristo Redentor – Rumo aos 100 Anos”, que conta a história do monumento, reconhecido como patrimônio pelo Iphan e pela Unesco, e considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno desde 2007.
A missa em ação de graças pelos 95 anos do Cristo Redentor iniciou-se com a troca do manto da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em sinal de devoção do povo carioca à santa, explicou dom Orani:
— Nós temos, hoje (ontem), o dia de Nossa Senhora Aparecida, e recordamos com muito carinho que, em 1717, essa imagem foi achada e pescada no Rio Paraíba. Ela tem uma relação com o Rio, porque a imagem histórica veio para a cidade, onde foi declarada padroeira do Brasil. E quis o cardeal Dom Sebastião Leme que o Cristo Redentor fosse inaugurado neste mesmo dia, há 95 anos.
O cardeal destacou que as celebrações marcam uma nova etapa do Cristo: a contagem regressiva para seu centenário, a ser festejado em 2031. Os próximos cinco anos serão de preparação para a grande data.
— O Cristo tem uma missão: está de braços abertos para acolher todos que vêm ao Rio de Janeiro. Faço um chamado para acolhermos uns aos outros. De outro lado, que Maria interceda por todos nós, para sermos uma nação onde a justiça, a paz e a prosperidade aconteçam —destacou Orani, antes de comentar o cenário de polarização política: — Que cada um exerça o direito ao voto com responsabilidade, sabendo das consequências de suas escolhas. Desejamos que os eleitos possam fazer o melhor pelo nosso estado e pelo nosso país.
O reitor do Santuário Cristo Redentor, o padre
Omar Raposo, definiu o dia de ontem como “um momento histórico e especial”:
— Estamos fortalecendo neste espaço as boas práticas do turismo religioso, regenerativo e sustentável.
Na mostra, as atrações incluem maquetes de fases históricas, o molde da cabeça do Cristo Redentor, a estrutura original de para-rajos em formato de coroa, a réplica do Sagrado Coração do Reden-
Fé e exposição.
O arcebispo do Rio, cardeal Orani Tempesta, celebra missa no Centro de Visitantes Paineiras; ao lado, o rosto de Cristo exibido em mostra que conta a história do monumento
tor e um conjunto de medalhas e selos comemorativos. A exposição ficará em cartaz por seis meses, de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h, com entrada gratuita.
Um dos destaques é um ví- deo especial com imagens da estátua e, ao fundo, a voz da atriz Fernanda Montenegro, recitando o poema “Cristo Redentor — a engenharia da fé”, do escritor Carlos Dimuro.
— Quando falo da engenharia, refiro-me à construção. Na época, transformar a pedra-sabão naquele monumento maravilhoso foi uma grande novidade. Então, houve uma combinação de fé e engenhosidade. Na voz de Fernanda Montenegro, o texto fica irreditível —comentou Dimuro.
作为庆祝活动的一部分,在市中心的圣塞巴斯蒂昂大都会大教堂(Cathedral Metropolitana de São Sebastião)举行了“基督救世主之爱行动”,为社会弱势群体提供约50项免费服务。
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CAPA HISTÓRICA DE 1931
Com curadoria do padre Omar, a mostra exibe também charges, fotos e páginas do GLOBO, com destaque para a capa histórica do dia da inauguração do Cristo. Outras obras assinadas por artistas de renome estão na exposição: "Cristo Redentor em acrílico colorido" e "Nossa Senhora Aparecida", de Marco Velasquez; "Rosto de Cristo / Sagrada Face", "Virgem Maria em Oração" e "Cristo em Glória", de Rafael Ferraraccio; "Christ The Redeemer - Limited Edition Print", de Romero Britto; e "União dos Povos" e "Gênesis", de Alexandre Pinhel.
Os visitantes puderam conferir ainda “O Corcovado, o Redentor e uma Oração”, série construída pela fotojornalista Claudia Martini ao longo de 22 anos, a partir das fotografias feitas da janela de seu apartamento. O trabalho revela diferentes paisagens do Morro do Corcovado e do Cristo Redentor, tendo o Pai-Nosso como estrutura narrativa.
Como parte dos festejos, foi realizada a Ação de Amor do Cristo Redentor, na Cathedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro, com cerca de 50 serviços gratuitos voltados para a população em situação de vulnerabilidade social.
Petição pede transferência de vagão de Dom Pedro II
Abaixo-assinado quer levar peça do Museu do Trem, no Rio, para Petrópolis; Iphan descarta ideia
AMANDA ROSA\* E HENRIQUE BARBI
granderio@oglobo.com.br
Fabricado na Bélgica em 1886 para transportar Dom Pedro II e a família imperial, um vagão de quase 17 metros de comprimento, hoje guardado no Museu do Trem, no Engenho de Dentro, na Zona Norte, tornou-se alvo de uma petição que pede sua transferência para o Museu Imperial, em Petrópolis, na Região Serrana. A proposta, que reúne 726 assinaturas, esbarra, porém, na posição do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo acervo. Segundo o órgão, não há recomendação técnica para a mudança, considerada uma medida excepcional. A prioridade é preservar e restaurar as peças no próprio museu, fechado à visitação desde 2019.
Conhecido como Carro Imperial, o vagão tem quatro compartimentos, entre eles um toalete e um salão com 15 cadeiras, e pesa 13,7 toneladas.
A campanha pela transferência foi criada pelo empresário Michael Gaia, de 30 anos, morador de Florianópolis, em Santa Catarina, e entusiasta da história do Brasil. Ele conta que decidiu lançar o abaixo-assinado após conhecer relatos sobre as condições do Museu do Trem, que já foi alvo de furtos. Para Gaia, a mudança para Petrópolis seria uma alternativa para garantir a preservação.
Relíquia. O Carro Imperial no Museu do Trem, no Engenho de Dentro: segundo o Iphan, em bom estado de conservação
—Ao tomar conhecimento da situação de abandono e do risco de perda e degradação do vagão, uma peça de grande importância para a memória nacional, decidi criar a petição como uma forma de chamar a atenção da sociedade e das autoridades —afirma.
Segundo o empresário, o Museu Imperial informou que encaminharia o assunto à coordenação técnica, enquanto o Iphan comunicou a previsão de restauração do acervo. Ele diz, no entanto, que não recebeu informações sobre prazos ou um projeto definido.
Em resposta ao GLOBO, o Iphan informou que concluiu o Plano Museológico do Museu do Trem e o inventário de seu acervo, com levantamento das condições de conservação e segurança das peças. O trabalho servirá de base para a elaboração de um projeto de restauração, que incluirá o Carro Imperial. Segundo o instituto, o vagão passa por higienização periódica, está em bom estado de conservação e foi vistoriado pela última vez em julho.
Cenário preocupante. Sede do museu está fechada à visitação desde 2019
O órgão afirma que a transferência de bens de grande valor histórico deve ser tratada como uma medida extrema.
“A atuação institucional não se orienta pela retirada de um carro ferroviário do Museu do
Trem, mas, ao contrário, pela construção de condições que permitam a preservação, recuperação e restauração do conjunto dos carros ferroviários e dos demais bens que integram o acervo", informou em nota.
Segundo o Iphan, a decisão também busca fortalecer o museu como espaço de memória e identidade do Engenho de Dentro. O órgão não apresentou um cronograma para a restauração.
Inaugurado em 1984, o Museu do Trem reúne peças importantes como a Baroneza, primeira locomotiva a vapor do país. O espaço está fechado à visitação desde 2019 e apresenta problemas de conservação, com vegetação sem poda e estruturas deterioradas.
Em 2022, o museu foi alvo do furto de 16 sinos de bronze, utilizados entre o fim do século XIX e o início do século XX. A maioria das peças foi substituída por réplicas de gesso. Um relatório encaminhado ao Iphan à época estimou o prejuízo em R\$ 240 mil e classificou a perda cultural como inestimável. Uma investigação da Polícia Federal foi aberta, mas acabou arquivada pelo Ministério Público.
\* Estagiária sob a supervisão de Sanny Bertoldo | CAPITAIS | MIN. | MÁX | MACEIÓ |
'Eu sou caveira, aquilo ali é a minha família', dizia policial
Comoção. Familiares, amigos e colegas de farda participam de homenagem a PM morto em serviço durante velório
Ex-esposa lembra palavras de agente do Bope, morto durante ação de PMs que teriam confundido colegas com bandidos
ANNA BUSTAMANTE
anna.santos@oglobo.com.br
Menos de um ano após se despedir de Heber Carvalho Fonseca, a família sepultou ontem seu irmão, Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos. Os dois eram integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope): o sargento Heber foi um dos cinco policiais mortos na megaoperação do Complexo da Penha, no fim de outubro passado, e o subtenente Gláucio perdeu a vida anteontem, durante troca de tiros na Zona Sudoeste do Rio.
A suspeita é de que policiais do 18º BPM tenham confundido uma abordagem feita por agentes do Bope com uma ação criminosa e disparado contra os colegas.
— Ele dizia: “Se um dia eu morrer, eu quero estar fardado” — recordou Aline Viana, ex-esposa de Gláucio, em meio a parentes, amigos e colegas de farda do subtenente.
O velório foi no Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Oeste. Antes do sepultamento, um helicóptero do Bope sobrevoou o local e lançou rosas brancas e vermelhas em homenagem ao policial. Integrantes da tropa de elite da
PM formaram um corredor para a passagem do caixão.
A despedida ocorreu a poucos dias do primeiro aniversário da morte de Heber, um dos cinco policiais mortos na megaoperação realizada em 28 de outubro de 2025.
A ocorrência de anteontem foi na Rua Guilherme Moreira, na Freguesia. A Polícia Civil ouviu alguns dos PMs envolvidos e pediu as imagens das câmeras corporais dos agentes para esclarecer o episódio. Armas também foram recolhidas para perícia.
Segundo a Secretaria de Polícia Militar, agentes do Bope abordavam um veículo quando policiais do 18º BPM (Jacarepaguá) chegaram ao local. Ao todo, seis PMs foram baleados: cinco do Bope e um do 18º BPM. Conforme a corporação, devido à baixa luminosi dade no local, os policiais do 18º BPM teriam confundido a abordagem com uma ação criminosa e efetuado disparos contra a equipe do Bope.
Aline cobra explicações sobre as circunstâncias do confronto e questiona como agentes do 18º BPM teriam confundido a abordagem com uma ação criminosa. Segundo ela, informações recebidas pela família indicam que a presença da tropa de
Polícia Civil investiga se havia substância tóxica nas tortas que seriam distribuídas no Dia das crianças em Oswaldo Cruz
CAMILA ARAUJO
camila.pinto@edglobo.com.br
A Polícia Civil realiza uma perícia em bolos que seriam distribuídos ontem em um evento no bairro de Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio. A suspeita é que eles tenham sido contaminados com uma substância desconhecida. O caso é investigado pela 30ª DP (Marechal Hermes). Um homem foi detido, e testemunhas foram chamadas para prestar depoimento.
Ainda não há informações oficiais sobre qual é o componente encontrado nos bolos. Segundo a Polícia Militar, agentes do 9º BPM (Rocha Miranda) foram acionados a partir da denúncia de que um morador teria adicionado substâncias tóxicas a um doce que seria distribuído em um evento. No local, o suspeito foi encontrado dentro de casa com uma arma de fogo. O comando da unidade informou que o homem se tran-cou em um cômodo e, após negociação, entregou-se à polícia. Uma pistola calibre 40 contendo nove muni-ções foi apreendida, e ele foi levado para a 30ª DP (Marechal Hermes).
De acordo com a Polícia Civil, moradores da região informaram que o suspeito teria acessado o local onde os bolos estavam pelo telhado do imóvel, que tinha uma telha quebrada, e que teria arremessado substâncias tóxielite na região havia sido comunicada, o que levanta dúvidas sobre a circulação do aviso entre as equipes.
Apreensão. Bolo que seria servido em festa infantil foi enviado para perícia
— A gente quer entender exatamente o que aconteceu. De primeira mão, foi falado para nós que não houve uma comunicação, e nós já sabemos que foi feita, sim, uma comunicação. Então, a partir de agora, a gente quer entender: quem foi comunicado? Essa pessoa passou a comunicação para todo o batalhão? Se sabiam que estavam naquela área, por que aconteceu isso tudo? —questiona Aline
A ex-esposa também quer saber se os agentes envolvidos perceberam que estavam diante de integrantes de outra unidade da corporação e em quais circunstâncias os disparos foram efetuados.
— Será que ninguém viu uma farda diferenciada ou não chegou mais próximo a ponto de saber o que era, já que não estava havendo troca de tiro? —pergunta.
Gláucio tinha dois filhos e estava na PM há quase 26 anos, a maior parte deles no Bope. Mesmo após o divórcio, Aline e Gláucio tinham relação próxima. Ela descreve o ex-marido como um apaixonado pela profissão.
— Ele fazia questão de dizer: “Eu sou caveira. Aquilo ali é a minha família” — conta Aline.
cas sobre as tortas, destinadas a uma festa de comemoração do Dia das Crianças.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a vizinhança proferindo xingamentos e ameaças contra o homem, enquanto ele é levado pelos policiais. Os três bolos tinham cobertura branca e granulados coloridos — entre eles, pequenos pontos pretos que geraram a suspeita de contaminação.
A proprietária do imóvel onde o suspeito se encontrava autorizou a entrada dos policiais, que o contiveram e o algemaram, diante do risco de linchamento. A Polícia Civil informou, em nota, que diligências seguem em andamento.
| DIA ÚTIL | DOMINGO | LARGURA | ALTURA | R$ | R$ | 1 col. (4,6 cm) | 3 cm | R$ 2.130,00 | R$ 2.889,00 | 1 col. (4,6 cm) | 4 cm | R$ 2.840,00 | R$ 3.852,00 | 1 col. (4,6 cm) | 5 cm | R$ 3.550,00 | R$ 4.815,00 | 2 col. (9,6 cm) | 3 cm | R$ 4.260,00 | R$ 5.778,00 | 2 col. (9,6 cm) | 4 cm | R$ 5.680,00 | R$ 7.704,00 | 2 col. (9,6 cm) | 5 cm | R$ 7.100,00 | R$ 9.630,00 | 2 col. (9,6 cm) | 7 cm | R$ 9.940,00 | R$ 13.482,00 | 2 col. (9,6 cm) | 8 cm | R$ 11.360,00 | R$ 15.408,00 | 3 col. (14,6 cm) | 4 cm | R$ 8.520,00 | R$ 11.556,00 | 3 col. (14,6 cm) | 6 cm | R$ 12.780,00 | R$ 17.334,00 | 3 col. (14,6 cm) | 7 cm | R$ 14.910,00 | R$ 20.223,00 | 3 col. (14,6 cm) | 10 cm | R$ 21.300,00 | R$ 28.890,00 | \- Para outros formatos consulte: (21) 2534-4333, de 2ª a 6ª feira, das 9h às 18h.
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Inquestionável a afirmação da Martha Medeiros: “A tortura é a falência da condição humana” (Revista ELA, 11 de outubro). E ela afirma isso lembrando a fala de inexpressivo parlamentar que, ao votar a favor do impeachment da então presidente Dilma, aproveitou para elogiar um torturador. E o pior: acompanhado por um silêncio cúmplice do Parlamento. Martha é otimista quanto à Humanidade, eu sou apenas um cético esperançoso para poder sobreviver, pois acho que a Humanidade não deu certo, sendo as exceções apenas a confirmação da regra. Talvez a maior prova disso seja o silêncio dos bons, banalizando postura repugnante de um ser abjeto. PEDRO HENRIQUE M. FONSECA RIO
O artigo do Demétrio Magnoli ("A culpa é do povo", 12 de outubro) é quase um puxão de orelhas nos progressistas intelectualizados. Como estão convictos de que se encontram do lado certo, dão de ombros para quem resolve ocupar o lado contrário. É fato que estão, efetivamente, certos, mas não basta saber e tripudiar. Há que se argumentar e esclarecer, com todo o respeito. Caso contrário, prevalece a famosa frase de Joãoinho Trinta que o povo adora: "quem gosta de miséria é intelectual".
Os eleitores estarão diante de decisão histórica no dia 25. Escolher entre a meia esquerda de Lula e a extrema direita de Flávio Bolsonaro. Somos um povo conciliador e nunca fomos extremistas, nem de esquerda nem de direita. Esperamos que o bom senso prevaleça. Votem com responsabilidade e bom senso para o bem de todos.
Às vésperas do segundo turno presidencial, impressiona-me a assimetria com que parte da grande imprensa trata os dois candidatos. Lula é criticado frequentemente pelos gastos públicos e pelo déficit fiscal, questões legítimas, mas pouco se destacam sua defesa da soberania nacional, as políticas sociais, a educação, a atuação diplomática e a importância geopolítica conquistada pelo Brasil. Em contrapartida, parece receber menor atenção o que representaria eventual presidência de Flávio Bolsonaro, cuja trajetória política está profundamente vinculada à figura paterna. Jair Bolsonaro deixou um governo marcado por graves controvérsias na saúde, na segurança, no meio ambiente, na educação e na cultura, culminando em sua condenação pelo STF por participação na trama golpista. O próprio Flávio já manifestou a intenção de subir a rampa do Planalto acompanhado do pai. Que autonomia teria seu governo? Não se trata de poupar Lula de críticas nem de responsabilizar o filho pelos atos do pai. Trata-se de exigir da imprensa igual rigor na avaliação dos dois projetos políticos e de seus possíveis efeitos sobre as instituições democráticas.
Tomara que o editorial do jornal O Globo de ontem (“Novo Congresso traz risco de desmonte de leis ambientais") seja lido pelos parlamentares que vão compor a nova legislatura (2027-2031), assim como o editorial de 8 de outubro, que recomendava que todos que assumem mandatos fiquem desde já cientes da gravidade do El Niño. Mudanças climáticas não querem saber se os eleitos são de esquerda, direita ou do Centrão. Por isso, não se deve transformar tudo em conflito ideológico. Como bem destacado no editorial, "os riscos ao planeta Terra devem ensejar mais preocupação com a questão ecológica, e não menos. Se se creem mesmo conservadores, os parlamentares deveriam zelar por conservá-lo".
RUBEM PERLINGEIRO
RIO
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信仰宣言
若阿金·费雷拉·多斯·桑托斯(Joaquim Ferreira dos Santos)10月12日的专栏文章(《给阿帕雷西达圣母的一篇祈祷文》)无可挑剔,他将祈祷转化为一篇具有强大文学力量和公民意识的散文。文中将不同的人物、信仰和传统汇聚在一起,以庆祝一个多元且包容的巴西,这一点尤其令我感动。他的讽刺为谴责不宽容赋予了力量,同时保留了支撑请求保护的温柔。我在贯穿全文的同理心和文明礼貌中,看到了一种我也认同的信仰宣言:希望我们能够以更多的尊重、敏感度和人性共处。
Irretocável a crônica de Joaquim Ferreira dos Santos de 12 de outubro (Uma crônica-oração para N. S. Aparecida"), em que transforma a oração em uma crônica de expressiva força literária e consciência cidadã. Tocou-me especialmente a maneira como reúne personagens, crenças e tradições diversas para celebrar um Brasil plural e acolhedor. Sua ironia dá vigor à denúncia da intolerância, preservando a ternura que sustenta o pedido de proteção. Vejo na empatia e na civilidade que atravessam o texto uma profissão de fé que também compartilho: a esperança de que possamos conviver com mais respeito, sensibilidade e humanidade. JOSÉ FLÁVIO SILVA
SÃO LUÍS, MA
A crônica de Joaquim em forma de oração foi a luz desse feriado da Padroeira. O manto azul cor de papel de maçã há de nos proteger, Joaquim. Não será a primeira nem a última vez que dele precisaremos. E também precisaremos de luz para clarear o conceito de democracia. Porque não basta a escolha ser livre. Para escolher, é preciso pensar no todo. As escolhas idiossincráticas, simplesmente pelo “isso porque não quero aquilo”, são decisões que afetam a todos. Padroeira, ilumine nossos dedo. Dê-nos um dedo iluminado como o do ET. Não para ressuscitar flores, e sim para mostrar nas urnas o destino brasileiro que queremos para o Brasil. Amém!
Essa briga para dar decisão e derrubar decisão, que ocorre entre os ministros do Superior Tribunal Federal e do Superior Tribunal Eleitoral, faz-me lembrar o tradicional desenho animado Tom e Jerry, onde o gato e o rato se alternam em momentos em que um leva vantagem sobre o outro.
VITAL ROMANELI PENHA
JACAREÍ, SP
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翻页
人们在谈论印刷报纸的终结。然而,12 de outubro,当我打开家门时,发现一份《环球报》就放在我的门垫上。看到它时,我被一份历史复制版所震撼,它回顾了基督像落成时的报道,而那正是在 95 年前的 1931. 这一天。我从头到脚感到一阵战栗!一种纯粹的、独特的感动,这是唯有纸张才能提供的。触摸、翻阅、一页页地发现,将其作为纪念收藏,或者简单地传递给他人,这种快感无可替代。在这种体验中,有一种深厚的情感连接,是任何屏幕都无法取代的。因此,愿印刷报纸和书籍长寿——如果可能的话,愿其永恒!愿它们永远不要在数字化时代中消亡,因为有些情感、记忆和微小的仪式,值得在屏幕之外继续存在。愿我们永远不失去翻页的魅力。
LEONEL LEANDRO
里约
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Virar páginas
Muito se fala sobre o fim do jornal impresso. Entretanto, 12 de outubro, ao abrir a porta de casa, deparei-me com um exemplar do GLOBO sobre o meu capacho. Ao avistá-lo, fui surpreendido por uma reprodução histórica que remetia à matéria de inauguração do Cristo Redentor, justamente nesta data, há 95 anos, em 1931. Arrepiei-me da cabeça aos pés! Uma emoção genuína, singular, dessas que somente o papel é capaz de proporcionar. O prazer de tocar, folhear, descobrir
página após página, guardar como recordação ou simplesmente passar adiante. Há algo de profundamente afetivo nessa experiência que nenhuma tela consegue substituir. Por isso, vida longa — e, se possível, eterna — aos jornais e livros impressos! Que jamais sucumbam à era digital, porque há sentimentos, memórias e pequenos rituais que merecem continuar existindo fora das telas. Que nunca nos falte o encanto de virar uma página.
Parabéns ao GLOBO pela homenagen aos 95 anos do nosso Cristo Redentor, orgulho e cartão-postal do Rio, patrimônio da Humanidade. Todavia, convém alertar que, além da cuidadosa manutenção do monumento que vem sendo feita, é conveniente uma avaliação técnica na estabilidade das encostas do Morro do Corcovado, sobre as quais ele está imediatamente assentado. Como profissional da área, a impressão é que há fragmentação de rochas que podem sugerir risco de instabilidade a médio prazo. Trata-se de prevenir um eventual desastre natural de consequências irreparáveis.
FERNANDO F. CRUZ
RIO
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再见,里约
Ceperj案、Refit的欺诈与逃税、Rioprevidência资产在Master黑洞中的消失,以及现在的“纸上学校”行动(Operação Escola de Papel)……里约州政府在第一轮投票中就通过续约四年,感谢自由党(PL)的贪污挪用。我正在寻找另一个州居住,因为我不想
被CV统治。
RENATO MODESTO
特雷索波利斯,里约州
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Adeus, Rio
Caso Ceperj, fraude e sonegação na Refit, enterro de ativos da Rioprevidência no buraco negro do Master e, agora, a Operação Escola de Papel... o Estado do Rio agradece os desvios do PL contratando mais quatro anos já no primeiro turno. Estou procurando outro estado pra morar, pois eu não quero
Todo um excelente trabalho feito pelo nosso governador em exercício Ricardo Couto irá por água abaixo, uma pena para cariocas e fluminenses! Mil desculpas, governador.
Mário Vianna foi um lendário ex-árbitro de futebol, comentarista e radialista brasileiro. Sobre o Fla x Flu do último domingo, Mário Vianna teria chamado o juiz da partida de “soprador de apito”, por não marcar um pênalti e, em seguida gritaria a plenos pulmões: “Errrrrrrrroooou”. ORLANDO A. G. JUNIOR RIO
Vascaíno fiel e “velhinho”, fiquei decepcionado com a opção do nosso técnico, na minha opinião muito competente, de poupar jogadores no jogo contra o Remo após a melhor atuação, contra o Botafogo. Pela lógica, o jogo ante o Remo, em casa, era a grande chance de fazermos três pontos indispensáveis. O mais importante pro nosso Vascão é não cair pra Segundona. Copa Sul-Americana, Copa do Brasil não devem ser prioridade. Só para refletir: imaginemos o Vasco campeão da Sul-Americana e da Copa do Brasil, mas disputando Série B em 2027. Não dá! Acorda Pedrinho & Emanuel. Sempre o mais importante tem que ser o Brasileirão — pelo menos neste momento...
AUGUSTO PASCINI NETO
JUIZ DE FORA, MG
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O primeiro-ministro Hua Kuo-feng assumiu ontem o poder na China em meio a rumores de que precisou esmagar um movimento de resistência da chamada “ala radical”, integrada por quatro altos dirigentes do Partido Comunista, entre os quais a viúva de Mao Tsé-tung, além de 40 funcionários do escalão médio. Os mais destacados participantes do complô estariam sob regime de “residência vigiada”. Fontes diplomáticas disseram que a ausência de um desmentido oficial reforça as notícias sobre a tentativa de golpe.
Em construção, Botafogo fica no empate com o Coritiba
Time segue sem vencer desde a chegada de Tite, mas apresenta evolução coletiva e conta com protagonismo de Danilo
DIOGO DANTAS
diogo.dantas@oglobo.com.br
Apoucas rodadas do fim do Brasileirão, o Botafogo concilia a formação de uma equipe para 2027 com a missão de não se aproximar da zona de rebaixamento. O ponto conquistado fora de casa diante do Coritiba, no empate de ontem por 1 a 1, foi ruim como resultado, já que o time não vence desde a chegada do técnico Tite, há três partidas, mas houve sinais de evolução coletiva.
O gol contra de Marçal e o início superior do adversário não foram impeditivos para uma reação e o bom desempenho do Botafogo no primeiro tempo, quando Danilo foi novamente protagonista, com dois gols feitos, mas só um validado — o outro foi anulado pelo árbitro por falta de Arthur Cabral. Apesar do domínio, novamente faltou ao alvinegro contundência para criar jogadas de perigo e finalizar.
O resultado de ontem fez o Botafogo subir para 36 pontos e ficar a quatro da zona de rebaixamento, aberta pelo Internacional. O alvinegro tem a chance de evoluir ainda mais neste sábado, às 18h, quando receberá a lanterna Chapecoense no Estádio Nilton Santos.
— Hoje (ontem), a gente mostrou outra cara no começo do jogo. Estamos mostrando o trabalho em campo. Queríamos os três pontos, mas aqui é difícil. Temos que valorizar. Cada ponto vale no final do campeonato. Agora é outra final em casa — projetou o zagueiro Ferraresi.
CHANCES DESPERDIÇADAS
No Couto Pereira, o alvine-gro soube valorizar sua evolução em termos de atuação, ainda que tenha apresentado problemas individuais. Enquanto Medina cresceu, Arthur Cabral e Ziyech não foram bem, mesmo com o esforço inegável da dupla.
VITOR SILVA/BOTAFOGO
Destaque. O meio-campista Danilo foi o principal nome do Botafogo no ataque. Ele teve um gol anulado pelo VAR, antes de garantir o empate no Couto Pereira
Coritiba
Pedro Morisco,
Bustos (Tinga),
Tiago Cóser, Jacy
e Felipe Jonatan
(Rodrigo Gelado);
T. Santos (Nicolás
Fonseca), Sebasti-
án Gómez e Josué
(R. Marques);
Pedro Rocha,
Lavega (Breno
Lopes) e Paulo
Roberto. Técnico:
Fernando Seabra.
Botafogo
Gabriel Batista,
Vitinho, Ferraresi,
Marçal e A. Telles;
Allan (Domingos
Andrade), Danilo,
Medina (Monto-
ro), Ziyech (Júnior
Santos) e Ma-
theus Martins
(Paulinho); Arthur
Cabral (Tiquinho
Soares). Técnico:
Matheus Bachi
(auxiliar).
Gols: 1T: Marçal (contra), aos 21 minutos, e Danilo, aos 33 minutos. Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP). Cartões amarelos: Bustos, S. Gómez, T. Santos, T. Cóser e R. Gelado (CFC); Allan e Marçal (BOT). Público: 26.439 presentes. Renda: R\$ 969.062,00. Local: Couto Pereira (Curitiba-PR).
Como time, o Botafogo controlou mais o jogo, esteve mais compacto, mas faltou contundência, intensidade na chegada na frente.
O time dependeu sempre da aparição de Danilo. O camisa 8 pisou bastante na área e exibiu oportunismo e boa técnica. Depois de o Botafogo sair atrás no placar, comandou a reação. Primeiro, aproveitou uma sobra na área para marcar, mas Cabral fez falta no zagueiro adversário, e o VAR interveio. Depois, completou jogada de Medina, que dessa vez contou com boa escorada do centroavante. Valeu.
O lado direito do Botafogo também cresceu de produção. Com Allan na proteção à zaga, os laterais subiam bastante e auxiliavam na construção. O problema era os atacantes darem sequência quando Vitinho e Telles apareciam de trás. Cabral chegou a 15 partidas sem fazer gol. Mesmo assim, conta com o voto de confiança de Tite para seguir titular.
No segundo tempo, o alvinegro relaxou, e o jogo ficou mais equilibrado. A defesa se mostrou desligada em alguns lances, e o ataque perdeu intensidade de vez. Matheus Bachi, que substituiu o pai, suspenso, fez mudanças que não surtiram efeito. Montoro entrou tarde demais. E Junior Santos tentou entregar mais gás ao time, que sofreu no fim.
O Coritiba buscou se aproveitar disso e criou problemas, exigindo trabalho de Gabriel Batista em bolas aéreas e chutes de longa distância. A primeira chance de perigo aconteceu quando o Botafogo errou na saída de bola, e ela sobrou para Josué, que finalizou de fora da área, obrigando o goleiro a fazer uma grande defesa.
Em um dos cruzamentos, Pedro Rocha acertou uma linda bicicleta, que foi defendida. Em seguida, na melhor oportunidade do Coxa, Rodrigo Gelado ganhou da marcação, porém mandou a cabeça para fora.
O Botafogo respondeu na sequência, em cobrança de falta de Alex Telles na cabeça de Tiquinho, que passou perto da trave. Logo após, já aos 40, Ferraresi poderia ter feito o segundo do alvine-gro, mas Pedro Morisco espalmou para escanteio.
A partida no Couto Pereira ficou aberta nos minutos finais, mas, diante da falta de eficiência dos dois lados, predominaram o equilíbrio e a igualdade no placar.
韦斯利·纳塔赢得马尔康信任,成为弗鲁米嫩塞新宠
18岁的“谢雷姆少年”在赛季末脱颖而出,成为球队的一项选择
卢卡斯·里贝罗 (LUCAS RIBEIRO)
lucas.ribeiro.rpa@edglobo.com.br
在巴西足球甲级联赛周日 1 a 0 负于弗拉门戈后,对裁判的抱怨消耗了三色军团(弗鲁米嫩塞)的大部分精力。但弗鲁米嫩塞确实在这次德比战中收获了积极的成果,其中就包括韦斯利·纳塔再次展现出的潜力。在 4 a 0 大胜科里蒂巴的比赛中贡献了一次脚后跟助攻后,这位 18 岁的前锋再次获得了主教练马尔康的机会,并在比赛末段大显身手。
Wesley Natã ganha confiança de Marcão e vira novo xodó do Flu
Aos 18 anos, Moleque de Xerém desponta como opção no fim da temporada
LUCAS RIBEIRO
lucas.ribeiro.rpa@edglobo.com.br
A s queixas em relação à arbitragem consumiram boa parte da energia dos tricolores após a derrota de domingo para o Flamengo, por 1 a 0, pelo Brasileirão. Mas o Fluminense tem, sim, bons frutos a colher do clássico. Entre eles, outra atuação promissora de Wesley Natã. Após ter dado uma assistência de calcanhar na goleada por 4 a 0 sobre o Coritiba, o atacante de 18 anos ganhou mais uma oportunidade do técnico Marcão e fez um “salseiro” no fim do jogo.
Foram cerca de 15 minutos em campo no Fla-Flu, tempo suficiente para o Moleque de Xerém dar trabalho para a defesa rubro-negra e demonstrar personalidade ao arriscar jogadas individuais. Em uma delas, deu um drible de corpo desconcertante no experiente lateral-esquerdo Alex Sandro, que quase foi de cara no gramado do Maracanã.
—Nós sentimos que aquele era o momento de utilizar o Wesley (no jogo contra o Coritiba), assim como já fizemos com o Júlio (Fidelis) e o Riquelme. Sempre que treina com a gente, ele demonstra intensidade, coragem, ousadia e vontade de ir para cima. Sabemos que, se houver necessidade, vamos utilizá-lo novamente, porque ele faz parte do nosso grupo — elogiou Marcão.
É verdade que o recorte é pequeno, mas os últimos desempenhos de Wesley Natã já foram suficientes para que ele virasse uma espécie de xodó da torcida. Com passagens de destaque pelas categorias de base da seleção brasileira, o jovem atacante sempre foi visto internamente como promissor.
Jornada dupla. Wesley Natã se divide entre profissional e sub-20 do tricolor
Uma prova de seu valor está no fato de que, mesmo integrado ao elenco profissional do Fluminense nos treinos, Wesley também se co-
loca à disposição do sub-20 quando acionado. Quem está comandando a joia na base é justamente o ídolo Fred. Recentemente, ele viu o ga roto decidir um clássico contra o Flamengo com um golaço e, em meio à empolgação, invadiu o campo para abraçá-lo intensamente.
— Fred não deixa a gente relaxar e pede para se concentrar cada vez mais. É um cara gigante, dentro e fora do clube, então está sendo muito bom aprender com ele. Tem que ser firme na marcação e objetivo com a bola no pé para terminar as jogadas. Tudo vem dos treinos, e está dando certo nos jogos — destacou Wesley Natã ao site do Fluminense.
Em ascensão, o camisa 34 deve ser novamente opção no banco de reservas para o jogo de ida da semifinal da Libertadores, contra o Palmeiras, amanhã, às 21h30, no Maracanã. Os tricolores prometem fazer uma grande festa. A partida de volta será no Nubank Parque, em São Paulo, nos mesmos dia e horário da semana que vem.
A os poucos, o line-up da próxima edição do Rio Open começa a ganhar forma. Ontem, a organização do torneio anunciou a presença do italiano Lorenzo Musetti, que já foi top 10 do mundo e tem no saibro sua melhor superfície.
Esta será a terceira tentativa do Rio Open de contar novamente com um dos nomes mais interessantes da
Aos 24 anos. Musetti é 25º do ranking
Se, em 2026, o Rio Open teve dificuldades para apresentar uma chave atraente — pela primeira vez na História, não houve integrantes do top 10 na disputa —, o evento caminha agora para uma importante retomada.
nova geração do tênis italiano, semifinalista de Wimbledon em 2024 e de Roland Garros em 2025. Depois de disputar a edição de 2023 do torneio carioca, Musetti chegou a ser anunciado na chave nos dois anos seguintes. Mas se lesionou às vésperas da estreia e desistiu.
Além de Musetti, hoje o 25º do ranking, já foram anunciados o também italiano Flavio Cobolli, número 7 do mundo; o norueguês Casper Ruud, que já foi 2º e hoje é 24º; e o fenômeno brasileiro João Fonseca (29º).
— Sempre pude desfrutar da cidade e sentir o carinho da torcida. Estar no Rio é especial, e desta vez vai ser mais interessante com o novo estádio — diz Musetti, numa referência à nova quadra central do Jockey, que terá capacidade para um público cerca de 50% maior.
Em uma temporada marcada por lesões importantes dos dois principais tenistas da atualidade, Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, houve espaço para que o alemão Alexander Zverev enfim concretizasse a expectativa sobre ele depositada. Ontem, com a eliminação do espanhol do Masters
1000 da China, Sascha garantiu que terminará o ano como líder do ranking da ATP. É uma questão de tempo, já que Sinner não jogará mais em 2026 em virtude de uma lesão no joelho direito e perderá parte dos pontos. Será a primeira vez que um tenista alemão ocupará o posto de melhor do mundo.
O novo feito de Zverev se soma aos dois primeiros títulos de Grand Slam de sua carreira, conquistados neste ano após longa espera: Roland Garros, em junho, e US Open, em setembro.
CENTRO DAS ATENÇÕES Vasco desafia Boca Juniors na Bombonera para retomar protagonismo continental
MATHEUS LIMA/VASCO
LUCAS RIBEIRO
lucas.ribeiro.rpa@edglobo.com.br
Arquiteto. O técnico Pedro Emanuel ganhou reforços e conseguiu mudar o patamar do time do Vasco, que segue vivo em busca de dois títulos nesta temporada
Reencontro. Vasco voltará à Bombonera hoje, 25 anos depois de último jogo
A indefinição sobre o estádio do jogo de volta mobilizou os cruz-maltinos e tomou conta do noticiário às vésperas do encontro entre Vasco e Boca Juniors pela Sul-Americana. Mas o due-lo que começa hoje à noite, às 21h30, em Buenos Aires, tem uma dimensão capaz de relegar qualquer história paralela ao segundo plano. Afinal, o Gigante da Colina entrará em campo na Bombonera em busca de uma final que o recolocaria na posição de protagonista da América do Sul após um longo inverno, em meio ao crescimento do time sob o comando do técnico Pedro Emanuel e ao fortalecimento do clube no processo de revenda da SAF.
A excepcionalidade da ocasião explica a invasão de vascaínos à capital argentina. Já são 25 anos sem que o cruz-maltino entre em campo em um dos dois maiores palcos do futebol do país: a própria Bombonera ou o Monumental de Núñez, casa do River Plate.
A última vez em que o Vasco pisou no caldeirão do Boca Juniors foi em 25 de setembro de 2001, no empate em 2 a 2 pela Copa Mercosul, quando Odvan e Euler marcaram para os cariocas.
Já da casa do River Plate e da seleção da Argentina, as lembranças são inesquecíveis. Uma delas é a goleada por 4 a 1 sobre os Millonarios, em 22 de novembro de 2000, na campanha do título do mesmo torneio. Pedrinho, ex-jogador e atual presidente cruz-maltino, deixou sua marca no placar.
Dois anos antes de levantar o troféu da Mercosul, o Vasco havia vivido, também no Monumental, um dos momentos mais emblemáticos de sua história: o famoso gol de falta de Juninho Pernambucano na semifinal da Libertadores de 1998, ano em que conquistaria o título inédito.
Ainda que as glórias sejam eternas, o clube busca recuperar parte desse prestígio. Não à toa, sua última semifinal continental foi na Sul-Americana de 2011, quando acabou eliminado pela Universidad de Chile.
Durante o período de ausência das fases decisivas dos grandes torneios, o cruz-maltino assistiu da televisão aos rivais cariocas protagonizarem momentos históricos justamente nes-
ses palcos lendários do fute-bol sul-americano. Desde 2019, Flamengo, Fluminense e Botafogo conquistaram cinco Libertadores. O rubro-negro levantou a taça em 2019, 2022 e 2025, enquanto o tricolor conquistou seu único título em 2023, ao bater o Boca no Maracanã. Já o alvinegro ergueu a taça inédita em 2024, numa final contra o Atlético-MG no Monumental.
Para o jogo de hoje, Pedro Emanuel tem Nuno Moreira e Adson como opções para substituir Colidio entre os titulares do Vasco. O argentino sequer viajou a Buenos Aires, já que não foi inscrito pelo cruz-maltino na competição e segue na lista do River Plate, seu ex-time, para a etapa de mata-mata.
No treino de ontem, o único em solo argentino antes da partida, o técnico português testou variações com os dois jogadores. O meiocampista Cauan Barros, que recentemente sofreu um acidente de carro, e o centroavante Spinelli seguem fora por problemas físicos. O meia Johan Rojas, por opção técnica, e o zagueiro Cuesta, em fase de transição, também não viajaram.
Boca Juniors
Montero,
Braida, Di Lollo,
Pellegrino e
Blanco; Alarcón,
Delgado e
Palacios; Villa,
Romero (Flores)
e Valencia.
Técnico: Rodolfo
Arruabarrena.
Vasco
Léo Jardim, Paulo
Henrique, Saldivia, Robert Renan
e Cuiabano; Sosa,
Thiago Mendes e
Lescano; Adson
(Nuno), Bruno
Duarte e A. Gómez. Técnico:
Pedro Emanuel.
Local: La Bombonera (Buenos Aires-ARG).
Horário: 21h30. Árbitro: Piero Maza (Chile). Transmissão: SBT, SBT Sports (YouTube) e Paramount+.
Já o atacante Bruno Duarte, poupado contra o Remo após sofrer uma pancada na costela durante o clássico com o Botafogo, não tem limitações físicas e deve ser titular. Brenner também volta a ficar à disposição da comissão técnica.
Em razão do feriado de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, ontem, a Conmebol estendeu para hoje, às 12h, o prazo para o Vasco definir o estádio em que enfrentará o Boca no jogo de volta da semifinal, marcado para 20 de outubro.
O cruz-maltino havia escolhido o Maracanã após uma vitória inicial na Justiça. O consórcio liderado por Fla e Flu, porém, conseguiu uma liminar e voltou a vetar a liberação do estádio. O Vasco recorreu novamente e tem expectativa de reverter o cenário mais uma vez.
Caso não haja definição no prazo previsto, a Conmebol poderá dar a palavra final. O Nilton Santos, estádio do Botafogo, seria o destino provável do jogo nesse cenário. O problema é que o Vasco já vendeu cerca de 50 mil ingressos para a partida no Maracanã. Enquanto isso, a novela continua...
Retorno de Danilo ao Fla ainda neste ano é improvável
Zagueiro passa por cirurgia após sofrer duas fraturas no rosto durante clássico e se torna baixa na reta final da temporada
No Maracanã. Danilo recebe atendimento após choque com Fábio no Fla-Flu
DIOGO DANTAS
diogo.dantas@oglobo.com.br
Ozagueiro Danilo passou ontem por uma cirurgia para corrigir as duas fraturas na mandíbula sofridas durante o clássico com o Fluminense, no domingo, e dificilmente voltará ao Flamengo neste ano. A expectativa interna é que o veterano só esteja disponível caso o clube avance à disputa do Intercontinental. Numa eventual final da Libertadores, em 28 de novembro, a presença é improvável.
Fora dos jogos contra o Estudiantes pela semifinal do torneio continental, Danilo também perderá as partidas seguintes do Brasileiro após levar uma pancada do golei-
ro tricolor Fábio na reta fi-
nal da vitória do Fla por 1 a 0.
Mesmo com o choque, o zagueiro seguiu na partida. No vestiário, porém, apresentou desorientação, teve deslocamento de um dente e precisou ir para o hospital.
Danilo foi, então, submetido a uma tomografia computadorizada, que identificou duas fraturas na mandíbula. Em seguida, houve a recomendação pela cirurgia, com a qual o jogador concordou. A operação na manhã de ontem corrigiu o problema, e Danilo recebeu alta já à noite.
O procedimento foi conduzido pelo cirurgião buco-maxilofacial Gustavo Machado, com acompanhamento dos médicos do Flamengo, Dr. Fernando Sassaki e Dr. Luiz Macedo.
“No caso de Danilo, no clássico contra o Fluminense, chama a atenção a não paralisação da partida no momento do choque, recomendação expressa em lances como esse. A sequência
O rubro-negro emitiu uma nota em que demonstrou revolta com a fratura do camisa 13 e a condução do árbitro Rafael Klein, que não parou o jogo para atendimento de Danilo após um choque na cabeça. O clube reforçou que chegou ao número de nove fraturas sofridas por seus atletas em partidas disputadas neste ano.
da jogada, inclusive, quase resultou em gol da equipe adversária", disse o clube.
Além da perda do zagueiro reserva, o Flamengo pode lamentar a má fase de seu atacante titular. Pedro voltou a ser destaque negativo, após desperdiçar uma grande chance no primeiro tempo e ser vaiado ao ser substituído no segundo.
Ainda assim, o técnico Leonardo Jardim disse confiar na recuperação do atacante.
— Quando ele faz gols, é o mais eficaz no jogo. A torcida questiona por que tirou. Quando não é eficaz, a torcida xinga. Meu papel é blindar o jogador, saber que tem outros papéis sem ser finalização, como na construção. Só que a bola não está entrando. É continuar a trabalhar, que daqui a um ou dois jogos vai entrar. E, quando eu tirar, quem vai ser xingado sou eu — brincou.
Por outro lado, o goleiro Rossi foi decisivo com defesas importantes, dias após as críticas pela atuação no empate com o Santos na Vila Belmiro —e reagiu:
— Todo mundo quer arranjar um culpado. Foi um conjunto. Mesmo cansados, temos que dar amplitude, senão vão nos pressionar e pegar a bola. Não posso dizer que o erro é individual.
说唱界的奥运冠军
在这次与 30e 制作公司合作的巡演之前,这位说唱歌手已经证明了自己在说唱界的影响力。他曾两次自费填满了阿波特欧斯广场(Praça da Apoteose):一次是在 2024 年专辑《Icarus》巡演的闭幕式上;另一次是在次年,为了发布专辑《钻石、泪水与被遗忘的面孔》(Diamantes, lágrimas e rostos para esquecer)而举办的“巨头”(Gigantes)音乐节。
库里蒂巴(Igloo Super Hall,19 / 12)。这位艺术家证明了自己拥有应对如此挑战的耐力:巡演于本月 19 日在圣保罗的安联球场(Allianz Parque)首演,观众人数超过 50 千人,Marcelo D2、Djonga、Evinha、Luccas Carlos、L7nnon、Sain、Akira Presidente 和 Febem 纷纷助阵。
——而且,上次在阿波特欧斯的时候我比在安联球场紧张得多,因为那时我还没唱过那些歌,那是……“在成为实现者之前,你必须先成为梦想家,兄弟。直到今天我依然是个梦想家。我一直想象着说唱能带我去我想去的任何地方。”将说唱带到它在巴西从未到达的高度,这就是 37 岁的阿贝贝·比基拉·科斯塔·桑托斯(Abebe Bikila Costa Santos)的使命。他是里约西南区雅卡雷帕瓜(Jacarepaguá)的孩子,母亲用那位因成为首位赢得两次奥运马拉松冠军而载入史册的埃塞俄比亚人的名字为他命名。
Antes dessa turnê, realizada em parceria com a produtora 30e, o rapper já havia dado provas do tamanho que conquistara no rap ao encher a Praça da Apoteose, às próprias custas, em duas ocasiões: em 2024, no encerramento da turnê do álbum “Icarus”; e no ano seguinte, com o festival Gigantes, que montou para fazer o lançamento de seu álbum “Diamantes, lágrimas e rostos para esquecer”.
Curitiba (Igloo Super Hall, 19/12). Fôlego para tanto desafio, o artista mostrou ter: a turnê estreou no último dia 19, em São Paulo, num Allianz Parque com um público de mais de 50 mil pessoas e participações de Marcelo D2, Djonga, Evinha, Luccas Carlos, L7nnon, Sain, Akira Presidente e Febem.
—Inclusive, na última vez na Apoteose eu fiquei muito mais nervoso do que no Allianz, porque nunca tinha cantado as músicas, era tu-“A ntes de ser o realizador, você tem que ser o sonhador, mano. E eu sou o sonhador até hoje. Sempre visualizei o rap me levando para onde eu quisesse estar.” E levar o rap aonde ele jamais chegou no Brasil, esta tem sido a missão de Abebe Bikila Costa Santos, de 37 anos, cria de Jacarepaguá, Zona Sudoeste do Rio, batizado pela mãe com o nome do etíope que entrou para a História por ter sido o primeiro homem a vencer duas maratonas olímpicas.
BK', QUE CORRE
O BRASIL
COM TURNÊ
CELEBRANDO
DEZ ANOS DE
ÁLBUM DE
ESTREIA,
COMENTA
PREPARATIVOS
PARA SHOW NO
MARACANÃ EM
JANEIRO: 'SÓ
VOU ACREDITAR
NA HORA'
Conhecido do Brasil inteiro como BK', o MC chega dia 16 de janeiro ao Maracanã com o show de comemoração dos dez anos de seu álbum de estreia, "Castelos & ruínas". Que, antes disso, passa por grandes palcos em Porto Alegre (KTO Arena, no próximo dia 24), Salvador (Arena A Tarde, no dia 19/11), Belo Horizonte (Arena Hall, em 28/11) e do novo. Ali, a gente só conseguiu ensaiar 100% no dia do show, então era muita adrenalina, tudo muito pensando nos mínimos detalhes, tentando errar o mínimo possível — conta ele ao GLOBO. — No Allianz, estava feliz, mano, estava solto, já tinha vivido duas experiências. A gente foi se preparando para fazer esses grandes espetáculos, em grandes palcos, para saber lidar com uma multidão. Acho que, agora, um show para 500 pessoas é que é o mais difícil de fazer!
SILVIO ESSINGER
silvio.essinger@oglobo.com.br
DIVULGAÇÃO/PEPE RODRIGUES
A pressão do Maracanã é forte para esse carioca.
— Évito ficar ansioso por antecipação. Quando chegar na semana do show, aí sei que minha cabeça vai ficar a um milhão, é quando a galera começa a pedir ingresso, a pedir um monte de coisa, gente a toda hora ligando e a gente tendo que ensaiar, fica aquela confusão. Mas (o Rio) é a nossa casa, e a gente já vendeu mais ingressos do que no show de São Paulo — revela BK', com uma provocação ao público do Rio. — Eu nunca senti aquilo (que senti em São Paulo) em nenhum show, todo mundo cantando tudo, quase três horas de show onde a energia não baixou hora nenhuma. Sei que no Rio vai ser melhor, mas só vou acreditar na hora, vendo!
---
母爱
—— 在某种程度上这会很好,因为我们会尝试利用一些现有的结构。糟糕的是,我没法去看 System 的演唱会(笑)。
对于马拉卡纳体育场的演出,BK' 计划邀请大部分在圣保罗与他同台的嘉宾,以及一些惊喜,但这取决于艺人们的档期。他的演出日期就在美国摇滚巨头 System of a Down 和 Faith No More 在同一体育场演出的第二天,这两场演出均由同一家 30e 公司承办。
— De certa forma vai ser bom, porque a gente vai tentar aproveitar algumas coisas da estrutura. O ruim é que eu não vou conseguir ir no show do System (risos)
Para o show do Maracanã, BK' planeja trazer para o palco boa parte dos convidados que se apresentaram com ele em SP, e algumas surpresas, mas está dependendo da disponibilidade de datas dos artistas. Seu show acontece um dia depois que os gigantes americanos do rock System of a Down e Faith No More tocam no mesmo estádio, em espetáculo promovido pela mesma 30e.
—brinca ele, acrescentando que durante um bom tempo sequer pensou em Maracanã já que “queria concentrar todas as energias no Allianz”. —Eu achava que ali já ia ser um desafio bem grande, me imaginava cantando lá bem mais para frente, daqui a uns cinco, seis anos. E aconteceu agora, foi uma surpresa muito boa. No Rio, pensamos em fazer alguma coisa de graça, na rua. Ou então três noites na Fundição Progresso. Mas aí a gente falou: “Cara, a gente não vai conseguir devolver para o Rio de Janeiro da mesma forma.” Tudo que a gente fez foi se arriscando. Por que não ia se arriscar agora?
Nessas horas, BK' pensa muito na mãe, a educadora e pesquisadora Ana Cristina Gomes, uma das fundadoras do Movimento de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, que morreu em agosto do ano passado, após um transplante de coração.
Em campo.
O rapper BK' no
Maracanã: ele foi
batizado de Abebe Bikila
(nome do etíope que
foi o primeiro a vencer a
maratona em duas
edições consecutivas
dos Jogos Olímpicos)
pela mãe, a educadora
e pesquisadora
Ana Cristina Gomes.
"Quando consigo fazer
várias coisas na minha
carreira, significa
que ela conseguiu
também", reflete
—Não há nada que pague o ensinamento que ela me deu, mas acredito que, dentro desses dez anos que tive de carreira, a gente conseguiu curtir bastante. Consegui deixar minha mãe bastante orgulhosa. Lembro que ela falou: “Pô, eu olho para você e para o seu irmão, eu fico realmente feliz de ver que eu eduquei vocês certo. Eu fiz a coisa certa” — emociona-se. — Não sou perfeito, mas tu não vai me ver fazendo um monte de merda, não vai me ver des-tratando os outros, achando que sou Deus. Isso, por causa do que a minha mãe me ensinou, isso por causa do caráter que minha mãe me deu. Ela foi uma pessoa que criou sozinha dois moleques pre-tos no Rio de Janeiro. Então, quando consigo fazer várias coisas na minha carreira, significa que a minha mãe conseguiu também.
NOS 100 ANOS DO AUTOR DE OBRAS CLÁSSICAS DAS CIÊNCIAS HUMANAS, QUE ESCREVEU QUE UM DIA O SÉCULO SERIA DELEUZIANO, É MAIS PROVÁVEL QUE POSSAMOS CONSIDERAR QUE ESTAMOS NUMA ÉPOCA FOUCAULTIANA
RONALDO PELLI
Especial para O GLOBO
Em um texto sobre o seu amigo e também pensador francês Gilles Deleuze, Michel Foucault escreveu que um dia o século seria de leuziano. Se esse momento ainda não chegou, nos 100 anos do autor de obras clássicas das Ciências Humanas e Sociais como “A palavra e as coisas” e “Vigiar e punir”, é mais provável que possamos considerar que estamos em um tempo foucaultiano. Não por praticar suas ideias libertárias, já que vivemos um momento tristemente conservador, mas por usar suas ferramentas teóricas para enfrentar questões políticas e sociais da atualidade. Inclusive esse conservadorismo.
Parte relevante da pesquisa nas humanidades passa por esse personagem que trafega com desenvoltura por Filosofia, História, Comunicação, Direito e diversas outras disciplinas. Os estudos de gênero e a teoria queer, de Judith Butler e Paul Preciado, por exemplo, dialogam com a sua "História da sexualidade", que mapeou como o sexo é um dispositivo de sociabilidade desde a Antiguidade. A necropolítica de Achille Mbembe é um desdobramento, a partir de países que foram colônias de grandes potências, do conceito de biopoder foucaultiano. Isso para ficar em apenas dois casos.
Nascido Paul-Michel Foucault em 15 de outubro de 1926 (divide o aniversário com o alemão Friedrich Nietzsche, uma das suas influências), o francês é um dos principais nomes do pós-estruturalismo. Esse grupo, que inclui além de Foucault e Deleuze, Félix Guattari, Roland Barthes e Jacques Derrida, para citar poucos mas representativos nomes, eclobiu para o mundo ao redor do Maio de 1968, quando os protestos nas ruas de Paris ditaram o comportamento político-social no Ocidente. Se o mundo anglófilo propunha o Flower Power do movimento hippie, os franceses preferiram arrancar as pedras das calçadas para arre
Ponto de vista.
Michel Foucault nos anos 1970 em Paris: francês fez sua previsão em texto sobre o amigo e também pensador Gilles Deleuze, mas suas ferramentas teóricas é que estariam em voga para enfrentar questões políticas e sociais da atualidade
messá-las nos poderes instituídos. Esses intelectuais traduziram a energia das ruas em livros, aulas, posicionamentos públicos. Entre eles, Foucault era figura de proa.
Símbolo muitas vezes do estereótipo do acadêmico francês, com óculos, gola rolê e postura libertária, acrescentando apenas o detalhe da careca, Foucault trafegou em três grandes momentos de pensamento, que são entremeados entre si. Ainda na década de 1960, começou com o chamado arqueológico, em que buscou entender como os saberes e o conhecimento são constituídos ao longo do
tempo. Num segundo momento, já na década de 1970, foi a vez do genealógico, de inspiração nietzschiana, em que tentou compreender a formação dos poderes que moldam nossos modos de viver. Por fim, na década de 1980, numa fase um pouco menos conhecida e menor, pois Foucault morreu em 1984, ele abordou o que ficou conhecido como estética da existência ou cuidado de si. Foi sua forma de tentar imaginar como as nossas subjetividades são constituídas a partir dos diferentes vetores de força que nos atingem cotidianamente.
Essa ligação mais próxima com o dia a dia é uma das principais revoluções foucaultianas. Em vez de pensar exclusivamente em grandes estruturas, no sistema como um todo, ele foi no menor, nas relações mais comenzinas para demonstrar que somos moldados pelo nosso entorno, igualmente. Ele não ignorou a economia política nem as classes sociais, mas sugeriu que é, também, na família, na escola, na igreja, no sexo, na forma como prendemos as pessoas, como tratamos os neurodivergentes que moldamos nossas personalidades. A política não aparece apenas nas eleições, mas acontece no cotidiano, estando nós atentos ou não.
A preocupação com essa micropolítica foi — e continua sendo — um dos alvos de parte da esquerda marxista mais tradicional. Veio daí o que muita gente apelida, para soar fútil, de pensamento identitário. Mas Foucault não queria abandonar o conhecimento de Marx e cia. Ele almejava inserir novas maneiras de tratar a exclusão de boa parte da sociedade. Era o nascimento da interseccionalidade, tão falada hoje. Em vez de pensar exclusivamente o pobre, deveríamos também teorizar sobre as mulheres, os indígenas, os povos pretos, o meio ambiente, o mundo LGBTQIA+, de que, aliás, ele também fazia parte, e por aí vai. Sua proposta era a diversidade.
Essa postura destoante sobressai na virada para os anos 1980, com a ascensão de governos neoliberais nos EUA e na Inglaterra. Por estudar o movimento de forma não abertamente crítica, Foucault é acusado pela esquerda mais tradicional de ter endossado o neoliberalismo. O movimento começava a varrer o mundo e produziu, desde então, fenômenos como a transformação da percepção das classes populares: elas não se sentiriam mais como pobres, mas como empresários de si — termo, aliás, foucaultiano.
Outro grupo, a qual me filho, pensa essa aproximação de Foucault como uma forma de “hackear” o pensamento neoliberal. O francês teria percebido que o neoliberalismo “empoderava” o indivíduo ao pregar a meritocracia, dizendo que ele era o único responsável pelo seu sucesso. Contra uma esquerda mais autoritária, esse novo movimento soaria como um convite à rebeldia, tal qual um filho agiria diante do pai — o Estado — controlador. A partir daí, ele reforça a importância da liberdade de escolha do indivíduo, mas reforçando — e essa é a enorme diferença — seu impacto na sociedade.
Por isso sua última fase sugere uma Estética da Existência. Tal qual artistas, poderíamos tratar nossas vidas como uma obra a ser criada. Contudo, é necessário lembrar, sempre, que a matéria-prima provém das condições já encontradas em nosso entorno. Seria uma forma de responder ao neoliberalismo a partir da esquerda. Melhor: seria a invenção de uma nova esquerda. Uma esquerda que continua a se importar com o trabalho, a produção econômica, o Estado, mas agora também pensa nos desejos, nos interesses, na diferença. Uma esquerda que afirma que podemos ser o que quisermos, não precisamos obedecer a patrão, pai ou Estado, mas que não estamos sozinhos no mundo. Há redes de segurança para o caso de darmos um passo em falso. Uma esquerda cuja subjetividade inclui ao mesmo tempo a autonomia e a solidariedade.
Ronaldo Pelli é doutor em Filosofia
CONTINUAÇÃO DA CAPA
Em 2016, quando lançou “Castelos & ruínas”, BK’ era, em suas próprias palavras, “um rapaz comum, que estava tentando encontrar o seu caminho”.
— Muita gente associa o castelo à riqueza, mas o que eu queria ali era realmente encontrar um sentido. Quando canto as músicas desse disco, aquilo soa para mim como uma pessoa que quer se encontrar no mundo, que quer encontrar seu propósito, sua missão. É alguém que não está necessariamente perdido, desesperado, mas que fala: “Beleza, tô aqui, e agora, pra onde é que eu vou? O que vai acontecer?”
Na época, o rapper (que chegou a participar de batalhas de rima na Lapa) tinha deixado o Nectar Gang, grupo que “já tinha um respeito na rua, fazia um show ou outro e conseguia ganhar um dinheiro, mas não um dinheiro”。
— Sempre pensei no rap como trabalho — conta. — No Nectar, era eu e mais três pessoas, então você acaba rimando menos para
'SEMPRE SONHEI EM FAZER UM DISCO CLÁSSICO, A SORTE É QUE FOI LOGO NO PRIMEIRO'
BK', QUE LANÇARÁ
ÁLBUM DE
REMIXES COM
PARTICIPAÇÕES
ILUSTRES COMO A
DO SAXOFONISTA
AMERICANO E
ASTRO DO JAZZ
KAMASI
WASHINGTON,
ANALISA INÍCIO DE
CARREIRA,
MERCADO, MAIOR
PARTICIPAÇÃO DAS
'MINAS' E POSIÇÃO
POLÍTICA DE
FÃS DE RAP
ficar um suingue legal, para dividir os versos, cada um ali tinha um espaço. Já no “Castelo & ruínas”, eutinha muita coisa para falar. Era vontade de ser visto, de fazer valer. Hoje eu faço rap 20 horas por dia, naquela época era 24 horas por dia escrevendo, escrevendo, escrevendo, pegando beats na internet, rimando sobre os beats, escrevendo, escrevendo...
Inicialmente, “Castelos & ruínas” ia ser só uma mixtape solo, mas “depos de pronto, a gente falou: ‘Cara, isso aqui tem uma unidade, já é um BK’ diferente do BK’ do Nectar’.” Depois de uma audição promovida na galeria Homegrown, na Tijuca, o disco chamou a atenção da cena do rap. Um ano depois do lançamento, BK’ soltou três clipes comemorativos que fizeram mais barulho ainda para o disco.
— Aí eu consegui enxergar, botar o pé e acreditar que aquilo ali era o meu trabalho. “Castelos & ruínas” é o único disco que eu sabia que estava pronto. Quando lancei, tinha uma certeza bizarra dentro do peito, assim, de que seria o divisor de muita coisa na minha vida. Eu sempre sonhei em fazer um disco clássico, a sorte é que foi logo no primeiro (risos) — gaba-se ele, reconhecendo que, além da sonoridade diferente do que rolava no rap do Rio, “Castelos & ruínas” trouxe a novidade da introspecção. — Ouvindo hoje, não o acho a coisa mais introspectiva do mundo, mas, talvez pelo contexto da época, ele seja um disco que se volta muito não só para as dúvidas, mas para os pontos de vista.
Fechado um ciclo, com as comemorações dos dez anos de “Castelos & ruínas”
(que seguem com o lançamento, em breve, de um álbum de remixes com participações ilustres — inclusive a do saxofonista americano e astro do jazz Kamasi Washington), BK' parte para os próximos dez anos de sua carreira.
成员:Gabriel Menezes, Giulia Costa 和 Tábata Uchoa • oglobo.globo.com / play • anna.santiago@oglobo.com.br • colunaplay
Gabz, Totia Meireles, Gi Fernandes, Filipe Bragança, Julio Andrade, Danielle Winits, Rainer Cadete 和 Claudia Ohana 将参加下周六由 Serginho Groisman 主持的《Altas Horas》。该节目将开启一场关于电视戏剧难忘时刻的旅程。嘉宾们将演唱与肥皂剧相关或在他们职业生涯中留下印记的歌曲。
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FOCO NO PAÍS
— Quero me reinventar, já venho estudando algumas coisas de sonoridade, nunca vou deixar de ser eu mesmo, mas quero trazer algumas ideias novas — diz ele, que não pensa, por enquanto, em fazer rap em inglês, para o exterior (seu foco é o Brasil). — Meu inglês é horrível! Meu inglês é para chegar na loja, comprar alguma coisa e ir embora. Se tiver que conversar eu já fico nervoso, começo a procurar as palavras e já não quero mais falar.
As perspectivas para o rap no país, acredita ele, são as melhores.
— As gravadoras estão começando a olhar realmente para o rap, em termos de trabalho, de business, ele vem num crescimento interessante. E as minas vêm tirando muita onda, eu acredito que elas vão conseguir ocupar esse lugar do rap mainstream, igual às divas e aos cantores pop. Nosso maior desafio é fazer a música crescer e chegar a mais lugares, e que o rap seja uma porta não só para música rap, mas para cultura hip-hop no geral — torce. — Porque é incrível o aumento dos fãs de rap se posicionando para a extrema direita. Mas por que que isso acontece? Porque, de alguma forma, a música chegou, mas não chegou a cultura. Chegou o flow, chegou o beat, mas não chegou a história, não chegou a base. (Silvio Essinger)
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Para a segunda temporada de “Amor da minha vida”, do Disney+. Com direção-geral refinada de René Sampaio e roteiro sensível de Matheus Souza, a série mergulha em
conflitos mais densos e volta a encantar. Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros seguem brilhando e fazem cenas incríveis no quarto episódio.
Para problemas no serviço
Claro Vídeo. A primeira temporada de “Your honor” não tem áudio original nem legendas disponíveis.
O mesmo acontece com “The turkish detective”. Além disso, a plataforma só oferece o primeiro episódio de “Paradise”. “CSI: Vegas” também está incompleta. A í fica difícil, gente.
PLAY
Por Anna Luiza Santiago
Com Gabriel Menezes, Giulia Costa e Tábata Uchoa • oglobo.globo.com/play • anna.santiago@oglobo.com.br • colunaplay
Gabz, Totia Meireles, Gi Fernandes, Filipe Bragança, Julio Andrade, Danielle Winits, Rainer Cadete e Claudia Ohana participarão do “Altas horas”, de Serginho Groisman, no próximo sábado. A atração embarcará numa viagem por momentos inesquecíveis da teledramaturgia. Os convidados cantarão músicas associadas a novelas ou que tenham marcado suas trajetórias
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情感记忆
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Memória afetiva
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纽带
Bia Seidl 和 Fernanda Vasconcellos 将在今天上线 Globoplay 的竖屏剧《我从你那里学到的一切》(Tudo que aprendi com você)中饰演母女 Renata 和 Alzira。Renata 有一个 3 岁的女儿,是一名人力资源经理。面对所在公司的重组,她开始担心被解雇。在不稳定的环境中,该角色在母亲身上找到了必要的支持。
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Laços
Bia Seidl e Fernanda Vasconcellos viverão Renata e Alzira, mãe e filha, em “Tudo que aprendi com você”, novela vertical que chegará hoje ao Globoplay. Renata tem uma menina de 3 anos e é gerente de Recursos Humanos. Diante de reestruturações na empresa onde atua, ela passa a temer a demissão. Em meio à instabilidade, a personagem encontra na mãe o suporte necessário
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Batanga
Tony Tornado 和儿子 Lincoln Tornado 在《爱的贵族》(A nobreza do amor)的幕后。他们将以非洲皇室成员的身份出现在 Alika (Duda Santos) 和 Tonho (Ronald Sotto) 的婚礼上。
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Batanga
Tony Tornado e o filho
Lincoln
Tornado nos bastidores de “A nobreza do amor”. Eles surgirão como membros da realeza africana no casamento de Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto)
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竞争...
Ticiane Pinheiro 将主持 Globoplay 的新真人秀《星二代学院》(Academia dos nepobabies)。在比赛期间,名人的子女需要测试自己在不寻常职业中的能力。每项任务将由专家评分并获得积分。在本季结束时,排名最高者获胜。
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Disputa...
Ticiane Pinheiro apresentará “Academia dos nepobabies”, novo reality do Globoplay. Durante a competição, filhos de personalidades precisarão testar habilidades em profissões inusitadas. Cada missão ganhará avaliações de especialistas e renderá pontos. Ao final da temporada, vencerá quem estiver no topo do ranking.
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...以及更多
团队目前尚未开始工作,但可以确定首播将在明年。Carlo Milani 担任艺术指导。
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...E mais
A equipe não começou os trabalhos por enquanto, mas já é certo que a estreia ocorrerá no ano que vem. Carlo Milani assina a direção artística.
Será gravada em 2027 a série de ficção do Globoplay sobre a loja Daslu, que era comandada por Eliana Tranchesi. Leandra Leal é cotada para interpretá-la. Trata-se de um projeto da Ventre Studio em coprodução com a Conspiração e a francesa Gaumont. Giuliano Cedroni criou a história e escreve em parceria com Elena Soarez.
Thelmo Fernandes, que foi o braço direito de um político em “Emergência 53”, do Globoplay, surgirá na continuação da trama. Ele está confirmado ainda na sexta leva de episódios de “Arcanjo renegado” no papel do bispo Cristóvão.
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真实案例
Pedro Wagner 将拍摄 Mini Kerti 关于 Flávio da Silva 的电影,后者在 1961年出现在美国《生活》(Life)杂志的照片中而闻名。该演员将饰演主角的继父。
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Caso real
Pedro Wagner rodará o filme de Mini Kerti a respeito de Flávio da Silva, garoto que se tornou conhecido após aparecer em fotos na revista americana “Life”, em 1961. O ator fará o padrasto do protagonista.
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舞台与荧幕
自《自救者》(Salve-se quem puder,2020 年)以来一直远离肥皂剧的 Carolina Kasting 将在今年主演一部关于波兰哲学家罗莎·卢森堡(Rosa Luxemburgo)的戏剧,并回归视听作品:“我不能透露细节,但我很高兴能重新开始”。请在网站阅读完整采访。
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No palco e na tela
Longe das novelas desde "Salve-se quem puder" (2020), Carolina Kasting estrelará este ano uma peça sobre a filósofa polonesa Rosa Luxemburgo e retornará ao audiovisual: "Não posso dar detalhes, mas estou feliz com a retomada". Leia a entrevista no site.
'AVENIDA BRASIL' REÚNE VELHOS PAPÉIS E NOVOS ROSTOS PARA CONTINUAÇÃO
A TV Globo anunciou ontem mais 27 nomes para o elenco de “Avenida Brasil 2”, elevando a 47 o número de atores confirmados na continuação da novela de João Emanuel Carneiro, com estreia em janeiro de 2027. Entre os reforços está Heloisa Périssé, que voltará a interpretar Monalisa, a cabeleireira que terminou a história original, em 2012, ao lado de Tufão (Murilo Benício).
Catorze anos após o fenômeno televisivo, a trama retomará a rivalidade entre Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves). Depois de cumprir pena na prisão, a antiga vilã reaparecerá com ares de mulher regenerada. Dedicada a trabalhos sociais em benefício de famílias vulneráveis, ela terá conquistado a admiração da
COM 47 ATORES CONFIRMADOS
ONTEM PELA GLOBO, SEQUÊNCIA DE
NOVELA DE JOÃO EMANUEL CARNEIRO
TERÁ RETORNO DE HELOISA PÉRISSÉ
E VILÃ CARMINHA 'REGENERADA' comunidade e até o reconhecimento da imprensa. A nova reputação servirá de passaporte para uma tentativa de reaproximação com a família de Tufão, sobretudo com a filha Ágata (Karol Lannes), alvo constante de gordofobia no passado. Resta saber se a mudança será para valer ou se configura mais uma das artimanhas dela.
'Oioiô'. Atriz volta a viver personagem Monalisa na trama: "É uma felicidade"
— É uma felicidade estar de volta com meus antigos colegas e tendo agora oportunidade de contracenar com uma galera jovem da idade da minha filha —celebra, ao GLOBO, Heloísa Périssé. — Não vejo a hora de começar e de me jogar de corpo, alma e coração.
Entre os nomes anunciados estão ainda Nívea Maria, Joaquim Lopes, Letícia Lima e Evelyn Castro. Eles se juntam a atores que participaram da versão original. Estão confirmados Cauã Reymond (Jorginho), Marcos Caruso (Leleco), Eliane Giardini (Muricy), Juliano Cazarré (Adauto), Letícia Isnard (Ivana) e Mel Maia, que retornará num papel inédito (em 2012, ela deu vida a Nina na infância).
在 Ricardo Waddington 担任艺术指导、Henrique Sauer 担任总导演的情况下,《巴西大道 2》(Avenida Brasil 2)将接替《爱即守护》(Quem ama cuida)在 21 点档播出。拍摄预计将于下月开始。
讣告 • 演员 埃德森·席尔瓦 (EDSON SILVA),95 岁
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MAIS PERSONAGENS
A continuação terá ainda rostos inéditos, como Thomás Aquino, Thalita Carauta, Jéssica Ellen e Cris Vianna. O primeiro interpretará Renan Vitória, uma liderança local que disputará influência com Carminha. Thalita viverá a irreverente Salomé, enquanto Jéssica dará vida a Jade, jovem que sonha em estudar nos Estados Unidos e tenta escapar de um relacionamento tóxico.
Nem todos os velhos conhecidos estarão de volta. Isis Valverde, que fez sucesso como a “periguete” Suelen, já revelou que não estará no projeto. Alexandre Borges (Cadinho), Debora Bloch (Verônica), Camila Morgado (Noêmia) e Carolina Ferraz (Alexia), integrantes de um dos núcleos cômicos da versão original, tampouco aparecem entre os nomes anunciados. O mesmo vale para Débora Nascimento (Tessália) e José Loreto (Darkson).
Com direção artística de Ricardo Waddington e direção geral de Henrique Sauer, “Avenida Brasil 2” substituirá “Quem ama cuida” na faixa das 21h. As gravações estão previstas para começar no próximo mês.
OBITUÁRIO • EDSON SILVA, ATOR, 95 ANOS
从剧院到电视的漫长职业生涯
埃德森·席尔瓦于 1930 年 10 月 25 日出生在米纳斯吉拉斯州的朱伊斯迪福拉,1951 年搬到里约热内卢,决心在舞台上发展事业。在这座弗卢米尼塞州的首府,他师从 Paschoal Carlos Magno 学习戏剧,并开启了在这一领域近三十年的历程。在他导演的剧目中包括 1962 年由 Joana Fomm 出演的《怜悯之剧》(O Auto da Compadeci
在三十年的
职业生涯中,这位艺术家
导演了多部剧作,
为外国作品
提供配音,
并出演了
多部标志性电视剧
da)、《兰皮昂》(Lampião)和《年轻小姐》(Sinhá moça)。
这位演员的职业生涯跨越了巴西电视的多个世代,主要在配角中脱颖而出,同时也为外国作品提供配音。在 Manoel Carlos 的电视剧《家庭纽带》(Laços de família)中,席尔瓦饰演 Heitor,他是 Marieta Severo 饰演的角色 Alma 的园丁。在整个职业生涯中,他出演了多部标志性的电视戏剧作品,包括《活水》(Água viva,1980 年)、《婴儿在船》(Bebê a bordo,1988 年)、《爱情故事》(História de amor,1995 年)、《为了爱》(Por amor,1997 年)和《热情的女人》(Mulheres apaixonadas,2003 年)。他最后一次在电视上出现是在 2004 年的《命运之女》(Senhora do destino)中。
职业生涯。演员兼配音演员 埃德森·席尔瓦:与 Paschoal Carlos Magno 合作的戏剧及电视作品
这位演员兼配音演员去世时享年 95 岁。该消息于周六由 Instagram 上的 Dublapédia Brasil 账号公布。死因尚未公布。
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LONGA CARREIRA QUE FOI DO TEATRO À TV
Nascido em 25 de outubro de 1930, em Juiz de Fora, Minas Gerais, Edson Silva se mudou para o Rio de Janeiro em 1951, disposto a seguir carreira nos palcos. Nacapital fluminense, estudou teatro com Paschoal Carlos Magno e iniciou uma trajetória de quase três décadas na atividade. Entre os espetáculos que dirigiu estão “O Auto da Compadeci
EM TRÊS DÉCADAS DE
TRAJETÓRIA, ARTISTA
DIRIGIU MONTAGENS,
EMPRESTOU A VOZ
A PRODUÇÕES
ESTRANGEIRAS E
ATUOU EM NOVELAS
MARCANTES
da", numa montagem de 1962 com Joana Fomm, "Lampião" e "Sinhá moça".
Com uma carreira que atravessou diferentes gerações da TV brasileira, o ator se destacou sobretudo em papéis coadjuvantes e também emprestou sua voz a produções estrangeiras. Em “Laços de família”, novela de Manoel Carlos, Silva interpretou Heitor, jardineiro de Alma, personagem de Marieta Severo. Ao longo da trajetória, esteve no elenco de outras produções marcantes da teledramaturgia, entre elas “Água viva” (1980), “Bebê a bordo” (1988), “História de amor” (1995), “Por amor” (1997) e “Mulheres apaixonadas” (2003). Sua última participação na TV foi em “Senhora do destino”, de 2004.
Carreira. Ator e dublador Edson Silva: teatro com Paschoal Carlos Magno e TV
O ator e dublador morreu aos 95 anos. A notícia foi divulgada no sábado pelo perfil Dublapédia Brasil, no Instagram. A causa da morte não foi informada.
ÁRIES (21/3 A 20/4) Elemento: Fogo. Modalidade: Impulsivo.
Signo complementar: Libra. Regente: Marte.
A confiança crescerá pela possibilidade de repartir um peso de forma justa. Aceitar apoio exigirá reconhecer o que pode ser compartilhado e o que segue sob sua responsabilidade. Um acordo claro dará base.
A relação ganhará consistência nas atitudes que confirmam a disposição de estar junto. Haverá espaço para combinar expectativas com franqueza e menos exigência de adivinhação. Valorize o cuidado possível.
GÊMEOS (21/5 A 20/6) Elemento: Ar. Modalidade: Mutável.
Signo complementar: Sagitário. Regente: Mercúrio.
Uma orientação bem compreendida facilitará o andamento das tarefas e a construção de um ritmo em que esforço e recuperação tenham lugar. Considere as condições necessárias para cumprir obrigações.
CÂNCER (21/6 a 22/7) Elemento: Água. Modalidade: Impulsivo.
Signo complementar: Capricórnio. Regente: Lua.
O apoio recebido dara coragem para desenvolver uma expressão mais pessoal. Sinta que o erro cabe no processo. Acolha o incentivo e escolha uma maneira de cultivar o prazer que começa a ganhar espaço.
A vontade de acolher ampliará compromissos na vida íntima. Conversas francas ajudarão a encontrar uma medida para que o cuidado circule. Ofereça aquilo que consegue manter, mesmo após o entusiasmo.
VIRGEM (23/8 A 22/9) Elemento: Terra. Modalidade: Mutável.
Signo complementar: Peixes. Regente: Mercúrio.
Um entendimento terá força ao transformar intenções em palavras. Converse sobre necessidades, buscando termos que respeitem as partes envolvidas. Atenha-se ao ponto principal e confirme combinados.
A segurança aumentará ao reconhecer quais recursos estão de fato à disposição. Um compromisso terá continuidade com uma distribuição mais cuidadosa de tempo e energia. Apoie suas escolhas no possível.
ESCORPIÃO (23/10 A 21/11)Elemento: Água. Modalidade: Fixo. Signo complementar: Touro. Regente: Plutão.
Dar nome a uma necessidade facilitara a escolina de como agir. A receptividade ao redor ajudará, mas será importante participar ativamente do cuidado que deseja receber. Assuma uma iniciativa compatível.
A pressão interna diminuira ao admitir que uma parte do esforço pode ser repartida. Um apoio discreto favorecerá a retomada de um processo ainda reservado. Escolha com quem compartilhar o que está vivendo.
Um objetivo encontrará sustentação na contribuição de pessoas com capacidades diferentes. Seu papel ficará claro. Considere uma participação concreta, levando em conta as diferentes disponibilidades.
O compromisso com uma direção receberá credibilidade. Haverá a oportunidade de firmar uma responsabilidade em condições mais realistas. Na hora de decidir, considere os recursos que são necessários.
PEIXES (20/2 A 20/3) Elemento: Água. Modalidade: Mutável.
Signo complementar: Virgem. Regente: Netuno.
A confiança em um caminho crescerá mais depressa do que a compreensão de suas exigências. Uma orientação consistente ajudará a dar medida ao entusiasmo. Siga aprofundando o que ainda está aprendendo.
Foram encontradas 39 palavras: 25 de 5 letras, 06 de 6 letras, 08 de 7 letras, além da palavra original. Com a sequência de letras ÇO foram encontradas 05 palavras.
Instruções: Este jogo tem os seguintes objetivos: 1. Encontrar a palavra original utilizando todas as letras contidas apenas no quadro maior. 2. Com estas mesmas letras formar o maior número possível de palavras de 5 letras ou mais. 3. Achar outras palavras (de 4 letras ou mais) com o auxílio da sequência de letras do quadro menor. As letras só poderão ser usadas uma vez em cada palavra. Não valem verbos, plurais e nomes próprios.
'O RISO É A MELHOR FORMA DE ESPIAR O RIDÍCULO HUMANO'
LUCAS SALGADO
lucas.salgado@oglobo.com.br
Casal 20. “Era um sonho dos meus pais que eu fizesse um trabalho com o Tony”, diz Gloria Pires: 1º e 2º longas arrecadaram juntos R\$ 80 milhões de bilheteria
Nova dupla. Cleo Pires e Rafael Infante são os que trocam de corpos em “Se eu fosse você 3”: franquia de sucesso
Passados 17 anos de “Se eu fosse você 2” (2009) e 20 de “Se eu fosse você” (2006), a história de Cláudio e Helena, vividos pelos inesquecíveis Tony Ramos e Gloria Pires, está de volta aos cinemas. O casal retorna em “Se eu fosse você 3”, de Anita Barbosa, que chega ao circuito após exibição no Festival do Rio. No longa, a dupla principal “passa o bastão” para uma nova geração. A trama acompanha Bia (Cleo Pires), filha de Cláudio e Helena, uma chef de cozinha que vive um relacionamento com Aquiles (Rafael Infante). Num momento de crise na relação, os dois acabam discutindo e, subitamente, trocam de corpo, repetindo o que havia acontecido com os pais da jovem anos atrás.
— O projeto vinha sendo alimentado pelos produtores e por nós desde o lançamento do segundo filme. A repercussão de “Se eu fosse você 2”, junto à do primeiro filme, fez com que todos se dispusessem a pensar no 3. Pensar, o.k., mas não qualquer roteiro. Não podíamos trair a memória popular que nos apoiou tanto — diz Tony, de 78 anos. — O tempo passou, tínhamos outros compromissos profissionais. Até que um dia nos disseram: “Temos um roteiro, querem ler?” E aí aconteceu. Vimos a possibilidade ali de o filme continuar com a mesma liberdade poética da troca de casais, mas recontando isso também pelo aspecto desses pais e avós loucos por uma vida mais tranquila.
作为国家戏剧界的两位领军人物,托尼和格洛丽亚在共同出演电视剧《最美》(Belíssima, 2005)、《热带天堂》(Paraíso tropical, 2007)、《性别战争》(Guerra dos sexos, 2012)和《大地与激情》(Terra e paixão, 2023)以及《如果我是你》三部曲之后,庆祝他们的第七次合作。顺便一提,他们在戏中的相遇曾是这位女演员父母——演员安东尼奥·卡洛斯·皮雷斯(Antônio Carlos Pires)和制片人埃尔莎·皮雷斯(Elza Pires)的愿望。
Assistente de direção de Daniel Filho nos dois primeiros longas, Anita Barbosa agora assume a cadeira principal de diretora. Ela também lembra que sempre existiu o desejo de realizar o terceiro longa e que o projeto acabou sendo adiado em meio à venda da Fox para a Disney, iniciada em 2017 e concluída em 2019, que atrasou muitos processos.
Apesar de filha de uma das estrelas da franquia, Cleo lembra que precisou fazer um teste para assumir o papel de Bia, personagem vivida por Lara Rodrigues em 2006 e por Isabelle Drummond em 2009.
—Foi muito emocionante. Quando eu soube que Cleo iria fazer o teste para a Bia, eu não tinha dúvidas de que ela iria deitar e rolar porque é uma atriz que se aproxima
do drama e da comédia com a mesma disponibilidade — diz Gloria, de 63 anos. — Existe o ditado: “Quem meu filho beija, minha boca adoça.” Fiquei muito feliz com o trabalho dela e do Rafa. E também me senti homenageada de voltar a essa personagem neste lugar novo. O tempo passou pra gente, tudo vai ganhando um outro peso. Isso está no filme.
Grandes sucessos de público, os dois primeiros longas da franquia, somados, levaram 9,7 milhões de pessoas aos cinemas e arrecadaram R\$ 80 milhões nas bilheterias. Tony Ramos destaca a importância da comédia no cinema brasileiro.
— Tivemos Oscarito no nosso país, tínhamos filmes em que as filas davam volta no quarteirão, mas que eram tratados como chanchadas, não se respeitando aquela manifestação popular. Não só a comédia, mas tudo é bem-vindo, tudo é cultura. O que precisa mudar é o discurso receptivo. A cultura não está só na manifestação intelectual, mas também na manifestação de um povo —defende Tony. —A cultura tem várias faces e por isso a comédia é muito bem-vinda. O riso é a me-
DEFENDENDO
A COMÉDIA
NACIONAL, TONY
RAMOS E GLORIA
PIRES PASSAM O
BASTÃO A NOVO
CASAL EM 'SE EU
FOSSE VOCÊ 3':
'TÍNHAMOS
OSCARITO E
FILMES EM QUE
AS FILAS DAVAM
VOLTA NO
QUARTEIRÃO',
DIZ ATOR
lhor forma de espiar o ridículo humano.
Gloria concorda:
—O riso é uma ótima maneira de absorver mensagens e acho que o nosso filme propõe a reflexão de uma forma muito leve.
Dois dos principais nomes da dramaturgia nacional, Tony e Gloria celebram a sétima parceria após contracenarem nas novelas “Belíssima” (2005), “Paraíso tropical” (2007), “Guerra dos sexos” (2012) e “Terra e paixão” (2023), além da trilogia “Se eu fosse você”. O encontro em cena entre eles, por sinal, era um desejo dos pais da atriz, o ator Antônio Carlos Pires e a produtora Elza Pires.
— Era um sonho dos meus pais que eu fizesse um trabalho com o Tony, que só aconteceu após o falecimento deles. Comigo é sempre muito especial estar com este companheiro — a firma Gloria.
Tony emenda:
— “É um prazer que se re-nova”: essa é uma frase que repetimos sempre que nos reencontramos em uma sala de roteiro. Temos muita história e é uma relação que começa e termina no respeito mútuo que temos.
成长的痛苦与甜蜜
由布鲁娜·马尔奎齐内(Bruna Marquezine)和塞尔吉奥·马尔海罗斯(Sérgio Malheiros)主演的《我生命中的爱》(Amor da minha vida)在流媒体平台回归第二季:“探讨了那种我们感到迷茫的感觉”
布鲁娜·马尔奎齐内和塞尔吉奥·马尔海罗斯在由马特乌斯·索萨(Matheus Souza)创作的这部“coming of age”系列剧中再次合作。
'AMOR DA MINHA VIDA', COM BRUNA MARQUEZINE E SÉRGIO MALHEIROS, VOLTA PARA SEGUNDA TEMPORADA NO STREAMING: 'ABORDA UM POUCO A SENSAÇÃO DE QUE A GENTE ESTÁ PERDIDO'
Amizade. Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros repetem a parceria na série “coming of age” criada por Matheus Souza
TALITA DUVANEL
talita.duvanel@oglobo.com.br
Uma jovem de quase 30 anos com um tino irrepreensível para namorar canalhas e se meter em trabalhos ruins que pagam pouco. Seu melhor amigo, um expert em marasmo: herdou uma loja de lustres do pai e tem um relacionamento estável até demais. Uma moça errática e um rapaz bonzinho, que dividem sonhos reais e metafóricos (uma característica da amizade deles é ranquear os melhores sonhos de padaria da cidade), e agora estão de volta na segunda temporada de “Amor da minha vida”, no Disney+. São oito episódios de cerca de uma hora.
Protagonizada por Bruna Marquezine (Bia) e Sérgio Malheiros (Victor), a série teve, em 2024, a maior estreia nacional da plataforma, que segue apostando nesta versão em português do que lá fora se convencionou chamar de coming of age, ou série de amadurecimento, que mescla as comédias e os dramas de jovens cara a cara com a vida adulta. Tanto que a terceira temporada já foi confirmada antes mesmo da estreia desta segunda.
—A série aborda um pouco o sentimento de vazio, a sensação de que a gente está perdido — diz Sérgio Malheiros. — Isso é algo que a geração está passando.
Talvez por isso, a frase que Matheus Souza, criador e um dos diretores de “Amor da minha vida”, tenha mais ouvido desde 2024 é: “Eu sou a Bia.”
—Eram mulheres jovens que se sentiram acolhidas, porque a série abraça o erro e não exige perfeição. É anti-ChatGPT.
Fã de comédias românti-
cas e dedicado ao coming of age desde que ainda era estudante e dirigiu “Apenas o fim” em 2008, Matheus escolheu para o papel de Bia uma atriz cujo amadurecimento o Brasil inteiro acompanha. Em Bruna Marquezine, ele coloca a responsabilidade de “completá-lo artisticamente”.
—Roteiro é obra que ninguém vê, quem bota o holofote é o ator. Bruna é a maior atriz da geração dela. Se tantas meninas se identificam com a Bia, é muito também porque ela tem essa magia identificável que as grandes têm —diz Matheus, que tem, no currículo, a direção de sete filmes e roteiro de 13.
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制片人与联合导演
制片与导演
《我生命中的爱》(Amor da minha vida)是布鲁娜(Bruna)第一部获得续集的剧集。在 TV Globo 工作多年——她在那里凭借电视剧《热情的女人》(Mulheres apaixonadas, 2003)中的小萨莱特(Salete)一角崭露头角——之后,她的首次流媒体尝试是《马尔代夫》(Maldivas),但该剧在 2022 年仅播出一季就被 Netflix 取消。她已经为 HBO Max 拍摄了改编自卡拉·马德拉(Carla Madeira)小说的《前夕》(Véspera),目前尚未公布首播日期,但只有在马特乌斯(Matheus)的作品中,她才尝试担任制片人和联合导演。也许现在,随着新剧集的制作,她能在其中一集的导演名单上留下自己的名字?
——我最不擅长这个了!(笑),——她说道,并接受了同事们提出的 Gia 和 Biana 作为建议名称。
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PRODUTORA E CODIRETORA
PRODUTORIALS OBDIRETORA
"Amor da minha vida" é a primeira série de Bruna que ganha uma continuidade. Sua primeira empreitada no streaming — depois de anos na TV Globo, onde surgiu como a pequena Salete da novela "Mulheres apaixonadas" (2003) — foi "Maldivas", cancelada pela Netflix em 2022 com apenas uma temporada. Já filmou "Véspera", adaptação do romance de Carla Madeira para a HBO Max, ainda sem data de estreia, mas só na obra de Matheus experimenta os cargos de produtora e codiretora. Quem sabe agora, com novos episódios em produção, ela carimbe seu nome na direção de um deles?
—Acho que falta um pouco de coragem. Sinto muito prazer em cocriar com os outros diretores. Fico com uma coisa de “me falta bagagem, me falta mais experiência” para assumir alguma coisa. Não sei se isso é uma forma de me defender.
Uma fala que serve para Bia e seus dilemas na segunda temporada. Ela vai entrar 100% na vida adulta ou continuar se escondendo atrás dos desafios da juventude? Crescer dói e puxando o curativo estão novos personagens como o cantor sertanejo Zé Henrique (Romulo Estrela) e a diretora Giovana (Alanis Guillen), dois dos novos amores da protagonista.
—Giovana traz um pouco a ideia de que, se a Bia se relacionar com ela, vai conseguir sair dessas relações caóticas que teve —diz Alanis.
Atriz paulista de 28 anos, Alanis volta à cena depois de se despedir, em maio, de Lorena, personagem da novela "Três Graças", da TV Globo. Com Gabriela Medvedovski (intérprete de Juquinha), formou o casal "Loquinha", um dos maiores sucessos recentes da teledramaturgia.
Agora, com a Biade Bruna Marquezine, qual vai ser o nome do casal?
—Sou horrível com isso! (risos) — diz ela, aceitando Gia e Biana como sugestões dos colegas.
Alex Gibney inicia “Musk”, seu documentário sobre o titã da tecnologia Elon Musk, com uma pergunta: “Como pôde assumir tanto poder, e por que nós o concedemos a ele?”
O cineasta vencedor do Oscar de melhor documentário com “Um táxi para a escuridão” (2007) — e cujos trabalhos anteriores abordaram temas como a Enron, companhia de energia que faliu, e a Cientologia — dedica quase quatro horas à resposta no filme, traçando a trajetória do presidente do conselho e CEO da Tesla desde a infância na África do Sul até a oferta pública inicial (IPO) da SpaceX em junho, que tornou Musk o primeiro trilionário do mundo. (O longa, em cartaz nos cinemas dos EUA, inclui um intervalo de dez minutos.)
Quando a notícia do projeto de Gibney surgiu, em 2023, Musk recorreu ao Twitter (agora X) para classificá-lo, de antemão, como uma “peça de difamação”. Combinando entrevistas com ex-esposas e antigos colegas, imagens de arquivo dos mais de 30 anos de Musk sob os holofotes e comentários de uma versão de inteligência artificial do próprio Musk —criada a partir de um acervo de suas falas reais —, o filme acompanha sua ascensão, desde startups do Vale do Silício até a breve passagem como chefe do Departamento de Eficiência Governamental (o Doge). Eis alguns pontos principais.
WIN MCNAMEE/GETTY IMAGES VIA AFP/8-10-2026
Em cartaz nos cinemas dos EUA.
Filme de Alex Gibney sobre Elon Musk vai do bullying na escola que o deixou hospitalizado por uma semana a acúmulo de poder e depoimentos de ex
VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA
O doc traça um retrato angustiante da juventude de
Musk na África do Sul da era do apartheid. Numa entrevista, seu pai, o rico empresário Errol Musk, afirma ter atirado e matado três invasores, deixando o chão da casa coberto por uma “piscina” de sangue. Em outra, ele descreve Musk ao lado do corpo de um amigo da família que havia acabado de “cair morto”. Após a separação de sua mãe, Maye, de Errol — motivada por alegações de abuso físico e mental (acusações que o ex-marido nega) —, Musk continuou morando com o pai. Quando ele sofreu um bullying tão severo na escola que acabou hospitalizado por uma semana, seu pai, segundo ele relatou, ficou do lado dos agressores.
吉布尼指出,最近 Twitter 在被马斯克收购后价值下降了 80%(尽管其他估算结果有所不同)。随后,马斯克将 X 及其 AI 初创公司 xAI 并入 SpaceX,进行了迄今为止规模最大的首次公开募股 (IPO),这让吉布尼质疑道:“一个人怎么可能在不断犯错的同时,还能赚到数百万美元?”
[...OMITTED...]
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📄 Original Section
FRACASSOS E VITÓRIAS
Gibney sugere que os erros de Musk nos negócios foram tão lucrativos quanto seus sucessos. Após tentativa fracassada de se tornar CEO de sua primeira startup, a Zip2, Musk foi afastado da empresa, mas recebeu US\$ 22 milhões pela venda de sua participação. Poucos anos depois, o empreendedor e investidor de risco Peter Thiel tirou Musk do PayPal, com indenização de saída de US\$ 250 milhões.
Mais recentemente, segundo Gibney, o Twitter perdeu 80% de seu valor após a compra por Musk (embora outras estimativas variem). Musk então incorporou a X e sua startup de IA, a xAI, à SpaceX para fazer a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada até hoje, levando Gibney a questionar: “Como é possível continuar cometendo erros e ainda assim ganhar milhões?”
Embora Musk afirme ser fundador da Tesla, a empresa automotiva foi iniciada por Martin Eberhard e Marc Tarpening em 2003. No entanto, Musk negociou para si o título de cofundador como parte de acordo judicial em 2009. Mais tarde, alegou que os motoristas da Tesla poderiam facilmente trocar as baterias de seus carros (que pesavam cerca de 450 quilos), o que o ajudou a obter mais de US\$ 100 milhões em créditos ambientais do estado da Califórnia, apesar de ter construído apenas uma estação de troca de baterias no deserto. Gibney também dedica bastante tempo ao recurso de direção autônoma da Tesla, o Autopilot, que tem sido associado a mortes e ferimentos.
EMERGÊNCIA DA NATALIDADE
O doc inclui entrevistas extensas com Justine, a primeira mulher de Musk, e Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora que o namorou entre 2023 e 2025 e deu à luz um de seus 14 filhos conhecidos. St. Clair afirma ter recebido mensagens nas redes sociais de várias mulheres a quem Musk havia oferecido engravidar. “É como uma metralhadora Gatling de esperma nas DMs dele”, diz ela numa das frases mais marcantes do documentário.
Apesar da obsessão de Musk pela procriação, ambas as mulheres sugerem que ele demonstra pouco interesse pelos filhos ou pelas mães deles. Justine recorda-se de Musk dizendo, na recepção do casamento, “eu sou o alfa nesta relação”, e, mais tarde, “se você fosse minha funcionária, eu a demitiria”. St. Clair afirma que Musk chamava abertamente XÆ A-Xii (filho dele com a ex-parceira Claire Boucher, a musicista conhecida como Grimes) de seu favorito e não fazia questão de passar tempo com os outros filhos.
Segundo Gibney, Musk conseguiu consolidar poder político por meio da Starlink, a divisão de satélites da SpaceX que fornece acesso à internet a partir do espaço. Embora tenha fornecido tecnologia essencial às forças ucranianas na guerra contra a Rússia, Musk também detém o poder de controlar e restringir acesso a ela. Esse trunfo militar lhe proporcionou influência significativa em negócios lucrativos pelo mundo. Como parte de seu trabalho com o Doge, Musk despachou agentes de controle e regulamentações destinados a monitorar a indústria. Sem essas barreiras, Gibney especula que ele poderia usar a IA para acumular ainda mais poder.
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ELEIÇÕES 2026
Parecer do TSE não vê fake news em canal pró-Lula, Flávio contesta, e Kassio convoca campanhas
Área técnica contraria ato do presidente da Corte, que suspendeu grupo virtual, depois mantido no ar
Um parecer do grupo técnico de combate à desinformação do TSE enviado ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, afirmou não ter encontrado fake news no canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado pelo deputado André Janones. No domingo, Nunes Marques havia passado por cima do ministro Villas
Bôas Cueva, relator do caso, ao ordenar a suspensão do canal. Lula ontem criticou o ministro, dizendo que ele “não pode ter lado”. Após sua campanha acusar Janones de disseminar notícias falsas, Flávio pediu a seus eleitores para “correrem mais risco” em publicações nas redes para defender sua campanha. PÁGINA 6
Aceno religioso no dia da Padroeira
EDITORIAL
ATROPELO DO TSE É NOCIVO AO
EQUILÍBRIO DA CAMPANHA PÁGINA 4
MERVAL PEREIRA
Manifestações animam campanha de Lula, mas excessos trazem risco PÁGINA 4
MÍRIAM LEITÃO
Democracia correrá riscos em possível governo do PL PÁGINA16
PEDRO DORIA
Eleitor quer conservadorismo da direita e bem-estar da esquerda PÁGINA5
THOMAS TRAUMANN
Se confirmar favoritismo dia 25,
Flávio terá cenário de sonho PÁGINA 9
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Proposta de Flávio mira regra fiscal ancorada na dívida pública, o que pode afrouxar cortes
Uma regra fiscal ancorada na trajetória da dívida, sinalizada no programa do candidato, pode, na prática, tirar pressão do compromisso com cortes de gastos. PÁGINA15
Após Nossa Senhora Aparecida ter sido um dos temas do primeiro turno, Lula e Flávio foram à missa no dia da Padroeira. O presidente foi à capela no Alvorada, e senador esteve na Catedral de Brasília PÁGINA8
Ato por
Lula enche
Copacabana
Apoiadores do presidente lotaram longo trecho da orla de Copacabana. No fim do dia, houve outro ato, na Lapa.
PÁGINA9
Moraes autoriza, e senador vai visitar o pai após 90 dias
Flávio vai à casa de Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe em 2022
Encontro não pode ter finalidade “político-eleitoral” nem divulgação de manifestos. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou a visita a pedido da defesa do ex-presidente. PÁGINA7
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COMÉRCIO EXTERIOR Flávio quer se alinhar a Trump, e Lula, ao multilateralismo
Na segunda reportagem da série sobre programas econômicos, analistas destacam a busca por novos mercados, com abordagens distintas. Eles alertam, porém, que mudar a política ambiental prejudicaria exportações. PÁGINA18
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PL deve liberar a bancada para votação do fim da escala 6x1
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Rio, capital dos prédios?
Candidato do partido, Flávio Bolsonaro já se declarou contra a proposta que reduz a jornada de trabalho e cuja aprovação é aposta de Lula para conquistar votos no 2º turno. PÁGINA15
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ENTREVISTA/RICARDO NUNES 'MDB tem 17 diretórios no apoio a Flávio, mas número vai aumentar'
Prefeito de São Paulo foi um dos articuladores do apoio do partido ao candidato do PL, hoje majoritário. Ele prevê que Flávio Bolsonaro vai reduzir a vantagem de Lula na capital paulista no segundo turno. PÁGINA10
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Nobel de Economia premia modelo pró-estabilidade
Robert E. Hall e Michael Woodford são autores de teses usadas por BCs para reduzir oscilações da economia. PÁGINA17
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Política migratória de Trump faz disparar número de crianças vulneráveis nos EUA
Polícia anti-imigração tem separado milhares de crianças dos país, enviando-as para lares temporários ou deportadas sozinhas para país de origem. PÁGINA19
Censo mostra que a cidade tem cinco dos dez bairros do país com mais gente morando em apartamentos. Barra (foto), Copacabana e Tijuca estão no ranking.
PÁGINA25
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Fumaça de incêndios deixa 36 cidades do Amazonas sob emergência
Camada densa de fumaça voltou a encobrir Manaus e deixar a capital do estado no topo dos índices de poluição do ar no país. PÁGINA12
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As vantagens e riscos do uso de testosterona pelas mulheres na menopausa
Entenda o que dizem os estudos científicos sobre a terapia à base do hormônio, que também é produzido pelas mulheres. PÁGINA21
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SUL-AMERICANA Na Bombonera, Vasco encara Boca e busca o protagonismo perdido
Buenos Aires assiste a desfile de camisas vascaínas, reflexo do otimismo dos torcedores para jogo de ida da semifinal, hoje, contra o Boca Juniors. PÁGINA 30
ESTREIA
HOJE
tvglobo
A10
Opinião do GLOBO
Atropelo do TSE é nocivo ao equilíbrio da campanha
Justiça Eleitoral não pode se tornar instrumento de censura em favor deste ou daquele candidato
É
missão da Justiça Eleitoral zelar pelo equilíbrio na disputa entre candidatos, em especial no que diz respeito à propaganda. É esperado, por is-
so, que algumas normas que disciplinam a liberdade de expressão sejam mais rígidas durante a campanha. Decisões dos tribunais eleitorais têm de ser céleres para evitar danos, e isso sempre significou cuidados adicionais nos veículos de imprensa impressos ou eletrônicos. As redes sociais aguçaram essa preocupação, pois se tornaram foco de disseminação de desinformação.
Mas, se é verdade que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais precisam ser ágeis em suas decisões, isso não significa que devam ser açodados, muito menos que possam atropelar os trâmites regulares, sob pena não apenas de cometer injustiças, mas também de agravar a já nefasta partidarização da Justiça.
Ao determinar a suspensão de um canal de WhatsApp com 3,5 milhões de integrantes criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) para fazer campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, passou por cima do relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, a quem cabia decidir. Em seguida, Cueva, também corregedor do TSE, determinou a restauração do canal. Acionada por Nunes Marques, a área técnica do tribunal não viu desinformação no canal.
O atropelo é apenas o último episódio numa campanha que já viveu controvérsias em torno de Nossa Senhora Aparecida, do Bolsa Família ou de inteligência artificial, com apelos até ao Supremo. O TSE recebeu neste ano 698 processos das candidaturas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), quase o triplo da eleição de 2022 (263).
A judicialização crescente, a tentativa de encaminhar decisões a ministros simpáticos e, sobretudo, o atropelo do trâmite regular em nada contribuem para o equilíbrio da disputa. Recorrer ao Judiciário tem sido parte da estratégia das campanhas e, embora os números deem a impressão de que as decisões têm sido equilibradas — até o primeiro turno, foram 33 a favor e 23 contra Flávio; 30 a favor e 13 contra Lula -, vários fatos suscitam preocupação.
Na sexta-feira, Nunes Marques suspendeu três julgamentos no plenário virtual quando já havia maioria favorá- vel a Lula, contra o voto do relator, ministro André Mendonça. O próprio Mendonça ordenou que a campanha de Lula deixasse de impulsionar posts dizendo que Flávio é contra o fim da escala 6x1 ou com a frase “Se Flávio Bolsonaro vencer, você perde”, insinuando que ele cortaria programas sociais.
É evidente que casos flagrantes de desinformação devem ser punidos. Mas é fundamental que os ministros tenham o cuidado de não recair em simples censura, cerceando o direito à propaganda dos candidatos. Se Janones espalhou fake news em seu canal, que fossem derrubados apenas os posts que violam a lei eleitoral, e não todo o canal. Ao mesmo tempo, Flávio dispõe de uma onda de conteúdos discutíveis gerados pelo influenciador e ex-candidato Pablo Marçal, que também merecem vigilância. Ontem mesmo o TSE ordenou que Marçal apagasse um vídeo falso sugerindo consumo de drogas em ato de apoio a Lula na Avenida Paulista. Cabe à Justiça Eleitoral zelar pela paridade de armas na campanha e pelo cumprimento da lei eleitoral — e não se transformar em instrumento de censura em favor de um ou de outro candidato.
Lula e Flávio precisam ser explícitos sobre seus planos de ajuste fiscal
Não haverá equilíbrio nas contas públicas sem medidas impopulares. O eleitor tem direito a conhecê-las
0 s candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisam ser mais claros sobre o que farão, em caso de vi-
tória, para sanear a economia. Embora um ajuste fiscal seja inexorável diante da deterioração crescente das contas públicas, as campanhas têm evitado se comprometer com propostas objetivas, preferindo a generalização, o anúncio de paliativos ou medidas inexequíveis. Prevalece a incerteza, como mostrou reportagem do GLOBO.
Entre as maiores despesas obrigatórias do governo estão as aposentadorias e pensões pagas pelo INSS e o Benefício de Prestação Continuada, destinado a idosos de baixa renda e cidadãos com deficiência. Hoje esses benefícios são vinculados ao salário mínimo, que tem sido corrigido acima da inflação. Como 70% dos beneficiários recebem o mínimo, não é difícil vislumbrar que, a cada reajuste, as despesas cresçam, aumentando o rombo da Previdência. Por mais que a questão seja impopular, não haverá ajuste sem encará-la.
Até aqui, Lula não tem emitido sinais de que mudará o rumo de suas políticas caso vença a eleição. Ao contrário. Enquanto sua campanha espalha que o adversário acabará com benefícios sociais (Flávio nega), seu plano defende a manutenção do arcabouço fiscal, a recomposição da arrecadação por meio do aumento de tributos ou redução de benefícios fiscais e o crescimento econômico para ampliar receitas. A estratégia não funcionou no atual governo — e não há motivo para funcionar no futuro. A deterioração das contas públicas tem se agravado com as medidas eleitoreiras recentes. Na sexta-feira, a pouco mais de duas semanas das eleições, Lula anunciou que zeraria impostos sobre combustíveis e ampliaria a subvenção a diesel e etanol. O impacto é estimado em R\$ 5,2 bilhões em um mês, acrescidos à longa lista de “bondades” anunciadas antes do pleito.
Flávio tem criticado o descontrole fiscal, mas parece não ter a menor familiaridade com a questão. Seus assessores têm falado num ajuste da ordem de R\$ 200 bilhões já no primeiro ano.
Seria uma ótima notícia, se fosse viável. Mas, além de tal patamar despertar dúvida, a campanha de Flávio não explica como chegaria lá. Seu programa fala apenas em medidas genéricas, como enxugamento de ministérios, cortes em cargos comissionados, redução de despesas administrativas, combate a fraudes no INSS ou melhoria na gestão de estatais. Ao mesmo tempo, garante que não haverá corte em benefícios sociais ou nas aposentadorias e que “o salário mínimo será reajustado acima da inflação”. São promessas incompatíveis. Difícil levá-las a sério.
O ajuste necessário para estabilizar a dívida pública — em torno de 2% do PIB — exige remédios amargos. Não haverá alternativa. A começar pela dissociação dos benefícios sociais do salário mínimo e pela desvinculação de gastos obrigatórios em saúde e educação da receita. Não haverá equilíbrio duradouro sem medidas impopulares. Ou o futuro governo fecha os dutos que drenam recursos públicos, ou a situação das contas só tende a piorar, ameaçando a governabilidade.
Artigos
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MERVAL PEREIRA
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Salto alto
O marasmo da campanha presidencial do PT no primeiro turno sofreu uma reviravolta revigorante provocada pelo susto da derrota provável, não na cúpula da burocracia partidária, mas na base estudantil que tomou a frente das ações sem rédeas oficiais. As manifestações em diversas capitais, especialmente no Rio e em São Paulo, deram uma nova vida à candidatura à reeleição do presidente Lula, rejuvenescendo-a. A ação digital também melhorou. No entanto, esses avanços precisam ser mais bem avaliados para que não saiam do controle.
O caso da deputado federal Ana Elisa, eleita aos 21 anos por Minas, é exemplar. Tirada de seu nicho eleitoral para comandar a digitalização da campanha, trouxe junto um passado de ativista radical que em nada ajuda a tentativa de Lula de buscar entre os independentes e os que não votaram no primeiro turno os votos de que necessita para virar a eleição. As passeatas, além de exibir a força da juventude a favor de um candidato octogenário —neutralizando um dos pontos fracos de Lula
—, servem para extravasar radicalismos que em nada ajudam a campanha. Ela tem de buscar os votos que faltam no centro e na direita democráticos.
A campanha oposicionista dos Bolsonaros tem aproveitado esses fatos para explorar mais uma vez os perigos que, segundo eles, a permanência de Lula no poder poderia trazer ao país. O próprio Lula, empolgado com a recepção de um desses comícios, exagera seu entusiasmo com a retórica rancorosa que foi marca do PT em anos anteriores. Quem quer que o eleitor nude de voto tem de respeitar sua escolha, entender por que ela aconteceu e convencê-lo com fatos concretos, não com ameaças ou notícias falsas.
A depredação de prédios públicos, como as estações de metrô, e as pichações em nada ajudam a busca dos votos de centro. As manifestações de rua, que faziam falta
Empolgado com comícios, Lula exagera seu entusiasmo com retórica rancorosa, marca do PT em anos anteriores
na vida política do país, de qualquer maneira deram uma renovada de ânimo na militância petista e tornaram a campanha presidencial mais competitiva. A direita, que tomara conta das ruas em diversas oportunidades, começa a se movimentar ao ver que a esquerda acordou. As duas campanhas, porém, sofreram da mesma doença, a arrogância.
A de Lula, que ele mesmo disse ter sido a mais desorganizada de que já participou, menosprezou o adversário e assustou-se com o resultado do primeiro turno. Só assim saiu do estupor, não por reviravolta interna, mas pelo impulso autônomo dos estudantes em vários pontos do país. A campanha da direita, deslumbrada com o resultado do primeiro turno, deixou-se levar pela expectativa de poder, subiu no salto alto e não foi às ruas. Fez acordos políticos de cúpula, conversou entre seus apoiadores, chamou de volta o Centrão e deu-se por satisfeita. Já está até negociando lugares no futuro ministério, nomes para o Supremo Tribunal Federal (STF) e conversando com ministros do STF para um “acordão”.
A reação das ruas mostrou que o jogo só acaba quando termina, e já é possível prever a organização de manifestações populares da direita para se contrapor às já realizadas pela esquerda. Os bolsonaristas passaram até a usar sua influência nos tribunais superiores para tentar impedir a propaganda petista, vício de quem já se considera parte do sistema. A medida tomada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de tirar do ar um canal de propaganda do PT é mais uma demonstração de que nossos tribunais superiores, principalmente STF e TSE, agem de maneira menos jurídica e mais política.
Nunes Marques tomou uma decisão radical, alegando que o canal espalhava notícias falsas. Recebeu, no entanto, um laudo técnico afirmando que não foi constatada nenhuma notícia falsa no site do “Exército de Lula”, e agora quer um acordo entre as campanhas para evitar falsas informações. Teve uma atitude política, reflexo do ambiente de disputa que tomou conta dos dois tribunais, e cada ministro vai tomando as decisões que melhor servem ao seu lado.
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A eleição presidencial não acabou, e quem acha que está decidida se engana. É verdade que jamais o vencedor do primeiro turno perdeu no segundo. Mas também é verdade que nunca a vitória de um sobre o outro foi tão estreita. Não bastasse isso, os votos que Flávio ganhou a mais, neste pleito agora, foram de Lula em 2022. Não se trata de um eleitor antipetista. Ainda assim, Flávio é favorito, e por uma razão apenas: tem errado menos. A pista que explica o que levou Lula à vitória em 2022 e deu a Flávio a vantagem nesta eleição pode estar na leitura que um jornalista americano faz dos Estados Unidos. É Chuck Todd, ex-diretor da sucursal de Washington da rede NBC. O eleitor deseja valores conservadores e uma política de Estado à esquerda. Nenhum lado do espectro político lhe entrega o que busca. Daí fica zanzando de um canto ao outro, sempre insatisfeito com o que o presidente lhe entrega.
A campanha de Lula erra mais porque não consegue encarar o fato de a classe C não querer patrão na sua vida. O PT sabe disso desde que a Fundação Perseu Abramo encomendou um estudo da maior classe social brasileira, em 2011. Reconhecer que a classe média baixa quer autonomia, e não emprego, seria admitir mudar radicalmente a concepção de Estado que a esquerda abraça faz um século. É menos política para que o patrão trate bem o empregado e mais política para tirar da frente qualquer dificuldade à formação de empresas. Principalmente as bem pequenas, com até dez ou 20 funcionários. Não é simples. Porque esses cidadãos seguem desejando um Estado de bem-estar social. Querem SUS com qualidade, escola pública, segurança e alguma forma de previdência social.
Todd fala, olhando para os Estados Unidos, que os eleitores querem uma “economia de esquerda”. Mas, lá, o país já facilita que a classe média baixa tenha seus negócios. O que o governo entrega pouco é o Estado de bem-estar social. Bernie Sanders ou Zohran Mamdani não têm dificuldade em entender que seu eleitor é dono de um pequeno negócio. É só na América Latina que a esquerda se prende à dualidade patrão empregado e toma o lado do segundo. Esse Estado que o eleitor deseja não é o que Flávio Bolsonaro oferece, o que a Fiesp quer ou aquele com que a Faria Lima sonha. Mas tampouco é aquele que a esquerda brasileira gostaria de construir.
É porque se recusa a encarar esse fato que o PT erra demais na campanha. Abraça teses como o problema estar na comunicação digital. Aí põe uma deputada muito jovem, recém-eleita, que tem uma quantidade imensa de seguidores. Ela realmente engaja. Engaja, porém, fazendo um discurso identitário. Brancos oprimem negros, homens oprimem mulheres, precisamos de um Estado que se imponha aos opressores. Basta piscar num vídeo da moça que o eleitor de quem Lula precisa vira as costas num segundo.
Ao achar que o problema está no meio digital, a esquerda considera que a questão é de formato. Não é. É de mensagem. Comunicação digital não é difícil. Os algoritmos das redes pedem uma identidade de grupo e um inimigo claro. Todo político de sucesso nas redes faz isso: nós somos vítimas deles. A esquerda identitária faz sucesso na mídia social por causa disso. E a direita radical faz mais su cesso pela mesma razão. Este é um jogo de grandes números. O discurso sobre valores de Nikolas encontra mais gente que concorda que o de Erika. Claro, para amealhar milhões de votos, ambos fazem sucesso. É só que há mais desses milhões de um lado que do outro. Não há mistério. Menos na cabeça de quem coordena a campanha de Lula. Porque acharam ótimo insuflar discurso de guerrilheira social a um eleitorado conservador. Porque seria vista. Pois é. Foi vista. Por isso mesmo virou um problema.
Flávio erra também. Os Bolsonaros erram muito. Mas o entorno político de Flávio não erra. Diz que não quer vingança, que não haverá radicais no ministério e que os programas sociais serão mantidos. Se é possível confiar nos Bolsonaros, esse é outro departamento. Eles fazem de tudo para provar o contrário. Eduardo diz que será chanceler e perseguirá diplomatas, o próprio Flávio posa como se já tivesse a faixa e fala em “redemocratizar” o país. Além disso, ainda não mostrou como entregar uma economia de Milei e manter os programas sociais. A conta não fecha. Mas, ao menos no lado da direita, tem gente falando o que o eleitor deseja ouvir. Isso reforça o favoritismo do senador.
A duas semanas da eleição o placar segue apertado.
ARTIGO
Para não ficar dependente do GPS
ANDERSON GOMES
Quando consultamos a localização no celular ou seguimos a rota de um aplicativo, raramente pensamos na infraestrutura que torna esses serviços possíveis. Menos evidente é sua importância para telecomunicações, sistemas financeiros, agricultura de precisão, transporte aéreo, logística e energia. Falamos de Posicionamento, Navegação e Tempo (PNT).
Ó GPS tornou-se sinônimo dessa tecnologia, mas é apenas um dos sistemas globais de navegação por satélite (GNSS, na sigla em inglês). Ele é controlado pelos Estados Unidos, assim como o Galileo pertence à União Europeia, o BeiDou à China e o Glonass à Rússia. Sem um sistema próprio, o Brasil depende de infraestruturas cuja operação, manutenção e governança são definidas fora do país.
O PNT, porém, é mais amplo. Permite determinar posições, orientar deslocamentos e distribuir referências de tempo precisas, indispensáveis para sincronizar redes, registrar transações financeiras e coordenar infraestruturas digitais. É uma infraestrutura invisível da economia digital.
Isso coloca uma questão estratégica: até que ponto um país com a dimensão territorial do Brasil pode depender de sistemas controlados por outras nações? Não se trata de deixar de usá-los, mas de evitar que essa dependência se transforme em vulnerabili dade. Em setores críticos, falhas, interferências ou restrições de acesso podem produzir efeitos em cadeia. Por isso, o debate internacional envolve resiliência, diversidade de fontes e manutenção de serviços essenciais em situações adversas.
Construir capacidade nacional significa desenvolver uma arquitetura adequada às nossas necessidades, combinando sistemas globais com recursos espaciais e terrestres. Os sistemas tradicionais usam principalmente satélites em órbita média da Terra (MEO), mas cresce o interesse
Sem um sistema
próprio, o Brasil
depende de
infraestruturas
cuja operação,
manutenção e
governança são
definidas fora por constelações em órbita baixa (LEO). Mais próximas da superfície, elas podem oferecer sinais mais fortes e complementar a arquitetura existente, ampliando precisão e robustez. A missão Celeste, da Agência Es-
pacial Europeia, já avalia uma camada LEO complementar ao Galileo e mostra que novas arquiteturas estão em teste.
É essa perspectiva que orienta os estudos do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Por meio do Observatório de Tecnologias Espaciais, o Centro analisa alternativas para uma capacidade brasileira de PNT, incluindo uma solução regional apoiada em satélites de baixa órbita e integrada às infraestruturas existentes. Voltada às necessidades brasileiras e sul-americanas, ela permitiria uma estratégia compatível com nossas capacidades e demandas.
O desenvolvimento de uma capacidade nacional de PNT também pode mobilizar diferentes segmentos do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Essa cadeia envolve satélites, relógios de alta precisão, eletrônica, telecomunicações, software, cibersegurança e processamento de sinais, além de estimular a formação de competências em tecnologias críticas. Soberania tecnológica não significa produzir tudo internamente, mas dominar elementos essenciais e reduzir dependências capazes de comprometer funções estratégicas do país.
A Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034 reconhece o setor espacial como estratégico para a soberania brasileira. O CGEE passou a integrar o grupo técnico que contribuirá para o Plano de Ação para o Desenvolvimento e Operação do Sistema Nacional de PNT e para seu modelo de governança. O desafio envolve implementação, financiamento, coordenação e continuidade. Infraestruturas dessa dimensão exigem visão de longo prazo e articulação entre governo, universidades, centros de pesquisa e empresas.
O Brasil possui competências científicas, experiência espacial, base industrial e aplicações que justificam esse esforço. Cabe agora transformar capacidades dispersas em estratégia e participar da construção das tecnologias da economia digital e espacial.
Anderson Gomes é presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos e vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências para as regiões Nordeste e Espírito Santo
A eleição não acabou, mas posso dizer que foi uma das mais singulares da História. Assisti a algumas antes e a todas depois da redemocratização. Uma das características de agora é a incontestável hegemonia das redes sociais.
Ouso dizer que essa hegemonia provoca nos eleitores o mesmo efeito que já vemos em nosso cotidiano: um déficit de atenção. Não discutimos tópicos de programas. Saltamos de um tema para outro, e eles se sucedem com rapidez. Nossa Senhora, “Dark Horse”, uma ou outra frase mal colocada pelos adversários. Os problemas deixam de tratar do futuro nacional e se transformam em simples trends.
Isso significa uma perda de conteúdo. Pouco sabemos da política externa do candidato vitorioso no primeiro turno. Claro, sabemos que se alinhará aos Estados Unidos. Mas isso não basta. Um país é diferente de outro, tem interesses específicos. Quem seremos nós, além de aliados dos americanos? Abriremos mão de nossa identidade, nos suicidaremos nos braços do outro?
Acho inadequado o termo pacificação. Não estamos em guerra. Mas uma tentativa, ainda que modesta, de unificar um país dividido poderia ajudar em alguns temas que dependem de um esforço nacional. Estamos diante de um dos mais poderosos El Niños da Histó-
Hegemonia das
redes sociais
provoca nos
eleitores o mesmo
efeito que já
vemos em nosso
ria. Podemos enfrentá-lo em conflito ou ter algumas concordâncias essenciais para reduzir os estragos.
cotidiano: um déficit de atenção
Antes mesmo do segundo turno, as tendências
vingativas aparecem aqui e ali. A expressão “sem anistia” muda de lado com uma incrível facilidade, como se a punição fosse uma das responsabilidades dos vencedores.
O que digo aqui não significa passar pano nos erros do Supremo. Eu mesmo fiz pressão por afirmar, um pouco antes do tempo, que era preciso reformá-lo de ponta a ponta. Os vencedores precisarão saber que o Brasil é um país complexo, que não é qualquer governo que consegue atender às expectativas de nosso povo. Essa história de ficar décadas no poder é uma ilusão. A alternância é a possibilidade mais forte. Olhem os Estados Unidos. Trump está à beira de perder suas primeiras grandes eleições.
Os eleitores de esquerda estão fazendo um extraordinário esforço para virar o jogo. Foram levemente minoritários no primeiro turno. Sua dedicação é algo que aponta também para o futuro. Nem sempre os líderes estiveram à altura de tanta energia positiva. Certamente, depois das eleições, os eleitores se tornarão mais importantes ainda e deverão avaliar sem paixão se a liderança, em caso de vitória ou derrota, não deveria se renovar, entendendo por isso não apenas a atração de jovens, mas uma sacudida nas suas ideias.
A História não acaba com a ascensão da direita. Ela pode se arrastar um pouco, mas o exemplo da Hungria está aí para mostrar como é dinâmico o curso das coisas num país.
Não sei se verei a eleição de 2030. Dentro dos limites, estarei aqui para lembrar como é surpreendente e rica nossa História. O diabo é que também é algo difícil de interpretar, tão rápidas e amplas são suas mudanças.
GUERRA JUDICIAL
Parecer do TSE não vê fake news em canal de Lula e contraria Nunes Marques, que reúne campanhas
ELEIÇÕES 2026
PEPITA ORTEGA E LETÍCIA PILLE
politica@oglobo.com.br
BRASÍLIA
Decisão derrubada.
O presidente do TSE, Nunes Marques, que vai se reunir com as equipes jurídicas das campanhas em meio uma batalha de idas à Justiça Eleitoral
A assessoria técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou ontem ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, não ter identificado o compartilhamento de notícias falsas no canal "Exército do Lula", com 3,9 milhões de participantes no WhatsApp, desde o fim da campanha do primeiro turno. O espaço criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) pulou de 50 mil usuários para a casa dos milhões nos últimos dias, a partir da mobilização de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentam recuperar a desvantagem verificada nas urnas.
O grupo foi alvo de uma disputa de liminares anteontem, após a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) alegar que a ferramenta estava sendo usada para o disparo em massa de desinformação. O mesmo argumento de Flávio chegou a ser acatado por Nunes Marques, que decidiu suspender o grupo. No mesmo dia, contudo, o presidente da Corte foi desautorizado pelo colega do tribunal Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do tema na Corte.
O documento apresentado ontem a Nunes Marques pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE foi tratado por alguns ministros como um indicativo de que não havia provas para suspender o canal, como foi determinado pelo presidente da Corte. O parecer foi elaborado a partir de ordem do próprio ministro para verificar se o canal divulgara “afirmações” de que Flávio Bolsonaro “pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, estaria envolvido com milícia, reduziria aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada ou teria mandado cancelar o reajuste do Bolsa Família”.
“Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos. A verificação abrangeu os textos das mensagens, as pré- visualizações de links, inclusive as miniaturas e os títulos dos vídeos vinculados, assim como os áudios transcritos", registra o parecer do órgão.
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REUNIÃO MARCADA
O atodo presidente do TSE no fim de semana foi considerado um atropelo por especialistas, já que a decisão pela suspensão foi determinada em recurso de cunho administrativo, apresentado pela campanha de Flávio, sobre a suposta violação de termo de compromisso para as eleições assinado pela Meta, dona do WhatsApp. Cueva, por sua vez, já era responsável pelo caso envolvendo o canal.
Hoje, Nunes Marques terá uma reunião com as equipes jurídicas das campanhas de Lula e Flávio para conversar sobre o tema. A eleição de 2026 já se tornou um marco em termos de judicialização. Como mostrou levantamento do GLOBO, o TSE recebeu 698 processos envolvendo as duas principais candidaturas apenas até o último dia 4, um recorde considerando as duas últimas eleições presidenciais.
Ao manter o canal no ar, Cueva alegou que haveria “restrição à liberdade de expressão”. A assessoria técnica do TSE comparou os conteúdos disseminados no canal com aqueles citados na decisão de Nunes Marques. A assessoria ponderou que parte das publicações antigas do canal, realizadas em setembro, foram excluídas. Ainda apontou que há duas publicações feitas que podem ter o mesmo tema de conteúdos derrubados liminarmente pela cúpula do TSE, uma que trata da ligação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro e a declaração do candidato de que pretende “mudar” a Constituição.
O órgão, no entanto, destaca que não pôde determinar a equivalência destas publicações com conteúdo que já foi derrubado pela Corte. Outra publicação destacada pela assessoria de desinformação do TSE foi a feita por Janones, no dia 8 de outubro, que diz que não divulgará “uma única fake news até o final da campanha” e que nada havia sido divulgado até então.
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PLANO DE CONFORMIDADE
Janones ganhou projeção política na esteira da greve dos caminhoneiros, em 2016. Dois anos depois, foi eleito para o primeiro mandato de deputado federal. Em 2022, atuou na linha de frente da batalha digital em favor de Lula.
O grupo que entrou na mira do TSE foi criado no primeiro semestre e multiplicou de seguidores na última semana. Janones envia orientações de postagens, de como viralizar nas redes e quais temas devem ser explorados. O deputado distribui “missões” em áudios e vídeos para alavancar mensagens da campanha do PT.
No parecer, a assessoria técnica ressaltou que a existência de “práticas de mobilização e amplificação relevantes” deve ser avaliada no “plano de conformidade” assinado pela Meta. “Os elementos verificados indicam (...) que a estrutura de orientações centralizadas e sincronizadas, com linguagem de agitação, permanecia em operação até 11 de outubro de 2026, aplicada à mobilização em torno de outros conteúdos, com práticas de mobilização e amplificação cuja interação com as salvaguardas do serviço pode ser examinada”.
O órgão também sugere que dados sob a guarda da plataforma precisariam ser avaliados para se saber se o plano de “conformidade” foi cumprido. No termo de compromisso assinado pela Meta, quando trata das diretrizes para “canais” no WhatsApp, a plataforma diz que o grupo pode ser suspenso se houver violações da política. Um dos motivos é propagação de “atividade ou conteúdo que proposalmente engane, se passe por outro, ou deturpe intencionalmente”.
Por dentro do exército do Lula
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PRINCIPAIS POSTAGENS
O canal divulga comunicados, orientações de postagens e replica conteúdo de Lula, do deputado reeleito e de eventos da esquerda, além de orientar "missões".
Entre essas missões estão subida de
hashtags no X, de
modo a figurar entre
os assuntos mais
falados, e pedidos para
comentários, participação em evento e uso de
imagens alusivos à
campanha.
Janones, que ascendeu na política por meio de lives durante a greve dos caminhoneiros, em 2016, também orienta comportamento nas redes.
Nos últimos dias, o canal se dedicou ao caso no TSE, que ajudou a multiplicar o tamanho do canal, e temas como Nossa Senhora Aparecida, e pediu para os seguidores 'esquecerem' o tema Vorcaro.
Canal do EXÉRCITO DO LULA no WhatsApp! Ative o sininho para receber as missões!
Criado em 15/04/2026
O QUE É
O 'Exército do Lula' é um canal de Whatsapp criado pelo deputado reeleito André Janones e que multiplicou de tamanho após o primeiro turno.
Sempre que vocês cumpirem uma missão curta, como essa, eu vou deletar pra não poluir aqui, ok? Essa matéria mesmo da página do Bacci já vou apagar 16:26
A revista Veja está tentando requentar uma fake News sobre dinheiro do Vorcaro pra documentario sobre Lula. Isso é notícia antiga, e que já foi desmentida à época. Além disso, ninguém quer saber desse assunto, prova disso é que o Flávio não perdeu um único voto com isso, mesmo com o áudio onde ele pede dinheiro pro Vorcaro sendo amplamente divulgado.
Portanto a orientação é: IGNOREM ESSE ASSUNTO! NÃO DESMINTAM, NÃO DEFENDAM O PRESIDENTE, não comentem, não engajem, nem leiam nada sobre isso. Apareceu no feed? IGNORA! Editada 07:52
Petista critica ministro; PL aponta mensagens apagadas em grupo
Oembate jurídico teve repercussão nas campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A equipe do senador do PL divulgou nota ontem para afirmar que o deputado reeleito André Janones (Rede-MG), criador do canal
"Exército do Lula", teria deletado 219 publicações em 18 minutos após a circulação de notícias sobre o questionamento judicial envolvendo o grupo no WhatsApp. Já o petista disse ontem que o presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, não pode ter lado na eleição ao abordar o caso.
A campanha de Flávio alega que, entre as mensagens apagadas, “estavam os links e as ordens que ligavam o canal a vídeos sobre a falsa informação do cancelamento do reajuste do Bolsa Família e de redução de aposentadorias". Segundo a equipe do candidato, a possibilidade de as postagens terem sido deletadas foi comunicada ao TSE, mas o relator do caso não determinou a preservação do conteúdo.
Em uma live ontem, em meio à disputa no TSE, Flávio convocou apoiadores a compartilharem publicações e retomarem a mobilização.
— Ninguém está tomando mais risco do que eu nessas eleições. Então, você toma um pouquinho de risco também. Estou te pedindo — disse.
Já Lula voltou a criticar a
decisão de Nunes Marques.
— Estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. — disse. — Não pode é o presidente da Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento, da igualdade de procedimentos. Tem que ter todos (os candidatos) o mesmo direito diante da Justiça Eleitoral.
Moraes autoriza visita de Flávio ao pai, mas sem ‘finalidade política’
Presidenciável disse que encontrará Jair Bolsonaro na manhã de hoje; veto após descumprimento de medidas durou 90 dias
ELEIÇÕES 2026
LETÍCIA PILLE
leticia.pille@bsb.oglobo.com.br
BRASÍLIA
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem a retomada das visitas do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, o expresidente Jair Bolsonaro (PL), preso e condenado por tentativa de golpe de Estado. O primeiro encontro será hoje, segundo o próprio candidato. Moraes proibiu, no entanto, reuniões com “finalidade político-eleitoral” e a divulgação de manifestos ou declarações do ex-chefe do Executivo sobre as eleições, inclusive por intermédio de terceiros — justamente o que acarretou a punição que estava vigente.
A decisão foi assinada após o encerramento do prazo de 90 dias das restrições impostas ao ex-presidente pelo descumprimento de medidas cautelares, em julho. As regras mais duras foram determinadas após Bolsonaro escrever uma carta em defesa da candidaturapresidencial do filho, violando medidas estabelecidas para que ele pudesse ter prisão domiciliar. A última visita ocorreu em 11 de julho.
O texto tinha sido divulgado por Flávio como forma de reafirmar o apoio do pai à campanha, num contexto de críticas da ex-primeiradama Michelle Bolsonaro ao enteado.
— Fiquei muito feliz que bem no dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que estou autorizado a voltar a visitar o meu pai. Hoje é só para agradecer todo mundo que está orando pelo nosso Brasil. Estou aqui fazendo minha parte — afirmou Flávio após participar de uma missa na Catedral Metropolitana de Brasília.
Segundo ele, a decisão de Moraes permite a retomada dos encontros não apenas na condição de advogado, mas também “como filho”. Por ser feriado, não seria possível realizar a visita no mesmo dia da decisão, disse o senador, antes de confirmar a ida de hoje à casa do pai, também na capital federal.
Moraes entendeu, ao acompanhar o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que “não houve qualquer fato superveniente” que indicasse a necessidade de eventual prorrogação do prazo de restrições. O ministro atendeu a um pedido feito pela defesa de Bolsonaro na semana passada.
Após três meses. O ex-presidente Jair Bolsonaro, em março, em prisão domiciliar: três meses sem falar com Flávio
Os advogados sustentaram que o ex-presidente quer voltar a receber regularmente seus familiares, “preservando-se dimensão relevante da convivência pessoal e familiar durante o cumprimento da pena, sem qualquer prejuízo às condições de segurança e fiscalização já estabelecidas”.
No último dia 10, Moraes já havia autorizado que Jair Bolsonaro voltasse a receber visitas permanentes de cinco familiares: o irmão Renato Bolsonaro, eleito deputado federal, as cunhadas e os sogros.
Quando impôs a restrição de visitas, em julho, Moraes entendeu que a afirmação de Flávio de que o pai tinha enviado uma mensagem “imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação” sinaliza que o condenado “tinha plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais, o que configuraria igualmente desrespeito a medida cautelar a que está submetido”.
Bolsonaro foi condenado em setembro do ano passado a 27 anos e três meses de prisão. Ele começou a cumprir a pena em regime fechado, mas, depois de 122 dias em duas cadeias diferentes, conseguiu a domiciliar em março com base em problemas de saúde.
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RETRANSMISSÃO
Também ontem, o programa eleitoral de Flávio na TV foi veiculado sem som, e a peça será reexibida. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atribuiu o problema a uma falha técnica no “pool de mídia”, estrutura montada pelas próprias empresas de comunicação em colaboração com a Corte.
O pool centraliza o recebimento dos materiais das campanhas e faz a geração do sinal distribuído para todo o país. O TSE também informou que o arquivo foi corrigido e poderá ser reexibido mediante solicitação da campanha, mas não indicou a nova data.
O tribunal explicou que, antes da exibição, as propagandas de Flávio e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaram sem som no momento da “finalização” das mídias, um problema técnico que ocorreu depois do envio do material pelas campanhas. Como a propaganda de Flávio foi ao ar primeiro, houve tempo, segundo o TSE, para corrigir o problema com o material do PT.
Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral) informaram que o material de Flávio foi originalmente recebido do PL “em perfeitas condições”, e a ocorrência foi “comunicada prontamente ao TSE”.
"A operação do grupo único para a transmissão da propaganda eleitoral, modelo consolidado ao longo de diversas eleições, é realizada de forma compartilhada pelas emissoras participantes que disponibilizam profissionais e equipamentos para o recebimento, preparação, geração e distribuição do sinal da propaganda eleitoral", explica a nota.
MARIA ISABEL OLIVEIRA
CHARLES VIEIRA/DIVULGAÇÃO
Alvorada. Lula e Janja com imagem de Nossa Senhora: petista participou de missa no palácio
Catedral. Flávio entre a mulher Fernanda e o vice Gaspar: evangélico, candidato acena a católicos
RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO
Divisão em Aparecida e candidatos em missas marcam dia da padroeira
Na data dedicada a Nossa Senhora, Lula e Flávio vão a celebrações em Brasília; no interior de SP, romeiros manifestam apoio às campanhas, mas veem uso da religião
PABLO PORCIUNCULA/AFP
Religião em disputa. Romeiros fazem sinal com as mãos em apoio a Lula
MARIA ISABEL OLIVEIRA
Presença. Alckmin participa de celebração no Santuário Nacional de Aparecida
À direita. Wallace Ribeiro fez questão de usar a camisa da seleção na missa
À esquerda. João França com os pais em Aparecida: relato de hostilidade
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ELEIÇÕES 2026
FILIPE VIDON, JENIFFER GULARTE
E LETÍCIA PILLE
politica@oglobo.com.br
APARECIDA (SP) E BRASÍLIA
A pós a polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, marcar o primeiro turno das eleições, os dois candidatos à Presidência que seguem na disputa participaram ontem de missas no dia dedicado à santa. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em uma celebração na capela do Palácio da Alvorada, seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), foi à Catedral Metropolitana de Brasília. Já no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, fiéis se dividiram sobre a politização da data.
Lula é católico e convidou um grupo restrito para acompanhar a missa, celebrada pelo padre jesuíta Álvaro Pimentel. Estavam presentes o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o senador Camilo Santana (PT-CE).
— Recebemos aqui para homenagear a Nossa Senhora Aparecida, sobretudo num instante que Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião dos outros. Esse gesto é para poder mostrar que, em um país civilizado, harmônico, democrático, cada um segue a religião que quiser e todos nós temos de respeitar — disse o presidente após a missa.
Já Flávio, que é evangélico e foi batizado em 2024, participou de uma missa na Catedral de Brasília acompanhado da esposa, Fernanda, e do candidato a vice em sua chapa, Alfredo Gaspar, que é católico. A cerimônia religiosa foi celebrada pelo padre Agenor Vieira, pároco da catedral.
Ó senador se sentou na primeira fileira, acompanhou trechos da missa pelo folheto litúrgico e cantou junto em alguns momentos. Parte dos assentos em frente ao altar foi reservada para autoridades e políticos que acompanharam a comitiva. Entre os aliados do candidato presentes estavam a senadora eleita Bia Kicis (PL-
DF), o deputado Izalci Lucas (PL-DF) e Daniella Marques, coordenadora da área económica da campanha, além de familiares. A deputada federal Simone Marquetto (MDB-SP), que chegou a ser cotada para a vaga de vice na chapa de Flávio, entrou na catedral carregando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
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'NÃO ODIAR O DIFERENTE'
Flávio chegou a cogitar uma visita ao Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, mas desistiu da ideia diante do risco de reavivar a polêmica envolvendo a padroeira na campanha. Em setembro, o senador precisou rebater a alegação de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.
O senador, que nega intenção de adotar a medida se eleito, foi associado a um projeto apresentado no Congresso em 2007 que propunha restringir o título de padroeira aos brasileiros católicos e acabou arquivado em 2008. Impulsionado nas redes sociais, o tema foi parar no Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), que determinou a remoção de publicações sobre o assunto.
No Santuário Nacional de Aparecida, a missa solene celebrada ontem pelo arcebispo Dom Mário Antonio da Silva fez um apelo à pacificação:
—Jesus manda construir a paz, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões com armamentos, guerras e tantos confrontos entre nós. O evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os
PABLO PORCIUNCULA / AFP
inimigos. O evangelho nos autoriza a construir pontes.
A missa contou com a participação do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e de sua mulher, Lu Alckmin, além da deputada federal Tabata Amaral (PSB) e do marido, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT).
— Defendemos a liberdade religiosa. Cada um pode ter a sua religião, deve respeitar a religião dos outros, até quem não tem religião. Então essa é a beleza, o Brasil é um país de paz — disse. — Ano passado não teve eleição e estávamos aqui, ano que vem não terá eleição e estaremos aqui.
A passagem de figuras públicas pela basílica é uma tradição na política nacional. O expresidente Jair Bolsonaro foi ao complexo religioso em pelo menos três ocasiões nos últimos anos, incluindo feriados da padroeira. Em disputas anteriores, José Serra, Dilma Rousseff, Fernando Haddad e Ciro Gomes também incluíram o destino no Vale do Paraíba em suas rotas de campanha.
Alckmin foi festejado por apoiadores que se concentraram em uma das saídas. Eles entoaram gritos de ordem e em defesa da reeleição do presidente. No momento em que o vice começou a descer as escadas, vaias se misturaram a aplausos e cânticos favoráveis ao presidente, que prevaleceram. Alckmin defendeu a liberdade religiosa:
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MANIFESTAÇÃO SILENCIOSA
No templo, a transformação de Nossa Senhora Aparecida em alvo de disputa narrativa das eleições não passou despercebida pelos devotos que lotaram a basílica. O ambiente foi de tranquilidade, marcado por demonstrações políticas silenciosas e isoladas, com alguns vestindo camisa do Brasil e outros com peças vermelhas.
O romeiro Wallace Ribeiro Santoro Vidal, de Guaratinguetá (SP), fez questão de comparecer à basílica vestindo a camisa da seleção como forma de manifestação política. Ele diz que as acusações contra Flávio foram uma narrativa fabricada pela esquerda.
—Não se deveria usar a fé e a religião para mentir, ganhar voto ou jogar o povo católico contra um político. Criaram uma narrativa, que nunca existiu, de que iriam fechar igrejas ou tirar o título de Nossa Senhora Aparecida por causa da religião dele — afirmou.
Já João França saiu da vizinha Pindamonhangaba para fazer a romaria vestindo uma camisa em apoio a Lula. Apesar de pregar a liberdade religiosa e a manifestação pacífica, ele relatou ter sido hostilizado assim que pisou na basílica, recebendo gritos de ofensa de outros frequentadores:
— A gente que se identifica como de esquerda é constantemente atacado. São ataques realmente de ódio, de baixo ca-lão, pessoas dizendo que queriam que a gente morresse porque a gente discorda deles. Isso mostra o quanto o país e a democracia estão doentes, o Brasil não respeita a liberdade de manifestação individual.
A fadiga com a politização virou alvo de católicos que trabalham na estrutura do evento. A voluntária Ana Maria Soares Silva vê a polêmica eleitoral sobre Nossa Senhora como sinal de desespero da esquerda ancorado em “desinformação para rachar a sociedade”.
— Eu entendi tudo que aconteceu como fake news do Lula, porque não existe candidato no mundo que vá querer entrar numa treta com uma imagem nacional —criticou.
Eleitora histórica do PT, Maria Conceição de Moraes, de 70 anos, contou que esconde o voto dos filhos, mas que decidiu vestir vermelho para a missa após o episódio envolvendo a padroeira:
— Não devia nem existir essa mistura de religiosidade com política, porque às vezes a Igreja fala uma coisa, o povo interpreta outra, e aí surgem essas polêmicas. De 1 a 10, eu daria nota 4 para tudo isso nesta eleição, não foi positivo nem mesmo para o meu candidato.
THOMAS
TRAUMANN
O
thomas@thomastraumann.com
Se vencer, Flávio chegará mais forte do que o pai
Caso confirme o favoritismo no segundo turno, Flávio Bolsonaro chegará ao Palácio do Planalto com mais força do que o seu pai, Jair, em 2019 e com o ambiente político mais amansado desde a vitória de Fernando Henrique Cardoso na euforia do Plano Real em 1994. Compare as circunstâncias em que Flávio Bolsonaro pode chegar ao poder se vencer o segundo turno:
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1. LEGITIMIDADE DAS URNAS
A possível vitória de Flávio depois da derrota de Jair Bolsonaro em 2022, seu julgamento e condenação por tentativa de golpe de Estado dará à família uma legitimidade popular similar à de Donald Trump no seu segundo governo. Ao contrário da imprevisibilidade e improvisação de 2018, os eleitores de Flávio Bolsonaro em 2026 sabem o que estão comprando. Ninguém poderá se dizer surpreendido.
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2. BASE NO CONGRESSO
Com 28 senadores e 121 deputados, o PL é o maior partido do Congresso neste século. Somados aos bolsonaristas do PP (6 senadores e
MARIA ISABEL OLIVEIRA/7-9-2026
Pai e filho. Manifestação de bolsonaristas na Av. Paulista
41 deputados), União Brasil (6 e 46), Republicanos (5 e 41), Podemos (2 e 9) e Novo (3 e 7), além da maioria do MDB (8 senadores e 36 deputados), um governo Bolsonaro poderá eleger os presidentes das duas Casas, aprovar projetos e, dependendo do tema, mudar a Constituição. Jair Bolsonaro nunca teve uma situação tão confortável. O fato de os partidos do Centrão não terem apoiado Bolsonaro desde o início vai diminuir seu espaço no eventual governo. Ao contrário do que aconteceu no governo de Jair Bolsonaro, agora é o PL que vai delimitar o poder do Centrão na disputa por cargos.
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3. FRAGILIDADE DO STF
Base da resistência a Jair Bolsonaro, o STF será a grande vítima da volta da família ao poder. Se Alexandre de Moraes não renunciar, sofrerá impeachment pelo novo Senado. O projeto de reforma judicial vai propor transferir a competência criminal do STF para os Tribunais Regionais Federais e para o Superior Tribunal de Justiça, transformando a Corte num órgão constitucional. A mudança retira do STF quase todos os inquéritos envolvendo políticos, inclusive as investigações sobre desvios de verbas das emendas parlamentares, hoje nas mãos do ministro Flávio Dino.
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4. LUA DE MEL DO MERCADO
Por mais genéricas que sejam as promessas de reforma da equipe econômica, os investidores acreditam num pote de ouro ao fim do arcoíris. Em apenas um dia, na segunda-feira (5), os investidores estrangeiros ingressaram com US\$ 10 bilhões na Bolsa de Valores. De acordo com analistas, o efeito imediato de uma vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno será uma alta contínua na Bolsa, desvalorização do dólar e uma baixa nos juros futuros. Se os projetos do eventual governo Bolsonaro 2 forem frágeis como aparentam ser, a euforia pode ser apenas uma bolha. Mas o otimismo do mercado assegura ao eventual novo governo uma lua de mel de mais de três meses.
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5. A OPOSIÇÃO SEM RUMO
Em 2018, mesmo depois do impeachment de Dilma Rousseff, a operação Lava-Jato e a prisão de Lula, a esquerda tinha um norte: a volta de Lula. Mas, se o bolsonarismo vencer no final do mês, a esquerda ficará sem perspectiva de poder. Lula está velho demais e não preparou sua sucessão. A esquerda terá que construir um novo candidato a partir da derrota. O lulismo tem menos de 120 deputados e 20 senadores, insuficientes até para bancar uma CPI. No caso de derrota, sem um candidato natural e com as previsíveis divisões, a esquerda estará frágil para resistir a um governo que começará forte.
A questão, portanto, é: o que Flávio pretende fazer com circunstâncias tão favoráveis? Com maioria para comandar Senado e Câmara, ele elencou ao longo da campanha as seguintes prioridades:
Libertar seu pai e anular o julgamento do golpe de Estado; anular a condenação ao irmão Eduardo; reformar o Judiciário, reduzindo o poder do STF; reduzir a maioridade penal para 16 anos e, em alguns casos, 14 anos; adiar a implantação da Reforma Tributária, prevista para entrar em vigor em janeiro; flexibilizar o licenciamento ambiental e diminuir os poderes do Ibama; ampliar o próprio mandato para cinco ou seis anos, cancelando as eleições de 2030.
Jair Bolsonaro chegou ao Planalto repartindo poderes com seu mentor econômico, Paulo Guedes, uma dúzia de generais reformados e sob desconfiança do establishment político. Ao longo do mandato, ele enquadrou os militares, entrou em acordo com o Centrão e encolheu a agenda Guedes. Flávio Bolsonaro chega a outubro de 2026 comendo um saco de sal com um grupo mínimo de pessoas fiéis: o pai, o irmão Eduardo, o coordenador de campanha Rogério Marinho, a porta-voz de economia Daniella Marques, o marqueteiro Duda Lima e o jornalista Fábio Portella — os únicos que estiveram com ele nos momentos difíceis. Ele não deve nada ao mercado financeiro e ao empresariado, que duvidaram de suas chances, e ao Centrão, que o abandonou e agora corre para agradá-lo.
Com poucas dívidas e com condições objetivas de poder mudar a Constituição, Flávio tem sido evasivo sobre reformas econômicas. A sua agenda económica segue uma parolagem de “cortar desperdícios”, reduzir o número de ministérios e vender ativos da União
—medidas que não fazem cócegas no crescimento da dívida pública.
Com quase 40 senadores eleitos apenas com a promessa de impichar o ministro do STF Alexandre de Moraes, o Senado não terá tempo nem disposição para debater outra pauta no primeiro semestre do ano que vem. O encolhimento dos poderes do Supremo é a prioridade zero da volta do bolsonarismo. A economia a gente vê depois.
O 'já ganhou' do bolsonarismo
Já é 2027 em Brasília. Desde a vitória de Flávio Bolsonaro e dos candidatos de direita no primeiro turno, o mundo político entrou em um universo paralelo no qual o segundo turno de 25 de outubro é uma mera formalidade. Em uma semana, todos os partidos que se recusaram a apoiar Flávio passaram a se estapear para aparecer nas fotos com os vencedores, enquanto os políticos que cobravam explicações sobre o dinheiro recebido do banqueiro Daniel Vorcaro esqueceram o que disseram e se humilham por um lugar no eventual novo governo.
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OFATOR JANJA
Na ressaca da derrota no primeiro turno, a ex-ministra Kátia Abreu ganhou aplausos ao defender que a campanha deveria ter “mais Alckmin e menos Janja”. Ela falou em público o que 90% dos integrantes da campanha lulista dizem em privado. A onipresença da primeira-dama pode ser resumida na última propaganda de TV do presidente Lula no primeiro turno. Ao recontar sua história, Lula não fala sobre a perda de Marisa Letícia, sua segunda
O clima de “já ganhou” começa pelo próprio Flávio, que reconheceu que seu projeto de acabar com a reeleição para presidente inclui a extensão do próprio mandato para cinco ou seis anos. No PL, há uma corrente majoritária planejando adiar todas as eleições de 2030 para 2032, gerando uma eleição única de vereador a presidente. Por trás do projeto está a ampliação dos mandatos não apenas do presidente, mas também dos atuais deputados estaduais e federais, senadores e governadores. Neste caso, a eleição de 2030 será cancelada. Na economia, há uma disputa entre o
mulher, com quem viveu por 43 anos e com quem teve três filhos. A exclusão é resultado da onipotência de Janja, que se casou com Lula em 2022.
Na semana final do primeiro turno, quando as pesquisas mostravam empate, Janja insistiu que a proibição de todas as bets iria trazer o voto de mães preocupadas com o vício de apostas de filhos e maridos. Também foi voz ativa para apoiar a recusa de Lula em comparecer aos debates de TV. Há consenso hoje de que foram decisões mal pensadas.
grupo que ficou com Flávio quando tudo parecia perdido, a favor da dupla Marcelo Kayath e Adolfo Sachsida, e do outro o establishment empresarial pressionando pela escolha do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Kayath é apoiado por Eduardo Bolsonaro; Campos Neto pelo governador Tarcísio de Freitas. Com Rogério Marinho favorito para presidir o Senado, o PL se prepara para ganhar a Câmara. Os deputados Sóstenes Cavalcanti e Altineu Côrtes já se lançaram e quem trouxer mais apoios do Centrão, deve levar.
BRENNO CARVALHO/29-7-2026
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A aposta de Lula no fim da escala 6x1
Nem ruas, nem redes. A maior esperança para Lula virar o jogo no segundo turno está no Senado. Amanhã, o Senado começa a votar o fim da escala 6x1, aprovada em maio pela Câmara e engavetada até agora pelas desavenças entre os presidentes Davi Alcolumbre e Lula. Apoiado por sete de cada dez brasileiros, o projeto é a maior oportunidade para Lula sair das cordas.
São necessários os apoios de 49 dos 81 senadores em duas votações para aprovar o projeto que garante duas folgas semanais e a redução da jornada de trabalho máxima de 44 para 40 horas.
Flávio Bolsonaro é visceralmente contra o fim da escala 6x1. Ele defende o projeto do senador Rogério Marinho que propõe um regime por hora trabalhada. Pela proposta, o salário, férias, 13º salário e FGTS serão pagos de forma proporcional às horas efetivamente trabalhadas. A proposta é apoiada pelas entidades patronais.
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Ato a favor de petista ocupa Praia de Copacabana, no Rio
Mobilizações semelhantes ocorrem nas capitais desde a última semana
LUIS FELIPE AZEVEDO
E JÚLIA COPLE
politica@oglobo.com.br
Tradicional palco de manifestações bolsonaristas nos últimos anos, a Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, teve vários quarteirões ocupados ontem por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O candidato à reeleição, que no domingo participou de um movimento parecido em São Paulo, ficou em Brasília para acompanhar as celebrações do dia de Nossa Senhora Aparecida e não prestigiou o ato carioca.
Majoritariamente com roupas vermelhas, os lulistas levaram bandeiras de apoio a Lula e cartazes críticos ao adversá- rio no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL). Boa parte dos participantes usava adesivos com o nome e o número do candidato e gritava palavras de ordem em defesa da soberania
—uma das bandeiras da campanha, que acusa os Estados Unidos de tentar intervir na eleição brasileira em prol da candidatura bolsonarista.
"Queremos a quebra do sigilo de todos os envolvidos com o Banco Master", lia-se em um dos cartazes na multidão, em referência ao escândalo financeiro que marcou a disputa deste ano. "Juventude vota contra as bets", dizia outro póster, com menção à proibição das empresas de apostas, uma das medidas adotadas pelo governo federal na reta final do primeiro turno.
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MOBILIZAÇÃO NOS ARCOS
No meio da tarde, teve início um ato com representantes do samba e do carnaval carioca em frente aos Arcos da Lapa, no Centro. Durante os discursos, a ideia de soberania, a pauta trabalhista e a defesa da cultura foram as protagonistas.
Entre os participantes na Lapa estavam o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, Leandro Vieira, e os sambistas Neguinho da Beija-Flor, Arlindinho e Teresa Cristina, além de políticos como os deputados eleitos Nísia Trindade e
Campanha. Manifestação pró-Lula toma quarteirões da Praia de Copacabana
GABRIEL DE PAIVA
Marcelo Freixo e o reeleito Lindbergh Farias, do PT.
—O mundo do samba está aqui para cantar a democracia — afirmou Freixo.
Lula esteve em mobilização semelhante em São Paulo no domingo, com milhares de apoiadores ocupando a Avenida Paulista. O ato foi organizado pela União Nacional do Estudantes (UNE) e por centros acadêmicos universitários e contou com um palanque robusto, que incluiu o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador do estado, e os candidatos derrotados ao governo, Fernando Haddad (PT), e ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
O movimento de turbinar a campanha com manifestações nas ruas e nas redes começou logo após o primeiro turno, quando Flávio apareceu à frente. Entre aliados do presidente, há expectativa pelas pesquisas Quaest e Datafolha que serão divulgadas nesta semana.
ENTREVISTA
Ricardo Nunes/ PREFEITO DE SÃO PAULO
Articulador da ala do partido que oficializa hoje apoio a Flávio Bolsonaro, emedebista vê espaço para ampliar aval de diretórios estaduais e nega negociação para indicar eventual ministério
'SERIA UM ERRO SE O MDB TIVESSE APOIADO O LULA'
ELEIÇÕES 2026
HYNDARA FREITAS
E MAURICIO XAVIER
politica@oglobo.com.br
SÃO PAULO
Articulador do acordo que garantiu o apoio da maioria dos diretórios estaduais do MDB a
Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirma que o partido acertou ao adotar a neutralidade no primeiro turno e respeitar as “muitas forças políticas” da legenda. Ainda que o MDB tenha integrado a gestão petista com três ministros, teria sido um erro apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia. Agora, Nunes vê clima para ampliar o número de diretórios que decidiram endossar Flávio nas três semanas finais da eleição —hoje são 17. Hoje, o prefeito e outras lideranças emedebistas, como o presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi, promovem um ato em São Paulo oficializando a posição pró-Flávio.
Ao GLOBÓ, Nunes critica o governo Lula, rechaça qualquer possibilidade de apoiar Ricardo Salles (Novo) para sua sucessão, em 2028, e garante que vai trabalhar pela candidatura de algum integrante de seu secretariado.
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O senhor trabalhou
ativamente pela eleição do Flávio Bolsonaro, mas seu partido declarou neutralidade no primeiro turno. Agora, a maioria dos diretórios estaduais do MDB decidiu apoiar Flávio. Por que a mudança de posição?
Desde o início, declarei apoio ao Flávio, fui um dos primeiros. Conversei com ele, que me convenceu de que estava bem intencionado para fazer uma boa gestão, e que era um nome forte para tirar o PT, que vem fazendo uma gestão péssima, particularmente com a cidade de São Paulo. Uma perseguição absurda. Estou fazendo um programa habitacional sem um centavo do governo federal (o Pode Entrar). Ficam segurando nossas operações de crédito. Além de outras questões: R\$ 11 trilhões de dívida pública, uma gastança absurda, 82% da população endividada. Vejo no Flávio possibilidade de resgatar o país e dar uma condição de vida melhor para as pessoas.
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Foi um erro o MDB não ter apoiado o Flávio já no primeiro turno?
Não, porque o MDB é muito grande, com muitas forças políticas. Seria um erro se tivesse apoiado o Lula. Meu papel foi o de mostrar, para as pessoas do MDB, que esse não seria um bom caminho. O partido tem três ministérios, e o fato de liberar os seus diretórios para poder apoiar quem quisesse, aí sim eu acho que foi um acerto.
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Vê chance de avançar além de 17 diretórios?
Vai ter mais. Como são 27 diretórios, precisaria ter a maioria, se tivesse 14 já estava suficiente. Acho que os 17 é mais para poder mostrar de forma enfática que tem uma grande maioria. Os outros devem vir.
O MDB irá pleitear cargos num eventual governo do Flávio?
Não. O MDB tem que pleitear que não seja perseguido, que cada município governado pelo MDB tenha seus pleitos atendidos e que a economia macro possa evoluir bem.
“Acho que os 17 (diretórios pró-Flávio) é mais para poder mostrar de forma enfática que tem uma grande maioria. Os outros devem vir”
Ricardo Nunes (MDB), prefeito da cidade de São Paulo
Agora, pedir cargos, de jeito nenhum. Não participei de nenhuma conversa sobre isso, não teve nada sobre isso. Eugaranto que em nenhum momento teve nenhuma condição para apoiar ou uma sugestão de nome para ministérios.
Mas se houver essa procura, o senhor tem nomes que poderia indicar para o governo Flávio?
A minha equipe é muito boa, a gente tem nomes muito bons aqui. Não vou indicar ninguém, mas se o Flávio pedir alguém, como o Lula pediu... O (Robinson Sakiyama) Barreirinhas (procurador municipal de carreira de São Paulo e atual secretário especial da Receita
Federal) está lá, a gente tem pessoas daqui do nosso quadro que estão lá. Se precisar, obviamente a gente vai ceder.
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O Flávio saiu com vantagem no primeiro turno e tem o apoio de quase todos os outros candidatos de direita. A estratégia dele deve ser a de "jogar parado", não ir a debates, por exemplo?
debates, por exemplo?
Acho que ele deve ir, ele tem que questionar o Lula sobre o filho dele (Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha) no caso do INSS, sobre a questão econômica. Só o fato do Flávio ir para o segundo turno na frente do Lula já deu uma melhorada na economia. As pessoas já enxergam no Flávio uma segurança maior na condução econômica do país. A gente está reuni-do, fazendo, correndo, recebendo as pessoas, recebendo os partidos, sem salto alto. A eleição é quando fecha a urna, às 17h do dia 25 de outubro.
Ainda que tenha recebido uma votação maior que o pai, Flávio perdeu para Lula na cidade de São Paulo e mais 13 municípios da Região Metropolitana, mesmo com seu apoio, do governador Tarcísio de Freitas e de vereadores. Por quê?
O Tarcísio teve 1,2 milhão de votos a mais do que teve na última eleição aqui na capital. A diferença do Flávio (em relação ao Lula) foi bem pouca. Na eleição anterior foi de 650 mil votos e, nesta, de 300 mil. Se você imaginar 300 mil votos no universo de uma cidade de 12 milhões de habitantes, a diferença é pequena. Porque 1% de São Paulo representa muitos “por cento” em qualquer estado. Então foi uma grande vitória, a gente pode avançar e ampliar. É lógico que o PT jogou muito forte aqui na capital, do ponto de vista de estrutura de campanha. Mas ainda podemos considerar uma vitória o avanço do Flávio.
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Há espaço para avançar no segundo turno na cidade?
Elevai ter mais votos no segundo turno do que teve no primeiro turno aqui, porque teve votos que foram para o Ronaldo Caiado (PSD). O Gilberto Kassab (presidente nacional do PSD e vice de Caiado) é daqui, então também houve uma estrutura grande de campanha. E a gente vai agora poder focar um pouco mais na campanha do Flávio. Porque eu tive que pegar muitas frentes, a campanha do Tarcísio, da cha
Tereza Cristina fala em ser 1ª mulher a presidir Senado
Parlamentar, que está no meio do mandato e encabeçou apoio do PP-União a Flávio, disse que conversa sobre o assunto
Quase uma semana após encabeçar o apoio do PP à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, a senadora Tereza Cristina (MS), líder do partido, afirmou que gostaria de ser a primeira mulher a presidir o Senado. Em entrevista à GloboNews, a exministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro citou conversas com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre o tema.
—Eu sempre disse que gostaria de ser a primeira mulher presidente do Senado, mesmo porque eu tenho comigo que esse talvez seja o meu único mandato no Senado, não sei se eu quero disputar outro, e gostaria de deixar um legado, principalmente para as mulheres — disse.
A parlamentar também apontou que, além de conversas com Alcolumbre sobre a sucessão, toca no assunto com Rogério Marinho (PLRN), colega de Casa e coordenador da campanha de Flávio.
-É claro que eu, sendo uma senadora de centro-direita, vou estar muito mais alinhada com o Rogério Marinho, que também tem essa pretensão (de presidir o Senado).
Tereza e Alcolumbre compõem partidos da federação PP-União Brasil, que declararam apoio a Flávio na semana passada — o que foi considerado um revés para o presidente Lula (PT). Alcolumbre não participou da reunião, numa sinalização de que não deverá avalizar Flávio explicitamente. As duas siglas pa de deputados e de senadores, agora a gente vai poder focar só no Flávio, mostrar para as pessoas a importância que é um alinhamento do governo federal, estadual e municipal. Se eu tiver um alinhamento com o governo federal... Porque eu não tive nada, só boicote. O governo federal só boicotou a cidade de São Paulo. Boicote o tempo inteiro.
O senhor foi um dos mais críticos à candidatura de Ricardo Salles (Novo) ao Senado. Ele acabou desistindo dias antes da eleição, mas aliados já falam que ele fez esse movimento de olho em disputar a prefeitura de São Paulo em 2028. O senhor apoiaria o Salles? Jamais. O Salles é uma pessoa que tem uma dificuldade muito grande de civilidade. Para cuidar de uma cidade de 12 milhões de habitantes com tantas questões, uma cidade que é muito rica e que é muito pobre ao mesmo tempo, isso não funciona. O Salles, em hipótese alguma, terá o meu apoio. Primeiro porque ele é um irresponsável, fica fazendo críticas e denúncias levianas sem nenhuma prova.
Desejo de comando.
Tereza Cristina no Senado: parlamentar já falou com Alcolumbre sobre querer presidir a Casa
Quem são os melhores nomes para disputar a Prefeitura?
Alguém que seja do meu time aqui, que está me ajudando a entregar. Vai ser alguém do meu secretariado, porque eu preciso dar continuidade na- quilo que a gente está fazendo, a gente tem metas muito ambiciosas na área de drenagem, na área habitacional.
E qual o seu futuro político? Um caminho natural seria ocupar uma secretaria do Tarcísio, para depois se cacifar ao governo estadual, ou é possível um cargo num eventual governo do Flávio?
Não sei. Difícil falar isso. Ainda tenho dois anos e três meses de mandato, o que me preocupa é chegar lá no final do meu mandato com a avaliação boa e com as entregas. Essas coisas vão acontecendo naturalmente. Se eu terminar com uma boa aprovação e aparecer bem o meu nome na pesquisa, com baixa rejeição, é natural que o meu nome surja.
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Para qual cargo?
Para qualquer cargo, é uma coisa natural. Agora se eu terminar mal avaliado com uma rejeição alta, eu encerrei minha carreira. Vou trabalhar todo dia pra poder concluir com uma boa aprovação.
têm representantes na Esplanada petista e se mantiveram neutras no primeiro turno.
Ao ser questionada se disputaria o cargo contra Alcolumbre, Tereza Cristina afirmou que a possibilidade não foi descartada.
— Isso nunca foi colocado, eu sempre disse a ele que gostaria de ser a sua sucessora. A sua sucessora pode ser agora ou pode ser depois, então a gente tem que ver como é que as coisas vão se encaminhar.
A senadora frisou que as articulações para o comando do Senado dependem do resultado das eleições. Também disse que vê espaço para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na Casa a partir de 2027.
Pauta antifeminista garante votação recorde impulsionada nas redes
Tendência global, mulheres conservadoras são eleitas com oposição a bandeiras do movimento de igualdade de gênero
ELEIÇÕES 2026
HYNDARA FREITAS
hyndara.freitas@sp.oglobo.com.br
SÃO PAULO
Foi com o slogan “a maior inimiga das feministas de São Paulo” que a vereadora de Praia Grande (SP) Eduarda Campopiano (PL-SP), de 23 anos, se elegeu deputada estadual com quase 2 milhões de votos (menos que seus 2,6 milhões de seguidores no Instagram), maior votação do estado. Uma de suas referências é a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), de 35 anos, que este ano se tornou a parlamentar mais votada da história de Santa Catarina, com 387 mil votos.
A eleição das duas é parte de um movimento que cresceu na última década, impulsionado pelas redes sociais — as duas superam a casa dos 2,5 milhões de seguidores nas redes — e com raízes no conservadorismo cristão. Autora de livros que contestam a história do feminismo, Campagnolo ne ga, por exemplo, que o movimento tenha garantido o voto das mulheres. E também defende o “complementarismo”, teologia cristã que afirma que homens e mulheres têm papéis diferentes na sociedade.
Para a cientista política e professora Tatiana Vargas-Maia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a votação astronômica de mulheres abertamente antifeministas aponta para a formação de uma “nova identidade política”.
— O antifeminismo parece ter virado uma forma fácil de se dizer conservadora, defender a família tradicional, rejeitar o aborto e o que elas chamam de “ideologia de gênero” — avalia a professora da UFRGS.
MOVIMENTO INTERNACIONAL
O antifeminismo também ganha força na política de países como Estados Unidos, Espanha, Portugal e Chile, onde figuras como as deputadas Carla Toscano e Macarena Olona lideram o discurso contra a pauta.
No Brasil, onde mulheres chefiam metade dos lares, segundo o IBGE, as pautas variam conforme a classe social: da defesa da educação domiciliar (homeschooling) entre as mais ricas à cobrança por segurança pública e políticas para crianças com deficiência e autismo entre as mais pobres.
Das 108 deputadas federais eleitas este ano, 51 são de direita ou centro-direita, 47 de esquerda ou centro-esquerda e dez de centro. O Distrito Federal terá três mulheres no Senado a partir de 2027, todas alinhadas ao bolsonarismo: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022.
Em sua tese de doutorado na Universidade de Brasília (UnB), a socióloga Camila Galetti analisou as deputadas federais antifeministas eleitas em 2018 e identificou que a oposição ao aborto unifica mulheres de diferentes tradições religiosas. Mas há especificidades no campo “O antifeminismo parece ter virado uma forma fácil de se dizer conservadora, defender a família tradicional, rejeitar o aborto e o que elas chamam de “ideologia de género”
Santa Catarina. Ana Campagnolo: votação recorde
São Paulo. Campopiano: eleita com pauta antifeminista
Tatiana Vargas-Maia, professora da UFRGS
cristão. Evangélicas neopentecostais, que em geral vêm de igrejas de periferia, “estão mais associadas a pautas relacionadas à precarização da vida”.
Para a pedagoga e influenciadora antifeminista Cris Marina Correa, a “convergência cultural entre católicos e evangélicos” faz com que todo o “ecossistema de mulheres conservadoras” reaja quando uma vertente cristã se sente atacada pelo feminismo.
Discípula de Olavo de Carvalho, Correa conheceu feminismo na universidade, mas se afastou do movimento por ser contrária ao aborto. Hoje, ao lado de Campagnolo, está engajada na construção de uma base teórica para o antifeminismo brasileiro. Ela nega que a presença de antifeministas na política seja uma ameaça aos direitos das mulheres, inclusive ao voto feminino.
— Passamos anos sendo tachadas de retrógradas, burras, religiosas demais. Hoje, vejo essas meninas na política e fico muito contente. Eu já insistia que as mulheres cristãs não precisam ser feministas para exercer cargo público — diz Correa, para quem Campopiano “é a pontinha do iceberg” do movimento.
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AGENDA EM DISPUTA
Para a antropóloga Jaqueline Moraes Teixeira, coautora de “Mulheres e extrema direita no Brasil” (Elefante), as conservadoras não rejeitam o feminismo “como um todo”, mas disputam suas pautas.
—Por exemplo: a violência doméstica tem se tornado cada vez mais central nas candidaturas de mulheres conservadoras. Só que elas não atribuem o combate às agressões à agenda feminista. Para elas, feminismo é legalização do aborto e uma espécie de ódio aos homens — aponta Teixeira, que é professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).
ESTRATÉGIAS PARA TRANSFORMAR AMBIÇÃO EM AÇÃO E AVANÇAR NA CARREIRA
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UM MÊS DE FOGO
Fumaça deixa 36 cidades do Amazonas em estado de emergência, cobre Manaus, e FAB reforça combate
MICHAEL DANTAS/AFP
JÚLIA COPLE
julia.cople@oglobo.com.br
MICHAEL DANTAS/AFP
MICHAEL DANTAS/AFP
Riscos. Poluição, que faz mal à saúde, mobilizou ministérios do governo
Área afetada. Dentro da cidade, Zona Sul foi a mais impactada pela fumaça
S ob uma camada densa de fumaça que voltou a encobrir Manaus e colocar a capital amazonense no topo dos índices de poluição do ar no país, duas aeronaves KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB) iniciaram ontem uma ação de reforço no combate aos incêndios florestais que atingem regiões do Amazonas há pelo menos um mês. A mobilização militar e a chegada de comitivas de ministérios à região ocorrem em meio a um agravamento ambiental que já levou 36 municípios a decretarem situação de emergência e desencadeou uma troca de acusações públicas entre autoridades estaduais e federais sobre a responsabilidade do combate ao fogo.
A gravidade do cenário foi constatada em um sobrevoo realizado no domingo pelos ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. A própria decolagem da comitiva chegou a ser atrasada devido à falta de visibilidade e ao rebaixamento do teto operacional provocados pela poluição na capital. Ao retornar da inspeção, Capobianco classificou a situação como “mais grave” do que o esperado e revelou a identificação de pontos de queimada no interior de áreas nativas intocadas.
— Identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a mata. Nós vimos focos isolados e de difícil acesso, o que indica ação humana intencional para degradar o bioma e preparar o terreno para futuro desmatamento. É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas — declarou Capobianco.
A Polícia Civil do Amazonas informou que investiga a autoria dos incêndios criminosos. Apenas no mês de setembro, a corporação registrou 69 boletins de ocorrência relacionados a crimes ambientais no estado.
A crise na capital e no interior escalou ao longo do último mês. Os primeiros relatos do impacto da fumaça em Manaus datam de 8 de setembro, quando o acúmulo de fuligem na atmosfera começou a afetar a rotina da população. No dia seguinte, o governo estadual publicou um decreto proibindo o uso do fogo em todo o Amazonas.
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AR 'INSALUBRE'
As queimadas têm impacto direto na saúde e na rotina da população urbana. Pelo quinto dia consecutivo, Mauas registrou índices críticos de poluição atmosférica.
O monitoramento em tempo real da IQAir, sistema que vê o nível de poluentes em todo o mundo, apontou que, às 6h de ontem, a cidade atingiu a marca de 195, nível considerado “insalubre”, com concentração de partículas finas PM2.5 em 123 microgramas por metro cúbico ( $\mu$ g/m $^{3}$ ). No bairro Armando Mendes, o monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental, da Universidade do Estado do Amazonas, classificou o ar como “péssimo”, registrando 218,2 $\mu$ g/m $^{3}$ de poluentes.
Diante do quadro de poluição atmosférica, a prefeitura de Manaus suspendeu a realização de eventos públicos ao ar livre previstos para domingo e ontem, incluindo as atividades da Faixa Liberada, a programação do Parque Cidade da Criança, eventos na Orla da Glória e no Parque Gigantes da Floresta, além da Feirinha do Boi Manaus. O município já estava em estado de atenção desde o dia
24 de setembro. Para con- ter os transtornos à popula- ção, o Ministério da Saúde enviou equipes da Força Nacional do SUS para re- forçar os atendimentos médicos na região.
Os relatórios técnicos apontam que as queimadas se concentram predominantemente no interior e na calha ao sul de Manaus. Segundo Ane Alencar, direto-
ra de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o fogo atinge com mais intensidade municípios como Careiro, Careiro da Várzea e Autazes. Estatísticas do Painel do Fogo, vinculado ao Ministério da Defesa, mostram que nos primeiros dez dias de outubro o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, volume quase quatro vezes superior ao observado no mesmo período do ano passado. Mapeamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais, da UFRJ, indica que a área queimada no estado acumulou 122.794 hectares nos primeiros nove dias deste mês, valor 97,3% acima da média histórica para todo o mês de outubro.
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DISPUTA POLÍTICA
O problema ambiental abriu uma crise entre os governos estadual e federal. A controvérsia teve início após o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, declarar publicamente que o Ministério da Justiça e Segurança Pública havia negado um pedido de suporte aéreo formulado pela corporação em 18 de setembro. Documentos divulgados pelos bombeiros confirmam a recusa do envio de quatro aeronaves de combate ao fogo sob a alegação de indisponibilidade de equipamentos na Secretaria Naci onal de Segurança Pública.
A versão do governo estadual foi rebatida pelos ministérios da Integração e do Meio Ambiente. A pasta do Meio Ambiente afirmou que disponibilizou suporte operacional em 23 de setembro por meio do Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman), enviando helicópteros, aeronaves de combate Air Tractor e brigadistas do Ibama e do ICMBio. A pasta sustentou ainda que a gestão estadual chegou a dispensar uma equipe de brigadistas federais.
Em coletiva realizada em Manaus, o ministro Waldez Góes afirmou que a atuação direta da União em municípios estava condicionada à formalização do decreto de emergência pelo governador Roberto Cidade (União Brasil), o que ocorreu no sábado. O reconhecimento por parte do governo federal foi publicado no mesmo dia no Diário Oficial da União. Góes rebateu as críticas do comando dos bombeiros:
— Seria prudente que o comandante do Corpo de Bombeiros, em vez de tocar fogo, apagasse fogo, se juntasse aos brigadistas e às equipes da Defesa Civil. Quando o governo do estado decreta a emergência e a gente reconhece no mesmo dia, todo o governo federal passa a ter legitimidade e legalidade para empregar recursos humanos, financeiros e materiais — disse Góes na coletiva.
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FORÇA-TAREFA
A força-tarefa mobilizada pelo governo federal conta com 11 aeronaves e 290 brigadistas em campo. Entre os equipamentos de maior porte estão os dois cargueiros KC-390 da FAB, equipados com o Sistema MAFFS. Os militares organizaram três decolagens diárias de cerca de duas horas cada para os cargueiros, com capacidade de lançar até 12 mil litros de água por saída nas zonas mais atingidas pelas chamas, incluindo áreas de florestas densas. Segundo a FAB, a operação exige voos em baixa altitude e baixa velocidade sob temperaturas elevadas, sem prejuízo à pressurização da cabine.
Pesquisadores apontam que a severidade das queimadas no Amazonas é agravada pela estiagem que atinge a Região Norte, associada aos efeitos do El Niño e às altas temperaturas. O prolongamento da seca reduz a umidade da vegetação, transforma a matéria orgânica do solo em combustível seco e dificulta a dispersão da poluição atmosférica nas cidades atingidas. As operações devem prosseguir ao longo desta semana sem previsão de normalização imediata das condições climáticas na região.
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BRUNO ALFANO
bruno.alfano@extra.inf.br
Uma brasileira de 36 anos corre o risco de ser condenada à prisão perpétua na Indonésia após ser flagrada com mais de 3,6 quilos de cocaína líquida escondidos em frascos de xampu e outros produtos de higiene pessoal. Segundo a polícia de Bali, uma das ilhas turísticas mais famosas do mundo, a mulher identificada apenas pelas iniciais TCDS foi presa na terça-feira da semana passada, após deixar o Brasil e desembarcar na ilha. A apreensão só foi anunciada ontem.
De acordo com as autoridades locais, a droga estava distribuída em sete frascos na bagagem da brasileira. A polícia classificou o caso como uma das maiores apreensões de cocaína líquida já realizadas em Bali.
—Estamos empenhados em garantir que não haja espaço para o tráfico de drogas ilícitas na região de Bali — afirmou à agência AFP o porta-voz da polícia, Kombes Ariasandy.
Segundo a polícia, a brasileira afirmou que recebeu ordens de outro brasileiro, identificado apenas como “G”, para entregar a droga a uma pessoa em Bali, em troca de US\$ 50 mil (cerca de R\$ 249 mil).
De acordo com a agência de notícias Antara, da Indonésia, ela saiu do Brasil na segunda-feira da semana passada e teria uma passagem de volta, partido de Bali, para o dia 3 de novembro de 2026. As autoridades locais não apontaram o aeroporto do qual ela saiu do país, nem para onde voltaria.
Em nota, a polícia local informou que a apreensão “tem como objetivo impedir a circulação de narcóticos na comunidade e reduzir o risco de abuso, que põe em perigo a saúde e a segurança pública”. O comunicado também informou que investigadores da Diretoria de Narcóticos da Polícia Regional de Bali estão buscando a origem da cocaína líquida, sua rede de distribuição e seu destino final.
Indonésia tem uma das leis antidrogas mais rigorosas do mundo, com previsão de pena de morte para crimes de tráfico. Embora o país mantenha uma moratória sobre penas capitais há vários anos, a brasileira poderá ser condenada à prisão perpétua caso seja considerada culpada.
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CASOS DE EXECUÇÃO
A última execução no país ocorreu em 2016, quando um indonésio e três nigerianos condenados por crimes relacionados a drogas foram mortos por fuzilamento. Em julho deste ano, um piloto malaio também foi preso no país sob suspeita de traficar 70 mil balas de ecstasy.
Ao menos dois brasileiros já foram executados por pelotões de fuzilamento no país pelo crime. Recentemente, no entanto, uma nacional conseguiu escapar da pena capital (veja mais no box acima).
Além deles, Yuri Bezerra da Costa, de 25 anos, foi condenado em fevereiro deste ano a 18 anos de prisão por entrar com três
Droga na mala. Identificada pelas iniciais TCDS, a brasileira assumiu ter traficado a cocaína em troca de US\$ 50 mil
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OUTROS BRASILEIROS CONDENADOS
Manuela Farias
Em 2004, Archer foi preso no aeroporto de Jacarta enquanto tentava entrar com 13kg de cocaína escondidos nos tubos de uma asa-delta desmontada. Foi condenado a pena de morte e executado por fuzilamento em 18 de janeiro de 2015.
quilos de cocaína em Bali. Ele também foi multado em US\$ 57 mil (cerca de R\$ 284 mil) após ter sido preso em julho de 2025 no
Foi executado por tráfico em 29 de abril de 2015. Ele havia sido preso em 2004 ao tentar transportar 6kg de cocaína em pranchas de surfe. Seu diagnóstico de esquizofrenia paranoide motivou apelos humanitários, mas a pena foi mantida.
mesmo aeroporto em que a brasileira foi detida na semana passada.
Ainda segundo a Antara, Yuri transportou a droga
Foi detida no aeroporto de Bali com quatro quilos de cocaína distribuídos na bagagem no fim de 2022. Havia dito a parentes que viajaria ao país para passar a virada do ano com o namorado. Em junho, a brasileira foi condenada a 11 anos de reclusão.
do Rio de Janeiro para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e, em seguida, para Denpasar, já na Indonésia, antes de chegar a Bali.
GATILHOS PARA A DÍVIDA
Proposta sinalizada por Flávio pode afrouxar pressão por corte de gastos
FABIO GRANER E THAÍS
BARCELLOS
economia@oglobo.com.br
BRASÍLIA
A ideia de estabelecer uma regra fiscal ancorada na trajetória da dívida pública, sinalizada no programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e em declarações de seus porta-vozes econômicos, é uma estratégia que, na prática, pode acabar dando maior flexibilidade para a composição de uma estratégia de ajuste das contas públicas e tirar pressão por medidas mais duras do lado da despesa.
Como a dívida é resultado de muitos fatores, iniciativas como venda de ativos e antecipação de receitas (securitização), já mencionadas pela campanha bolsonarista, bem como a condução da política monetária, que não está no controle direto do governo, afetam seu resultado.
Até agora, a campanha do senador, que venceu a disputa no primeiro turno, não detalhou qual efetivamente seria sua regra fiscal, embora em seu plano fale em reformulação do regime atual (baseado em regra de gastos, que podem crescer até 2,5% acima da inflação e meta de resultado primário) “com regras claras focadas na estabilização e na redução da dívida pública”.
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GATILHOS
Caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno, os rumos da política fiscal ainda dependem de quem será escalado como ministro da Fazenda, uma decisão a ser tomada. Os economistas ligados à campanha, porém, já trabalharam em algumas ideias.
Para que tenha efetividade, a regra de dívida poderia ter, por exemplo, o acionamento de “gatilhos” de controle de gastos, que seriam ativados a partir de determinados patamares do indicador de solvência.
Uma das ideias, que já foi defendida publicamente pelo economista e ex-ministro Adolfo Sachsida, que ao lado de Daniella Marques conduz a formulação econômica da campanha do candidato do PL, seria que a regra ativasse um teto de gastos similar ao dos governos Michel Temere e Jair Bolsonaro. Nesse caso, o total de despesas sujeitas ao teto subiria apenas pela inflação.
Em um dos cenários, esse gatilho seria acionado rapidamente na trajetória considerada no plano de Sachsida, como ele revelou em entrevista ao GLOBO em junho. Mas esse não seria o único dispositivo. Caso outros patamares sejam superados, outras medidas de contenção fiscal seriam acionadas, embora não haja detalhamento sobre quais seriam.
Para o especialista em política fiscal e coordenador do Observatório Fiscal do FGV Ibre, Manoel Pires, mudar a regra em si não garante muita coisa, e o mais importante seria ter instrumentos efetivos para melhora do manejo das contas públicas.
—O limite de dívida é um referencial. Se você não tiver instrumento para alcançá-lo, não adianta de nada. Isso é uma referência de longo prazo para indicar aonde você quer chegar. O que importa, no fim das contas, não é se vai ter regra de dívida ou limite de dívida, mas como você vai estabilizar a dívida. Temos um Orçamento muito rígido. Você pode até melhorar a regra fiscal, mas se você não tiver um plano de ação fiscal, a regra em si não vale de muita coisa, vai só criar uma nova para descumprir — argumentou Pires, que já foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
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SINAIS CONTRADITÓRIOS
O economista lembra que, nas últimas semanas, a campanha de Flávio Bolsonaro deu sinalizações de que irá na direção oposta de um ajuste fiscal, como uma nova renegociação de dívida dos estados, a negativa de que pretenda mexer na Previdência e no salário mínimo, até mesmo a sugestão de que não pretende fazer privatizações.
—Todos os indicativos de ontem para hoje, explícitos, vão no compromisso de não ter ajuste fiscal. Ao mesmo tempo, a portas fechadas estão prometendo um ajuste fiscal enorme — afirmou Pires. — Discussão de regra fiscal tem de vir acompanhada de plano de ação fiscal.
Também especialista na área fiscal, o economista Tiago Sbardelotto, da XP
Investimentos, avalia que uma regra que considere o tamanho da dívida em relação ao PIB seria um reforço importante para as atuais normas. Na sua opinião, o arcabouço atual não é ruim, mas tem-se mostrado insuficiente para alcançar a sustentabilidade da dívida pública.
Por outro lado, pondera Sbardelotto, um modelo ancorado no endividamento tem desvantagens, porque o indicador é influenciado tanto pelos juros quanto pelo Produto Interno Bruto (PIB) nominal, entre outros fatores. Então, um choque nesses indicadores pode alterar a trajetória da dívida mesmo sem qualquer mudança efetiva na política fiscal.
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'NÃO É BOA PARA SER META'
Sbardelotto avalia que uma regra fiscal orientada pela dívida poderia adotar ferramentas para evitar que fatores alheios à política fiscal disparassem o mecanismo. Ele defende também que a nova âncora deveria prever, entre os gatilhos a serem eventualmente acionados, um aperto no limite de gastos, reduzindo ou eventualmente zerando o crescimento real. Além de medidas como vetar reajuste para servidor até que o nível do endividamento baixasse:
— A dívida passa a ser a grande orientação das regras operacionais de resultado primário e de limite de despesas.
Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, também defende um modelo em que se considere o patamar da dívida para fazer ajustes nos parâmetros de crescimento real das despesas, atualmente de 2,5%.
Ela discorda de um desenho em que a regra da dívida seja a meta, justamente por haver vários elementos alheios ao fiscal que mexem com o patamar:
— A dívida e a sua trajetória são uma fotografia e um filme que resumem bem se o país está fiscalmente solvente. Dito isso, não é uma boa variável para ser meta, por essa questão de ter muitos parâmetros alheios ao esforço fiscal.
PL deve liberar bancada em votação do fim da escala 6x1
Flávio Bolsonaro tem se posicionado contra a PEC, uma das bandeiras de Lula
GERALDA DOCA
geralda@bsb.oglobo.com.br
BRASÍLIA
O PL, partido do candidato Flávio Bolsonaro à Presidência, deve liberar a bancada na votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1, segundo o senador Wellington Fagundes (PLMT), líder do bloco de oposição da Casa. O parlamentar afirmou que, embora a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro prefira abstenção, a maioria dos parlamentares avalia que é preciso se posicionar em relação à proposta.
Além do PL, as legendas de oposição ao governo no Senado devem liberar as suas bancadas, disse a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela foi escolhida para mediar as conversas entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e os partidos em relação à tramitação da PEC.
A estratégia deve ser definida em um almoço de integrantes da oposição ao governo, amanhã. As reuniões costumam acontecer às terças feiras, mas, por causa do feriado, alguns parlamentares não devem chegar a tempo.
MARINHO PELA ABSTENÇÃO
O texto substitui a jornada de seis dias de trabalho e um de folga por semana por uma de cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Flávio tem se posicionado contra a PEC. Ele defende um regime mais flexível, em que trabalhadores possam negociar a jornada com empregadores, conforme propôs o coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), já classificou a PEC de “um carro desgovernado e eleitoreiro descendo ladeira abaixo, supostamente dirigido por (Davi) Alcolumbre e Lula”.
— O posicionamento de Rogério Marinho é pela abstenção, mas a maioria da bancada avalia que os senadores devem se posicionar — argumentou Fagundes, líder do bloco de oposição.
Fagundes. "A maioria da bancada avalia que os senadores devem se posicionar"
A PEC é o único item da pauta do plenário do Senado nesta semana. Estão previstas duas sessões de debate sobre o tema, hoje e amanhã. Em seguida, a proposta poderá ser votada em primeiro turno, conforme já anunciou Alcolumbre.
O governo tem pressa e busca aprovar a PEC, bandeira da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em primeiro e segundo turnos antes de
25 de outubro.
Para acelerar a votação da proposta, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), deverá apresentar até amanhã um requerimento de calendário especial para a quebra de interstício.
O regimento exige cinco sessões de discussão antes da primeira votação. Foram realizadas três sessões na semana passada. Se a PEC for aprovada, há um intervalo de cinco dias úteis e mais três sessões antes do segundo turno. Mas é possível aprovar um requerimento para a votação do segundo turno logo em seguida.
Em cada votação são necessários 49 dos 81 votos (três quintos).
Entre alternativas avaliadas pela oposição, além da liberação de bancadas e abstenção, estão esvaziar o quórum e apresentar emendas de plenário. As emendas em discussão sugerem mudar o tempo de transição para seis meses. Pela proposta, a PEC entra em vigor 60 dias após a promulgação, quando a jornada cai de 44 horas semanais para 42 horas, recuando a 40 horas um ano depois. Também se discute abrir exceções para categorias com regime de escala, como petroleiros e aeroviários, por exemplo.
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado no início de setembro.
MÍRIAM
LEITÃO
blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao
miriamleitao@oglobo.com.br
Com Ana Carolina Diniz
Não é opinião, são os fatos
A democracia correrá riscos em um possível governo Flávio Bolsonaro. Isso não é opinião. É o resultado da análise dos fatos, matéria-prima do jornalismo. O pai dele quando esteve no governo tentou dar um golpe de Estado. A família Bolsonaro tem diversas brigas internas, mas total concordância sobre alguns pontos: acham que a ditadura militar foi boa, admiram o Coronel Brilhante Ustra e seus métodos de tortura e morte de adversários políticos, elogiam o Ato Institucional número 5, aprovam as decisões e palavras do ex-presidente Jair Bolsonaro e negam que durante aquele governo tenha havido conspiração para um golpe, que terminou com a quebra física dos prédios dos Três Poderes.
O brigadeiro Carlos Baptista Júnior, que comandou a Aeronáutica na administração de Jair Bolsonaro, publicou um livro contando o que houve no governo. Sobre a reunião do dia 5 de julho de 2022, aquela na qual o general Heleno defendeu que era preciso virar a mesa antes das eleições, o brigadeiro diz: “Mais do que declarações isoladas, aquele encontro revelou algo que começava a se tornar cada vez mais preocupante: a naturalização, dentro de determinados círculos de poder, da ideia de que o resultado eleitoral poderia deixar de ser aceito caso contrariasse as expectativas do governo”.
O brigadeiro prestou depoimento como testemunha na ação penal do golpe. No livro “Eu disse não. Uma trincheira antigolpista”, o ex-comandante da Aeronáutica relatou muitos fatos, alguns já conhecidos, mas pelo ângulo de quem comandava uma das Forças. O difícil quando se fala das ações de Jair Bolsonaro contra a democracia é escolher de quais fatos tratar. São muitos.
Quando Flávio Bolsonaro falou em usar o crescimento da direita no Congresso para mudar a Constituição, muita gente se assustou no Brasil. Todos os presidentes apresentaram propostas de emenda constitucional. Não era disso que ele falava, porque completou a frase informando que iria mudar a
Constituição “para redemocratizar o país”.
"A Constituição não é perfeita. Ela própria o confessa", disse Ulysses Guimarães, na promulgação da Carta, ao falar da possibilidade de emenda constitucional. Fernando Henrique, ao assumir, propôs uma PEC para acabar com o monopólio estatal na telefonia e no petróleo. Assim, ele privatizou as telefônicas e concedeu áreas de exploração de petróleo. Jair Bol
País pode optar por ignorar o histórico familiar e levar Flávio Bolsonaro ao Planalto. Mas os fatos até aqui permitem dizer que a democracia correrá riscos
sonaro, ao assumir, propôs uma PEC para a Reforma da Previdência. Lula em 2023 aprovou a PEC da Reforma Tributária. Ninguém achou que fosse golpe de Estado. O que pega desta vez é que Flávio falou em mudar a Constituição para “redemocratizar o país". O que não se pode mudar na Constituição? Exatamente isso: as cláusulas pétreas que sustentam a democracia em vigor no país.
Em julho de 2025, quando ainda não tinha sido lançado pelo PL à presidência, Flávio Bolsonaro disse em uma entrevista à Folha de S. Paulo que um candidato ao cargo só receberia apoio do seu grupo político se manifestasse compromisso com anistia a seu pai e a outros condenados, e que garantisse essa anistia mesmo que o Supremo Tribunal Federal fosse contra. E foi mais específico: “a gente está falando de possibilidade e de uso da força. A gente está falando da possibilidade de interferência direta entre Poderes. Tudo o que ninguém quer”.
O STF está fragilizado em parte pelos seus próprios erros. Mas quando Flávio disse isso
—ou quando fala agora em “redemocratizar” o país — ele não estava se referindo à prerrogativa do Senado de julgar o impeachment de algum ministro do Supremo. Ele estava falando exatamente em mexer no que é inalterável na Constituição: os pilares da democracia.
O país pode escolher ignorar todo o histórico familiar e levá-lo ao Planalto. Só que os fatos até aqui permitem dizer que haverá o mesmo clima de tensão constante sobre o Estado Democrático de Direito que houve no governo de Jair Bolsonaro, agravado pelo fato de que seria uma administração mais capaz de formar maiorias no Congresso, e as instituições teriam menos defesa, pela crise interna do STF.
A democracia não é um ponto de programa de governo. É a única base de todos os governos desde 1985, os bons e os ruins. O único regime que garante a alternância de poder, o sistema de freios e contrapesos e os direitos individuais. Na última vez que suprimiu a democracia, o país atravessou 21 anos de enorme sofrimento cívico. Nada disso é opinião. São os fatos.
FMI reduz previsão de crescimento do Brasil
Economia brasileira deve avançar 2,2% em 2026, ante estimativa de 2,4% divulgada em julho. Em 2027, recua de 2,2% para 1,9%. No cenário global, a perspectiva do Fundo é de 3,1% de alta neste ano e de 3,4% no próximo
FONTE: PANORAMA ECONÔMICO MUNDIAL, DO FMI
MAYRA CASTRO
mayra.castro@oglobo.com.br
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções de crescimento da economia brasileira para este ano e o próximo. No relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês) de outubro, a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 2,4% no documento divulgado em julho para 2,2%. Para 2027, a previsão caiu de 2,2% para 1,9%.
No cenário mundial, o FMI elevou a previsão de crescimento para 2026 de 3% para 3,1% e manteve a estimativa de 3,4% para 2027. Ainda assim, o Fundo alerta que a guerra no Oriente Médio, as tensões comerciais e as vulnerabilidades das contas públicas podem comprometer a atividade.
Em relação ao Brasil, o relatório indica uma desaceleração da atividade, após o crescimento de 2,3% registrado em 2025. Segundo o FMI, a perda de ritmo entre 2026 e 2027 reflete os juros ainda restritivos, voltados a levar a inflação de volta à meta, a retirada de estímulos fiscais e a incerteza global. Juros elevados encarecem o crédito e tendem a limitar o consumo e os investimentos.
Na comparação com abril, porém, a projeção de crescimento para este ano é maior: passou de 1,9% para 2,2%. Já a estimativa para 2027 recuou de 2% para 1,9%.
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QUEDA DA INFLAÇÃO
O Fundo prevê uma redução da inflação brasileira, medida pela variação média anual dos preços ao consumidor: de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027. Esses números referem-se à média do ano, e não à inflação acumulada em dezembro.
Para o mercado de trabalho, a estimativa é de aumento do desemprego. A taxa deve passar de 6% em 2025 para 6,2% neste ano e 6,8% no próximo.
As projeções para a economia brasileira ficam abaixo das estimativas para a América Latina e o Caribe, que devem crescer 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027. Enquanto o FMI prevê uma recuperação moderada da região no próximo ano, o Brasil deve perder ritmo.
Segundo o relatório, o choque nos preços de energia tem efeitos distintos sobre as economias latino-americanas, com ganhos para exportadores de commodities e perdas para importadores de energia. Na maioria dos países da região, o impulso vindo do setor de tecnologia oferece pouca compensação.
Para a economia mundial, apesar da revisão positiva para este ano ante o relatório de julho, o ritmo representa uma desaceleração frente ao crescimento de 3,5% de 2025. Na comparação com o documento de abril, a projeção para 2026 ficou estável, já a de 2027 subiu 0,2 ponto percentual.
Segundo o FMI, a atividade no primeiro semestre resistiu melhor do que o esperado à guerra no Oriente Médio e às tensões comerciais. Os investtimentos em inteligência artificial (IA) ajudaram a sustentar a demanda e o comércio global, compensando parte dos efeitos negativos do enca recimento da energia. Mas a adaptação do mercado energético também contribuiu para amortecer o choque.
O FMI projeta que a inflação global alcance 4,7% este ano, pressionada sobretudo pelos preços de energia e alimentos, antes de recuar a 4,1% em 2027.
Os efeitos desses movimentos, porém, variam entre os países. Exportadores de energia fora da região do conflito e economias que participam das cadeias de produção de tecnologia encontram condições mais favoráveis. Já países que dependem de energia importada e têm pouca ligação com o setor tecnológico enfrentam custos maiores, perda de poder de compra e menos estímulos à atividade.
O Fundo alerta que essa diferença pode ampliar as desigualdades entre países e dentro deles, com riscos maiores para economias de baixa renda e famílias vulneráveis. Além disso, uma guerra prolongada ou uma escalada no Oriente Médio pode manter os preços de energia e alimentos elevados, alimentar a inflação e reduzir o crescimento. Mas os estoques usados para absorver o choque estão diminuindo, o que deixa a economia mais exposta a novas interrupções no abastecimento.
O avanço dos investimentos em IA também traz riscos, inclusive de correção nos mercados.
Pesquisa busca adaptar pinus às mudanças climáticas
Outro objetivo é aumentar a produtividade da espécie, matéria-prima do papel
A PALAYRA DO CAMPO
GOBORU AL
CAROLINA MAINARDES
economia@oglobo.com.br
PONTA GROSSA (PR)
Com 1,9 milhão de hectares cultivados no país, sobretudo na Região Sul, o pinus é alvo de pesquisas que buscam avaliar os impactos das mudanças climáticas no setor de florestas plantadas, a fim de mitigar os riscos. Matéria-prima de papel e celulose, painéis de madeira, móveis, embalagens e biomassa energética, a espécie de origem americana chegou ao
Brasil há 120 anos e tem elevada produtividade.
Até a década de 1970, a árvore tinha uma produção média de 18 metros cúbicos por hectare ao ano no Brasil. Após anos de melhoramento genético, adaptação e manejo, a produtividade média chegou aos atuais 31,1 m $^{3}$ /hectare, contra 20 m $^{3}$ /ha ao ano nos Estados Unidos.
No Brasil, as espécies Pinus taeda e Pinus elliottii lideram os ganhos de produtividade e qualidade, sobretudo no Sul, onde clima e solo favoreceram a cultura.
O desafio é aumentar ainda mais a produtividade do pinus e ter materiais adaptados a mudanças climáticas, a fim de manter uma base genética ampla para ser usada no futuro — afirma Ananda Aguiar, pesquisadora de melhoramento genético da Embrapa Florestas, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
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CONTRA O EFEITO ESTUFA
A estatal faz pesquisas para elevar a produtividade da espécie há cerca de 50 anos. Desde 2021, por meio do Projeto Cooperativo de Melhoramento Genético de Pi nus, a Embrapa Florestas também desenvolve pesquisas para identificar materiais genéticos mais adaptados às mudanças climáticas.
Mais seca. Cultivo de pinus em Ponta Grossa: produtor já vê mudanças
As pesquisas são feitas em várias regiões do Brasil, conta Ananda. Para avaliar a tolerância do pinus a geadas, temperaturas elevadas ou a períodos de seca, os pesquisadores plantam mudas em locais onde a espécie não tem uma boa adaptação. Também se busca descobrir qual a influência dos extremos climáticos na ocorrência de pragas, como a vespa-da-madeira e as formigas cortadeiras.
— Há muita variação entre as regiões, com chuvas intensas, alterações na temperatura e estiagem, o que favorece a eclosão de novas gerações de insetos — conta Ananda.
Além disso, os pesquisadores investigam como o pinus pode ajudar na mitigação dos gases de efeito estufa.
Os avanços nas pesquisas favorecem os produtores. Álvaro Scheffer Junior, diretor da Águia Florestal, empresa de plantio e industrialização de madeira de Ponta Grossa (PR), diz que a produtividade nas áreas do grupo passou de cerca de 18 m $^{3}$ /ha ao ano, no início da década de 1970, para mais de 40 m $^{3}$ /ha ao ano hoje.
Segundo Scheffer Junior, a mudança no regime de chuvas da região, que ficou mais seca, provocou um aumento na produção de sementes pelas árvores e também fez suas raízes atingirem níveis mais profundos:
— A planta vai tentando se adaptar e perpetuar a espécie.
Nobel de Economia vai para estudos sobre como reduzir crises e inflação
Americanos Robert E. Hall e Michael Woodford desenvolveram modelos que orientam decisões de juros de bancos centrais
MAYRA CASTRO
E ANNA JÚLIA STECKELBERG
economia@oglobo.com.br
Os economistas americanos Robert E. Hall e Michael Woodford foram anunciados ontem como vencedores do Nobel de Economia de 2026. Segundo a Academia Real Sueca de Ciências, eles foram reconhecidos por suas contribuições às bases microeconômicas da estabilização macroeconômica, com modelos que ampliaram a capacidade de formular políticas para reduzir as oscilações da economia.
Na prática, as pesquisas deram sustentação às decisões dos bancos centrais de subir ou cortar juros para controlar a inflação e estimular a atividade, explica o economista e professor da FGV EPGE Aloisio Araujo. O objetivo é calibrar essas medidas para manter os preços sob controle e o desemprego em níveis razoáveis.
Araujo, que tem pesquisas acadêmicas conjuntas com Woodford, afirma que a expectativa de reconhecimento já existia há algum tempo. Em julho deste ano, o americano esteve no Brasil para participar das conferências realizadas em comemoração aos 80 anos do professor brasileiro.
Na avaliação de Araujo, os trabalhos ajudaram a preencher uma lacuna: embora já se soubesse que os bancos centrais influenciavam a economia, faltavam modelos que explicassem adequadamente como conduzir essa atuação.
— Todo mundo sabia que o Banco Central tinha um papel importante, tinha efeitos reais. Mas ninguém tinha um modelo concreto do que eles deveriam fazer — afirma.
FOCO EM FAMÍLIAS E EMPRESAS
A contribuição dos premiados está na maneira como os modelos passaram a explicar as flutuações da atividade. Em vez de se apoiar apenas em relações estatísticas entre indicadores como inflação, produção e consumo, a abordagem incorpora as decisões de famílias e empresas, incluindo suas expectativas sobre o futuro.
Ao decidir quanto consumir ou poupar, por exemplo, as famílias consideram a renda que esperam receber. As empresas levam em conta as condições futuras ao definir preços e investimentos. A comunicação de governos e bancos centrais também influencia essas expectativas e, consequentemente, as escolhas econômicas.
Essa mudança ganhou importância diante das dificuldades enfrentadas pelos modelos keynesianos tradicionais durante as crises do petróleo dos anos 1970. Naquele período, medidas destinadas a combater o desemprego não conseguiram impedir a aceleração da inflação.
Segundo Araujo, o desafio era construir uma orientação para a política monetária que permitisse conter a alta dos preços sem deixar a economia estagnada. As pesquisas dos vencedores contribuíram para o desenvolvimento dos modelos neokeynesianos, usados pelos bancos centrais.
— Eles criaram um modelo no qual você pode ter a taxa de inflação sob controle e, ao mesmo tempo, desemprego em níveis razoáveis — explica Araujo.
Ós modelos ajudam a explicar por que as políticas monetária e fiscal precisam ser ajustadas às condições econômicas. Em situações de atividade deprimida e inflação baixa, a redução dos juros pode estimular a economia. Quando a inflação está elevada demais, o aumento da taxa ajuda a conter as pressões sobre os preços. Hall abordou o tema em um artigo em 1978, enquanto Woodford apresentou um novo modelo neokeynesiano em um livro em 2003.
Modelo. Hall e Woodford: prêmio por trabalho sobre como políticas fiscal e monetária podem estabilizar a economia
— Você desce os juros e tem o efeito de estimular a economia. Quando a inflação está alta demais, sobe os juros. Esse é o princípio básico que sai dos modelos deles. Os bancos centrais usam isso —diz Araujo.
A política fiscal também pode atuar sobre a demanda: durante uma recessão, a ampliação dos gastos públicos pode estimular a atividade, enquanto medidas na direção contrária podem ajudar a conter um aquecimento excessivo.
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EFEITO NO EMPREGO
Outro elemento dos modelos é o reconhecimento de que preços e salários não se ajustam imediatamente às mudanças na economia. Essa dificuldade ajuda a explicar por que uma crise pode provocar aumento do desemprego, em vez de apenas uma redução dos salários.
Araujo usa as depressões econômicas como exemplo. Em um modelo no qual todos os preços se ajustassem livremente, uma piora da economia poderia levar à queda dos salários, permitindo a manutenção dos empregos. Na prática, porém, esse ajuste não ocorre automaticamente.
— Os salários não caem na hora da depressão. Os salários têm uma inflexibilidade, têm preços rígidos. Os salários são mais rígidos para cair. Eles sobem quando a inflação está alta, mas depois eles não caem quando há um momento de deflação —explica.
Ao incorporar essa resistência, os modelos permitem analisar como as decisões de juros podem afetar a atividade e o emprego.
Os vencedores dividirão 12 milhões de coroas suecas, cerca de US\$1,22 milhão (R\$6,3 milhões), além de receberem um diploma e uma medalha de ouro de 18 quilates. O Nobel de Economia encerra a temporada de anúncios de 2026. A cerimônia de entrega dos prêmios está prevista para 10 de dezembro.
\* ACUMULADO EM 12 MESES ATÉ SETEMBRO
ELEIÇÕES 2026
PROGRAMAS ECONÔMICOS
FOCO NAS EXPORTAÇÕES NA BUSCA POR MERCADOS, FLÁVIO SE ALINHA AOS EUA, E LULA PREGA MULTILATERALISMO
EDITORIA DE ARTE
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COMÉRCIO EXTERIOR
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FLÁVIO
Pragmatismo
Avançar em acordos que ampliem mercados com uma aborda-gem pragmática, sem tratar qualquer par-ceiro comercial como adversário.
VINICIUS NEDER
vinicius.neder@oglobo.com.br
OCDE
Retomar o
processo de
adesão à OCDE.
Reorganização
Executar um plano nacional de integração às cadeias globais, com prioridade para agroindústria, minerais críticos e economia digital.
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PMEs
O tarifaço do presidente Donald Trump sobre as exportações brasileiras para os
Apoiar a internacionalização das pequenas e médias empresas via BNDES e Apex-Brasil.
EUA teve um impacto limitado — as vendas totais até cresceram, puxadas pela China —, mas a relação comercial com os americanos é o grande assunto do comércio exterior no Brasil. No entanto, não há muitas propostas sobre o tema nas campanhas dos dois candidatos que disputarão a Presidência no segundo turno, no próximo dia 25.
O debate gira em torno do tarifaço: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição pelo PT, bate na tecla da soberania e das medidas para mitigar os efeitos das sobretaxas sobre as exportações brasileiras; o senador fluminense Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, critica a política externa do atual governo e sugere maior alinhamento com Trump.
Como pano de fundo, há a baixa inserção da economia brasileira no comércio global, resultado de décadas de uma economia fechada —a substituição de importações já fez parte da política econômica nacional —e da resistência do empresariado industrial.
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PROTECIONISMO
Apesar do crescimento da corrente de comércio, a soma das exportações com as importações, no ano passado o Brasil estava em 24º na lista dos maiores exportadores do mundo, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Países com Produto Interno Bruto (PIB) menor do que o do Brasil estão à frente nas exportações, como Holanda, Coreia do Sul, Emirados Árabes, México, Vietnã e Polônia.
Para mudar esse quadro, o plano de governo do candidato do PL sugere “avançar em acordos que ampliem mercados” e “retomar o cronograma interrompido de adesão à OCDE” (a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, conhecida como “clube” dos países ricos). “A adesão à OCDE é mais do que um selo: ela exige convergência das nossas normas aos padrões internacionais, melhora a governança das empresas estatais, reduz a corrupção e integra o Brasil às melhores práticas globais”, diz um trecho do documento.
Outra proposta é “executar um plano nacional de integração às cadeias globais de valor”, que passa por “apoiar a internacionalização das pequenas e médias empresas via BNDES e Apex-Brasil”.
Procurada, a campanha do PL informou, em nota, que o senador “defende uma relação pragmática do comércio exterior, sem tratar nenhum parceiro comercial como adversário, como faz o atual governo que, ao longo dos últimos anos, colocou a ideologia acima dos interesses nacionais”.
Já o plano de governo para um eventual novo mandato de Lula reafirma, de um lado, a tradição favorável ao multi-
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A balança comercial
lateralismo do Itamaraty, e, de outro, a de defesa de mais relações diplomáticas com países do chamado Sul Global e de reformas em instituições como ONU e OMC.
Além de bilhões em crédito com juros subsidiados nas três edições do programa Brasil Soberano, o governo Lula recorreu à busca de novos mercados para enfrentar o tarifaço de Trump. A política comercial da Casa Branca ainda deu impulso à conclusão da assinatura do acordo comercial entre o Mercosule e a União Europeia (UE).
O Brasil Soberano, porém, tende a perder espaço em um eventual próximo mandato, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, escolhido como porta-voz para temas econômicos. Ele diz que as negociações continuarão:
—Minha perspectiva é otimista em relação a vencer essas barreiras. Acho que não vamos precisar de Brasil Soberano para o ano que vem.
Como o plano de governo do PL também fala em “avançar em acordos que ampliem mercados”, Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados e secretário de Comércio Exterior em governos anteriores do PT, não vê diferenças em relação a esse ponto, qualquer que seja o vencedor:
— Não vejo nenhum dos dois lados recuando nos acordos bilaterais. Há uma compreensão de que é muito positivo, tanto para a indústria quanto para o agronegócio.
O embaixador José Alfredo Graça Lima, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), lembra que as negociações com a UE foram retomadas e finalizadas na gestão de Jair Bolsonaro, ainda que os ajustes finais e a assinatura tenham ficado para o atual governo. Ele não vê, porém, uma política comercial mais arrojada, com maior abertura, em nenhuma das candidaturas:
— O acesso ao mercado nesses acordos é muito baixo, de modo que isso não altera as condições de concorrência no mercado brasileiro de maneira fundamental.
Mesmo após rodadas de abertura na década de 1990, a economia brasileira é tida como relativamente fechada ao comércio exterior — para alguns economistas, há excesso de protecionismo à indústria nacional. Graça Lima não espera mudança, qualquer que seja o próximo governo.
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RISCO AMBIENTAL
Por outro lado, há efeitos colaterais relacionados a possíveis mudanças de orientação em políticas correlatas. Na diplomacia, não está claro se um maior alinhamento com a Casa Branca acarretará mudanças no comércio exterior.
— A grande questão do alinhamento é o país se tornar refém, como aconteceu com a Argentina. Houve um alinhamento do (presidente Javier) Milei com Trump; isso acabou redundando em concessões comerciais unilaterais da Argentina — afirma Barral.
Ainda na diplomacia, te-me-se que uma maior interferência no Itamaraty prejudique a política externa, com afastamento de grande número de diplomatas de car-reira, o que levaria a uma “perda de memória institucional”, atrapalhando questões comerciais, segundo Barral.
No meio ambiente, um menor rigor na fiscalização e no combate ao desmatamento ilegal, especialmente na Amazônia, que pode ser esperado num governo do PL, resultaria em barreiras não tarifárias ao Brasil, afirma Lia Vals, pesquisadora do FGV Ibre:
FONTE: COMEXSTAT, DO MINISTÉRIO DE DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS (MDIC)
—Um retrocesso (ambiental) não atrapalharia o comércio com EUA e China, mas atrapalha com os europeus.
Para Barral, um governo negacionista sobre o clima “pode prejudicar não só o acesso a mercados, como é o caso da Europa, mas também a competitividade que o Brasil pode ter em energia renovável”.
Antes do primeiro turno, ao ser perguntado no Jornal Nacional se não acreditava em aquecimento global, Flávio Bolsonaro respondeu que há “eventos climáticos extremos” que não estariam diretamente ligados à ação humana.
ESTA É A SEGUNDA REPORTAGEM DE UMA SÉRIE SOBRE TEMAS ECONÔMICOS NAS ELEIÇÕES. A PRIMEIRA ABORDOU O FISCAL; AS PRÓXIMAS SERÃO PETRÓLEO E ENERGIA, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, PROGRAMAS SOCIAIS E EMPREGO, E AGRONEGÓCIO.
LULA
Política externa
Preservar o multilateralismo do Itamaraty, buscando mais relações com países do Sul Global e reforma nas instituições multilaterais.
Soberania
Oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros.
Indústria
Apoio à exportação industrial e em produtos de maior valor agregado, com crédito via BNDES.
Tarifaço
Enfrentar as
tarifas dos EUA
com conquista
de novos mer-
cados.
INFÂNCIA AMEAÇADA Deportação em massa de imigrantes deixa milhares de crianças vulneráveis nos EUA
JAMIE KELTER DAVIS/NEW YORK TIMES/30-1-2026
LETÍCIA MESSIAS
leticia.messias@oglobo.com.br
Sem adultos. Xochitl Soberanes (à direita) ajuda irmã mais nova a se vestir para a escola em Minneapolis: aos 16 anos, ela cuidou dos irmãos enquanto o páí esteve detido
FONTE: THE MARSHALL PROJECT
ORDENS DE DEPORTAÇÃO DE MENORES NOS EUA MAIS QUE DOBRAM SOB TRUMP
Números representam decisões judiciais e não significam deportações efetivamente realizadas; Organização responsável pelo levantamento, porém, acredita que total seja ainda maior
FONTE: ESCRITÓRIO EXECUTIVO DE REVISÃO DE IMIGRAÇÃO (EOIR), DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA DOS EUA E MOBILE PATHWAYS
“Esta noite, uma criança de 5 anos está traumatizada e aterrorizada”, disse o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, na última quinta-feira. Naquele dia, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) atiraram e feriram um homem enquanto ele estava em um carro com um menino de 5 anos, que se acredita ser seu filho, no banco traseiro. Mamdani afirmou ter passado duas horas ao telefone com o presidente Donald Trump tentando, sem sucesso, negociar a libertação do detido, identificado como Oscar Belgal, um imigrante dominicano de 28 anos. Em vez disso, agentes do ICE o colocaram em um veículo sem identificação e o levaram embora. O menino, que chorou assustado enquanto presenciava a cena, não ficou ferido e estava sob “cuidados de um familiar”.
O caso chamou a atenção para uma prática crescente no país: com pouca fiscalização pública, dezenas de milhares de crianças e adolescentes estão sendo separadas de seus pais, que são presos violentamente por agentes do ICE e deportados sem seus filhos. Como consequência da pressão desenfreada do governo por metas de deportação em massa, muitos ainda passaram a ser detidos sozinhos, enviados para lares temporários onde estão sujeitos à violência ou deportados sem companhia para suas nações de origem ou países terceiros.
Desde que Trump voltou à Casa Branca, quase 200 mil menores receberam ordens de remoção dos EUA emitidas por juízes de imigração, sendo a maior parte (70%) crianças com menos de 13 anos, segundo análise da Mobile Pathways. Ao mesmo tempo, estimativas da Brookings Institution apontam que, de janeiro de 2025 até abril deste ano, 205 mil menores tiveram pelo menos um dos pais detidos por autoridades migratórias. Em 35 mil casos, o menor ficou sem nenhum responsável.
—Considerando as detenções ocorridas desde então, as estimativas agora ultrapassariam 300 mil crianças que tiveram pelo menos um dos pais detido — disse ao GLOBO Maria Cancian, economista da Universidade Georgetown e coautora do estudo.
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'CAIXAS-PRETAS'
Em governos anteriores, a política do ICE determinava que todos os detidos que fossem pais deveriam ser reunidos com seus filhos antes da deportação, ou que os agentes deveriam obter a confirmação de que havia um cuidador designado para os menores. O governo
Trump, porém, revogou a medida em seu primeiro dia no poder, e o ICE tornou a política aplicável “quando operacionalmente viável”, o que deu aos agentes a margem de manobra necessária para ignorar orientações e priorizar deportações em massa.
Em janeiro, Orlin Hernandez Reyes, de 2 anos, foi deixado com o ex-companheiro de sua tia, conhecido por ser agressivo, quando o ICE deteve sua mãe. Ela implorou aos agentes para que a reunissem com Orlin antes de ser deportada para Honduras, mas isso não aconteceu. Pouco depois, o corpo do menino foi encontrado com ossos quebrados e sinais de abuso sexual, e seu cuidador foi acusado de homicídio, embora tenha se declarado inocente. Apesar do histórico, Toddy Lyons, então diretor do ICE, culpou a mãe de Orlin, afirmando que ela “escolheu deixar seu filho aqui com um assassino violento que tirou a vida dele”.
Também em janeiro, a imagem de agentes detendo Liam Conejo Ramos, de 5 anos, usando um gorro azul com orelhas de coelho e uma mochila do Homem-Aranha, provocou indignação no país. A atenção pública fez com que celebridades pedissem o fechamento do centro de Dilley, instalação no Texas para onde Ramos e muitos outros menores foram encaminhados. Diante da pressão, o governo começou a enviar menos crianças para o local, mas as detenções não pararam.
Até julho, o ICE deteve mais que o dobro de meno-
res em comparação com o mesmo período do ano passado. No segundo mandato de Trump, o ICE prendeu mais de 8,5 mil menores, sendo pelo menos 560 bebês e crianças pequenas. Muitas foram mantidas em locais onde advogados e familiares não conseguiam encontrá-las, como hotéis e salas de detenção em edifícios comerciais. Ao Guardian, Becky Wolozin, advogada do National Center for Youth Law, descreveu os lugares como “caixaspretas” onde as famílias desaparecem.
— Nós, que trabalhamos com a comunidade, estamos perturbados. Acompanhamos o sofrimento e a dor dessas famílias, em todos os níveis — disse ao GLOBO Heloísa Galvão, cofundadora e diretora executiva do Brazilian Women's Group, em Massachusetts. — Testemunhamos o medo, o pavor de sair de casa e ir a algum lugar que tenha muita gente. O pavor de ir à escola, ao hospital, à igreja. As crianças estão sendo caçadas.
Para analistas, embora a situação se assemelhe com a política de “tolerância zero” de Trump em seu primeiro mandato — quando crianças eram separadas de seus pais na fronteira —, o cenário atual é ainda pior. Agora, avaliam, não existe uma política explícita de separação familiar, o que torna mais difícil contestá-la na Justiça. Ao mesmo tempo, enquanto em 2018 funcionários públicos trabalharam dentro do governo para tentar impedir as separações, muitos dos servidores considerados pouco leais ao presidente foram demitidos nos primeiros meses de segundo mandato.
Em outra frente, o governo também atuou para cortar os recursos com os quais o Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR) financia uma rede nacional de organizações que há anos presta serviços jurídicos a menores migrantes desacompanhados. A medida foi barrada por uma juíza federal, mas meses depois o governo deixou de pagar, e, em julho deste ano, deixou vencer o contrato com a Acacia Center for Justice, que administrava cerca de 100 instituições. O governo chegou a condicionar os pagamentos à entrega de informações confidenciais sobre os representados pela rede, cerca de 20 mil crianças e adolescentes.
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MENOS ACOLHIMENTO
Historicamente, menores de-
sacompanhados são definidos
como crianças que chegam so-
zinhas à fronteira dos EUA,
sem pai, mãe ou responsável
legal. Enquanto adultos e fa-
mílias estão sujeitos à possibil-
idade de detenção pelo De-
partamento de Segurança In-
terna (DHS), menores deveri-
am ser transferidos para a custódia do ORR. A determina-
ção, prevista na Constituição,
reconhece que crianças que
estão sozinhas no país não de-
veriam depender, para seus
cuidados, da mesma agência
que tenta deportá-las.
Ainda assim, práticas de acolhimento vêm sendo en- fraquecidas há meses. Clientes que aguardavam o green card passaram a receber ordens de deportação em vez de mais tempo para a análise de seus casos e, em julho, segundo a organização Jewish Family and Community Services of Pittsburgh (JFCS), o mesmo começou a acontecer com crianças sobreviventes de tráfico de pessoas.
Sarah Hough, diretora de serviços jurídicos de imigração da JFCS, disse ao Guardian não fazer “ideia” do que os menores encontrarão quando forem deportados — ou para quem eles estão sendo enviados.
— Aquilo que uma sociedade tolera que aconteça com crianças, ela tolerará que aconteça com qualquer pessoa — concluiu Dana Gold, diretora de operações da JFCS.
AFP/MINISTÉRIO DE COMUNICAÇÃO DA ARÁBIA SAUDITA
JAAFAR ASHTIYEH/AFP/3-10-2026
Palestinos e israelenses se
unem contra violência de
colonos na Cisjordânia
Grupo religioso judaico Filhos de Abraão ajuda famílias vítimas de ataques a recuperar o acesso a terras e propriedades destruídas
Sem proteção. Agricultor palestino tenta conter incêndio causado por disparo de bomba de gás lacrimogêneo por soldados israelenses em área de colheita de azeitonas no vilarejo de Asira al-Qibliya: governo reconheceu 102 postos avançados de colonos
RENATO VASCONCELOS
renato.vasconcelos@oglobo.com.br
SÃO PAULO
A penas um mês após o começo da guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023, familiares de Mufeeda Ahmad Qabaja, mulher palestina de 60 anos, foram agressivamente abordados por colonos israelenses em suas terras nos arredores de Tarqumiyah, um vilarejo na Cisjordânia a pouco mais de 10km de Hebron — dando início a uma espiral de violência que resultou na depredação da propriedade, passada de pai para filho por gerações.
—Antes da guerra, nós cultivávamos de tudo lá. Plantávamos oliveiras, limoeiros, verduras... O que não consumíamos, vendíamos para comprar coisas para casa — disse Mu- feeda em entrevista ao GLO- BO. — Um ano depois do início da guerra, eles vieram e destruíram tudo. Derrubaram as 91 oliveiras que o meu marido plantou.
Ó caso de Mufeeda está inserido em uma campanha mais ampla de controle territorial da Cisjordânia, lançada por grupos de colonos extremistas ultrarreligiosos e nacionalistas, que apontam a ocupação da região como uma herança do povo judeu.
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'PRESENÇA PROTETIVA'
Enquanto o governo israelense, que inclui siglas de extrema direita, reconheceu 102 postos avançados dos colonos radicais em quatro anos, um grupo de judeus religiosos decidiu agir em sentido contrário, colaborando com os palestinos na defesa de suas terras.
—Como um judeu religioso, eu acredito que nós temos um compromisso de agir de forma moral e justa — disse Itamar Weil, estudante universitário e guia de turismo de 24 anos, que atua como um dos portavozes da organização Filhos de Abraão, que tem auxiliado famílias palestinas ameaçadas por violência. — A base para o meu ativismo, e de muitos na organização, é a constatação de que estarmos aqui significa que temos responsabilidade pelo que está sendo feito em nosso nome, em nome do nosso país e da nossa religião.
Weil entrou para o grupo há pouco mais de um ano, quando a Filhos de Abraão já realizava ações por meio de dezenas de ativistas. O grupo participa de atividades como acompanhar os palestinos até suas terras —que, em muitos casos, estão sendo isoladas por militantes radicais do movimento Juventude do Topo da Colina, acusados de homicídios e incêndios criminosos. Integrantes do grupo também participaram ativamente de tarefas centrais para as comunidades ajudadas, como auxiliar na colheita das oliveiras e na reconstrução de cercas e outras estruturas destruídas.
— Participamos de muitas atividades que se enquadram no conceito de presença protetiva. Nós os acompanhamos cientes de que dispomos de muito mais proteção legal do que eles, por razões que são conhecidas — disse o ativista, em referência à aplicação desigual da legislação civil a israelenses e da lei marcial aos palestinos na maior parte do território. — Se filmamos ou fotografamos as situações [de violência], a sociedade israelense se preocupa mais com o nosso bemestar, por isso o outro lado nos agride menos. Na verdade, eles têm mais receio de exercer violência contra nós.
O nível de violência empregado pelos grupos radicais — muitos deles sob embargos econômicos de países estrangeiros — é maior contra palestinos. Entre janeiro e agosto, a ONU documentou mais de 1,6 mil ataques de colonos israelenses que provocaram vítimas palestinas ou danos materiais na Cisjordânia. Até agosto, 76 palestinos haviam sido mortos no território por forças israelenses ou colonos. Nem por isso os ativistas escapam ilesos.
—Já fiquei algumas vezes cara a cara com um membro da Juventude do Topo das Colinas. É algo meio insano. São jovens, alguns basicamente adolescentes em fase de crescimento, que foram ensinados a acreditar que a violência é uma ferramenta necessária — diz Weil. —Eles xingam, ameaçam te bater e tentam te provocar ao máximo porque adorariam que reagíssemos com agressividade contra eles.
Em alguns casos, a situação escala até as vias de fato. Cinco ativistas do grupo ficaram feridos em meados de agosto quando foram atacados por ajudar uma família palestina no povado de Jannatah, perto da cidade de Belém, ao sul de Jerusalém. Os ativistas foram atacados com paus, pedras e gás de pimenta por jovens de um posto avançado que já foi fechado pelas autoridades mais de 60 vezes.
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SUPERANDO DESCONFIANÇA
O trabalho em conjunto exigiu de israelenses e palestinos a superação de desconfianças. Mufeeda conta que conheceu o trabalho da Filhos de Abraão por meio de uma página nas redes sociais, e os contatou para ajudar a retornar à propriedade da família em segurança.
Para ela, o contato não foi inusitado, pois há mais de uma década se envolve com iniciativas pela coexistência com os vizinhos judeus. Por outro lado, convencer os demais exigiu conversa:
— Eu liguei para eles, que se comprometeram avir uma semana depois. Não demorou tanto. Desta primeira vez, algumas pessoas ficaram com receio, mas quando eles virameles [osativistas] vindo uma vez após a outra para ajudá-los a chegar a suas terras e ver o que os colonos estavam fazendo delas, então tudo ficou bem — disse.
Weil, que participou de ações junto à família de Mu- feeda e afirma que a liderança da palestina é uma importante ferramenta na relação entre os dois povos, aponta que o cotidiano compartilhado pelos ativistas e a comunidade local, para além dos objetivos imediatos, cria a oportunidade de um espaço de cura para velhos ressentimentos.
— Acho que muitas pessoas estão cegas pelo ódio, pelo trauma e pelo luto. Eu mesmo perdi muitos amigos na guerra, no 7 de Outubro, mas também ao longo de todo o conflito. Conheço o significado do luto e do desejo, talvez, de vingança. E, ainda assim, sei que essa não é a solução — afirmou. — Acho que muitos israelenses não compreendem o significado do que está acontecendo aqui [na Cisjordânia]. Eles não entendem a dimensão da violência, a dimensão da injustiça flagrante. Vai levar tempo para curar as feridas e superar as animosidades, mas estamos aqui para começar a trabalhar. E, claro, se não for para melhorar as coisas, que seja pelo menos para evitar que o pior aconteça.
Houthis voltam a atacar Riad, e sauditas prometem resposta
Ofensiva eleva preço do petróleo e força fechamento de aeroporto até sábado
RIAD
Os Houthis, grupo rebelde do Iêmen aliado ao Irã como parte do “Eixo da Resistência”, voltaram a disparar mísseis e drones contra a Arábia Saudita ontem, após uma série de ataques que provocou 14 mortes e deixou mais de 300 feridos no fim de semana. O governo saudita emitiu alertas de emergência durante a noite orientando a população a permanecer em casa diante da “ameaça hostil” e suspendeu voos para a capital.
O recrudescimento dos ataques elevou o preço do barril de petróleo acima dos US\$ 106, enquanto autoridades sauditas prometeram responder de forma decisiva, e Teerã se apresentou como um possível mediador.
“A área está sob ameaça aérea hostil. Por favor, mantenham a calma e permaneçam em ambientes fechados ou em um local seguro, longe de janelas e portas", indicou um aviso distribuído via uma plataforma de alerta nacional.
O porta-voz militar houthi Yahya Saree afirmou que o grupo teria atingido com sucesso, usando um míssil balístico, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, e uma base militar em Khamis Mushait, no sul. Já o portavoz militar saudita, Turki al-Malaki, negou a informação e afirmou que sistemas de defesa aérea interceptaram e derrubaram os mísseis disparados do Iêmen.
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EXPLOSÃO EM TERMINAL
Sem a confirmação oficial de danos, o governo saudita emitiu um segundo comunicado, no qual informou que o “perigo para a cidade de Riad passou”. As autoridades têm aumentado o controle sobre a informação relacionada a eventuais danos provocados por ataques externos — a Embaixada dos EUA no país afirmou que cidadãos americanos foram presos por tirarem fotos, supostamente de locais atingidos.
Os Houthis realizam uma ofensiva contra o território saudita desde a semana passada. Ontem, imagens do bombardeio ao aeroporto Rei Khalid, no sábado, foram divulgadas, mostrando as cenas da explosão no terminal cheio de passageiros.
Sob novos ataques, a autoridade de aviação saudita fechou o aeroporto da capital até o próximo sábado. Empresas que operam voos para o país suspenderam temporariamente as operações. A Etihad, dos Emirados Árabes Unidos, anunciou o cancelamento de todos os voos com chegada ou partida de Riad até 19 de outubro por “perturbações regionais”. A Gulf Air, do Bahrein, também cancelou os voos até o fim de semana.
Alvo. Imagens do circuito de TV mostram aeroporto de Riad sendo atingido
Ontem, autoridades sauditas prometeram responder aos ataques com rigor, em um em momento que o país se prepara para sediar eventos internacionais importantes, entre eles a conferência Future Investment Initiative, principal vitrine para líderes estrangeiros e magnatas dos negócios.
— Os acontecimentos das últimas semanas são graves. A nossa resposta deve ser igualmente grave — disse o ministro de Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, em um fórum internacional de energia em Riad.
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MEDIAÇÃO DO IRÃ
O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o ataque houthi como “inaceitável” no sábado e prometeu analisar a possibilidade de Washington entrar no conflito. Ontem, os houthis prometeram “uma resposta rápida e dolorosa” caso a ameaça se confirmasse.
Em contrapartida, o Irã se ofereceu como mediador. Em uma ligação entre o chanceler Abbas Araghchi e seu homólogo saudita, Faisal bin Farhan, o representante iraniano disse que “insistir em uma abordagem militar” iria “complicar ainda mais a situação”.
HORMÔNIO EM DEBATE
Uma reportagem recente da BBC descreveu mulheres fingindo ser homens para conseguir gel de testosterona, na esperança de melhorar os sintomas da menopausa, devido à escassez de produtos de testosterona voltados para o público feminino. Mas por que o interesse por esse hormônio predominantemente masculino está explodindo? Há riscos envolvidos?
DANIEL KELLY
do The Conversation
A testosterona costuma ser vista como o hormônio masculino por excelência. Está associada à puberdade, ao desenvolvimento muscular e à função reprodutiva. No entanto, isso ignora uma importante realidade biológica: as mulheres também produzem testosterona, e ela desempenha papéis cruciais em todo o corpo.
Mulheres na menopausa recorrem à testosterona, mas ciência não dá garantias
Embora as concentrações sanguíneas sejam tipicamente cerca de dez a 15 vezes menores do que nos homens, a testosterona permanece biologicamente ativa nas mulheres.
As mulheres produzem testosterona nos ovários e nas glândulas suprarrenais, e o corpo também a fabrica transformando outros hormônios na gordura, na pele e nos músculos. Parte dessa testosterona é utilizada para produzir o estradiol, a principal forma de estrogênio em mulheres em idade reprodutiva.
Contudo, a testosterona não é apenas um reservatório de estrogênio. Ela também atua diretamente em tecidos de todo o corpo, incluindo ossos, músculos, coração, vasos sanguíneos e cérebro. Isso levou os pesquisadores a examinarem mais de perto como a testosterona pode afetar a saúde das mulheres.
Assim como nos homens, a testosterona diminui gradualmente ao longo da vida reprodutiva, embora os padrões variem entre os indivíduos. Essa queda começa muito antes da menopausa e, diferentemente do estrogênio, não despenca drasticamente na menopausa com o declínio dos ovários.
Medir o quanto ela diminui apresenta seus próprios desafios. Os níveis femininos são tão baixos que exames de sangue rotineiros historicamente têm dificuldades para medi-los de forma confiável, tornando difícil definir com precisão concentrações “normais”.
Uma meta-análise realizada em 2019 com 36 ensaios clínicos constatou que a testosterone em doses cuidadosas pode melhorar o desejo e a satisfação sexual em algumas mulheres na pós-menopausa. Diretrizes clínicas internacionais reconhecem a terapia com testosterone como um tratamento baseado em evidências para o TDSH, sendo a única condi-
Como a testosterona é conhecida por influenciar o desejo sexual, um de seus usos mais estudados em mulheres é para o transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) — a falta persistente de desejo sexual que causa sofrimento.
Então, por que um número crescente de mulheres se interessa pela terapia de testosterona após a menopausa?
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AS EVIDÊNCIAS
Sem oferta.
Ainda faltam
produtos com o
hormônio
específicos para
mulheres
A Austrália liderou o caminho com o Androfeme, um creme de testosterona registrado formalmente em 2020 especificamente para uso feminino. O Reino Unido concedeu autorização em julho de 2025, mas o produto ainda não está disponível rotineiramente.
O desejo sexual é moído por relacionamentos, estresse, fadiga e saúde mental tanto quanto por qualquer hormônio isolado. A testosterona é apenas um fator entre vários, e não um interruptor principal.
ção em mulheres para a qual existem evidências clínicas suficientes que justificam a recomendação da terapia.
Além do desejo sexual, evidências de ensaios clínicos em mulheres são escassas. Mas isso não significa necessariamente que a testosterone não exerça uma influência mais ampla sobre a saúde feminina.
Diretrizes internacionais reconheceram a falta de produtos adequados para mulheres e pediram o desenvolvimento de tratamentos com testosterona para elas. O tema agora vem recebendo atenção de órgãos reguladores. Em setembro de 2026, a agência reguladora americana, FDA, realizou um debate para examinar lacunas nas evidências e a necessidade de futuras pesquisas.
mente acompanha o estrogênio —e, às vezes, a progesterona. Algumas mulheres relatam que, mesmo após a otimização de sua terapia de reposição hormonal (TRH) convencional, ainda sentem que seus sintomas não foram totalmente resolvidos e que a adição de testosterone faz diferença.
A testosterona não substitui a terapia hormonal padrão para a menopausa. Quando é prescrita, geral-
Mulheres e médicos que utilizam a testosterona relatam melhorias que vão além da função sexual. Um estudo britânico recente com 510 mulheres na menopausa constatou que, após quatro meses de uso de gel de testosterone, elas relataram melhorias no humor, nos sintomas cognitivos e na libido. Essas descobertas são interessantes, mas não pro-
A alternativa tem sido recorrer ao gel masculino, medindo a olho nu cerca de um décimo de um sachê. Essa é uma maneira menos precisa de administrar um hormônio cuja dose terapêutica é extremamente pequena. Se a quantidade aplicada for excessiva, a testosterona pode ter efeitos colaterais, como acne e aumento de pelos faciais ou corporais.
Diretrizes clínicas internacionais reconhecem a terapia com testosterona como um tratamento baseado em evidências para o transtorno do desejo sexual hipoativo
nios sexuais produzidos pelos ovários, o estrogênio e a progesterona possuem produtos amplamente licenciados. A testosterona tem seguido um ritmo muito mais lento, com produtos específicos para o público feminino ainda limitados em muitos países, apesar das evidências de que pode ser usada com segurança quando administrada em doses projetadas para manter os níveis dentro da faixa fisiológica feminina.
Se a quantidade for excessiva, a testosterona pode ultrapassar a faixa desejada, aumentando a probabilidade de efeitos colaterais, como acne e aumento de pelos faciais ou corporais
vam que o tratamento com testosterona causou tais mudanças diretamente.
Evidências do mundo real não devem substituir ensaios randomizados, mas a ausência de grandes estudos também não significa que essas observações devam ser simplesmente descartadas. Em vez disso, podem ajudar a identificar efeitos que valem a pena ser estudados.
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MERCADO
Produtos fabricados especificamente para mulheres têm demorado muito a chegar ao mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, ainda não há nenhum produto de testosterona aprovado para mulheres.
Dos três principais hormô-
Mais importante ainda, as evidências sobre a segurança a longo prazo da testosterona em mulheres continuam limitadas, particularmente no que diz respeito a doenças cardíacas, AVC e câncer de mama.
A demanda continua a subir apesar dessas incertezas. As prescrições para mulheres na Inglaterra aumentaram cerca de dez vezes entre 2015 e 2022, e nos EUA a prescrição quase triplicou na última década. A necessidade de produtos de testosterona licenciados e específicos para mulheres não pode ser ignorada, não apenas para melhorar o acesso, mas para permitir que seja estudada com rigor científico.
\*Daniel Kelly é professor Sênior de Bioquímica da Universidade de Sheffield Hallam
\*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons.
Número de casos de demência deverá mais que dobrar até 2050
Novo estudo global revela que mulheres e habitantes de países de baixa e média renda são mais afetados pela condição
Uma pesquisa internacional produziu algumas das estimativas mais abrangentes e comparáveis de novos casos de demência em todo o mundo, revelando que cerca de 11,4 milhões de pessoas desenvolveram demência em 2023 — um número que deverá subir para 24,7 milhões por ano até 2050. O estudo, publicado recentemente na revista científica JAMA Neurology, fornece um novo parâmetro global para entender com que frequência novos casos de demência ocorrem em diferentes populações.
A nova pesquisa se concentra especificamente na incidência — a taxa na qual as pessoas desenvolvem demência ou o número de novos casos por ano — em vez da prevalência, que mede o número total de pessoas que vivem com a doença em um determinado momento. Compreender esse dado é fundamental paragovernose sistemas de saúde, pois ajuda a antecipar a demanda futura por diagnósticos, atendimento clínico e serviços de apoio, além de indicar onde os esforços de prevenção podem ter o maior impacto.
Aumento expressivo. O número de novos casos de demência por ano no mundo deve passar de 11,4 milhões em 2023 para 24,7 milhões até 2050
“Vinte e quatro milhões de novos casos de demência por ano exerceriam uma enorme pressão sobre indivíduos, famílias, sistemas de saúde e economias em todo o mundo.”, diz Henry Brodaty, coautor e codiretor do Centro para o Envelhecimento Cerebral Saudável (CHeBA) da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW Sydney), em comunicado. “O envelhecimento da população significa que não podemos simplesmente esperar que as pessoas desenvolvam demência para então reagir. Precisamos agir em todas as frentes — desde a redução dos fatores de risco modificáveis e a identificação precoce de pessoas em risco até a melhoria do diagnóstico, tratamento e cuidados.”
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores liderados pelo CHeBA da UNSW Sydney, por meio do Consórcio Internacional de Estudos de Coorte sobre Memória (COSMIC), analisaram dados de 38.418 pessoas em 22 estudos populacionais abrangendo 18 países e territórios em seis continentes. Os resultados mostraram que a incidência de demência é maior entre as mulheres do que entre os homens e substancialmente maior em países de baixa e média renda do que em países de alta renda.
Por exemplo, a taxa de incidência global padronizada por idade e sexo foi de 9,7 novos casos por mil pessoas-ano. Após ajuste para a idade, a incidência foi maior entre as mulheres, com 10,6 casos por mil pessoas-ano, em comparação com 8,6 entre os homens.
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DESIGUALDADE GLOBAL
A diferença entre os países por nível de renda foi ainda maior. A incidência padronizada foi de 13,6 casos por mil pessoas-ano em países de baixa e média renda, em comparação com 8,3 em países de alta renda.
O autor principal e codiretor do CHeBA, Perminder Sachdev, afirmou que a maior incidência identificada em países de baixa e média renda é particularmente importante, visto que é onde se espera que ocorra grande parte do crescimento futuro da demência.
"A maior incidência que observamos em países de baixa e média renda é particularmente preocupante, pois essas regiões estão passando por um rápido envelhecimento populacional, ao mesmo tempo que frequentemente dispõem de menos recursos para prevenção, diagnóstico e tratamento.", explica o pesquisador. "Nosso resultados destacam a necessidade urgente de fortalecer a redução do risco de demência e a capacidade de atendimento de saúde em nível global, investindo também em melhores dados locais para que os serviços possam ser planejados de acordo com as necessidades de cada país."
Atualmente, a demência afeta mais de 57 milhões de pessoas em todo o mundo, e pesquisas anteriores projetam que a prevalência chegará a aproximadamente 150 milhões até 2050. O Alzheimer, é a forma mais comum da condição neurodegenerativa.
No entanto, muito do que se sabe sobre demência provém historicamente de países de alta renda, apesar de se esperar que alguns dos maiores aumentos futuros ocorram em contextos de poucos recursos.
A autora principal, Ashleigh Vella, pesquisadora de pós-doutorado no CHeBA, afirmou que as descobertas fornecem um novo e importante parâmetro para a compreensão do cenário global em constante mudança da demência.
"Pela primeira vez, podemos comparar a incidência de demência em um grupo geograficamente diverso de populações usando a mesma abordagem estatística, o que nos dá uma visão mais clara de onde e entre quem estão ocorrendo os novos casos", diz. "O que chama a atenção é que a incidência de demência não é distribuída uniformemente. Observamos taxas mais altas entre mulheres e em países de baixa e média renda. Compreender essas diferenças é fundamental para desenvolvermos estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento da demência que atendam às populações com maior risco futuro."
Historicamente, comparações internacionais confiáveis sobre a incidência de demência têm sido difíceis. O estudo buscou superar essas limitações por meio do COSMIC, um consórcio internacional que combina dados de estudos longitudinais sobre envelhecimento e memória em todo o mundo.
Os pesquisadores alertam que o estudo não estabelece por que a incidência de demência foi maior entre as mulheres ou em países de baixa e média renda. As diferenças podem refletir uma combinação complexa de fatores de saúde, sociais, econômicos, educacionais e ambientais, e serão necessárias mais pesquisas para entender o que as está impulsionando.
Como funciona o fenômeno do mentiroso patológico
A mitomania ocorre quando a fabricação de histórias se torna persistente
ANTONIO EGÍDIO NARDI
Do The Conversation
Mentir é um comportamento humano universal. A mentira pode proteger a intimidade, evitar conflitos, preservar vínculos ou produzir vantagens sociais.
Existe, entretanto, uma diferença importante. E vale esclarecer a diferença entre mentira ocasional e a mentira patológica. Esta é aquela tradicionalmente denominada pseudologia fantástica ou mitomania.
Nessa condição, a fabricação de histórias torna-se persistente, desproporcional e, por vezes, aparentemente compulsiva. Essa condição passa a constituir uma característica marcante do funcionamento interpessoal do indivíduo.
Descrita na literatura psiquiátrica há mais de um século, a pseudologia fantástica permanece uma entidade controversa. Não constitui, atualmente, um diagnóstico independente nos principais sistemas classificatórios.
Ainda assim, estudos contemporâneos sugerem que a mentira patológica pode produzir sofrimento e prejuízos sociais e ocupacionais suficientemente significativos.
As histórias do mitômano frequentemente contêm uma combinação peculiar de realidade e fantasia. Não são necessariamente impossíveis. Ao contrário, podem nascer de acontecimentos verdadeiros progressivamente modificados, ornamentados e ampliados.
Um aspecto importante é que isso difere do delírio porque diante de evidências inequívocas, a pessoa reconhece que determinados fatos narrados não ocorreram.
Motivação. Autovalorização e busca de atenção estão entre os fatores
Uma revisão sistemática recente reforça a heterogeneidade do fenômeno. Entre os casos publicados, aparecem frequentemente motivações relacionadas à autovalorização e à busca de atenção, além de associações com diferentes transtornos psiquiátricos.
Isso torna inadequado considerar todo mentiroso patológico como portador de um determinado transtorno de personalidade.
A mitomania parece ser melhor compreendida como um fenômeno psicopatológico que pode surgir em diferentes organizações de personalidade e contextos clínicos.
O que acontece com as pessoas que convivem durante anos com alguém que mente sistematicamente?
O círculo social pode aprender a selecionar quais informações precisam ser verificadas e quais podem ser toleradas ou ignoradas.
Surge, assim, um paradoxo fascinante já que a mentira pode continuar existindo mesmo depois de perder parte de sua capacidade de enganar.
\*Antonio Egídio Nardi é presidente da Academia Nacional de Medicina, professor titular da Faculdade de Medicina da UFRJ e Cientista do Nosso Estado da Faperj, UFRJ.
\*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons.
longevidade
O luxo de ter tempo: uma agenda lotada nem sempre significa uma vida plena
Reservar espaço para atividades sem finalidade produtiva pode ser um contraponto a uma rotina cada vez mais pautada pela ideia de eficiência
Desde que entrou na vida adulta, Ana Contti se acostumou a medir os dias pela quantidade de compromissos. Reuniões, projetos, prazos, problemas para resolver. Em casa, duas filhas pré-adolescentes e um pai idoso também precisavam dela. Para si, nunca sobrava tempo.
Trinta anos depois, a conta mudou.
— Tomei um susto quando percebi que tinha menos tempo pela frente do que o tempo que já tinha vivido — conta a influenciadora.
A constatação trouxe à tona uma reflexão: será que ela estava usando o tempo com o que realmente fazia sentido ou apenas vivendo ocupada?
Aresposta levou a uma mudança radical. Ana deixou a carreira executiva, começou uma reinvenção profissional e, principalmente, aprendeu a dizer “não”.
Depois de décadas associando uma agenda cheia a eficiência e importância, no entanto, o vazio incomodava.
— Sentia culpa. Era como se não merecesse aquele tempo, parecia que estava sempre devendo alguma coisa.
Só então entendeu que precisava parar de medir seu valor pela quantidade de coisas que conseguia fazer.
— Cumprir tarefas e sentir satisfação são experiências diferentes. A primeira está ligada a metas, compromissos e responsabilidades. A segunda inclui sentido, prazer, vínculos, autonomia e descanso — aponta a neuropsicóloga Priscila Gasparini Fernandes.
Segundo ela, é possível passar o dia resolvendo demandas e chegar à noite com a sensação de que não fez nada. Simplesmente porque faltou justamente aquilo que importa:
— O excesso de compromissos cobra um preço da atenção. Alternar o dia inteiro entre mensagens, reuniões, notificações e tarefas exige que o cérebro interrompa e reconstrua o foco repetidas vezes.
Accumuladas, essas pequenas trocas podem aumentar a dispersão e a exaustão mental. Sem intervalos, não é raro chegar ao fim do dia com o corpo parado e a cabeça ainda funcionando em ritmo de urgência.
— É nos momentos de menor exigência que o cérebro consegue organizar experiências, processar emoções e abrir espaço para pensamentos espontâneos — diz Priscila.
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QUANDO ATÉ O LAZER VIRA TAREFA
A dificuldade é enxergar o descanso como parte da vida, e não como uma recompensa por tudo o que foi cumprido.
— Estar sempre ocupado virou uma espécie de sinal de valor pessoal. Quanto mais cheia a agenda, mais necessária, produtiva ou bem-sucedida a pessoa se sente.
O problema é que a lista de tarefas raramente termina. Sempre existe uma mensagem para responder, uma pendência ou algo que poderia ser adiantado.
— Se não prestarmos atenção, até o lazer pode entrar na lógica da produtividade.
A corrida ganha metas de distância e tempo; a leitura, um número de livros por ano; um hobby rapidamente vira projeto.
Com o tempo que Ana ganhou, vieram a meditação, as atividades ao ar livre, as viagens, a convivência com a família e momentos aparentemente banais, como tomar um café com calma.
Foi nesse espaço que começou também a produzir conteúdo e construiu uma comunidade de mulheres na internet.
— Hoje, gosto de ter períodos sem função produtiva definida. Às vezes quero simplesmente estar em casa, pensar em alguma ideia ou não fazer absolutamente nada.
Na perspectiva da longe-
vidade, preservar esses
espaços ganha outra impor-
tância. Relações sociais
mobilizam atenção, memó-
ria, linguagem, interpreta-
ção de emoções e flexibili-
dade de pensamento.
— Ter interesses próprios também mantém diferentes capacidades em uso. Aprender algo, praticar atividade física, cozinhar, estudar, tocar um instrumento ou dançar são formas de continuar exercitando o cérebro e ajudam a construir reserva cognitiva — explica Priscila.
Não se trata, portanto, de esvaziar a agenda. Uma rotina intensa pode ser saudável e satisfatória. A diferença está em quanto desse tempo é ocupado apenas por demandas externas e quanto ainda guarda espaço para escolhas, relações e interesses pessoais.
Hoje, em vez de pensar se consegue encaixar determinado compromisso em seu dia, Ana pensa se elevale seu tempo. Com isso, descobriu uma coisa que mudou sua relação com a própria rotina:
— Cabe muito mais de mim na minha própria vida — diz.
E, para ela, descobrir isso também significou perceber que nem todo tempo precisa ser preenchido.
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Como abrir espaço na rotina
\- Revise os compromissos
Pergunte-se quais atividades são realmente importantes e quais podem ser adiadas, delegadas ou eliminadas.
\- Reserve tempo sem agenda
Deixe alguns períodos livres, sem definir antecipadamente como serão usados.
\- Não transforme todo hobby em meta
Leia, caminhe, cozinhe ou pratique uma atividade pelo prazer, sem necessariamente estabelecer resultados a alcançar.
\- Faça uma coisa de cada vez
Reduzir a alternância constante entre tarefas ajuda a preservar a atenção e diminui a sensação de urgência.
\- Reaprenda
a descansar
O descanso não precisa ser uma recompensa depois de tudo cumprido. Ele também pode ocupar um lugar próprio na rotina.
\- Pergunte se vale seu tempo
Antes de aceitar um novo compromisso, considere não apenas se ele cabe na agenda, mas se faz sentido para você.
“É nos momentos de menor exigência que o cérebro consegue organizar experiências, processar emoções e abrir espaço para pensamentos espontâneos”
Priscila Gasparini Fernandes, neuropsicóloga
CONTEÚDO PATROCINADO PRODUZIDO POR
RECEITA DE MÉDICO
Giovanni Cerri
Presidente da Comissão de Inovação e do Conselho Diretor do Instituto de Radiologia do HC-FMUSP
Investir em imagem médica
Durante muito tempo, exames de imagem foram vistos principalmente como recursos de apoio ao diagnóstico. Essa percepção precisa mudar. Tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia, medicina nuclear e radiologia intervencionista passaram a ocupar posição central em praticamente todas as etapas do cuidado, da detecção precoce de doenças ao acompanhamento do tratamento.
Esse reconhecimento ganhou dimensão internacional em maio de 2025, quando a
Assembleia Mundial da Saúde aprovou a Resolução WHA 78.13, que considera a imagem médica um componente essencial da cobertura universal de saúde. O desafio agora é transformar esse reconhecimento em capacidade real de atendimento.
Em artigo recente na revista Radiology, discutimos os caminhos necessários para isso. Ampliar o acesso à imagem não significa simplesmente comprar mais equipamentos. É preciso integrar infraestrutura, profissionais qualificados, financiamento sustentável, conectividade, qualidade assistencial e novas tecnologias.
Há também uma dimensão econômica importante. Estudo da Comissão de Imagem Médica e Medicina Nuclear da Lancet Oncology, citado no artigo, estimou que ampliar o tratamento e a qualidade da assistência de 11 tipos comuns de câncer poderia evitar 5,4 milhões de mortes em dez anos e gerar retorno de US\$ 6,15 por dólar investido. Com maior capacidade de imagem, a estimativa sobe para 9,55 milhões de mortes evitadas e retorno de US\$ 12,43 por dólar.
Os dados reforçam que imagem, quando integrada à rede, não é apenas despesa: favorece diagnóstico precoce, tratamentos mais precisos e maior eficiência.
No Brasil, alguns movimentos apontam nessa direção. No PERSUS II, integrado ao Novo PAC, está prevista a disponibilização de 80 aceleradores lineares, com foco na redução de filas e desigualdades regionais.
Em julho, o Ministério da Saúde ampliou os mecanismos do programa Agora Tem Especialistas para permitir a oferta ao SUS de exames de imagem realizados por instituições privadas e filantrópicas. Também está em
Imagem, quando integrada à rede favorece diagnóstico precoce, tratamentos mais precisos e maior eficiência
discussão um Plano de Investimentos em Equipamentos Médicos para o SUS de 2026 a 2031.
Essas iniciativas são relevantes porque o desafio brasileiro não se resolve apenas com máquinas. Um equipamento sofisticado instalado em uma re-
gião sem profissionais capacitados, manutenção adequada ou conexão com especialistas dificilmente entregará todo o benefício esperado. Centros especializados concentrados nas grandes cidades também não resolvem as desigualdades de um país continental.
É nesse ponto que conectividade e inteligência artificial ganham importância estratégica. Uma rede conectada permite compartirhar exames realizados longe dos grandes centros com especialistas. Ferramentas de IA podem auxiliar na organização de fluxos, priorização de exames e apoio à interpretação. O objetivo não é substituir profissionais, mas ampliar seu alcance onde a força de trabalho especializada ainda é insuficiente.
Uma política moderna de imagem médica precisa combinar equipamentos adequados às necessidades de cada região, profissionais treinados, manutenção, conectividade, inteligência artificial, qualidade e financiamento sustentável. Também é necessário decidir onde investir primeiro. Nem sempre a tecnologia mais sofisticada é a que produz maior impacto populacional. Ultrassonografia, radiografia, tomografia e mamografia, por exemplo, podem ampliar o diagnóstico quando incorporadas estrategicamente às redes de saúde.
O Brasil tem um sistema universal de saúde, hospitais de excelência, produção científica e capacidade de inovação, mas ainda convive com diferenças significativas no acesso entre regiões. Mais do que aumentar o número de equipamentos, precisamos construir uma rede capaz de fazer a tecnologia chegar ao paciente certo, no lugar certo e no momento certo.
Comunicação pode ser a chave para vitória do time
Adolescentes esportistas precisam desenvolver capacidade de ouvir os técnicos e dialogar com a equipe
MARIANA ROSÁRIO
mariana.rosario@sp.oglobo.com.br
Uma das chaves para o bom funcionamento do time e para mandar bem nas competições, explica a psicóloga Aline Wolff do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), está na habilidade de comunicar bem. Um tema que nem sempre é fácil, especialmente para jovens.
—Para um time funcionar bem, é importante que o ambiente seja seguro, e as pessoas possam tirar suas dúvidas, discordar e apresentar outras ideias. Economizar nisso ou deixar as coisas encobertas, indiretamente respondidas, pode trazer mais problemas do que solução — diz ela. — O esporte é um laboratório da experiência humana. O atleta precisa aprender a falar sobre o que para ele é importante, sobre o que ele está sentindo e o que avalia que é necessário corrigir. Isso é algo que precisa ser facilitado pelo ambiente, pelas lideranças, e tero apoio para que a pessoa vá consolidando essas habilidades.
A ideia de que a comunicação é uma das chaves para o bom desempenho esportivo é reforçada por uma pesquisa com 241 praticantes de curling da liga turca do esporte, que é disputado na pista de gelo, entre 2021 e 2022. Na pesquisa, os participantes responderam questionários sobre a relação da equipe, além de aspectos como empatia, comunicação e relação com o grupo. Os pesquisadores da Universidade Técnica de Ezrum, e de outras instituições, chegaram à conclusão que a boa comunicação dos esportistas era um atalho para empatia entre o grupo e uma ferramenta para permitir o bom relacionamento entre os atletas.
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CONVIVÊNCIA MELHOR
Angélica Kvieczynski é ex-
atleta do time brasileiro de
ginástica rítmica e conta
que falar sobre as experiênc-
ias pessoais, por exemplo,
é uma forma de plantar a
“sementinha” da comunica-
ção entre os times. Hoje, ela
é treinadora da modalidade
na Irlanda e vê que num
mesmo time, por exemplo,
as atletas um pouco mais ve-
lhas podem oferecer suporte e conversas quando há pe-
quenos conflitos entre as
mais jovens.
— A adolescência é muito delicada, há mudanças hormonais e do corpo, somadas à necessidade de se encaixar. Tudo isso pode levar a atritos — conta. — A necessidade de conversar não deve ser imposta, isso pode levar a mais distanciamento do grupo e também a desentendimentos internos. Mas se elas se sentem num ambiente seguro, também terão mais abertura. Quando os
Aprendizado. É
preciso saber
ouvir e saber
como falar
atletas aceitam se colocar no lugar do outro, a comunicação e a convivência melhoram muito.
Já a campeã mundial de Jiu-Jítsu Carina Santi, à frente da escola a Almeida JJ Woman and Kids, em São Paulo, diz que rodas de conversa, mesmo que de cinco minutos ajudam muito. E que modelos alternativos, com menos pessoastrocando ideias ao mesmo tempo, podem incluir quem é mais tímido e prefere falar mais reservadamente.
—O tímido participa muito quando começa em grupo pequeno, de dois ou três, e quando ninguém força. Já o mais sentimental precisa saber que sentir não é fraqueza, e no tatame isso se ensina de forma natural: quem chora numa luta perdida e volta no outro treino é muito forte — conta. — O mais quieto da sala muitas vezes é quem mais precisa ser ouvido. Não dá pra deixar a voz alta ser a única.
Especialistas indicam como fundamental para estabelecer uma boa comunicação em quadra, no campo, no tatame ou nas pistas a escuta, entender quais as necessidades do grupo, e saber criticar a prática quando necessário — e não a pessoa que está praticando.
— O primeiro ponto é entender que cada jogador recebe e interpreta uma mensagem de uma maneira diferente. Por isso, é importante que o líder conheça as características individuais de cada atleta e saiba qual é a melhor forma de transmitir um feedback — diz o educador físico e personal trainer Rafael Akira. — Quando o atleta entende o propósito daquela orientação, a mensagem fica mais clara e ele
consegue compreender
melhor o que precisa fazer
para contribuir.
Há estratégias para, inclusive, tornar as críticas mais fáceis de assimilar:
— Falar sobre falhas e pontos que precisam de melhora é sempre difícil, porque gera desconforto. Não dá para não falar, mas é importante estruturar uma comunicação que deixe claro que aquilo não é uma crítica pela crítica. Escolha bem as palavras. É uma crítica, sim. Mas é uma crítica ao que a pessoa fez, e não a quem ela é — comenta Aline Wolff, que diz que lembrar de erros anteriores já solucionados pode ser uma boa tática de motivação.
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FUTURO
A habilidade de se expressar propriamente e liderar times, aspectos bem comuns no esporte, podem ser trunfos no futuro dos adolescentes, quando chegar a hora de entrar no mercado de trabalho. Seja qual for a área de atuação. Isso quem explica é Fábio Salomon, sócio-diretor da Brava Executive Search, além de diretor de RH voluntário da União Brasileiro Israelita do Bem Estar Social (Unibes).
—A tal da inteligência artificial coloca o fator humano em evidência — opina. — A liderança hoje no mercado, em primeiro lugar, se revela na capacidade de tomar decisões, resolver problemas. Tudo isso não apesar das pessoas, mas com as pessoas. A escuta ativa, habilidade (necessária do esporte) é outro aspecto amplamente demandado pelo mercado. Assim como a cooperação.
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NA SELVA DE PEDRA
Cinco dos dez bairros brasileiros com mais gente morando em apartamentos são cariocas
JULIA FERNANDES\*
julia.fernandes@oglobo.com.br
“O Rio de Janeiro tem certa concentração em áreas muito específicas. Não é uma área tão espalhada pelo interesse do mercado imobiliário como a gente pode imaginar em São Paulo”
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Rafael Gonçalves, historiador
“O meu marido usa o ônibus do condomínio para ir e voltar do trabalho, eu usei bastante quando trabalhava na Uerj, e hoje o meu filho usa para ir e voltar da escola. Mobilidade não é um problema”
Vanessa Moreira, designer, trocou a Tijuca pela Barra em 2011
O Rio no topo do ranking
Cinco dos dez bairros brasileiros com mais moradores em apartamentos ficam no Rio de Janeiro. A informação integra um levantamento do perfil Urbanófilo, feito com base em dados do Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, 2,22 milhões de pessoas vivem nesse tipo de habitação na capital fluminense, onde a campeã na categoria é a Barra da Tijuca.
A líder no ranking municipal tem 131.766 moradores em apartamentos. Em todo o país, só fica atrás do Plano Piloto, em Brasília, dono da maior população nacional nesse quesito: 173.262. No Rio, é seguida por Copacabana, na Zona Sul (112.868 pessoas); Tijuca, na Zona Norte (109.556); Recreio dos Bandeirantes (108.830) e Jacarepaguá (103.316), ambos também na Zona Sudoeste.
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NINGUÉM EM GRUMARI
rez, gerente de planejamento do Censo Demográfico do IBGE, os moradores de apartamentos representam 36% da população do Rio. Em 2022, a cidade era a quinta entre as capitais brasileiras com maior proporção de habitantes vivendo nesse tipo de moradia, atrás de Vitória, Porto Alegre, Florianópolis e João Pessoa.
Quando o recorte é por número de unidades, porém, a ordem muda. Copacabana tem 57.650 apartamentos, contra os 55.995 da Barra da Tijuca. Em média, enquanto cada unidade da Barra abriga 2,35 moradores, em Copacabana o valor é de 1,96. O estudo traz outras curiosidades: Grumari e Gericinó não registram moradores em apartamentos. Já o João tem apenas oito residentes nessa modalidade; a Cidade Universitária, 47, e Barra de Guaratiba, 124.
De acordo com Bruno Pe-
A concentração de moradores em apartamentos em determinados bairros, contudo, reflete um processo de urbanização desigual. Para o historiador Rafael Soares Gonçalves, professor da PUC-Rio, essa distribuição está ligada à trajetória do
—Em 2010, 32,6% da população do Rio de Janeiro residia em apartamentos. Portanto, em 12 anos, houve uma elevação de 3,4 pontos percentuais. Esse crescimento, no entanto, foi menor do que o registrado nas demais capitais das regiões Sul e Sudeste. Ou seja, nessas capitais, a proporção da população vivendo em apartamentos subiu mais rapidamente do que no Rio de Janeiro —afirma Perez.
O analista destaca que os apartamentos costumam ser ocupados por menos pessoas do que as casas. No Rio, as casas habitadas tinham, em 2022, uma média de 2,7 moradores, enquanto os apartamentos registravam 2,3. Para Perez, a expansão desse tipo de moradia acompanha mudanças demográficas, como a redução da fecundidade e o crescimento dos domicílios unipessoais e daqueles formados por casais sem filhos.
mercado imobiliário carioca, que se concentrou em áreas estratégicas pela localização, pela oferta de serviços e pelo potencial de valorização.
—O Rio de Janeiro tem certa concentração em áreas muito específicas. Não é uma área tão espalhada pelo interesse do mercado imobiliário como a gente pode imaginar em São Paulo —avalia.
A expansão em direção à Barra marcou uma nova etapa do processo de verticalização. A partir da década de 1970, o projeto urbanístico elaborado por Lúcio Costa ajudou a estabelecer um padrão de ocupação diferente daquele dos bairros mais antigos, com empreendimentos de maior porte e áreas internas destinadas aos moradores. O Recreio dos Bandeirantes seguiu caminho semelhante.
Vanessa Moreira, de 48 anos, trocou a Tijuca pela Barra em 2011, quando decidiu morar com o atual companheiro. Inicialmente, o casal procurava um apartamento perto do metrô, mas os preços e as metragens disponíveis fizeram com que a busca fosse ampliada. Na época, ela trabalhava na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e passava boa parte do dia no deslocamento entre casa e trabalho. A oferta de transporte para os moradores do condomínio acabou pesando na decisão de se mudar para a Barra.
—O meu marido usa o ônibus do condomínio para ir e voltar do trabalho, eu usei bastante quando trabalhava na Uerj, e hoje o meu filho usa para ir e voltar da escola. Mobilidade não é um problema —diz a designer.
Com o passar dos anos, outros aspectos da vida no condomínio ganharam importância. A segurança, que não estava entre suas principais preocupações, passou a pesar mais depois do nascimento do filho, em 2015. Os espaços de lazer e a estrutura oferecida pelo empreendimento também contribuem para que ela permaneça no bairro.
RELAÇÕES DE CONVIVÊNCIA
Para Rafael Gonçalves, a concentração de áreas de lazer e serviços dentro dos condomínios transforma as relações de convivência. Embora ofereça comodidade, esse modelo pode reduzir a necessidade de frequentar espaços públicos e de estabelecer relações com pessoas de fora. Sydnei Menezes, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ), aponta outra questão: a especulação imobiliária contribuiu para uma expansão que ultrapassou as previsões iniciais, com edifícios de grande porte e alta concentração de moradores.
— A Barra era um bairro planejado, mas, por conta da especulação imobiliária acelerada, o resultado acabou sendo o que é hoje: crescimento desordenado, além da previsão inicial, com prédios enormes e muitos moradores — explica.
Para Menezes, o desafio é fazer com que a verticalização seja acompanhada pela ampliação da infraestrutura pública. O “milagre” da multiplicação dos edifícios, além de transformar a paisagem urbana, exige planejamento para garantir condições adequadas de vida aos moradores.
\*Estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga
Vista assim do alto. A Barra da Tijuca é o segundo bairro do Brasil com mais moradores vivendo em apartamentos: nesse ranking nacional, só perde para o Plano Piloto, em Brasília
Cristo Redentor festeja 95 anos com missa e mostra
Ato religioso, celebrado pelo arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, homenageou ainda Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Comemorações marcaram a contagem regressiva para centenário do monumento, em 2031
MADSON GAMA
madson.gama@oglobo.com.br
Uma segunda-feira atípica e solene, o 12 de outubro já seria grandioso se marcasse tão somente os dias de Nossa Senhora Aparecida e das Crianças. Mas foi além. Simbolizou ainda os 95 anos de um dos monumentos mais icônicos do Brasil, o Cristo Redentor, comemorados ontem a partir do início da manhã.
Uma missa celebrada pelo arcebispo do Rio, o cardeal Orani João Tempesta, no Centro de Visitantes Paineiras, no Morro do Corcovado, homenageou o aniversariante e prestou honras à padroeira do Brasil, que consagra a capela existente aos pés da estátua. Antes, também nas Paineiras, foi inaugurada a “Mostra Cristo Redentor – Rumo aos 100 Anos”, que conta a história do monumento, reconhecido como patrimônio pelo Iphan e pela Unesco, e considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno desde 2007.
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TROCA DE MANTO
A missa em ação de graças pelos 95 anos do Cristo Redentor iniciou-se com a troca do manto da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em sinal de devoção do povo carioca à santa, explicou dom Orani:
— Nós temos, hoje (ontem), o dia de Nossa Senhora Aparecida, e recordamos com muito carinho que, em 1717, essa imagem foi achada e pescada no Rio Paraíba. Ela tem uma relação com o Rio, porque a imagem histórica veio para a cidade, onde foi declarada padroeira do Brasil. E quis o cardeal Dom Sebastião Leme que o Cristo Redentor fosse inaugurado neste mesmo dia, há 95 anos.
O cardeal destacou que as celebrações marcam uma nova etapa do Cristo: a contagem regressiva para seu centenário, a ser festejado em 2031. Os próximos cinco anos serão de preparação para a grande data.
— O Cristo tem uma missão: está de braços abertos para acolher todos que vêm ao Rio de Janeiro. Faço um chamado para acolhermos uns aos outros. De outro lado, que Maria interceda por todos nós, para sermos uma nação onde a justiça, a paz e a prosperidade aconteçam —destacou Orani, antes de comentar o cenário de polarização política: — Que cada um exerça o direito ao voto com responsabilidade, sabendo das consequências de suas escolhas. Desejamos que os eleitos possam fazer o melhor pelo nosso estado e pelo nosso país.
O reitor do Santuário Cristo Redentor, o padre
Omar Raposo, definiu o dia de ontem como “um momento histórico e especial”:
— Estamos fortalecendo neste espaço as boas práticas do turismo religioso, regenerativo e sustentável.
Na mostra, as atrações incluem maquetes de fases históricas, o molde da cabeça do Cristo Redentor, a estrutura original de para-rajos em formato de coroa, a réplica do Sagrado Coração do Reden-
Fé e exposição.
O arcebispo do Rio, cardeal Orani Tempesta, celebra missa no Centro de Visitantes Paineiras; ao lado, o rosto de Cristo exibido em mostra que conta a história do monumento
tor e um conjunto de medalhas e selos comemorativos. A exposição ficará em cartaz por seis meses, de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h, com entrada gratuita.
Um dos destaques é um ví- deo especial com imagens da estátua e, ao fundo, a voz da atriz Fernanda Montenegro, recitando o poema “Cristo Redentor — a engenharia da fé”, do escritor Carlos Dimuro.
— Quando falo da engenharia, refiro-me à construção. Na época, transformar a pedra-sabão naquele monumento maravilhoso foi uma grande novidade. Então, houve uma combinação de fé e engenhosidade. Na voz de Fernanda Montenegro, o texto fica irreditível —comentou Dimuro.
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CAPA HISTÓRICA DE 1931
Com curadoria do padre Omar, a mostra exibe também charges, fotos e páginas do GLOBO, com destaque para a capa histórica do dia da inauguração do Cristo. Outras obras assinadas por artistas de renome estão na exposição: "Cristo Redentor em acrílico colorido" e "Nossa Senhora Aparecida", de Marco Velasquez; "Rosto de Cristo / Sagrada Face", "Virgem Maria em Oração" e "Cristo em Glória", de Rafael Ferraraccio; "Christ The Redeemer - Limited Edition Print", de Romero Britto; e "União dos Povos" e "Gênesis", de Alexandre Pinhel.
Os visitantes puderam conferir ainda “O Corcovado, o Redentor e uma Oração”, série construída pela fotojornalista Claudia Martini ao longo de 22 anos, a partir das fotografias feitas da janela de seu apartamento. O trabalho revela diferentes paisagens do Morro do Corcovado e do Cristo Redentor, tendo o Pai-Nosso como estrutura narrativa.
Como parte dos festejos, foi realizada a Ação de Amor do Cristo Redentor, na Cathedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro, com cerca de 50 serviços gratuitos voltados para a população em situação de vulnerabilidade social.
Petição pede transferência de vagão de Dom Pedro II
Abaixo-assinado quer levar peça do Museu do Trem, no Rio, para Petrópolis; Iphan descarta ideia
AMANDA ROSA\* E HENRIQUE BARBI
granderio@oglobo.com.br
Fabricado na Bélgica em 1886 para transportar Dom Pedro II e a família imperial, um vagão de quase 17 metros de comprimento, hoje guardado no Museu do Trem, no Engenho de Dentro, na Zona Norte, tornou-se alvo de uma petição que pede sua transferência para o Museu Imperial, em Petrópolis, na Região Serrana. A proposta, que reúne 726 assinaturas, esbarra, porém, na posição do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo acervo. Segundo o órgão, não há recomendação técnica para a mudança, considerada uma medida excepcional. A prioridade é preservar e restaurar as peças no próprio museu, fechado à visitação desde 2019.
Conhecido como Carro Imperial, o vagão tem quatro compartimentos, entre eles um toalete e um salão com 15 cadeiras, e pesa 13,7 toneladas.
A campanha pela transferência foi criada pelo empresário Michael Gaia, de 30 anos, morador de Florianópolis, em Santa Catarina, e entusiasta da história do Brasil. Ele conta que decidiu lançar o abaixo-assinado após conhecer relatos sobre as condições do Museu do Trem, que já foi alvo de furtos. Para Gaia, a mudança para Petrópolis seria uma alternativa para garantir a preservação.
Relíquia. O Carro Imperial no Museu do Trem, no Engenho de Dentro: segundo o Iphan, em bom estado de conservação
—Ao tomar conhecimento da situação de abandono e do risco de perda e degradação do vagão, uma peça de grande importância para a memória nacional, decidi criar a petição como uma forma de chamar a atenção da sociedade e das autoridades —afirma.
Segundo o empresário, o Museu Imperial informou que encaminharia o assunto à coordenação técnica, enquanto o Iphan comunicou a previsão de restauração do acervo. Ele diz, no entanto, que não recebeu informações sobre prazos ou um projeto definido.
Em resposta ao GLOBO, o Iphan informou que concluiu o Plano Museológico do Museu do Trem e o inventário de seu acervo, com levantamento das condições de conservação e segurança das peças. O trabalho servirá de base para a elaboração de um projeto de restauração, que incluirá o Carro Imperial. Segundo o instituto, o vagão passa por higienização periódica, está em bom estado de conservação e foi vistoriado pela última vez em julho.
Cenário preocupante. Sede do museu está fechada à visitação desde 2019
O órgão afirma que a transferência de bens de grande valor histórico deve ser tratada como uma medida extrema.
“A atuação institucional não se orienta pela retirada de um carro ferroviário do Museu do
Trem, mas, ao contrário, pela construção de condições que permitam a preservação, recuperação e restauração do conjunto dos carros ferroviários e dos demais bens que integram o acervo", informou em nota.
Segundo o Iphan, a decisão também busca fortalecer o museu como espaço de memória e identidade do Engenho de Dentro. O órgão não apresentou um cronograma para a restauração.
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FECHADO À VISITAÇÃO
Inaugurado em 1984, o Museu do Trem reúne peças importantes como a Baroneza, primeira locomotiva a vapor do país. O espaço está fechado à visitação desde 2019 e apresenta problemas de conservação, com vegetação sem poda e estruturas deterioradas.
Em 2022, o museu foi alvo do furto de 16 sinos de bronze, utilizados entre o fim do século XIX e o início do século XX. A maioria das peças foi substituída por réplicas de gesso. Um relatório encaminhado ao Iphan à época estimou o prejuízo em R\$ 240 mil e classificou a perda cultural como inestimável. Uma investigação da Polícia Federal foi aberta, mas acabou arquivada pelo Ministério Público.
\* Estagiária sob a supervisão de Sanny Bertoldo | CAPITAIS | MIN. | MÁX | MACEIÓ |
'Eu sou caveira, aquilo ali é a minha família', dizia policial
Comoção. Familiares, amigos e colegas de farda participam de homenagem a PM morto em serviço durante velório
Ex-esposa lembra palavras de agente do Bope, morto durante ação de PMs que teriam confundido colegas com bandidos
ANNA BUSTAMANTE
anna.santos@oglobo.com.br
Menos de um ano após se despedir de Heber Carvalho Fonseca, a família sepultou ontem seu irmão, Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos. Os dois eram integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope): o sargento Heber foi um dos cinco policiais mortos na megaoperação do Complexo da Penha, no fim de outubro passado, e o subtenente Gláucio perdeu a vida anteontem, durante troca de tiros na Zona Sudoeste do Rio.
A suspeita é de que policiais do 18º BPM tenham confundido uma abordagem feita por agentes do Bope com uma ação criminosa e disparado contra os colegas.
— Ele dizia: “Se um dia eu morrer, eu quero estar fardado” — recordou Aline Viana, ex-esposa de Gláucio, em meio a parentes, amigos e colegas de farda do subtenente.
O velório foi no Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Oeste. Antes do sepultamento, um helicóptero do Bope sobrevoou o local e lançou rosas brancas e vermelhas em homenagem ao policial. Integrantes da tropa de elite da
PM formaram um corredor para a passagem do caixão.
A despedida ocorreu a poucos dias do primeiro aniversário da morte de Heber, um dos cinco policiais mortos na megaoperação realizada em 28 de outubro de 2025.
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CÂMERAS CORPORALS
A ocorrência de anteontem foi na Rua Guilherme Moreira, na Freguesia. A Polícia Civil ouviu alguns dos PMs envolvidos e pediu as imagens das câmeras corporais dos agentes para esclarecer o episódio. Armas também foram recolhidas para perícia.
Segundo a Secretaria de Polícia Militar, agentes do Bope abordavam um veículo quando policiais do 18º BPM (Jacarepaguá) chegaram ao local. Ao todo, seis PMs foram baleados: cinco do Bope e um do 18º BPM. Conforme a corporação, devido à baixa luminosi dade no local, os policiais do 18º BPM teriam confundido a abordagem com uma ação criminosa e efetuado disparos contra a equipe do Bope.
Aline cobra explicações sobre as circunstâncias do confronto e questiona como agentes do 18º BPM teriam confundido a abordagem com uma ação criminosa. Segundo ela, informações recebidas pela família indicam que a presença da tropa de
Bolos são periciados por suspeita de contaminação
Polícia Civil investiga se havia substância tóxica nas tortas que seriam distribuídas no Dia das crianças em Oswaldo Cruz
CAMILA ARAUJO
camila.pinto@edglobo.com.br
A Polícia Civil realiza uma perícia em bolos que seriam distribuídos ontem em um evento no bairro de Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio. A suspeita é que eles tenham sido contaminados com uma substância desconhecida. O caso é investigado pela 30ª DP (Marechal Hermes). Um homem foi detido, e testemunhas foram chamadas para prestar depoimento.
Ainda não há informações oficiais sobre qual é o componente encontrado nos bolos. Segundo a Polícia Militar, agentes do 9º BPM (Rocha Miranda) foram acionados a partir da denúncia de que um morador teria adicionado substâncias tóxicas a um doce que seria distribuído em um evento. No local, o suspeito foi encontrado dentro de casa com uma arma de fogo. O comando da unidade informou que o homem se tran-cou em um cômodo e, após negociação, entregou-se à polícia. Uma pistola calibre 40 contendo nove muni-ções foi apreendida, e ele foi levado para a 30ª DP (Marechal Hermes).
De acordo com a Polícia Civil, moradores da região informaram que o suspeito teria acessado o local onde os bolos estavam pelo telhado do imóvel, que tinha uma telha quebrada, e que teria arremessado substâncias tóxielite na região havia sido comunicada, o que levanta dúvidas sobre a circulação do aviso entre as equipes.
Apreensão. Bolo que seria servido em festa infantil foi enviado para perícia
— A gente quer entender exatamente o que aconteceu. De primeira mão, foi falado para nós que não houve uma comunicação, e nós já sabemos que foi feita, sim, uma comunicação. Então, a partir de agora, a gente quer entender: quem foi comunicado? Essa pessoa passou a comunicação para todo o batalhão? Se sabiam que estavam naquela área, por que aconteceu isso tudo? —questiona Aline
A ex-esposa também quer saber se os agentes envolvidos perceberam que estavam diante de integrantes de outra unidade da corporação e em quais circunstâncias os disparos foram efetuados.
— Será que ninguém viu uma farda diferenciada ou não chegou mais próximo a ponto de saber o que era, já que não estava havendo troca de tiro? —pergunta.
Gláucio tinha dois filhos e estava na PM há quase 26 anos, a maior parte deles no Bope. Mesmo após o divórcio, Aline e Gláucio tinham relação próxima. Ela descreve o ex-marido como um apaixonado pela profissão.
— Ele fazia questão de dizer: “Eu sou caveira. Aquilo ali é a minha família” — conta Aline.
cas sobre as tortas, destinadas a uma festa de comemoração do Dia das Crianças.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a vizinhança proferindo xingamentos e ameaças contra o homem, enquanto ele é levado pelos policiais. Os três bolos tinham cobertura branca e granulados coloridos — entre eles, pequenos pontos pretos que geraram a suspeita de contaminação.
A proprietária do imóvel onde o suspeito se encontrava autorizou a entrada dos policiais, que o contiveram e o algemaram, diante do risco de linchamento. A Polícia Civil informou, em nota, que diligências seguem em andamento.
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Silêncio dos bons
Inquestionável a afirmação da Martha Medeiros: “A tortura é a falência da condição humana” (Revista ELA, 11 de outubro). E ela afirma isso lembrando a fala de inexpressivo parlamentar que, ao votar a favor do impeachment da então presidente Dilma, aproveitou para elogiar um torturador. E o pior: acompanhado por um silêncio cúmplice do Parlamento. Martha é otimista quanto à Humanidade, eu sou apenas um cético esperançoso para poder sobreviver, pois acho que a Humanidade não deu certo, sendo as exceções apenas a confirmação da regra. Talvez a maior prova disso seja o silêncio dos bons, banalizando postura repugnante de um ser abjeto. PEDRO HENRIQUE M. FONSECA RIO
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Puxão de orelhas
O artigo do Demétrio Magnoli ("A culpa é do povo", 12 de outubro) é quase um puxão de orelhas nos progressistas intelectualizados. Como estão convictos de que se encontram do lado certo, dão de ombros para quem resolve ocupar o lado contrário. É fato que estão, efetivamente, certos, mas não basta saber e tripudiar. Há que se argumentar e esclarecer, com todo o respeito. Caso contrário, prevalece a famosa frase de Joãoinho Trinta que o povo adora: "quem gosta de miséria é intelectual".
ASSIS DE MELLO E SILVA
RIO
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Bom senso no dia 25
Os eleitores estarão diante de decisão histórica no dia 25. Escolher entre a meia esquerda de Lula e a extrema direita de Flávio Bolsonaro. Somos um povo conciliador e nunca fomos extremistas, nem de esquerda nem de direita. Esperamos que o bom senso prevaleça. Votem com responsabilidade e bom senso para o bem de todos.
PAULO SERGIO ARISI
PORTO ALEGRE, RS
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Desequilíbrio
Às vésperas do segundo turno presidencial, impressiona-me a assimetria com que parte da grande imprensa trata os dois candidatos. Lula é criticado frequentemente pelos gastos públicos e pelo déficit fiscal, questões legítimas, mas pouco se destacam sua defesa da soberania nacional, as políticas sociais, a educação, a atuação diplomática e a importância geopolítica conquistada pelo Brasil. Em contrapartida, parece receber menor atenção o que representaria eventual presidência de Flávio Bolsonaro, cuja trajetória política está profundamente vinculada à figura paterna. Jair Bolsonaro deixou um governo marcado por graves controvérsias na saúde, na segurança, no meio ambiente, na educação e na cultura, culminando em sua condenação pelo STF por participação na trama golpista. O próprio Flávio já manifestou a intenção de subir a rampa do Planalto acompanhado do pai. Que autonomia teria seu governo? Não se trata de poupar Lula de críticas nem de responsabilizar o filho pelos atos do pai. Trata-se de exigir da imprensa igual rigor na avaliação dos dois projetos políticos e de seus possíveis efeitos sobre as instituições democráticas.
ANTONIO URANO
RIO
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Riscos à Terra
Tomara que o editorial do jornal O Globo de ontem (“Novo Congresso traz risco de desmonte de leis ambientais") seja lido pelos parlamentares que vão compor a nova legislatura (2027-2031), assim como o editorial de 8 de outubro, que recomendava que todos que assumem mandatos fiquem desde já cientes da gravidade do El Niño. Mudanças climáticas não querem saber se os eleitos são de esquerda, direita ou do Centrão. Por isso, não se deve transformar tudo em conflito ideológico. Como bem destacado no editorial, "os riscos ao planeta Terra devem ensejar mais preocupação com a questão ecológica, e não menos. Se se creem mesmo conservadores, os parlamentares deveriam zelar por conservá-lo".
RUBEM PERLINGEIRO
RIO
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Profissão de fé
Irretocável a crônica de Joaquim Ferreira dos Santos de 12 de outubro (Uma crônica-oração para N. S. Aparecida"), em que transforma a oração em uma crônica de expressiva força literária e consciência cidadã. Tocou-me especialmente a maneira como reúne personagens, crenças e tradições diversas para celebrar um Brasil plural e acolhedor. Sua ironia dá vigor à denúncia da intolerância, preservando a ternura que sustenta o pedido de proteção. Vejo na empatia e na civilidade que atravessam o texto uma profissão de fé que também compartilho: a esperança de que possamos conviver com mais respeito, sensibilidade e humanidade. JOSÉ FLÁVIO SILVA
SÃO LUÍS, MA
A crônica de Joaquim em forma de oração foi a luz desse feriado da Padroeira. O manto azul cor de papel de maçã há de nos proteger, Joaquim. Não será a primeira nem a última vez que dele precisaremos. E também precisaremos de luz para clarear o conceito de democracia. Porque não basta a escolha ser livre. Para escolher, é preciso pensar no todo. As escolhas idiossincráticas, simplesmente pelo “isso porque não quero aquilo”, são decisões que afetam a todos. Padroeira, ilumine nossos dedo. Dê-nos um dedo iluminado como o do ET. Não para ressuscitar flores, e sim para mostrar nas urnas o destino brasileiro que queremos para o Brasil. Amém!
MARIA INÊS ESCOSTEGUY CARNEIRO
RIO
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Ora o gato, ora o rato
Essa briga para dar decisão e derrubar decisão, que ocorre entre os ministros do Superior Tribunal Federal e do Superior Tribunal Eleitoral, faz-me lembrar o tradicional desenho animado Tom e Jerry, onde o gato e o rato se alternam em momentos em que um leva vantagem sobre o outro.
VITAL ROMANELI PENHA
JACAREÍ, SP
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Virar páginas
Muito se fala sobre o fim do jornal impresso. Entretanto, 12 de outubro, ao abrir a porta de casa, deparei-me com um exemplar do GLOBO sobre o meu capacho. Ao avistá-lo, fui surpreendido por uma reprodução histórica que remetia à matéria de inauguração do Cristo Redentor, justamente nesta data, há 95 anos, em 1931. Arrepiei-me da cabeça aos pés! Uma emoção genuína, singular, dessas que somente o papel é capaz de proporcionar. O prazer de tocar, folhear, descobrir
página após página, guardar como recordação ou simplesmente passar adiante. Há algo de profundamente afetivo nessa experiência que nenhuma tela consegue substituir. Por isso, vida longa — e, se possível, eterna — aos jornais e livros impressos! Que jamais sucumbam à era digital, porque há sentimentos, memórias e pequenos rituais que merecem continuar existindo fora das telas. Que nunca nos falte o encanto de virar uma página.
LEONEL LEANDRO
RIO
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Onde Cristo pisa
Parabéns ao GLOBO pela homenagen aos 95 anos do nosso Cristo Redentor, orgulho e cartão-postal do Rio, patrimônio da Humanidade. Todavia, convém alertar que, além da cuidadosa manutenção do monumento que vem sendo feita, é conveniente uma avaliação técnica na estabilidade das encostas do Morro do Corcovado, sobre as quais ele está imediatamente assentado. Como profissional da área, a impressão é que há fragmentação de rochas que podem sugerir risco de instabilidade a médio prazo. Trata-se de prevenir um eventual desastre natural de consequências irreparáveis.
FERNANDO F. CRUZ
RIO
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Adeus, Rio
Caso Ceperj, fraude e sonegação na Refit, enterro de ativos da Rioprevidência no buraco negro do Master e, agora, a Operação Escola de Papel... o Estado do Rio agradece os desvios do PL contratando mais quatro anos já no primeiro turno. Estou procurando outro estado pra morar, pois eu não quero
ser governado pelo CV.
RENATO MODESTO
TERESÓPOLIS, RJ
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Mil desculpas
Todo um excelente trabalho feito pelo nosso governador em exercício Ricardo Couto irá por água abaixo, uma pena para cariocas e fluminenses! Mil desculpas, governador.
LUCIENE FONTOURA
NOVA FRIBURGO, RJ
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Soprador de apito
Mário Vianna foi um lendário ex-árbitro de futebol, comentarista e radialista brasileiro. Sobre o Fla x Flu do último domingo, Mário Vianna teria chamado o juiz da partida de “soprador de apito”, por não marcar um pênalti e, em seguida gritaria a plenos pulmões: “Errrrrrrrroooou”. ORLANDO A. G. JUNIOR RIO
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Não dá, ó pá!
Vascaíno fiel e “velhinho”, fiquei decepcionado com a opção do nosso técnico, na minha opinião muito competente, de poupar jogadores no jogo contra o Remo após a melhor atuação, contra o Botafogo. Pela lógica, o jogo ante o Remo, em casa, era a grande chance de fazermos três pontos indispensáveis. O mais importante pro nosso Vascão é não cair pra Segundona. Copa Sul-Americana, Copa do Brasil não devem ser prioridade. Só para refletir: imaginemos o Vasco campeão da Sul-Americana e da Copa do Brasil, mas disputando Série B em 2027. Não dá! Acorda Pedrinho & Emanuel. Sempre o mais importante tem que ser o Brasileirão — pelo menos neste momento...
AUGUSTO PASCINI NETO
JUIZ DE FORA, MG
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HÁ 50 ANOS
Ala radical do PC chinês é afastada do poder
13/10/1976
O primeiro-ministro Hua Kuo-feng assumiu ontem o poder na China em meio a rumores de que precisou esmagar um movimento de resistência da chamada “ala radical”, integrada por quatro altos dirigentes do Partido Comunista, entre os quais a viúva de Mao Tsé-tung, além de 40 funcionários do escalão médio. Os mais destacados participantes do complô estariam sob regime de “residência vigiada”. Fontes diplomáticas disseram que a ausência de um desmentido oficial reforça as notícias sobre a tentativa de golpe.
Em construção, Botafogo fica no empate com o Coritiba
Time segue sem vencer desde a chegada de Tite, mas apresenta evolução coletiva e conta com protagonismo de Danilo
DIOGO DANTAS
diogo.dantas@oglobo.com.br
Apoucas rodadas do fim do Brasileirão, o Botafogo concilia a formação de uma equipe para 2027 com a missão de não se aproximar da zona de rebaixamento. O ponto conquistado fora de casa diante do Coritiba, no empate de ontem por 1 a 1, foi ruim como resultado, já que o time não vence desde a chegada do técnico Tite, há três partidas, mas houve sinais de evolução coletiva.
O gol contra de Marçal e o início superior do adversário não foram impeditivos para uma reação e o bom desempenho do Botafogo no primeiro tempo, quando Danilo foi novamente protagonista, com dois gols feitos, mas só um validado — o outro foi anulado pelo árbitro por falta de Arthur Cabral. Apesar do domínio, novamente faltou ao alvinegro contundência para criar jogadas de perigo e finalizar.
O resultado de ontem fez o Botafogo subir para 36 pontos e ficar a quatro da zona de rebaixamento, aberta pelo Internacional. O alvinegro tem a chance de evoluir ainda mais neste sábado, às 18h, quando receberá a lanterna Chapecoense no Estádio Nilton Santos.
— Hoje (ontem), a gente mostrou outra cara no começo do jogo. Estamos mostrando o trabalho em campo. Queríamos os três pontos, mas aqui é difícil. Temos que valorizar. Cada ponto vale no final do campeonato. Agora é outra final em casa — projetou o zagueiro Ferraresi.
CHANCES DESPERDIÇADAS
No Couto Pereira, o alvine-gro soube valorizar sua evolução em termos de atuação, ainda que tenha apresentado problemas individuais. Enquanto Medina cresceu, Arthur Cabral e Ziyech não foram bem, mesmo com o esforço inegável da dupla.
VITOR SILVA/BOTAFOGO
Destaque. O meio-campista Danilo foi o principal nome do Botafogo no ataque. Ele teve um gol anulado pelo VAR, antes de garantir o empate no Couto Pereira
Coritiba
Pedro Morisco,
Bustos (Tinga),
Tiago Cóser, Jacy
e Felipe Jonatan
(Rodrigo Gelado);
T. Santos (Nicolás
Fonseca), Sebasti-
án Gómez e Josué
(R. Marques);
Pedro Rocha,
Lavega (Breno
Lopes) e Paulo
Roberto. Técnico:
Fernando Seabra.
Botafogo
Gabriel Batista,
Vitinho, Ferraresi,
Marçal e A. Telles;
Allan (Domingos
Andrade), Danilo,
Medina (Monto-
ro), Ziyech (Júnior
Santos) e Ma-
theus Martins
(Paulinho); Arthur
Cabral (Tiquinho
Soares). Técnico:
Matheus Bachi
(auxiliar).
Gols: 1T: Marçal (contra), aos 21 minutos, e Danilo, aos 33 minutos. Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP). Cartões amarelos: Bustos, S. Gómez, T. Santos, T. Cóser e R. Gelado (CFC); Allan e Marçal (BOT). Público: 26.439 presentes. Renda: R\$ 969.062,00. Local: Couto Pereira (Curitiba-PR).
Como time, o Botafogo controlou mais o jogo, esteve mais compacto, mas faltou contundência, intensidade na chegada na frente.
O time dependeu sempre da aparição de Danilo. O camisa 8 pisou bastante na área e exibiu oportunismo e boa técnica. Depois de o Botafogo sair atrás no placar, comandou a reação. Primeiro, aproveitou uma sobra na área para marcar, mas Cabral fez falta no zagueiro adversário, e o VAR interveio. Depois, completou jogada de Medina, que dessa vez contou com boa escorada do centroavante. Valeu.
O lado direito do Botafogo também cresceu de produção. Com Allan na proteção à zaga, os laterais subiam bastante e auxiliavam na construção. O problema era os atacantes darem sequência quando Vitinho e Telles apareciam de trás. Cabral chegou a 15 partidas sem fazer gol. Mesmo assim, conta com o voto de confiança de Tite para seguir titular.
No segundo tempo, o alvinegro relaxou, e o jogo ficou mais equilibrado. A defesa se mostrou desligada em alguns lances, e o ataque perdeu intensidade de vez. Matheus Bachi, que substituiu o pai, suspenso, fez mudanças que não surtiram efeito. Montoro entrou tarde demais. E Junior Santos tentou entregar mais gás ao time, que sofreu no fim.
O Coritiba buscou se aproveitar disso e criou problemas, exigindo trabalho de Gabriel Batista em bolas aéreas e chutes de longa distância. A primeira chance de perigo aconteceu quando o Botafogo errou na saída de bola, e ela sobrou para Josué, que finalizou de fora da área, obrigando o goleiro a fazer uma grande defesa.
Em um dos cruzamentos, Pedro Rocha acertou uma linda bicicleta, que foi defendida. Em seguida, na melhor oportunidade do Coxa, Rodrigo Gelado ganhou da marcação, porém mandou a cabeça para fora.
O Botafogo respondeu na sequência, em cobrança de falta de Alex Telles na cabeça de Tiquinho, que passou perto da trave. Logo após, já aos 40, Ferraresi poderia ter feito o segundo do alvine-gro, mas Pedro Morisco espalmou para escanteio.
A partida no Couto Pereira ficou aberta nos minutos finais, mas, diante da falta de eficiência dos dois lados, predominaram o equilíbrio e a igualdade no placar.
Wesley Natã ganha confiança de Marcão e vira novo xodó do Flu
Aos 18 anos, Moleque de Xerém desponta como opção no fim da temporada
LUCAS RIBEIRO
lucas.ribeiro.rpa@edglobo.com.br
A s queixas em relação à arbitragem consumiram boa parte da energia dos tricolores após a derrota de domingo para o Flamengo, por 1 a 0, pelo Brasileirão. Mas o Fluminense tem, sim, bons frutos a colher do clássico. Entre eles, outra atuação promissora de Wesley Natã. Após ter dado uma assistência de calcanhar na goleada por 4 a 0 sobre o Coritiba, o atacante de 18 anos ganhou mais uma oportunidade do técnico Marcão e fez um “salseiro” no fim do jogo.
Foram cerca de 15 minutos em campo no Fla-Flu, tempo suficiente para o Moleque de Xerém dar trabalho para a defesa rubro-negra e demonstrar personalidade ao arriscar jogadas individuais. Em uma delas, deu um drible de corpo desconcertante no experiente lateral-esquerdo Alex Sandro, que quase foi de cara no gramado do Maracanã.
—Nós sentimos que aquele era o momento de utilizar o Wesley (no jogo contra o Coritiba), assim como já fizemos com o Júlio (Fidelis) e o Riquelme. Sempre que treina com a gente, ele demonstra intensidade, coragem, ousadia e vontade de ir para cima. Sabemos que, se houver necessidade, vamos utilizá-lo novamente, porque ele faz parte do nosso grupo — elogiou Marcão.
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AVAL DO ÍDOLO FRED
É verdade que o recorte é pequeno, mas os últimos desempenhos de Wesley Natã já foram suficientes para que ele virasse uma espécie de xodó da torcida. Com passagens de destaque pelas categorias de base da seleção brasileira, o jovem atacante sempre foi visto internamente como promissor.
Jornada dupla. Wesley Natã se divide entre profissional e sub-20 do tricolor
Uma prova de seu valor está no fato de que, mesmo integrado ao elenco profissional do Fluminense nos treinos, Wesley também se co-
loca à disposição do sub-20 quando acionado. Quem está comandando a joia na base é justamente o ídolo Fred. Recentemente, ele viu o ga roto decidir um clássico contra o Flamengo com um golaço e, em meio à empolgação, invadiu o campo para abraçá-lo intensamente.
— Fred não deixa a gente relaxar e pede para se concentrar cada vez mais. É um cara gigante, dentro e fora do clube, então está sendo muito bom aprender com ele. Tem que ser firme na marcação e objetivo com a bola no pé para terminar as jogadas. Tudo vem dos treinos, e está dando certo nos jogos — destacou Wesley Natã ao site do Fluminense.
Rio Open anuncia Musetti para edição de 2027
Em ascensão, o camisa 34 deve ser novamente opção no banco de reservas para o jogo de ida da semifinal da Libertadores, contra o Palmeiras, amanhã, às 21h30, no Maracanã. Os tricolores prometem fazer uma grande festa. A partida de volta será no Nubank Parque, em São Paulo, nos mesmos dia e horário da semana que vem.
A os poucos, o line-up da próxima edição do Rio Open começa a ganhar forma. Ontem, a organização do torneio anunciou a presença do italiano Lorenzo Musetti, que já foi top 10 do mundo e tem no saibro sua melhor superfície.
Esta será a terceira tentativa do Rio Open de contar novamente com um dos nomes mais interessantes da
Aos 24 anos. Musetti é 25º do ranking
Se, em 2026, o Rio Open teve dificuldades para apresentar uma chave atraente — pela primeira vez na História, não houve integrantes do top 10 na disputa —, o evento caminha agora para uma importante retomada.
nova geração do tênis italiano, semifinalista de Wimbledon em 2024 e de Roland Garros em 2025. Depois de disputar a edição de 2023 do torneio carioca, Musetti chegou a ser anunciado na chave nos dois anos seguintes. Mas se lesionou às vésperas da estreia e desistiu.
Além de Musetti, hoje o 25º do ranking, já foram anunciados o também italiano Flavio Cobolli, número 7 do mundo; o norueguês Casper Ruud, que já foi 2º e hoje é 24º; e o fenômeno brasileiro João Fonseca (29º).
— Sempre pude desfrutar da cidade e sentir o carinho da torcida. Estar no Rio é especial, e desta vez vai ser mais interessante com o novo estádio — diz Musetti, numa referência à nova quadra central do Jockey, que terá capacidade para um público cerca de 50% maior.
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Zverev terminará temporada como nº 1 do mundo
Em uma temporada marcada por lesões importantes dos dois principais tenistas da atualidade, Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, houve espaço para que o alemão Alexander Zverev enfim concretizasse a expectativa sobre ele depositada. Ontem, com a eliminação do espanhol do Masters
1000 da China, Sascha garantiu que terminará o ano como líder do ranking da ATP. É uma questão de tempo, já que Sinner não jogará mais em 2026 em virtude de uma lesão no joelho direito e perderá parte dos pontos. Será a primeira vez que um tenista alemão ocupará o posto de melhor do mundo.
O novo feito de Zverev se soma aos dois primeiros títulos de Grand Slam de sua carreira, conquistados neste ano após longa espera: Roland Garros, em junho, e US Open, em setembro.
CENTRO DAS ATENÇÕES Vasco desafia Boca Juniors na Bombonera para retomar protagonismo continental
MATHEUS LIMA/VASCO
LUCAS RIBEIRO
lucas.ribeiro.rpa@edglobo.com.br
Arquiteto. O técnico Pedro Emanuel ganhou reforços e conseguiu mudar o patamar do time do Vasco, que segue vivo em busca de dois títulos nesta temporada
Reencontro. Vasco voltará à Bombonera hoje, 25 anos depois de último jogo
A indefinição sobre o estádio do jogo de volta mobilizou os cruz-maltinos e tomou conta do noticiário às vésperas do encontro entre Vasco e Boca Juniors pela Sul-Americana. Mas o due-lo que começa hoje à noite, às 21h30, em Buenos Aires, tem uma dimensão capaz de relegar qualquer história paralela ao segundo plano. Afinal, o Gigante da Colina entrará em campo na Bombonera em busca de uma final que o recolocaria na posição de protagonista da América do Sul após um longo inverno, em meio ao crescimento do time sob o comando do técnico Pedro Emanuel e ao fortalecimento do clube no processo de revenda da SAF.
A excepcionalidade da ocasião explica a invasão de vascaínos à capital argentina. Já são 25 anos sem que o cruz-maltino entre em campo em um dos dois maiores palcos do futebol do país: a própria Bombonera ou o Monumental de Núñez, casa do River Plate.
A última vez em que o Vasco pisou no caldeirão do Boca Juniors foi em 25 de setembro de 2001, no empate em 2 a 2 pela Copa Mercosul, quando Odvan e Euler marcaram para os cariocas.
Já da casa do River Plate e da seleção da Argentina, as lembranças são inesquecíveis. Uma delas é a goleada por 4 a 1 sobre os Millonarios, em 22 de novembro de 2000, na campanha do título do mesmo torneio. Pedrinho, ex-jogador e atual presidente cruz-maltino, deixou sua marca no placar.
Dois anos antes de levantar o troféu da Mercosul, o Vasco havia vivido, também no Monumental, um dos momentos mais emblemáticos de sua história: o famoso gol de falta de Juninho Pernambucano na semifinal da Libertadores de 1998, ano em que conquistaria o título inédito.
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MUDANÇA NO TIME
Ainda que as glórias sejam eternas, o clube busca recuperar parte desse prestígio. Não à toa, sua última semifinal continental foi na Sul-Americana de 2011, quando acabou eliminado pela Universidad de Chile.
Durante o período de ausência das fases decisivas dos grandes torneios, o cruz-maltino assistiu da televisão aos rivais cariocas protagonizarem momentos históricos justamente nes-
ses palcos lendários do fute-bol sul-americano. Desde 2019, Flamengo, Fluminense e Botafogo conquistaram cinco Libertadores. O rubro-negro levantou a taça em 2019, 2022 e 2025, enquanto o tricolor conquistou seu único título em 2023, ao bater o Boca no Maracanã. Já o alvinegro ergueu a taça inédita em 2024, numa final contra o Atlético-MG no Monumental.
Para o jogo de hoje, Pedro Emanuel tem Nuno Moreira e Adson como opções para substituir Colidio entre os titulares do Vasco. O argentino sequer viajou a Buenos Aires, já que não foi inscrito pelo cruz-maltino na competição e segue na lista do River Plate, seu ex-time, para a etapa de mata-mata.
No treino de ontem, o único em solo argentino antes da partida, o técnico português testou variações com os dois jogadores. O meiocampista Cauan Barros, que recentemente sofreu um acidente de carro, e o centroavante Spinelli seguem fora por problemas físicos. O meia Johan Rojas, por opção técnica, e o zagueiro Cuesta, em fase de transição, também não viajaram.
Boca Juniors
Montero,
Braida, Di Lollo,
Pellegrino e
Blanco; Alarcón,
Delgado e
Palacios; Villa,
Romero (Flores)
e Valencia.
Técnico: Rodolfo
Arruabarrena.
Vasco
Léo Jardim, Paulo
Henrique, Saldivia, Robert Renan
e Cuiabano; Sosa,
Thiago Mendes e
Lescano; Adson
(Nuno), Bruno
Duarte e A. Gómez. Técnico:
Pedro Emanuel.
Local: La Bombonera (Buenos Aires-ARG).
Horário: 21h30. Árbitro: Piero Maza (Chile). Transmissão: SBT, SBT Sports (YouTube) e Paramount+.
Já o atacante Bruno Duarte, poupado contra o Remo após sofrer uma pancada na costela durante o clássico com o Botafogo, não tem limitações físicas e deve ser titular. Brenner também volta a ficar à disposição da comissão técnica.
Em razão do feriado de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, ontem, a Conmebol estendeu para hoje, às 12h, o prazo para o Vasco definir o estádio em que enfrentará o Boca no jogo de volta da semifinal, marcado para 20 de outubro.
O cruz-maltino havia escolhido o Maracanã após uma vitória inicial na Justiça. O consórcio liderado por Fla e Flu, porém, conseguiu uma liminar e voltou a vetar a liberação do estádio. O Vasco recorreu novamente e tem expectativa de reverter o cenário mais uma vez.
Caso não haja definição no prazo previsto, a Conmebol poderá dar a palavra final. O Nilton Santos, estádio do Botafogo, seria o destino provável do jogo nesse cenário. O problema é que o Vasco já vendeu cerca de 50 mil ingressos para a partida no Maracanã. Enquanto isso, a novela continua...
Retorno de Danilo ao Fla ainda neste ano é improvável
Zagueiro passa por cirurgia após sofrer duas fraturas no rosto durante clássico e se torna baixa na reta final da temporada
No Maracanã. Danilo recebe atendimento após choque com Fábio no Fla-Flu
DIOGO DANTAS
diogo.dantas@oglobo.com.br
Ozagueiro Danilo passou ontem por uma cirurgia para corrigir as duas fraturas na mandíbula sofridas durante o clássico com o Fluminense, no domingo, e dificilmente voltará ao Flamengo neste ano. A expectativa interna é que o veterano só esteja disponível caso o clube avance à disputa do Intercontinental. Numa eventual final da Libertadores, em 28 de novembro, a presença é improvável.
Fora dos jogos contra o Estudiantes pela semifinal do torneio continental, Danilo também perderá as partidas seguintes do Brasileiro após levar uma pancada do golei-
ro tricolor Fábio na reta fi-
nal da vitória do Fla por 1 a 0.
Mesmo com o choque, o zagueiro seguiu na partida. No vestiário, porém, apresentou desorientação, teve deslocamento de um dente e precisou ir para o hospital.
Danilo foi, então, submetido a uma tomografia computadorizada, que identificou duas fraturas na mandíbula. Em seguida, houve a recomendação pela cirurgia, com a qual o jogador concordou. A operação na manhã de ontem corrigiu o problema, e Danilo recebeu alta já à noite.
O procedimento foi conduzido pelo cirurgião buco-maxilofacial Gustavo Machado, com acompanhamento dos médicos do Flamengo, Dr. Fernando Sassaki e Dr. Luiz Macedo.
“No caso de Danilo, no clássico contra o Fluminense, chama a atenção a não paralisação da partida no momento do choque, recomendação expressa em lances como esse. A sequência
O rubro-negro emitiu uma nota em que demonstrou revolta com a fratura do camisa 13 e a condução do árbitro Rafael Klein, que não parou o jogo para atendimento de Danilo após um choque na cabeça. O clube reforçou que chegou ao número de nove fraturas sofridas por seus atletas em partidas disputadas neste ano.
da jogada, inclusive, quase resultou em gol da equipe adversária", disse o clube.
Além da perda do zagueiro reserva, o Flamengo pode lamentar a má fase de seu atacante titular. Pedro voltou a ser destaque negativo, após desperdiçar uma grande chance no primeiro tempo e ser vaiado ao ser substituído no segundo.
Ainda assim, o técnico Leonardo Jardim disse confiar na recuperação do atacante.
— Quando ele faz gols, é o mais eficaz no jogo. A torcida questiona por que tirou. Quando não é eficaz, a torcida xinga. Meu papel é blindar o jogador, saber que tem outros papéis sem ser finalização, como na construção. Só que a bola não está entrando. É continuar a trabalhar, que daqui a um ou dois jogos vai entrar. E, quando eu tirar, quem vai ser xingado sou eu — brincou.
Por outro lado, o goleiro Rossi foi decisivo com defesas importantes, dias após as críticas pela atuação no empate com o Santos na Vila Belmiro —e reagiu:
— Todo mundo quer arranjar um culpado. Foi um conjunto. Mesmo cansados, temos que dar amplitude, senão vão nos pressionar e pegar a bola. Não posso dizer que o erro é individual.
CAMPEÃO OLÍMPICO DO RAP
Antes dessa turnê, realizada em parceria com a produtora 30e, o rapper já havia dado provas do tamanho que conquistara no rap ao encher a Praça da Apoteose, às próprias custas, em duas ocasiões: em 2024, no encerramento da turnê do álbum “Icarus”; e no ano seguinte, com o festival Gigantes, que montou para fazer o lançamento de seu álbum “Diamantes, lágrimas e rostos para esquecer”.
Curitiba (Igloo Super Hall, 19/12). Fôlego para tanto desafio, o artista mostrou ter: a turnê estreou no último dia 19, em São Paulo, num Allianz Parque com um público de mais de 50 mil pessoas e participações de Marcelo D2, Djonga, Evinha, Luccas Carlos, L7nnon, Sain, Akira Presidente e Febem.
—Inclusive, na última vez na Apoteose eu fiquei muito mais nervoso do que no Allianz, porque nunca tinha cantado as músicas, era tu-“A ntes de ser o realizador, você tem que ser o sonhador, mano. E eu sou o sonhador até hoje. Sempre visualizei o rap me levando para onde eu quisesse estar.” E levar o rap aonde ele jamais chegou no Brasil, esta tem sido a missão de Abebe Bikila Costa Santos, de 37 anos, cria de Jacarepaguá, Zona Sudoeste do Rio, batizado pela mãe com o nome do etíope que entrou para a História por ter sido o primeiro homem a vencer duas maratonas olímpicas.
BK', QUE CORRE
O BRASIL
COM TURNÊ
CELEBRANDO
DEZ ANOS DE
ÁLBUM DE
ESTREIA,
COMENTA
PREPARATIVOS
PARA SHOW NO
MARACANÃ EM
JANEIRO: 'SÓ
VOU ACREDITAR
NA HORA'
Conhecido do Brasil inteiro como BK', o MC chega dia 16 de janeiro ao Maracanã com o show de comemoração dos dez anos de seu álbum de estreia, "Castelos & ruínas". Que, antes disso, passa por grandes palcos em Porto Alegre (KTO Arena, no próximo dia 24), Salvador (Arena A Tarde, no dia 19/11), Belo Horizonte (Arena Hall, em 28/11) e do novo. Ali, a gente só conseguiu ensaiar 100% no dia do show, então era muita adrenalina, tudo muito pensando nos mínimos detalhes, tentando errar o mínimo possível — conta ele ao GLOBO. — No Allianz, estava feliz, mano, estava solto, já tinha vivido duas experiências. A gente foi se preparando para fazer esses grandes espetáculos, em grandes palcos, para saber lidar com uma multidão. Acho que, agora, um show para 500 pessoas é que é o mais difícil de fazer!
SILVIO ESSINGER
silvio.essinger@oglobo.com.br
DIVULGAÇÃO/PEPE RODRIGUES
A pressão do Maracanã é forte para esse carioca.
— Évito ficar ansioso por antecipação. Quando chegar na semana do show, aí sei que minha cabeça vai ficar a um milhão, é quando a galera começa a pedir ingresso, a pedir um monte de coisa, gente a toda hora ligando e a gente tendo que ensaiar, fica aquela confusão. Mas (o Rio) é a nossa casa, e a gente já vendeu mais ingressos do que no show de São Paulo — revela BK', com uma provocação ao público do Rio. — Eu nunca senti aquilo (que senti em São Paulo) em nenhum show, todo mundo cantando tudo, quase três horas de show onde a energia não baixou hora nenhuma. Sei que no Rio vai ser melhor, mas só vou acreditar na hora, vendo!
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AMOR DE MÃE
— De certa forma vai ser bom, porque a gente vai tentar aproveitar algumas coisas da estrutura. O ruim é que eu não vou conseguir ir no show do System (risos)
Para o show do Maracanã, BK' planeja trazer para o palco boa parte dos convidados que se apresentaram com ele em SP, e algumas surpresas, mas está dependendo da disponibilidade de datas dos artistas. Seu show acontece um dia depois que os gigantes americanos do rock System of a Down e Faith No More tocam no mesmo estádio, em espetáculo promovido pela mesma 30e.
—brinca ele, acrescentando que durante um bom tempo sequer pensou em Maracanã já que “queria concentrar todas as energias no Allianz”. —Eu achava que ali já ia ser um desafio bem grande, me imaginava cantando lá bem mais para frente, daqui a uns cinco, seis anos. E aconteceu agora, foi uma surpresa muito boa. No Rio, pensamos em fazer alguma coisa de graça, na rua. Ou então três noites na Fundição Progresso. Mas aí a gente falou: “Cara, a gente não vai conseguir devolver para o Rio de Janeiro da mesma forma.” Tudo que a gente fez foi se arriscando. Por que não ia se arriscar agora?
Nessas horas, BK' pensa muito na mãe, a educadora e pesquisadora Ana Cristina Gomes, uma das fundadoras do Movimento de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, que morreu em agosto do ano passado, após um transplante de coração.
Em campo.
O rapper BK' no
Maracanã: ele foi
batizado de Abebe Bikila
(nome do etíope que
foi o primeiro a vencer a
maratona em duas
edições consecutivas
dos Jogos Olímpicos)
pela mãe, a educadora
e pesquisadora
Ana Cristina Gomes.
"Quando consigo fazer
várias coisas na minha
carreira, significa
que ela conseguiu
também", reflete
—Não há nada que pague o ensinamento que ela me deu, mas acredito que, dentro desses dez anos que tive de carreira, a gente conseguiu curtir bastante. Consegui deixar minha mãe bastante orgulhosa. Lembro que ela falou: “Pô, eu olho para você e para o seu irmão, eu fico realmente feliz de ver que eu eduquei vocês certo. Eu fiz a coisa certa” — emociona-se. — Não sou perfeito, mas tu não vai me ver fazendo um monte de merda, não vai me ver des-tratando os outros, achando que sou Deus. Isso, por causa do que a minha mãe me ensinou, isso por causa do caráter que minha mãe me deu. Ela foi uma pessoa que criou sozinha dois moleques pre-tos no Rio de Janeiro. Então, quando consigo fazer várias coisas na minha carreira, significa que a minha mãe conseguiu também.
'DESAFIO É FAZER A MÚSICA CRESCER', NA PÁGINA 2
ARTIGO
O tempo de Foucault
NOS 100 ANOS DO AUTOR DE OBRAS CLÁSSICAS DAS CIÊNCIAS HUMANAS, QUE ESCREVEU QUE UM DIA O SÉCULO SERIA DELEUZIANO, É MAIS PROVÁVEL QUE POSSAMOS CONSIDERAR QUE ESTAMOS NUMA ÉPOCA FOUCAULTIANA
RONALDO PELLI
Especial para O GLOBO
Em um texto sobre o seu amigo e também pensador francês Gilles Deleuze, Michel Foucault escreveu que um dia o século seria de leuziano. Se esse momento ainda não chegou, nos 100 anos do autor de obras clássicas das Ciências Humanas e Sociais como “A palavra e as coisas” e “Vigiar e punir”, é mais provável que possamos considerar que estamos em um tempo foucaultiano. Não por praticar suas ideias libertárias, já que vivemos um momento tristemente conservador, mas por usar suas ferramentas teóricas para enfrentar questões políticas e sociais da atualidade. Inclusive esse conservadorismo.
Parte relevante da pesquisa nas humanidades passa por esse personagem que trafega com desenvoltura por Filosofia, História, Comunicação, Direito e diversas outras disciplinas. Os estudos de gênero e a teoria queer, de Judith Butler e Paul Preciado, por exemplo, dialogam com a sua "História da sexualidade", que mapeou como o sexo é um dispositivo de sociabilidade desde a Antiguidade. A necropolítica de Achille Mbembe é um desdobramento, a partir de países que foram colônias de grandes potências, do conceito de biopoder foucaultiano. Isso para ficar em apenas dois casos.
Nascido Paul-Michel Foucault em 15 de outubro de 1926 (divide o aniversário com o alemão Friedrich Nietzsche, uma das suas influências), o francês é um dos principais nomes do pós-estruturalismo. Esse grupo, que inclui além de Foucault e Deleuze, Félix Guattari, Roland Barthes e Jacques Derrida, para citar poucos mas representativos nomes, eclobiu para o mundo ao redor do Maio de 1968, quando os protestos nas ruas de Paris ditaram o comportamento político-social no Ocidente. Se o mundo anglófilo propunha o Flower Power do movimento hippie, os franceses preferiram arrancar as pedras das calçadas para arre
Ponto de vista.
Michel Foucault nos anos 1970 em Paris: francês fez sua previsão em texto sobre o amigo e também pensador Gilles Deleuze, mas suas ferramentas teóricas é que estariam em voga para enfrentar questões políticas e sociais da atualidade
messá-las nos poderes instituídos. Esses intelectuais traduziram a energia das ruas em livros, aulas, posicionamentos públicos. Entre eles, Foucault era figura de proa.
Símbolo muitas vezes do estereótipo do acadêmico francês, com óculos, gola rolê e postura libertária, acrescentando apenas o detalhe da careca, Foucault trafegou em três grandes momentos de pensamento, que são entremeados entre si. Ainda na década de 1960, começou com o chamado arqueológico, em que buscou entender como os saberes e o conhecimento são constituídos ao longo do
tempo. Num segundo momento, já na década de 1970, foi a vez do genealógico, de inspiração nietzschiana, em que tentou compreender a formação dos poderes que moldam nossos modos de viver. Por fim, na década de 1980, numa fase um pouco menos conhecida e menor, pois Foucault morreu em 1984, ele abordou o que ficou conhecido como estética da existência ou cuidado de si. Foi sua forma de tentar imaginar como as nossas subjetividades são constituídas a partir dos diferentes vetores de força que nos atingem cotidianamente.
Essa ligação mais próxima com o dia a dia é uma das principais revoluções foucaultianas. Em vez de pensar exclusivamente em grandes estruturas, no sistema como um todo, ele foi no menor, nas relações mais comenzinas para demonstrar que somos moldados pelo nosso entorno, igualmente. Ele não ignorou a economia política nem as classes sociais, mas sugeriu que é, também, na família, na escola, na igreja, no sexo, na forma como prendemos as pessoas, como tratamos os neurodivergentes que moldamos nossas personalidades. A política não aparece apenas nas eleições, mas acontece no cotidiano, estando nós atentos ou não.
A preocupação com essa micropolítica foi — e continua sendo — um dos alvos de parte da esquerda marxista mais tradicional. Veio daí o que muita gente apelida, para soar fútil, de pensamento identitário. Mas Foucault não queria abandonar o conhecimento de Marx e cia. Ele almejava inserir novas maneiras de tratar a exclusão de boa parte da sociedade. Era o nascimento da interseccionalidade, tão falada hoje. Em vez de pensar exclusivamente o pobre, deveríamos também teorizar sobre as mulheres, os indígenas, os povos pretos, o meio ambiente, o mundo LGBTQIA+, de que, aliás, ele também fazia parte, e por aí vai. Sua proposta era a diversidade.
Essa postura destoante sobressai na virada para os anos 1980, com a ascensão de governos neoliberais nos EUA e na Inglaterra. Por estudar o movimento de forma não abertamente crítica, Foucault é acusado pela esquerda mais tradicional de ter endossado o neoliberalismo. O movimento começava a varrer o mundo e produziu, desde então, fenômenos como a transformação da percepção das classes populares: elas não se sentiriam mais como pobres, mas como empresários de si — termo, aliás, foucaultiano.
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LIBERDADE DO INDIVÍDUO
Outro grupo, a qual me filho, pensa essa aproximação de Foucault como uma forma de “hackear” o pensamento neoliberal. O francês teria percebido que o neoliberalismo “empoderava” o indivíduo ao pregar a meritocracia, dizendo que ele era o único responsável pelo seu sucesso. Contra uma esquerda mais autoritária, esse novo movimento soaria como um convite à rebeldia, tal qual um filho agiria diante do pai — o Estado — controlador. A partir daí, ele reforça a importância da liberdade de escolha do indivíduo, mas reforçando — e essa é a enorme diferença — seu impacto na sociedade.
Por isso sua última fase sugere uma Estética da Existência. Tal qual artistas, poderíamos tratar nossas vidas como uma obra a ser criada. Contudo, é necessário lembrar, sempre, que a matéria-prima provém das condições já encontradas em nosso entorno. Seria uma forma de responder ao neoliberalismo a partir da esquerda. Melhor: seria a invenção de uma nova esquerda. Uma esquerda que continua a se importar com o trabalho, a produção econômica, o Estado, mas agora também pensa nos desejos, nos interesses, na diferença. Uma esquerda que afirma que podemos ser o que quisermos, não precisamos obedecer a patrão, pai ou Estado, mas que não estamos sozinhos no mundo. Há redes de segurança para o caso de darmos um passo em falso. Uma esquerda cuja subjetividade inclui ao mesmo tempo a autonomia e a solidariedade.
Ronaldo Pelli é doutor em Filosofia
CONTINUAÇÃO DA CAPA
Em 2016, quando lançou “Castelos & ruínas”, BK’ era, em suas próprias palavras, “um rapaz comum, que estava tentando encontrar o seu caminho”.
— Muita gente associa o castelo à riqueza, mas o que eu queria ali era realmente encontrar um sentido. Quando canto as músicas desse disco, aquilo soa para mim como uma pessoa que quer se encontrar no mundo, que quer encontrar seu propósito, sua missão. É alguém que não está necessariamente perdido, desesperado, mas que fala: “Beleza, tô aqui, e agora, pra onde é que eu vou? O que vai acontecer?”
Na época, o rapper (que chegou a participar de batalhas de rima na Lapa) tinha deixado o Nectar Gang, grupo que “já tinha um respeito na rua, fazia um show ou outro e conseguia ganhar um dinheiro, mas não um dinheiro”。
— Sempre pensei no rap como trabalho — conta. — No Nectar, era eu e mais três pessoas, então você acaba rimando menos para
'SEMPRE SONHEI EM FAZER UM DISCO CLÁSSICO, A SORTE É QUE FOI LOGO NO PRIMEIRO'
BK', QUE LANÇARÁ
ÁLBUM DE
REMIXES COM
PARTICIPAÇÕES
ILUSTRES COMO A
DO SAXOFONISTA
AMERICANO E
ASTRO DO JAZZ
KAMASI
WASHINGTON,
ANALISA INÍCIO DE
CARREIRA,
MERCADO, MAIOR
PARTICIPAÇÃO DAS
'MINAS' E POSIÇÃO
POLÍTICA DE
FÃS DE RAP
ficar um suingue legal, para dividir os versos, cada um ali tinha um espaço. Já no “Castelo & ruínas”, eutinha muita coisa para falar. Era vontade de ser visto, de fazer valer. Hoje eu faço rap 20 horas por dia, naquela época era 24 horas por dia escrevendo, escrevendo, escrevendo, pegando beats na internet, rimando sobre os beats, escrevendo, escrevendo...
Inicialmente, “Castelos & ruínas” ia ser só uma mixtape solo, mas “depos de pronto, a gente falou: ‘Cara, isso aqui tem uma unidade, já é um BK’ diferente do BK’ do Nectar’.” Depois de uma audição promovida na galeria Homegrown, na Tijuca, o disco chamou a atenção da cena do rap. Um ano depois do lançamento, BK’ soltou três clipes comemorativos que fizeram mais barulho ainda para o disco.
— Aí eu consegui enxergar, botar o pé e acreditar que aquilo ali era o meu trabalho. “Castelos & ruínas” é o único disco que eu sabia que estava pronto. Quando lancei, tinha uma certeza bizarra dentro do peito, assim, de que seria o divisor de muita coisa na minha vida. Eu sempre sonhei em fazer um disco clássico, a sorte é que foi logo no primeiro (risos) — gaba-se ele, reconhecendo que, além da sonoridade diferente do que rolava no rap do Rio, “Castelos & ruínas” trouxe a novidade da introspecção. — Ouvindo hoje, não o acho a coisa mais introspectiva do mundo, mas, talvez pelo contexto da época, ele seja um disco que se volta muito não só para as dúvidas, mas para os pontos de vista.
Fechado um ciclo, com as comemorações dos dez anos de “Castelos & ruínas”
(que seguem com o lançamento, em breve, de um álbum de remixes com participações ilustres — inclusive a do saxofonista americano e astro do jazz Kamasi Washington), BK' parte para os próximos dez anos de sua carreira.
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FOCO NO PAÍS
— Quero me reinventar, já venho estudando algumas coisas de sonoridade, nunca vou deixar de ser eu mesmo, mas quero trazer algumas ideias novas — diz ele, que não pensa, por enquanto, em fazer rap em inglês, para o exterior (seu foco é o Brasil). — Meu inglês é horrível! Meu inglês é para chegar na loja, comprar alguma coisa e ir embora. Se tiver que conversar eu já fico nervoso, começo a procurar as palavras e já não quero mais falar.
As perspectivas para o rap no país, acredita ele, são as melhores.
— As gravadoras estão começando a olhar realmente para o rap, em termos de trabalho, de business, ele vem num crescimento interessante. E as minas vêm tirando muita onda, eu acredito que elas vão conseguir ocupar esse lugar do rap mainstream, igual às divas e aos cantores pop. Nosso maior desafio é fazer a música crescer e chegar a mais lugares, e que o rap seja uma porta não só para música rap, mas para cultura hip-hop no geral — torce. — Porque é incrível o aumento dos fãs de rap se posicionando para a extrema direita. Mas por que que isso acontece? Porque, de alguma forma, a música chegou, mas não chegou a cultura. Chegou o flow, chegou o beat, mas não chegou a história, não chegou a base. (Silvio Essinger)
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Para a segunda temporada de “Amor da minha vida”, do Disney+. Com direção-geral refinada de René Sampaio e roteiro sensível de Matheus Souza, a série mergulha em
conflitos mais densos e volta a encantar. Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros seguem brilhando e fazem cenas incríveis no quarto episódio.
Para problemas no serviço
Claro Vídeo. A primeira temporada de “Your honor” não tem áudio original nem legendas disponíveis.
O mesmo acontece com “The turkish detective”. Além disso, a plataforma só oferece o primeiro episódio de “Paradise”. “CSI: Vegas” também está incompleta. A í fica difícil, gente.
PLAY
Por Anna Luiza Santiago
Com Gabriel Menezes, Giulia Costa e Tábata Uchoa • oglobo.globo.com/play • anna.santiago@oglobo.com.br • colunaplay
Gabz, Totia Meireles, Gi Fernandes, Filipe Bragança, Julio Andrade, Danielle Winits, Rainer Cadete e Claudia Ohana participarão do “Altas horas”, de Serginho Groisman, no próximo sábado. A atração embarcará numa viagem por momentos inesquecíveis da teledramaturgia. Os convidados cantarão músicas associadas a novelas ou que tenham marcado suas trajetórias
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Memória afetiva
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Laços
Bia Seidl e Fernanda Vasconcellos viverão Renata e Alzira, mãe e filha, em “Tudo que aprendi com você”, novela vertical que chegará hoje ao Globoplay. Renata tem uma menina de 3 anos e é gerente de Recursos Humanos. Diante de reestruturações na empresa onde atua, ela passa a temer a demissão. Em meio à instabilidade, a personagem encontra na mãe o suporte necessário
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Batanga
Tony Tornado e o filho
Lincoln
Tornado nos bastidores de “A nobreza do amor”. Eles surgirão como membros da realeza africana no casamento de Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto)
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Disputa...
Ticiane Pinheiro apresentará “Academia dos nepobabies”, novo reality do Globoplay. Durante a competição, filhos de personalidades precisarão testar habilidades em profissões inusitadas. Cada missão ganhará avaliações de especialistas e renderá pontos. Ao final da temporada, vencerá quem estiver no topo do ranking.
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...E mais
A equipe não começou os trabalhos por enquanto, mas já é certo que a estreia ocorrerá no ano que vem. Carlo Milani assina a direção artística.
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Marca de luxo
Será gravada em 2027 a série de ficção do Globoplay sobre a loja Daslu, que era comandada por Eliana Tranchesi. Leandra Leal é cotada para interpretá-la. Trata-se de um projeto da Ventre Studio em coprodução com a Conspiração e a francesa Gaumont. Giuliano Cedroni criou a história e escreve em parceria com Elena Soarez.
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Em dobro
Thelmo Fernandes, que foi o braço direito de um político em “Emergência 53”, do Globoplay, surgirá na continuação da trama. Ele está confirmado ainda na sexta leva de episódios de “Arcanjo renegado” no papel do bispo Cristóvão.
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Caso real
Pedro Wagner rodará o filme de Mini Kerti a respeito de Flávio da Silva, garoto que se tornou conhecido após aparecer em fotos na revista americana “Life”, em 1961. O ator fará o padrasto do protagonista.
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No palco e na tela
Longe das novelas desde "Salve-se quem puder" (2020), Carolina Kasting estrelará este ano uma peça sobre a filósofa polonesa Rosa Luxemburgo e retornará ao audiovisual: "Não posso dar detalhes, mas estou feliz com a retomada". Leia a entrevista no site.
'AVENIDA BRASIL' REÚNE VELHOS PAPÉIS E NOVOS ROSTOS PARA CONTINUAÇÃO
A TV Globo anunciou ontem mais 27 nomes para o elenco de “Avenida Brasil 2”, elevando a 47 o número de atores confirmados na continuação da novela de João Emanuel Carneiro, com estreia em janeiro de 2027. Entre os reforços está Heloisa Périssé, que voltará a interpretar Monalisa, a cabeleireira que terminou a história original, em 2012, ao lado de Tufão (Murilo Benício).
Catorze anos após o fenômeno televisivo, a trama retomará a rivalidade entre Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves). Depois de cumprir pena na prisão, a antiga vilã reaparecerá com ares de mulher regenerada. Dedicada a trabalhos sociais em benefício de famílias vulneráveis, ela terá conquistado a admiração da
COM 47 ATORES CONFIRMADOS
ONTEM PELA GLOBO, SEQUÊNCIA DE
NOVELA DE JOÃO EMANUEL CARNEIRO
TERÁ RETORNO DE HELOISA PÉRISSÉ
E VILÃ CARMINHA 'REGENERADA' comunidade e até o reconhecimento da imprensa. A nova reputação servirá de passaporte para uma tentativa de reaproximação com a família de Tufão, sobretudo com a filha Ágata (Karol Lannes), alvo constante de gordofobia no passado. Resta saber se a mudança será para valer ou se configura mais uma das artimanhas dela.
'Oioiô'. Atriz volta a viver personagem Monalisa na trama: "É uma felicidade"
— É uma felicidade estar de volta com meus antigos colegas e tendo agora oportunidade de contracenar com uma galera jovem da idade da minha filha —celebra, ao GLOBO, Heloísa Périssé. — Não vejo a hora de começar e de me jogar de corpo, alma e coração.
Entre os nomes anunciados estão ainda Nívea Maria, Joaquim Lopes, Letícia Lima e Evelyn Castro. Eles se juntam a atores que participaram da versão original. Estão confirmados Cauã Reymond (Jorginho), Marcos Caruso (Leleco), Eliane Giardini (Muricy), Juliano Cazarré (Adauto), Letícia Isnard (Ivana) e Mel Maia, que retornará num papel inédito (em 2012, ela deu vida a Nina na infância).
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MAIS PERSONAGENS
A continuação terá ainda rostos inéditos, como Thomás Aquino, Thalita Carauta, Jéssica Ellen e Cris Vianna. O primeiro interpretará Renan Vitória, uma liderança local que disputará influência com Carminha. Thalita viverá a irreverente Salomé, enquanto Jéssica dará vida a Jade, jovem que sonha em estudar nos Estados Unidos e tenta escapar de um relacionamento tóxico.
Nem todos os velhos conhecidos estarão de volta. Isis Valverde, que fez sucesso como a “periguete” Suelen, já revelou que não estará no projeto. Alexandre Borges (Cadinho), Debora Bloch (Verônica), Camila Morgado (Noêmia) e Carolina Ferraz (Alexia), integrantes de um dos núcleos cômicos da versão original, tampouco aparecem entre os nomes anunciados. O mesmo vale para Débora Nascimento (Tessália) e José Loreto (Darkson).
Com direção artística de Ricardo Waddington e direção geral de Henrique Sauer, “Avenida Brasil 2” substituirá “Quem ama cuida” na faixa das 21h. As gravações estão previstas para começar no próximo mês.
OBITUÁRIO • EDSON SILVA, ATOR, 95 ANOS
LONGA CARREIRA QUE FOI DO TEATRO À TV
Nascido em 25 de outubro de 1930, em Juiz de Fora, Minas Gerais, Edson Silva se mudou para o Rio de Janeiro em 1951, disposto a seguir carreira nos palcos. Nacapital fluminense, estudou teatro com Paschoal Carlos Magno e iniciou uma trajetória de quase três décadas na atividade. Entre os espetáculos que dirigiu estão “O Auto da Compadeci
EM TRÊS DÉCADAS DE
TRAJETÓRIA, ARTISTA
DIRIGIU MONTAGENS,
EMPRESTOU A VOZ
A PRODUÇÕES
ESTRANGEIRAS E
ATUOU EM NOVELAS
MARCANTES
da", numa montagem de 1962 com Joana Fomm, "Lampião" e "Sinhá moça".
Com uma carreira que atravessou diferentes gerações da TV brasileira, o ator se destacou sobretudo em papéis coadjuvantes e também emprestou sua voz a produções estrangeiras. Em “Laços de família”, novela de Manoel Carlos, Silva interpretou Heitor, jardineiro de Alma, personagem de Marieta Severo. Ao longo da trajetória, esteve no elenco de outras produções marcantes da teledramaturgia, entre elas “Água viva” (1980), “Bebê a bordo” (1988), “História de amor” (1995), “Por amor” (1997) e “Mulheres apaixonadas” (2003). Sua última participação na TV foi em “Senhora do destino”, de 2004.
Carreira. Ator e dublador Edson Silva: teatro com Paschoal Carlos Magno e TV
O ator e dublador morreu aos 95 anos. A notícia foi divulgada no sábado pelo perfil Dublapédia Brasil, no Instagram. A causa da morte não foi informada.
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HORÓSCOPO Cláudia Lisboa
ÁRIES (21/3 A 20/4) Elemento: Fogo. Modalidade: Impulsivo.
Signo complementar: Libra. Regente: Marte.
A confiança crescerá pela possibilidade de repartir um peso de forma justa. Aceitar apoio exigirá reconhecer o que pode ser compartilhado e o que segue sob sua responsabilidade. Um acordo claro dará base.
A relação ganhará consistência nas atitudes que confirmam a disposição de estar junto. Haverá espaço para combinar expectativas com franqueza e menos exigência de adivinhação. Valorize o cuidado possível.
GÊMEOS (21/5 A 20/6) Elemento: Ar. Modalidade: Mutável.
Signo complementar: Sagitário. Regente: Mercúrio.
Uma orientação bem compreendida facilitará o andamento das tarefas e a construção de um ritmo em que esforço e recuperação tenham lugar. Considere as condições necessárias para cumprir obrigações.
CÂNCER (21/6 a 22/7) Elemento: Água. Modalidade: Impulsivo.
Signo complementar: Capricórnio. Regente: Lua.
O apoio recebido dara coragem para desenvolver uma expressão mais pessoal. Sinta que o erro cabe no processo. Acolha o incentivo e escolha uma maneira de cultivar o prazer que começa a ganhar espaço.
A vontade de acolher ampliará compromissos na vida íntima. Conversas francas ajudarão a encontrar uma medida para que o cuidado circule. Ofereça aquilo que consegue manter, mesmo após o entusiasmo.
VIRGEM (23/8 A 22/9) Elemento: Terra. Modalidade: Mutável.
Signo complementar: Peixes. Regente: Mercúrio.
Um entendimento terá força ao transformar intenções em palavras. Converse sobre necessidades, buscando termos que respeitem as partes envolvidas. Atenha-se ao ponto principal e confirme combinados.
A segurança aumentará ao reconhecer quais recursos estão de fato à disposição. Um compromisso terá continuidade com uma distribuição mais cuidadosa de tempo e energia. Apoie suas escolhas no possível.
ESCORPIÃO (23/10 A 21/11)Elemento: Água. Modalidade: Fixo. Signo complementar: Touro. Regente: Plutão.
Dar nome a uma necessidade facilitara a escolina de como agir. A receptividade ao redor ajudará, mas será importante participar ativamente do cuidado que deseja receber. Assuma uma iniciativa compatível.
A pressão interna diminuira ao admitir que uma parte do esforço pode ser repartida. Um apoio discreto favorecerá a retomada de um processo ainda reservado. Escolha com quem compartilhar o que está vivendo.
Um objetivo encontrará sustentação na contribuição de pessoas com capacidades diferentes. Seu papel ficará claro. Considere uma participação concreta, levando em conta as diferentes disponibilidades.
O compromisso com uma direção receberá credibilidade. Haverá a oportunidade de firmar uma responsabilidade em condições mais realistas. Na hora de decidir, considere os recursos que são necessários.
PEIXES (20/2 A 20/3) Elemento: Água. Modalidade: Mutável.
Signo complementar: Virgem. Regente: Netuno.
A confiança em um caminho crescerá mais depressa do que a compreensão de suas exigências. Uma orientação consistente ajudará a dar medida ao entusiasmo. Siga aprofundando o que ainda está aprendendo.
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JOGOS
LOGODESAFIO
POR SÔNIA PERDIGÃO
Foram encontradas 39 palavras: 25 de 5 letras, 06 de 6 letras, 08 de 7 letras, além da palavra original. Com a sequência de letras ÇO foram encontradas 05 palavras.
Instruções: Este jogo tem os seguintes objetivos: 1. Encontrar a palavra original utilizando todas as letras contidas apenas no quadro maior. 2. Com estas mesmas letras formar o maior número possível de palavras de 5 letras ou mais. 3. Achar outras palavras (de 4 letras ou mais) com o auxílio da sequência de letras do quadro menor. As letras só poderão ser usadas uma vez em cada palavra. Não valem verbos, plurais e nomes próprios.
'O RISO É A MELHOR FORMA DE ESPIAR O RIDÍCULO HUMANO'
LUCAS SALGADO
lucas.salgado@oglobo.com.br
Casal 20. “Era um sonho dos meus pais que eu fizesse um trabalho com o Tony”, diz Gloria Pires: 1º e 2º longas arrecadaram juntos R\$ 80 milhões de bilheteria
Nova dupla. Cleo Pires e Rafael Infante são os que trocam de corpos em “Se eu fosse você 3”: franquia de sucesso
Passados 17 anos de “Se eu fosse você 2” (2009) e 20 de “Se eu fosse você” (2006), a história de Cláudio e Helena, vividos pelos inesquecíveis Tony Ramos e Gloria Pires, está de volta aos cinemas. O casal retorna em “Se eu fosse você 3”, de Anita Barbosa, que chega ao circuito após exibição no Festival do Rio. No longa, a dupla principal “passa o bastão” para uma nova geração. A trama acompanha Bia (Cleo Pires), filha de Cláudio e Helena, uma chef de cozinha que vive um relacionamento com Aquiles (Rafael Infante). Num momento de crise na relação, os dois acabam discutindo e, subitamente, trocam de corpo, repetindo o que havia acontecido com os pais da jovem anos atrás.
— O projeto vinha sendo alimentado pelos produtores e por nós desde o lançamento do segundo filme. A repercussão de “Se eu fosse você 2”, junto à do primeiro filme, fez com que todos se dispusessem a pensar no 3. Pensar, o.k., mas não qualquer roteiro. Não podíamos trair a memória popular que nos apoiou tanto — diz Tony, de 78 anos. — O tempo passou, tínhamos outros compromissos profissionais. Até que um dia nos disseram: “Temos um roteiro, querem ler?” E aí aconteceu. Vimos a possibilidade ali de o filme continuar com a mesma liberdade poética da troca de casais, mas recontando isso também pelo aspecto desses pais e avós loucos por uma vida mais tranquila.
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MÃE E FILHA
Assistente de direção de Daniel Filho nos dois primeiros longas, Anita Barbosa agora assume a cadeira principal de diretora. Ela também lembra que sempre existiu o desejo de realizar o terceiro longa e que o projeto acabou sendo adiado em meio à venda da Fox para a Disney, iniciada em 2017 e concluída em 2019, que atrasou muitos processos.
Apesar de filha de uma das estrelas da franquia, Cleo lembra que precisou fazer um teste para assumir o papel de Bia, personagem vivida por Lara Rodrigues em 2006 e por Isabelle Drummond em 2009.
—Foi muito emocionante. Quando eu soube que Cleo iria fazer o teste para a Bia, eu não tinha dúvidas de que ela iria deitar e rolar porque é uma atriz que se aproxima
do drama e da comédia com a mesma disponibilidade — diz Gloria, de 63 anos. — Existe o ditado: “Quem meu filho beija, minha boca adoça.” Fiquei muito feliz com o trabalho dela e do Rafa. E também me senti homenageada de voltar a essa personagem neste lugar novo. O tempo passou pra gente, tudo vai ganhando um outro peso. Isso está no filme.
Grandes sucessos de público, os dois primeiros longas da franquia, somados, levaram 9,7 milhões de pessoas aos cinemas e arrecadaram R\$ 80 milhões nas bilheterias. Tony Ramos destaca a importância da comédia no cinema brasileiro.
— Tivemos Oscarito no nosso país, tínhamos filmes em que as filas davam volta no quarteirão, mas que eram tratados como chanchadas, não se respeitando aquela manifestação popular. Não só a comédia, mas tudo é bem-vindo, tudo é cultura. O que precisa mudar é o discurso receptivo. A cultura não está só na manifestação intelectual, mas também na manifestação de um povo —defende Tony. —A cultura tem várias faces e por isso a comédia é muito bem-vinda. O riso é a me-
DEFENDENDO
A COMÉDIA
NACIONAL, TONY
RAMOS E GLORIA
PIRES PASSAM O
BASTÃO A NOVO
CASAL EM 'SE EU
FOSSE VOCÊ 3':
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OSCARITO E
FILMES EM QUE
AS FILAS DAVAM
VOLTA NO
QUARTEIRÃO',
DIZ ATOR
lhor forma de espiar o ridículo humano.
Gloria concorda:
—O riso é uma ótima maneira de absorver mensagens e acho que o nosso filme propõe a reflexão de uma forma muito leve.
Dois dos principais nomes da dramaturgia nacional, Tony e Gloria celebram a sétima parceria após contracenarem nas novelas “Belíssima” (2005), “Paraíso tropical” (2007), “Guerra dos sexos” (2012) e “Terra e paixão” (2023), além da trilogia “Se eu fosse você”. O encontro em cena entre eles, por sinal, era um desejo dos pais da atriz, o ator Antônio Carlos Pires e a produtora Elza Pires.
— Era um sonho dos meus pais que eu fizesse um trabalho com o Tony, que só aconteceu após o falecimento deles. Comigo é sempre muito especial estar com este companheiro — a firma Gloria.
Tony emenda:
— “É um prazer que se re-nova”: essa é uma frase que repetimos sempre que nos reencontramos em uma sala de roteiro. Temos muita história e é uma relação que começa e termina no respeito mútuo que temos.
AS DORES E AS DELÍCIAS DO AMADURECIMENTO
'AMOR DA MINHA VIDA', COM BRUNA MARQUEZINE E SÉRGIO MALHEIROS, VOLTA PARA SEGUNDA TEMPORADA NO STREAMING: 'ABORDA UM POUCO A SENSAÇÃO DE QUE A GENTE ESTÁ PERDIDO'
Amizade. Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros repetem a parceria na série “coming of age” criada por Matheus Souza
TALITA DUVANEL
talita.duvanel@oglobo.com.br
Uma jovem de quase 30 anos com um tino irrepreensível para namorar canalhas e se meter em trabalhos ruins que pagam pouco. Seu melhor amigo, um expert em marasmo: herdou uma loja de lustres do pai e tem um relacionamento estável até demais. Uma moça errática e um rapaz bonzinho, que dividem sonhos reais e metafóricos (uma característica da amizade deles é ranquear os melhores sonhos de padaria da cidade), e agora estão de volta na segunda temporada de “Amor da minha vida”, no Disney+. São oito episódios de cerca de uma hora.
Protagonizada por Bruna Marquezine (Bia) e Sérgio Malheiros (Victor), a série teve, em 2024, a maior estreia nacional da plataforma, que segue apostando nesta versão em português do que lá fora se convencionou chamar de coming of age, ou série de amadurecimento, que mescla as comédias e os dramas de jovens cara a cara com a vida adulta. Tanto que a terceira temporada já foi confirmada antes mesmo da estreia desta segunda.
—A série aborda um pouco o sentimento de vazio, a sensação de que a gente está perdido — diz Sérgio Malheiros. — Isso é algo que a geração está passando.
Talvez por isso, a frase que Matheus Souza, criador e um dos diretores de “Amor da minha vida”, tenha mais ouvido desde 2024 é: “Eu sou a Bia.”
—Eram mulheres jovens que se sentiram acolhidas, porque a série abraça o erro e não exige perfeição. É anti-ChatGPT.
Fã de comédias românti-
cas e dedicado ao coming of age desde que ainda era estudante e dirigiu “Apenas o fim” em 2008, Matheus escolheu para o papel de Bia uma atriz cujo amadurecimento o Brasil inteiro acompanha. Em Bruna Marquezine, ele coloca a responsabilidade de “completá-lo artisticamente”.
—Roteiro é obra que ninguém vê, quem bota o holofote é o ator. Bruna é a maior atriz da geração dela. Se tantas meninas se identificam com a Bia, é muito também porque ela tem essa magia identificável que as grandes têm —diz Matheus, que tem, no currículo, a direção de sete filmes e roteiro de 13.
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PRODUTORA E CODIRETORA
PRODUTORIALS OBDIRETORA
"Amor da minha vida" é a primeira série de Bruna que ganha uma continuidade. Sua primeira empreitada no streaming — depois de anos na TV Globo, onde surgiu como a pequena Salete da novela "Mulheres apaixonadas" (2003) — foi "Maldivas", cancelada pela Netflix em 2022 com apenas uma temporada. Já filmou "Véspera", adaptação do romance de Carla Madeira para a HBO Max, ainda sem data de estreia, mas só na obra de Matheus experimenta os cargos de produtora e codiretora. Quem sabe agora, com novos episódios em produção, ela carimbe seu nome na direção de um deles?
—Acho que falta um pouco de coragem. Sinto muito prazer em cocriar com os outros diretores. Fico com uma coisa de “me falta bagagem, me falta mais experiência” para assumir alguma coisa. Não sei se isso é uma forma de me defender.
Uma fala que serve para Bia e seus dilemas na segunda temporada. Ela vai entrar 100% na vida adulta ou continuar se escondendo atrás dos desafios da juventude? Crescer dói e puxando o curativo estão novos personagens como o cantor sertanejo Zé Henrique (Romulo Estrela) e a diretora Giovana (Alanis Guillen), dois dos novos amores da protagonista.
—Giovana traz um pouco a ideia de que, se a Bia se relacionar com ela, vai conseguir sair dessas relações caóticas que teve —diz Alanis.
Atriz paulista de 28 anos, Alanis volta à cena depois de se despedir, em maio, de Lorena, personagem da novela "Três Graças", da TV Globo. Com Gabriela Medvedovski (intérprete de Juquinha), formou o casal "Loquinha", um dos maiores sucessos recentes da teledramaturgia.
Agora, com a Biade Bruna Marquezine, qual vai ser o nome do casal?
—Sou horrível com isso! (risos) — diz ela, aceitando Gia e Biana como sugestões dos colegas.
DA TRAUMÁTICA INFÂNCIA AO PODER, O DOC SOBRE MUSK
MATTHEW HUFF
Do New York Times
Alex Gibney inicia “Musk”, seu documentário sobre o titã da tecnologia Elon Musk, com uma pergunta: “Como pôde assumir tanto poder, e por que nós o concedemos a ele?”
O cineasta vencedor do Oscar de melhor documentário com “Um táxi para a escuridão” (2007) — e cujos trabalhos anteriores abordaram temas como a Enron, companhia de energia que faliu, e a Cientologia — dedica quase quatro horas à resposta no filme, traçando a trajetória do presidente do conselho e CEO da Tesla desde a infância na África do Sul até a oferta pública inicial (IPO) da SpaceX em junho, que tornou Musk o primeiro trilionário do mundo. (O longa, em cartaz nos cinemas dos EUA, inclui um intervalo de dez minutos.)
Quando a notícia do projeto de Gibney surgiu, em 2023, Musk recorreu ao Twitter (agora X) para classificá-lo, de antemão, como uma “peça de difamação”. Combinando entrevistas com ex-esposas e antigos colegas, imagens de arquivo dos mais de 30 anos de Musk sob os holofotes e comentários de uma versão de inteligência artificial do próprio Musk —criada a partir de um acervo de suas falas reais —, o filme acompanha sua ascensão, desde startups do Vale do Silício até a breve passagem como chefe do Departamento de Eficiência Governamental (o Doge). Eis alguns pontos principais.
WIN MCNAMEE/GETTY IMAGES VIA AFP/8-10-2026
Em cartaz nos cinemas dos EUA.
Filme de Alex Gibney sobre Elon Musk vai do bullying na escola que o deixou hospitalizado por uma semana a acúmulo de poder e depoimentos de ex
VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA
O doc traça um retrato angustiante da juventude de
Musk na África do Sul da era do apartheid. Numa entrevista, seu pai, o rico empresário Errol Musk, afirma ter atirado e matado três invasores, deixando o chão da casa coberto por uma “piscina” de sangue. Em outra, ele descreve Musk ao lado do corpo de um amigo da família que havia acabado de “cair morto”. Após a separação de sua mãe, Maye, de Errol — motivada por alegações de abuso físico e mental (acusações que o ex-marido nega) —, Musk continuou morando com o pai. Quando ele sofreu um bullying tão severo na escola que acabou hospitalizado por uma semana, seu pai, segundo ele relatou, ficou do lado dos agressores.
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FRACASSOS E VITÓRIAS
Gibney sugere que os erros de Musk nos negócios foram tão lucrativos quanto seus sucessos. Após tentativa fracassada de se tornar CEO de sua primeira startup, a Zip2, Musk foi afastado da empresa, mas recebeu US\$ 22 milhões pela venda de sua participação. Poucos anos depois, o empreendedor e investidor de risco Peter Thiel tirou Musk do PayPal, com indenização de saída de US\$ 250 milhões.
Mais recentemente, segundo Gibney, o Twitter perdeu 80% de seu valor após a compra por Musk (embora outras estimativas variem). Musk então incorporou a X e sua startup de IA, a xAI, à SpaceX para fazer a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada até hoje, levando Gibney a questionar: “Como é possível continuar cometendo erros e ainda assim ganhar milhões?”
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ARTIMANHANATESLA
Embora Musk afirme ser fundador da Tesla, a empresa automotiva foi iniciada por Martin Eberhard e Marc Tarpening em 2003. No entanto, Musk negociou para si o título de cofundador como parte de acordo judicial em 2009. Mais tarde, alegou que os motoristas da Tesla poderiam facilmente trocar as baterias de seus carros (que pesavam cerca de 450 quilos), o que o ajudou a obter mais de US\$ 100 milhões em créditos ambientais do estado da Califórnia, apesar de ter construído apenas uma estação de troca de baterias no deserto. Gibney também dedica bastante tempo ao recurso de direção autônoma da Tesla, o Autopilot, que tem sido associado a mortes e ferimentos.
EMERGÊNCIA DA NATALIDADE
O doc inclui entrevistas extensas com Justine, a primeira mulher de Musk, e Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora que o namorou entre 2023 e 2025 e deu à luz um de seus 14 filhos conhecidos. St. Clair afirma ter recebido mensagens nas redes sociais de várias mulheres a quem Musk havia oferecido engravidar. “É como uma metralhadora Gatling de esperma nas DMs dele”, diz ela numa das frases mais marcantes do documentário.
Apesar da obsessão de Musk pela procriação, ambas as mulheres sugerem que ele demonstra pouco interesse pelos filhos ou pelas mães deles. Justine recorda-se de Musk dizendo, na recepção do casamento, “eu sou o alfa nesta relação”, e, mais tarde, “se você fosse minha funcionária, eu a demitiria”. St. Clair afirma que Musk chamava abertamente XÆ A-Xii (filho dele com a ex-parceira Claire Boucher, a musicista conhecida como Grimes) de seu favorito e não fazia questão de passar tempo com os outros filhos.
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STARLINK E DOGE
Segundo Gibney, Musk conseguiu consolidar poder político por meio da Starlink, a divisão de satélites da SpaceX que fornece acesso à internet a partir do espaço. Embora tenha fornecido tecnologia essencial às forças ucranianas na guerra contra a Rússia, Musk também detém o poder de controlar e restringir acesso a ela. Esse trunfo militar lhe proporcionou influência significativa em negócios lucrativos pelo mundo. Como parte de seu trabalho com o Doge, Musk despachou agentes de controle e regulamentações destinados a monitorar a indústria. Sem essas barreiras, Gibney especula que ele poderia usar a IA para acumular ainda mais poder.
“PIAF - EU NÃO ME ARREPENDO”: CHECA AO CLUBE A SUPERPRODUÇÃO MUSICAL QUE CELEBRA A VIDA E A OBRA DE “LA MÔME” COM 50% OFF!
Protagonizado por Laila Garin, o espetáculo percorre conquistas, perdas e recomeços de Édith Piaf ao som de sucessos como “La Vie en Rose”
Conheça mais sobre a mulher que foi símbolo da chanson française. Assinantes O GLOBO pagam meia em até 2 ingressos!
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EM ATÉ 2 INGRESSOS
Até 29 de novembro
Sessões: quintas e sextas, às 20h;
sábados, às 15h30 e às 20h;
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